Ergueu um dos ombros de modo que deixasse o telefone ali, com a cabeça pendida para o lado a fim de manter o aparelho preso enquanto usava ambas as mãos para procurar algumas roupas. No fim, optou por uma calça moletom e um blusão do mesmo conjunto, juntamente de uma jaqueta preta com capuz felpudo que o ajudaria a enfrentar o frio daquela noite. Não levaria mais nada do que aquelas roupas, afinal, sempre que precisava de alguma coisa Juan emprestava as próprias peças para o menino - e sempre fora assim, desde o início.
- Já tô quase saindo, viu? - comentou em meio ao par de tênis que puxava de sua cama, já que sua família nunca tivera o hábito de deixar os sapatos na entrada por conta do costume. No entanto, parou por alguns segundos ao ouvir a respiração pesada do outro lado da linha. - Juan? - chamou-o de novo, seguido por longos segundos de silêncio. E Raphael riu. Riu porque sabia que o amado adormecera do outro da linha, e ouvir sua respiração servia como uma forma de acalmá-lo mesmo depois de tudo.
Separou apenas sua carteira, e usou do celular de uma de suas mães para que pedisse um táxi pelo aplicativo. E fora questão de tempo até que Raphael fosse deixado em seu destino, o prédio alto e luxuoso onde seu amigo morava e que, por sorte, já era conhecido dos porteiros por frequentá-lo há pouco mais de um ano. Jieun, amorosa como sempre, foi quem o atendera após tocar a campainha, mesmo que a mesma já estivesse dormindo por ter de levantar cedo. Deixou os tênis na entrada e, após pedir mil e uma desculpas por incomodar a mulher ao acordá-la, correu até o quarto de seu amigo - que já conhecia muito bem o caminho -, e fora extremamente cuidadoso ao girar a maçaneta e abrir a porta com receio de acordá-lo.
E lá estava ele.
Mesmo em meio à bagunça do cômodo que não era usual vindo daquele homem, Juan estava em sua cama, deitado de modo que abraçasse seu violão de um jeito que, internamente, fez Raphael ter ciúmes. Afinal, gostaria muito de ser aquele instrumento.
- Mon chéri... - sussurrou, mesmo que o outro não pudesse ouvi-lo. Conforme se aproximava da cama podia ver os machucados em seu rosto, resultado do dia triste em que perdera o controle, juntamente da forma brutal em que Justin o batera por algum motivo que desconhecia. Sentiu o coração falhar uma batida pela cena, franzindo seu semblante em completa preocupação ao que se sentava com cuidado sobre o colchão macio, percorrendo a pontinha dos dígitos sobre o semblante alheio que, mesmo machucado, ainda assim era tão bonito.
Desfazendo-se da carteira e de sua jaqueta preta, Raphael retirou com cuidado o violão que Juan abraçava e, com cuidado e uma dose extra de carinho, o parisiense veio a se deitar de frente ao outro homem, depositando um pequeno beijo em sua testa e, em seguida, em seus lábios grossos pelas agressões.
- Estou aqui, mon chéri. Vou cuidar de você... - sussurrou, cobrindo-se e repousando uma das mãos contra a cintura de Juan, caçando a barra de sua camiseta para adentrá-la e, assim, vir a ter um contato direto com a pele quentinha. Não tinha qualquer tipo de segundas intenções, apenas... Carinho. Cerrou os olhos, aproveitando-se do momento para tentar descansar ao lado do outro homem. - Eu te amo.