Sempre estive ocupada demais ficando de frente com outras pessoas e imaginando, as vezes até dizendo que não era, nunca fui, e nunca seria boa o suficiente pra elas. Porque talvez eu realmente não fosse, mas quem poderia dizer isso? Exatamente, ninguém. Então passei a vida me encarregando de me auto-destruir, me colocar pra baixo de uma forma tão escrota que era quase impossível eu ter ascendente em leão, mas eu tenho, e não, não há nada de errado. Só que eu sempre me perguntei quando me deparava com meu reflexo no espelho, será que eu não sou boa o suficiente pra ninguém? Até que apareceram pessoas que me fizeram acreditar que eu era boa o suficiente pra elas, que eu não precisava disso, eu apenas precisava ser boa, dar o meu melhor, e nada mais importaria. Mas será que eu nunca fui boa o suficiente pra ninguém? Talvez as pessoas nunca tenham sido boas o suficiente pra mim. Eu sempre abri a porta e fiquei lá, em pé, segurando até todos passarem e no fim eles nem agradeciam, mas sabe? Eles estavam certíssimos, ninguém me pediu pra ficar ali bancando a idiota, eu fiz isso porque eu quis. Isso ia de amigos a relacionamentos. Acho que o amor meio que cega a gente, é o que dizem. Mas eu acho que o que cega é a carência, a falta de um colo, de um abraço, um beijo, o espaço vazio na nossa cama, isso que fode. O amor acontece, mas a carência acelera o processo, força, empurra com a barriga, e bom, essas expressões nunca foram as melhores. Hoje eu parei pra pensar que talvez eu não deva ser boa o suficiente pra ninguém, nem devo criticar tanto os outros, não devo cobrar, não devo insistir em algo que não dará certo. Porque quando for pra ser, não tem universo que conspire contra, aceitamos até o errado, porque queremos, porque talvez o errado faça bem. E depois de um tempo até o universo fica ao seu favor de novo, ou pela primeira vez. Não adianta eu tentar procurar nos outros tudo que sempre faltou em mim e nem posso deixar que façam isso. Eu sou boa o suficiente pra qualquer pessoa, porque eu dou sempre o meu melhor, ou quase sempre, e é isso que importa.