Sobre a minha melhor amiga
Só hoje eu percebi que eu tenho uma irmã. Agora que descobri que não vamos ficar tão perto quanto antes, eu senti um vazio horrível dentro de mim. Foi aí que me lembrei de tudo. Das viagens, das brincadeiras, do choro, da gargalhada, das brigas completamente sem sentido, e o mais importante: a nossa cumplicidade.
Nos conhecemos dois meses depois que minha mãe perdeu o bebê e que eu estava emocionalmente destruída. Me lembro direitinho de chorar a noite pedindo a Deus o quanto eu não queria ser uma criança sozinha. Ele atendeu meu pedido, me deu uma irmã, mas nessa época eu chamava você de amiga.
Sempre formamos uma dupla perfeita e isso era inegável. Ainda com nossas mentes puras de criança, sabíamos que sempre teríamos uma a outra independente de quais caminhos a vida nos levasse. Em nossos sonhos tão puros, a gente queria casar no mesmo dia, morar na mesma casa, engravidar na mesma época, e viver todas juntas e felizes.
Fazíamos de nossas viagens mais simples, ou alguma festinha de aniversário o evento mais importante do ano, e nós fazíamos que fosse assim.
A gente viajava pelo mundo em todas as brincadeiras e não havia nada que acontecesse no mundo externo que pudesse nos afetar, de fato. Depois a gente só queria viver como a galera de “Rebeldes” e, sendo sincera era bastante ridícula a nossa atuação.
Quando nos mudamos para uma escola maior, os interesses eram outros. Nossos dias de sexta-feira eram regados a madrugadas em claro falando sobre um menino qualquer. Eu sempre estava apaixonada por alguém e você sempre parava para me ouvir.
Mais algum tempo se passou e precisamos ser cúmplices uma da outra. Agora de verdade. Sobre nossa imaginação nunca se teve o que queixar. Sempre conseguimos elaborar todo tipo de plano, e por incrível que pareça, quase sempre dava certo.
E assim anos foram se passando entre cumplicidade, confusão e um companheirismo imenso.Mudamos o cabelo, mudamos de namorado, mudamos de muita coisa, mas nada nunca afetou nossa irmandade. Sempre tivemos sorte de ter uma a outra.
Mas, em todo esse tempo, nunca conversamos de fato que alguma hora, uma de nós seguiria outros caminhos. Na verdade sabíamos que isso ia acontecer alguma hora, mas é mais fácil fingir que não é real.
Mas, acima de tudo sabemos que nada vai mudar. Porque construímos um elo forte e indestrutível. Somos amigas, somos irmãs e não a nada que possa mudar isso.
Te amo irmanzinha, sempre estaremos juntas. Nosso elo é indestrutível!