"sabia, sim." não é como se ele já não tivesse escutado isso infinitas vezes durante todo o seu tempo de existência, vindo de inúmeras pessoas diferentes e em inúmeros contextos diferentes. mas ouvir klaus o chamar dessa forma foi muito satisfatório, por que sabia que tinha vencido em faze-lo dizer exatamente o que queria. se sentia triunfante, sim. mas sabia como ele não gostava de se expressar dessa forma, então muito provavelmente não faria isso de novo futuramente.
o olhar do demônio seguiu cada mínimo movimento que o vampiro iria fazer após ter pedido para que ele viesse e falasse o que queria de verdade, com o sorriso predatório analisando as escolhas que ele faria e com um desejo enorme de simplesmente avançar sem pensar duas vezes. mas teria de ser calmo, ainda estava jogando o seu jogo favorito. ter exatamente o que quer apenas com palavras. aah... teve até que respirar fundo para se controlar.
quando sentiu o peso alheio em no seu colo, piscou de forma lenta deixando outro suspiro escapar, com seu olhar indo direto para onde os corpos estavam se encontrando e onde tinha a maior concentração de calor. e então, o olhar subiu para a barriga de klaus, para seu peito, seu pescoço, —ah, como queria muito beijar, morder e lamber aquele pescoço. por fim, se fixou nos lábios alheios, apenas escutando tudo o que ele queria.
normalmente esses instintos tão primitivos ficavam presos bem no fundo de seu ser por conta dos selos em suas costas, mas por estarem tão instáveis, não conseguia controlar ou reprimir. talvez tivesse passado tempo de mais dependendo deles e agora quase não conseguia se conter. porra. essa sensação era viciante. intoxicante.
ir para outro lugar, ele diz? que frustrante. estava com tanta pressa naquele momento e mesmo assim teria de se controlar mais um pouco para poder seguir a diante? as mãos na cintura alheia apertara, forte o suficiente apenas para deixar uma marca superficial, fraco o suficiente para não machucar. não queria ter que sair dali, não conseguia chamar o deevas com a cabeça girando daquele jeito e andar pelo cassino nesse estado estava fora de cogitação.
pois bem, yekun riu baixinho ao ouvir um 'por favor'. tão educado.
"se não gostar de algo, me avisa." ainda estava próximo o suficiente para roçar nos lábios do vampiro, o sorriso deixando escapar o hálito quente, provocando o outro ainda mais. a destra deslizou da sua cintura, passando pelo seu peito e clavícula até chegar em seu pescoço, segurando suavemente. seus olhos encontraram o do vampiro mais uma vez, meio turvos, mas focados e vagarosamente foi o puxando para si enquanto fechava as pálpebras... e o beijou. finalmente.
estava tentando não avançar rápido de mais para evitar que acabasse mais cedo do que gostaria, queria deixar que tudo fluísse de forma mais contida e provocante, maximizando as sensações e aumentando a ansiedade por mais. e queria mais. muito mais. os lábios do demônio se mantiveram pressionados contra os de klaus com calor, sustentando o beijo por um segundo a mais antes de aprofundá-lo, inclinando levemente a cabeça para encaixar melhor.
a mão que estava no pescoço do vampiro apertou suavemente antes de deslizar para a nuca, os dedos se fechando ali com firmeza e puxando algumas mexas de cabelo como se quisesse impedir que ele se afastasse. a outra mão puxou seu corpo para mais perto, eliminando qualquer resquício de espaço entre eles. mas se sentisse que ele queria mesmo um pouco de espaço, iria ceder. contra sua vontade no momento, mas ia.
hora ia mais devagar para provoca-lo propositalmente e hora ia com um pouco mais de brutalidade, como se estivesse querendo que o outro perdesse o controle primeiro. o beijava, mordia, apertava sua cintura e puxava seu cabelo. ás vezes, fazia uma pausa para puxar um pouco mais de ar, mas era uma pausa curta demais para aliviar qualquer sensação.
quando quebrou o beijo, não se afastou. os lábios apenas se deslocaram, roçando pela linha da mandíbula, deslizando suavemente pela sua pele descendo devagar até que chegasse ao seu pescoço. foi quando puxou seu cabelo um pouco mais forte para ganhar mais espaço ali. mas apenas deu um beijo, demorado e controlado.
"klaus." o chamou perto do ouvido, segurando em sua cintura e o puxando contra o próprio corpo. agora deslizando o nariz para mais perto da orelha do outro, mas descendo para o pescoço novamente e apoiando a cabeça ali. "eu quero continuar." impossível dizer que não. "mas... você quem vai ter que chamar o deevas. com a minha cabeça desse jeito, eu não consigo."
Klaus gostaria de não estar tão ciente da forma como seu corpo pareceu derreter quando Yekun finalmente o beijou. Também gostaria de não ter percebido o quanto estava ansiando por aquilo. Talvez, se não estivesse tão distraído pela forma como Yekun puxara seu cabelo, sua mente tentasse descobrir, marcar um início, o exato momento em que sua órbita colidira de vez com a do demônio. Porém, os processos mentais de Klaus sempre foram facilmente abalados por esses tipos de prazeres. Ele se perdia neles antes mesmo que se desse conta.
Não houve resistência alguma de sua parte quando Yekun novamente lhe puxou os cabelos. O vampiro expôs o próprio pescoço com a naturalidade de alguém que já fizera isso incontáveis vezes. Havia algo quase nostálgico no gesto. Por um instante inebriante, chegou a pensar que o demônio o morderia, e não conseguiu evitar a centelha de excitação que queimou dentro de si diante dessa possibilidade.
Mas não houve mordida.
"O-O quê?" Klaus gaguejou, com a voz leve e enevoada quando Yekun falou com ele. Ah, sim. Claro. Yekun não era um vampiro. Isso não iria acontecer. Não era sobre isso que o outro havia falado, porém.
Num primeiro momento, Klaus não entendeu o que Yekun disse. Bem, ele ouvira as palavras, mas levou alguns segundos a mais para atribuir significado a elas. Afastou-se um pouco e o encarou com uma expressão confusa, como se o demônio tivesse acabado de falar em uma língua inventada. Abriu a boca para dizer algo, mas a fechou ao perceber que era difícil organizar os próprios pensamentos naquele estado.
Ah! Deevas. Sim. O demônio do teleporte. Deevas, o demônio do teleporte que era um cuzão com qualquer pessoa que não fosse Yekun, segundo Yagnar. Sim, sim.
Klaus não fazia ideia de como invocá-lo.
Ou talvez fizesse. Talvez esse conhecimento estivesse junto de todas as outras equações e memórias que ele não sabia que guardava desde que tomara o sangue de Yekun. Rostos, nomes e informações diversas que só cruzavam seu campo de visão quando eram jogados diante dele. Sim, talvez aquela resposta estivesse ao alcance, precisando apenas de um pequeno empurrão para se revelar.
Mas a mente de Klaus, como mencionado, era terrivelmente prejudicada quando os estímulos ao seu redor eram intensos. Era constrangedor, na verdade. Depois de mais de um século de existência, ele já deveria ter aprendido a blindar o próprio intelecto contra o magnetismo de homens bonitos, mas sua natureza simplesmente se recusava a mudar.
"Eu... eu não s-"
Começou a dizer, mas interrompeu-se antes de terminar. Sempre odiara admitir que não sabia alguma coisa, então tentou mais uma vez pescar a informação no fundo da própria mente.
Ele deveria saber.
Mas Yekun estava quente demais sob ele, enquanto suas próprias bochechas ardiam com um rubor que o fazia parecer terrivelmente humano — cortesia de ter consumido sangue fresco pela primeira vez em algum tempo.
Não. Ele não fazia a menor ideia de como invocá-lo.
Ah. Que saco. Terrivelmente irritante e levemente humilhante.
E ele sabia, sabia que sua frustração estava estampada de forma cristalina em seu rosto, e que Yekun provavelmente zombaria dele mais cedo ou mais tarde. Klaus sabia que ele mesmo faria isso, se estivesse do outro lado do tabuleiro.
Mordeu brevemente o lábio inferior, os olhos azuis vagando até o rosto do outro homem. Sua pele parecia vibrar nos pontos onde seus corpos se tocavam.
"Ah..." Suspirou pesadamente, embora o som tenha chegado mais próximo de um gemido do que gostaria. "Esquece." concluiu, desistindo de sequer tentar cogitar como se chamava o Deevas.
Também desistindo de parecer mais digno do que realmente era.
Não seria a primeira vez que se envolvia em algo desse tipo no sofá de algum estabelecimento comercial — e outros lugares bem menos apropriados. No fim das contas, Klaus era vivido o suficiente para não se chocar com esse tipo de coisa, mesmo que não fosse o ideal. Ainda assim, torceu internamente para que Yekun não passasse a pensar menos dele por causa disso. Klaus ficaria genuinamente triste se esse fosse o caso.
Mas essa insegurança foi um pensamento breve, logo abafado pela intensidade com que voltou a beijar o outro e pela fome que crescia dentro dele. Suas mãos desceram até a camisa elegante — e claramente cara — do demônio, agarrando o tecido da gola para puxá-lo ainda mais para perto.
Klaus queria mordê-lo, queria provar seu sangue e, em algum canto mais sombrio e selvagem da própria mente, desejava tirar um pedaço dele. Um pensamento completamente normal, para não se dizer o contrário.
Prendeu o lábio inferior de Yekun entre os dentes em uma mordida leve e cuidadosa, extremamente contida, apenas o suficiente de pressão para sugerir o que estava prestes a fazer. O vampiro quase conseguia sentir o gosto antecipado do sangue em sua língua.
Mas ele não foi capaz de prosseguir. Não porque não quisesse — não tinha nada que quisesse mais naquele exato momento —, mas porque todo o seu corpo ficou tenso quando o som inconfundível de uma porta se abrindo alcançou seus encontros.
Scheiße. Merda, merda, merda.
Sentiu as orelhas queimarem como se estivessem postas diretamente sob o sol — cortesia de ter se alimentado recentemente — e, enquanto sua mente disparava uma enxurrada de palavrões em vários idiomas diferentes, tudo o que conseguiu fazer foi esconder o rosto no ombro de Yekun e soltar um grunhido frustrado, involuntário e muito mais alto do que pretendia.
Mesmo que Klaus não tivesse planejado nada do que estava acontecendo ali quando entrou na sala, ele não conseguiu evitar se repreender amargamente por não ter trancado aquela porta.













