Atendera o telefone sem nem imaginar o que viria em seguida. Embora tenha durado pouco, assim que a ligação terminou se sentira eufórico, por mais surreal que lhe parecesse, era seu filho que estava prestes a nascer, fora aquele pensamento que começou a lhe corroer, e transformar toda a euforia em preocupação. Faltavam semanas, quase um mês, para a data prevista. Passou as mãos no cabelo nervosamente, antes de finalmente saltar do sofá, e pegar tudo o que era necessário para ir pro hospital.
Naquela hora já sabia o que esperar do trânsito de New York, mas pela segunda vez naquele dia fora surpreendido pelo taxista que parecia bem mais agitado que ele quando soubera o que se passava. Ao chegar no hospital, suspirou aliviado, tanto por, provavelmente, ter chegado a tempo, quanto por estar inteiro. Foi logo tentando descobrir onde estava Maggie, comemorando por estar certo sobre o tempo. Sorriu para a melhor amiga, tentara falar algo sobre ficar tudo bem, mas imaginava que do jeito que a loira apertava sua mão aquilo não ia adiantar muito.
Fora soltar a mão da mulher apenas quando fora necessário. Aproveitando que ela precisava descansar, foi para o berçário. O máximo que chegara perto da criança, fora pelas luvas da encubadora, mas mesmo assim não quisera incomodar muito, preferindo só olhar. E poderia ter ficado ali por muito mais tempo, se uma das enfermeiras não o tivesse chamado para sair um pouco.
“Desculpa, eu não consegui me segurar.” De volta ao quarto há algumas horas, estava sentado na cadeira ao lado da cama, esperando qualquer notícia, de Maggie ou do bebê. “Na verdade, nem é uma desculpa muito verdadeira, porque se não fosse, eu ia ficar aqui e ia te deixar bem mais nervosa. Acho que pode sim, mas não sei se dá pra ficar o tempo todo lá com ele. Mas a gente pode tentar.”
Estava agitada, fraca mais aditada. Sentia como se não conseguisse ficar em pé, mas iria ver a criança de qualquer forma, nem que tivesse que se arrastar pelo hospital. “Tudo bem, mas agora é minha vez, quero ficar lá nem que seja um minuto, não vai custar nada.” Mesmo que um tanto frenética, por tudo do dia, sentia sua voz estranha como se embargada. Só escutava sua voz assim quando bebia, mas fazia meses que não tocava numa gota de álcool pelo bebê e pela promessa que tinha feito que se tudo desse certo e ela tivesse o bebê em seus braços nunca mais beberia de novo. “Você pode pegar a cadeira? Por favor, depois de me empurrar até lá eu prometo não te pedir mais nada.” De novo, buscou pela mão do melhor amigo, apertando entre as suas e levando as costas da mão dele até seus lábios num carinho singelo. “Eu só quero ver ele de novo, agora que eu acordei quero ter certeza de que não foi sonho.”