A satisfação de Ricardo se fez Ăłbvia com um suspiro alto que ele deu, assim como um sorriso que ela nĂŁo poderia ver, mas sentir com o toque que dava em sua bochecha. âSe vocĂȘ nĂŁo estiver lĂĄ, talvez nĂŁo me interesse estar lĂĄ tambĂ©m.â Ponderou com a voz calma, mas logo a risada do homem havia voltado. âVocĂȘ dĂĄ conta sim.â Reafirmou, mas nĂŁo insistiu na conversa pois, mais do que qualquer pessoa, entendia a distĂąncia respeitosa que deveria ter dela. âBoa noite.â Murmurou de volta, encaixando a sua mĂŁo na cintura da morena para que seu corpo ficasse unido. NĂŁo demorou muito para que o homem dormisse, afinal, tinha um sono muito pesado.
Embora o sono pesado, acordar cedo era uma mania rotineira. Enquanto LuĂza dormia, cuidadosamente Ricardo saiu da cama e foi direto para o banho. Logo depois, fez um cafĂ©, juntou alguns biscoitos e frios, dispondo-os na mesa da copa â tal como tinha prometido Ă ela: um cafĂ© da manhĂŁ. Mas nĂŁo optou por acordĂĄ-la, sabia que ela merecia um descanso talvez maior do que o costume. EntĂŁo, sentou-se no sofĂĄ de sua sala com uma tigela de cereal e ligou a televisĂŁo, para assistir o jornal.
Pela ponta de seus dedos, LuĂza percebeu o sorriso de Ricardo se formando no rosto masculino. "EntĂŁo vamos juntos pra qualquer que seja o lugar. O primeiro que for fica esperando o outro." Ela disse em tom calmo, mas com uma sombra de risada na voz. Depois, acomodando seu rosto no peito de Ric, Lulu fechou os olhos e esperou o sono chegar. Talvez tenha ficado ali, naquela posição, por quase uma hora. Estava realmente agitada por causa dos acontecimentos da noite, mas a respiração do homem de certa forma a acalmava pouco a pouco. Lulu se pĂŽs a desenhar uma carĂcia nas costas dele e mesmo depois de perceber que Ricardo estava dormindo, continuou com o carinho.
LuĂza nĂŁo sabe dizer o exato momento em que caiu no sono. Acordou com um raio de sol em seu rosto, sem ter ideia de onde estava e o que tinha acontecido. Ela esfregou os olhos, sentando-se na cama, e foi quando esbarrou nos pontinhos na sobrancelha que toda a memĂłria se refez em sua mente. Sozinha na cama, Lulu afundou seu rosto nas mĂŁos e teve vontade de gritar, praguejar e, novamente, chorar. Mas ela nĂŁo fez nada disso. Respirou fundo, erguendo seu rosto e tentando dispersar a imagem de Marcos que ocupava sua mente de forma dolorosa, quando sentiu um cheiro de cafĂ© no ar. As palavras de Ricardo, entĂŁo, foram automaticamente rememoradas e Lulu se lembrou de que ele tinha prometido uma refeição de cafĂ© da manhĂŁ. Arrastando o corpo na cama, ela pisou devagar com o pĂ© imobilizado no chĂŁo, e fez um coque alto com os cabelos escuros e compridos. Devagar, passou pelo banheiro, escovou os dentes e observou seu rosto inchado e como parecia um lixo com a ferida no supercĂlio. Quis sorrir ao enxergar a sutura de Ric, mas acabou fazendo mais que isso... Lulu deu uma risada suave. âEu sou uma pessoa muito maluca mesmo. Puta que pariu.â Falou para sua prĂłpria imagem no espelho e, entĂŁo, saiu Ă procura de Ricardo.
Ao chegar na sala, se deparou com o mexicano comendo uma tigela de cereal e -- Lulu se atentou para a tela de televisĂŁo -- assistindo jornal. âJura que tu come cereal de manhĂŁ?â Perguntou com uma risada, anunciando sua presença.