Love or hate them there’s no middle ground and no matter what you felt about those three french girls in the end of the day you’ll still wanna be or one of them or all of them. It didn’t matter they would always look prettier, be cleverer and do it better, those petty english girls in their magical castle or the snobs french girls wearing their fancy silk would never outstand that french trio. They were better in each and every way. Not perfect, just better.
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A manhã era fria e o céu ainda escuro devido a tempestade da noite passada, entretanto, ainda era um novo dia e uma nova semana estava apenas começando. Fora no meio do café que ambas foram chamadas, Cristal estava confusa, seu comportamento ultimamente não estava sendo o melhor porém ainda não chegara a ponto de ser chamada até a sala do diretos, porém, Charlotte havia a tranquilizado, não poderia ser nada de mais, talvez alguns assunto sobre Beauxbatons. Foi quando chegou ao escritório do diretor e encontrou, não ele como a vice-diretora, a enfermeira e o diretor de sua casa que sabia que havia algo errado, o mais velho levantou-se com olhos azuis pálidos e tristes por trás dos óculos meia-lua, foi então que ele dera a notícia. Lucy Lacouste fora morta naquela noite e seu corpo achado na Floresta Negra. A Lucy delas estava morta.
take me to the time things were fine it's all broken now
They don’t know about the up all nights
They don’t know I’ve waited all my life
Just to fall in love it feels this right
Baby they don’t know about, they don’t know about us
Trio Français - Cristal Lerman, Lucy Lacouste and Charlotte Vandevyvere Moodboard.
You're on a different road, I'm in the Milky Way
You want me down on Earth, but I am up in space
You're so damn hard to please, we gotta kill this switch
You're from the 70s, but I'm a 90s bitch
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Seu presente vai ser postado aqui e me desculpa pela demora. Não é um dos melhores e espero que você goste. Não vou falar sobre o que é, você vai ter que descobrir sozinha. E desculpe ficou muito grandinho.
Parabéns Nana Banana
Era irônico como Lyanna passava mais tempo em um dos lugares que ela mais odiara, em vez de encontrar-se na casa a beira mar dos pais em Brighton ou dividindo um apartamento no centro de Londres com seus melhores amigos, lá estava ela, na Mansão dos Starks ao sul da Escócia, fazendo companhia para sua avó doente. Obviamente, cuidar de sua avó era a última coisa que passara pela sua cabeça quando voltava para aquele lugar depois de um dia exaustivo trabalhando no Departamento de Investigação do Ministério da Magia, estava mais interessadas em todos os documentos que se encontravam na biblioteca dos Starks do que no conforto de sua avó moribunda, apesar de que era possível ver Lyanna dando ordens para a enfermeira contratada pelo seu pai e tios para providenciar algumas coisas para matriarca.
Apesar de ser um domingo em família – afinal, era um costume todos os Starks encontrarem-se lá – Lyanna podia ser encontrada na biblioteca, procurando em livros e documentos antigos alguma brecha para poder salvar uma antiga amiga. Sim, se passaram sete anos desde que Amélia Arryn fora colocada em um manicômio pelos seus pais e em nenhum momento Lyanna parou de procurar uma forma de tirá-la daquele lugar, nos primeiros anos ela tentara trazer o assunto aos seus pais, imaginara que eles poderiam ajudar, mas os mesmos não fizeram nada.
“Se os pais dela que decidiram isso talvez fosse porque era a melhor coisa a se fazer” fora aquilo que seu pai disse quando ela pedira ajuda, ainda sua mãe acrescentou: “Você não entenderia, filha, você é muito nova e ainda não é mãe”. Mas a verdade era que ela entendia, melhor do que o Senhor e Senhora Arryn, e sabia que aquilo estava longe de ser o melhor para Amélia, Lyanna tinha certeza que sua amiga não era louca e acreditava nisso cegamente, mesmo quando Amélia parecia não acreditar.
“Lyanna, seus pais estão chamando, o jantar já vai ser servido” a voz era de Brandon, ainda era o mesmo, mesmo depois de tanto tempo, ainda tinha cabelos bagunçados e um sorriso fácil no rosto, apesar de agora ele não usá-lo, estava com o cenho franzido e visivelmente inquieto.
Lyanna sabia muito bem o que aquilo significava, porém limitou-se em dizer: “Depois eu vou Brandon, estou terminando aqui” aquilo era mentira, estava longe de terminar aquilo e seu primo sabia disso, o suspiro que ele soltara era um aviso do que estava por vir.
Brandon finalmente entrou na biblioteca, coçando a nunca em um ato de nervosismo, ele fazia muito isso quando estava nervoso ou frustrado. “Ly, você não precisa fazer isso” fora aquilo que ele dissera, foram aquelas palavras que saíram da boca de Brandon Stark, ela apenas apertou com mais força o livro que segurava em suas mãos, o ignorando, concentrando-se na sua leitura. “Ly, por favor, você sabe que isso não vai levar em nada...”
Aquilo fora demais, Lyanna bateu o grosso livro que segurava em mãos na mesa, o barulho ecoava pelas paredes da biblioteca e ela podia ter certeza que todos os presentes haviam escutado, mas ela não ligava, não quando Bran parecia ter desistido tão facilmente do amor de sua vida.
“Brandon, como você pode vir aqui e dizer isso pra mim? Você a viu, você a conhece Brandon, melhor do que qualquer um” o tom de sua voz era descontrolado “Como você pode desistir da Amélia desse jeito? Como se ela nem se quer existisse? Como você pode esquecê-la tão rápido?”
Lyanna jogava as acusações sem se importar em ler Brandon, se ela o tivesse feito ela perceberia os punhos cerrados, os lábios pressionados um contra o outro e a respiração descompassada. Brandon entendia que a prima ainda sofre com tudo aquilo, ele podia ver aquilo, qualquer um que conhecesse podia ver o quanto Lyanna sofria com toda aquela situação, entretanto, isso não significava que ele sofria menos, ou não sofria como Lyanna estava acusando, ele apenas enterrara todo o sofrimento no fundo do seu ser... E talvez isso seja pior do que mostrar ao mundo o quanto aquilo te afeta.
“Lyanna, pare!” ele a interrompeu em mais um daqueles discursos, ele já escutara de mais “Você acha que eu não penso no dia que ela fora embora? É tudo que eu vejo antes dormir! Eu me arrependo até hoje de não ter tido a coragem de arrancá-la daquele avião” a expressão dele era sombria, algo pouco visto no rosto sorridente de Brandon “Nos meus pesadelos, tudo que eu vejo é ela dentro daquele quarto! Então não me venha falar que eu não me importo.”
Ela o observou minuciosamente desta vez, todos os sinais que Brandon tentava esconder de que ele não sofria tanto quanto ela por causa de Amélia eram agora percebíveis em todo ser do garoto. Lyanna suspirou, odiava brigar com Bran, por isso o abraçou, como um pedido de desculpas em silêncio e um jeito de confortá-lo, mesmo que o último fosse em vão.
Xx
O dia estava nublado, porém mais aconchegante do que os anteriores, o mês de março despedia-se e isso significava que logo a primavera tomaria o lugar do inverno, trazendo a esperança para o coração dos belgas, bom, pelo menos a maioria. Lyanna achava dificil ter quaisquer requintes de esperança em um lugar como aqueles, o sanatório localizado na Suíça era algo mórbido, toda vez que ela caminhava por aqueles corredores sentia-se sufocada e tinha sensação que as paredes apenas abafavam os gritos de socorro dos pacientes lá presentes.
“Você tem uma hora, senhorita Stark” o enfermeiro-bruxo anunciou, a tirando de suas divagações enquanto abria a porta que dava para o quarto de Amélia. Percebera que seu tempo ali diminuíra consideravelmente desde sua ultima visita, imaginava que os pais de sua amiga estavam envolvidos nisso.
“Uhum” murmurou entrando no quarto, a primeira coisa que percebera ao ver Amélia é o quanto ela estava magra.
A sensação de ver Amélia naquelas condições ainda tinha um gosto amargo para Lyanna, a garota que se encontrava definhando em sua frente em roupas largas e cinzentas, nada parecido com a garota que vestia-se para deprimir – como a mesma dizia, ela queria estar tão maravilhosa que só sua presença poderia deixar as garotas em sua volta depressivas e a invejando – com o cabelo sempre bem arrumado e que nunca saía sem uma maquiagem.
“Boa tarde, Amélia” falou em um tom suave para não assustá-la, talvez o pior não fosse o que fizeram com a aparência de sua amiga e sim no seu psicológico, Amélia não lembrava quem ela um dia ela foi ou de qualquer pessoa que conviveu com ela anos atrás, no caso, Amélia não lembrava-se mais de Lyanna, para a garota, a morena não passava de uma medi-bruxa que a visitava uma vez por semana. Aquilo ainda doía.
“Olá, doutora Stark” Amélia virou-se lentamente, sorrindo polidamente para Lyanna, como se ela fosse nada mais do que uma mera doutora e não a amiga que uma dia fora “Pensei que não viria, aparentemente os médicos proibiram minha saída para os jardins, eles acham que eu posso me colocar em risco” e lá estava, apenas um flash da antiga Amélia, insatisfeita, um leve sarcasmos em suas palavras e olhos faiscando com o sentimento de raiva de a proibirem ir para os jardins.
“Já disse que é para me chamar de Lyanna” mexeu-se desconfortável, gostaria de poder falar a verdade para ela, mas sabia que aquilo poderia fazê-la mais mal do que bem, suspirou, estava de mãos atadas mais uma vez.
“Você não parece muito bem” Amélia observou, fazendo com que Lyanna concluísse que ela estava em um dos seus “bons dias”, de certa forma, preferia assim, apesar de que quando a deixasse saberia que sua amiga estaria ciente do que acontecia em volta dela.
“Só estou um pouco cansada” devolveu em um sorriso reconfortante “Bom, vamos arrumar este seu cabelo, aí você pode me contar sobre o seu dia.”
Geralmente, as visitas eram daquele jeito, Lyanna mexia nos cachos dourados de Amélia, os arrumando, enquanto a outra tentava focar-se em contar sobre os seus dias, a Stark não pode deixar de notar que os relatos estavam ficando cada vez mais vagos, Amélia fazia pausas longas tentando se lembrar de algo e quando isso acontecia, leves tremores tomavam o seu fraco corpo, era nesse momento que Lyanna sabia que era melhor mudar de assunto.
“Bom, vamos dar um jeito nesse seu rosto, está muito pálida” lembrara-se de que Amélia dizia aquilo pra ela toda vez que a reencontrava depois de um período de férias, já que a loira sempre apresentava um belo bronzeado.
“Por que você insiste em fazer isso?” Amélia perguntou, torcendo o nariz ao sentir as mãos da mulher em sua frente passar algo gelado em seu rosto.
“Porque você não gostaria de ser vista assim desse jeito” Lyanna deixou escapar de seus lábios, geralmente evitava falar com Amélia do jeito que falava antigamente e como estava muito concentrada em maquiá-la, deixou de notar o tremor que tomava as mãos de Amélia.
Havia por fim terminado, Amélia encontrava-se com os olhos verdes delineados, os cachos antes bagunçados e quebradiços, encontravam-se em perfeitas ondas e hidratadas – graças a poção que Lyanna contrabandeou juntamente com o resto da maquiagem – suas maçãs do rosto corada pelo blush, se não fosse pelas vestimentas, ninguém diria que aquela era uma Amélia diferente da que desfilava pelos corredores de Hogwarts. Lyanna trouxera um espelho de mão e entregou para a loira em sua frente, porém não imaginara a conseqüência que aquilo poderia trazer até ouvir o som do vidro estilhaçando-se no chão.
“Lyanna” aquilo não passara de um sussurro, porém fora o bastante para fazer com que a morena se virasse “Lya... Lyanna Stark... Lyanna, por favor, me ajude” Amélia avançou em Lyanna a segurando pelos braços, o desespero gritando em seu olhar “Por favor, Lyanna, me tira deste lugar!”
“Amélia? Você...” ela não conseguiu terminar sua frase pois um dos medi-bruxos havia entrado no quarto, pela sua contagem ainda faltava vinte minutos, entretanto, o olhar que o homem lhe lançava era que ela deveria sair de lá imediatamente, entretanto, Lyanna estava longe de se quer dar um passo sem levar Amélia consigo, “Pelo que eu sei, ainda tenho mais vinte minutos” falou, colocando-se em frente de Amélia protetoramente, infelizmente, sua varinha havia ficado guardada, já que não era permitido visitar pacientes com a posse da mesma.
“Você terá que se retirar agora” ele falou seco e havia algo de ameaçador em seus olhos, porém, conforme, o homem aproximava-se o aperto de Amélia ficava cada vez mais forte em seu braço.
“Dificilmente, veja, como eu disse, eu ainda tenho vinte minutos” ela lançou um falso sorriso apologético “E vamos dizer que você não vai gostar de me contrariar.” Amaldiçoou por a deixarem entrar sem sua varinha, mas ela poderia transformar-se em um lobo caso precisasse, por isso, afastou Amélia levemente, tentando ignorar os tremores que ficavam mais intensos na amiga.
“Seu tempo esgotou garota” não notara a presença da mulher até aquele momento, e aquilo não fora pra ela, novamente, sentiu o gosto amargo em sua boca. Antes que pudesse fazer algo, um jato de luz acertou Amélia que caíra desacordada no chão, tentou ir até ela, porém, sentira um aperto em seus braços e de repente, via-se sendo arrastada para fora daquele lugar.
“O que você fez com ela?” ela gritou para a mulher, sendo escoltada para fora do prédio. “O que você fez com ela?”
“Senhorita Stark, você está proibida de pisar os pés aqui novamente” a mulher disse em um tom frio “A não ser que seja em outras circunstâncias, adoraria saber o que há dentro de sua mente” Lyanna tentara não parecer amedrontada, entretanto, não pode deixar de sentir um frio percorrer sua espinha ao ouvir aquilo “E o que aconteceu com sua amiga não é de sua conta, mas não fique preocupada, ela não está morta.”
Depois daquilo, fora levada para fora dos portões, onde finalmente devolveram sua varinha, gotas grossas a molhavam, sinal de que chovia, entretanto, suas roupas molhadas não estava no topo de suas preocupações, precisava tirar Amélia dali.
Xx
Lyanna apressara-se naquela tarde para o nível cinco do Ministério até o escritório Internacional de Leis Mágicas, tentou ignorar os olhares curiosos quando caminhara determinada por lá, afinal, não era todo dia que era visto alguém aparecer lá com tanta pressa e principalmente no estado em que se encontrava. Ignorou os avisos de bruxa que falara que ela não era autorizada a entrar na sala, tentou não revirar os olhos, ela já tinha a autorização de entrar naquela sala.
“James, eu preciso de um favor” interrompeu na sala, com a senhora bruxa em seu encalço, James encontrava-se lendo um pergaminho e pelo seu ver não parecia muito ocupado, de qualquer forma, odiava ter que fazer aquilo.
“Senhor Stark, eu tentei avisá-la que...” a senhora guinchava em desespero porém foi interrompida por um gesto de James, Lyanna teve que segurar-se para não revirar os olhos ao ver o quanto que James lembrava o seu avô.
“Não tem problema, senhora Arvery, sei que você deve ter tentado adverti-la” ele lançou um pequeno sorriso “Agora, se a senhora nos der licença” ele caminhou até a mulher, a guiando gentilmente para fora de sua sala “Tenho certos assuntos de família a tratar com a Srta. Stark, você poderia cancelar os meu compromissos dessa tarde, não sei exatamente quanto tempo isso irá tomar.”
“Mas senhor, o conselho...”
“Como eu disse senhora Arvery, assuntos de família” a interrompeu novamente, fechando a porta na cara da senhora, “Agora Lya, você poderia me explicar o que aconteceu para vir até aqui toda molhada e me pedindo favores?”
“Eu preciso de um mandato para o Instituto Aldeia de Gheel” falou simplesmente, tentando esconder seu nervosismo, odiava pedir favores para James, entretanto, ele era a maneira mais rápida de conseguir aquele mandato, entretanto, arrependeu-se no segundo que viu os olhos de James ao mencionar o nome do lugar “James, por favor, eu sei que estou fazendo... Tem alguma coisa muito errada acontecendo lá.”
“Ly, por favor, me diga que isso não é uma tentativa de, bom, você sabe” ela tentou ignorar as mãos dele tocando em seus braços e o olhar de preocupação tomando as feições dele, entretanto, sabia que sua batalha estava perdida pelo simples fato de que James achava que ela estava deixando seus sentimentos tomarem o melhor de seu cérebro.
“Quer saber, James, esquece que eu te pedir qualquer coisa, ok?” afastou-se dele, sabia que era uma má ideia ter ido ali “Você não entenderia de qualquer jeito, deixa que eu faço do jeito difícil mesmo.”
“Por que você não tenta me explicar, então?” ela podia ver que ele tentava manter o tom de voz controlado, porém era claro que ele estava perdendo a calma “Porque eu não agüento mais ver você enfiada naquela biblioteca e esquecendo de viver, porque nem mais falar com a Chloe você fala direito, Antoine veio me perguntar de eu tinha te visto e se eu sabia como você estava! E depois de Bran ter ido te chamar você naquele dia ele veio falar comigo que estava preocupado com você! Então, por favor, Lyanna, me explica.”
Lyanna ficou em silêncio, apenas absorvendo o que James falara, chegando a conclusão que não queria ter escutado aquilo, ela poderia tentar explicar pra ele, sabia que ele faria o melhor para entendê-la, entretanto, não queria envolver mais ninguém naquilo, por isso, murmurou um desculpa para James antes de deixá-lo na sala.
Xx
Estava atrás de uma pilha de livros e pergaminhos no seu pequeno escritório no Departamento de Investigação quando escutou batidas vinda da porta, murmurou um pode entrar, ainda focando-se nas leis belgas.
“Lya, está muito ocupada?” era Claire, ela podia dizer pelo tom de voz calmo e doce que sempre pertencera a menina, imaginava que ela iria parecer ali mais cedo ou mais tarde, devido a pequena discussão com Chloe esta manhã.
Levantou os olhos para observar a amiga e ao vê-la não pode deixar de sentir o arrependimento no peito, Claire estava com uma expressão cansada, olheiras eram presentes embaixo de seus olhos e seu rosto tinha alguns arranhões, entretanto, ainda tinha um sorriso amigável no rosto, mesmo que Lyanna não merecesse aquilo.
“Me desculpe, Claire” a morena levantou-se indo em direção a loira “Mil desculpas por não ter ido ontem te ajudar com... Hum, seu pequeno problema” ela mordeu o lábio, sabia que estava sendo uma péssima amiga para Claire, na verdade, para todos os seus amigos.
“Não precisa se desculpar, Lya, não vim aqui brigar com você, acho que Chloe já fez isso bastante” deu uma pequena risada, isso fez com que Lyanna sentisse mais culpada “Queria saber como você está.”
Lyanna mexeu-se desconfortável, odiava quando Claire fazia aquilo, estava a analisando, mesmo que falasse que estava bem, sabia que a loira poderia dizer que estava mentindo. Claire não tomara partido sobre aquele assunto em nenhum momento e nunca conversara com Lyanna sobre aquilo, porém, pelo visto, Claire resolvera intervir e ela não sabia se isso era algo bom ou ruim.
“Então...”
“Eu estou indo, Claire” ela cruzou os braços em um sinal de que estava na defensiva “E você?”
“Lya, eu sei que você está fazendo” a loira suspirou “Eu já vi você desse jeito, fora a mesma coisa de quando você descobriu sobre o meu problema” Claire tomou as mãos de Lyanna, fazendo com que ela a olhasse no fundo dos olhos “Eu nunca agradeci você o bastante por ter me ajudado, mas você se afundara no mesmo jeito para tentar achar uma solução e mesmo com a que você encontrou você não ficou inteiramente satisfeita, sei que você queria acabar totalmente com o problema” Lya franziu o cenho, não entendia muito bem o que Claire queria falar “E isso que faz você ser tão especial, você sempre está tentando consertar as pessoas, e isso é fantástico, mas você acaba esquecendo-se de você e não deixa as pessoas te ajudarem.”
“Claire, me desculpe, mas eu não vou desistir...”
“Eu sei, Lya, eu sei... Mas só peço que você pelo menos deixe te ajudar, sei que você acha que tem que cuidar das pessoas a sua volta, mas ás vezes, você tem que deixar as pessoas a cuidarem de você.”
Xx
“Hum, o que teremos hoje?” Bran invadiu a cozinha, onde Lyanna estava preparando o jantar, resolvera planejar o jantar daquele dia por sua conta, convidando todas as pessoas com que estava devendo um pedido de desculpas, podia ouvir as risadas vindo da sala, aparentemente Antoine fizera alguma coisa errada que gerara uma reação em cadeia de risadas, não pode deixar de sorrir com aquilo.
“Bran, você só vai comer quando estiver pronto e na mesa” conhecia o primo a muitos anos e sabia que ele adorava tentar beliscar a comida quando estava sendo feita, o que a deixava muito incomodada.
“Mas Ly, estou com fome!” ele fez beicinho e uma cara de pidão, como se ele fosse a convencer com aquela cara.
“Nope... Agora se não vai ajudar sai da cozinha Brandon” falou enquanto mexia calmamente o molho de tomate que estava preparando para a lasanha. Era clichê, sim, mas pelo menos teria certeza de que todo mundo comeria mesmo se saísse algo errado.
“Aliás, James pediu desculpas por não conseguir vir” o tom de Bran era um pouco mais sério e ele parecia um pouco desconfortável com aquilo, Lyanna respondeu com um sorriso, entretanto ainda ficara em silêncio, visto que a prima não falaria mais nada, resolveu voltar para onde os amigos estavam.
Lyanna conseguira terminar o jantar, mandara os elfos colarem a mesa e caminhara até a sala de hóspedes onde todos encontravam-se, escutou batidas impertinentes vindo de uma das janelas da sala, ao vê viu que era uma coruja, velha conhecida sua, achara estranho Lady estar ali, porém, não deixou má pensamentos tomarem sua mente, talvez Amélia tivesse achado uma brecha para se comunicar. Lady carregava duas cartas, reconheceu a caligrafia corrida de Amélia em uma, enquanto a outra não podia dizer de quem era, passou os olhos e resolveu ler a de Amélia.
“Ly, por que você está na janela? Estamos esperando você para ir até a sala de jantar e eu realmente estou faminto” Bran estava falando mas ela não conseguia assimilar o que ele dizia, não quando lia as palavras escritas de Amélia “Ly? O que aconteceu? Que carta é essa?”
Ela não respondeu apenas entregou o pedaço de pergaminho para seu primo enquanto pegava o outro pedaço de pergaminho para ler, esperando alguma explicação plausível para o que acontecera, entretanto, as palavras que continham no outro pedaço não trazia nenhum conforto.
“Não sei como dizer isso, mas sua amiga foi encontrada morta no quarto com apenas a carta que lhe envio em mãos, achei que seria o certo lhe entregar, afinal, pelo menos esse último desejo da garota poderia ser cumprido, meus pêsames, ela parecia ser importante para você.”
O bilhete apenas dizia aquilo, nada mais, Lyanna procurou Bran ao seu lado porém ele havia sumido e logo depois pode escutar o urro de raiva vindo dos andares de cima da mansão, não fora falar com ele, ele merecia esse tempo sozinho. Chloe veio perguntar o que acontecera, ela apenas entregou o pedaço do pergaminho em sua mão antes de afundar-se em uma das poltronas, a loira de cachos volumosos mandara todos irem embora, sobrando somente as duas e Brandon naquele lugar.
“Lya, por favor, não se culpe” Chloe era péssima nisso e arrependera-se de não ter deixado Claire em seu lugar “Você fez o que era possível, por favor, Lyanna, a culpa não é sua.”
Lyanna não respondera, mesmo as palavras de Chloe ecoando em sua cabeça ainda vinha uma voz, que lembrava muito a de sua avó, sussurrando nos cantos de sua mente: “você a deixou morrer”.
Xx
Lyanna segurava a mão de Brandon na sua enquanto ambos observavam de longe o caixão de madeira escura sendo abaixado, eles não seriam permitidos no enterro de Amélia,sabia que os Arryn os expulsariam na primeira chance quando o vissem, porém, nenhum dos dois apreciaram a ideia de não estarem presentes naquele momento.
A cerimônia fora breve e não havia muitas pessoas para lamentar a morte de Amélia, apenas alguns familiares e amigos bem próximos do Arryns, entretanto, nenhum deles, nem mesmo os pais, ficaram mais tempo do que necessário, portanto, ao final da cerimônia todas já estava dirigindo-se a saída do cemitério seguir as suas vidas como se nada tivesse acontecido. Eles esperaram todos irem embora pacientemente para prestarem seus sentimentos, afinal, Amélia merecia isso deles.
Para surpresa de todos, Lyanna lidara com o luto melhor do que Brandon, não que fosse muito melhor, porém, Brandon só saíra do antigo quarto da mansão quando Lyanna o avisara que estava prestes a ir no velório de Amélia. Era visível que o garoto chorara a noite inteira e não dormira, os hematomas em suas mãos denunciavam que ele passara um bom tempo socando a parede em sinal de frustração.
A primeira a se aproximar do túmulo foi Lyanna, na lápide havia a caligrafia bonita e os dizeres vazios de “Filha amada”, não pode deixar de sentir-se enojada por ler aquilo, como os Arryns poderiam colocar algo nisso sendo que eles foram tão culpados na morte da filha. Lyanna não disse nada, apenas ajoelhara-se na terra úmida e deixou as lágrimas caírem livremente pelo seu rosto, sussurrou adeus e desculpas, pediu desculpas por ter sido incapaz de ajudá-la, por ter demorado de mais e por outras várias coisas e murmurou um adeus antes de levantar-se, sabia que Bran precisaria de um tempo para ele, então voltou para o lugar onde estava quando o enterro acontecia, mas ainda pode escutar os soluços de Bran e no meio deles: você sempre será o grande amor da minha vida, magrela.
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Lembrar sobre Beauxbatons deveria ser algo difícil para Lucy quando estava viva, pois morta era quase impossível, teve que usar muito esforço para aquilo “Esforço” Como poderia se esforçar se estava morta? Era estranho, mas coisas estranhas eram comuns para Lucy Lacouest, a garota havia passado por tanta coisa que ter uma vida normal não era algo que ela esperava. Pelo contrário, quanto mais estranho estivesse mais confortável ela estava. Aquilo ela poderia se lembrar com bastante clareza.
Respirou fundo, uma parte de Lucy. A parte que deveria ser para as lembranças e sentimentos mundanos não pode evitar de sorrir, e depois fazer um sorriso triste quando Charlotte falou sobre ela e St Clair. ELA SABIA. Enquanto estava viva que havia algo coisa acontecendo para Charlotte não ter falado nada ou estar agindo daquele jeito, aquela Lottie era só para pessoas que não mereciam a verdadeira Charlotte, Lucy não se importava se as pessoas ficavam brava, só se importava se sua prima estava bem. Pois estava na cara dela que ela não havia ficado nada bem. E tudo culpa dela, se Lucy não tivesse sido expulsa, Lottie não teria ido atrás dela e elas ainda estariam juntas na França.
Parando para pensar, era tudo culpa de Phillip, se ele não tivesse traído-a, nada disso teria acontecido. Se ele simplesmente tivesse amado-a do jeito que ele falou que amava não precisava traí-la e Lucy não surtaria. Se Phillip não amava, por que não terminou logo com ela? Aquilo aliviaria tantas coisas, tudo seria diferente e Lucy estaria viva. Só que ela não culpava o garoto. Por mais que falasse tudo isso agora era impossível culpar Phillip por alguma coisa, uma parte de Lucy amava-o muito para ter esse sentimento.
Eram tantos sentimentos misturados, Lucy não sabia nem como se portar agora. Sabia que Charlotte estava frágil naquele momento e ela odiava aquela Lottie, e ao mesmo tempo amava mais do que a que não se importava. Para sua prima ter se aberto significava que ela acreditava que Lucy não tinha realmente ido. Que não era apenas uma imagem dela flutuando pelo castelo. Significava que ela realmente estaria ali, para cuidar dos filhos loiros de Charlotte e Étinnie se eles fossem para Hogwarts. Que poderia passar a vida vendo seus amigos tendo um lindo futuro, e de algum modo aquilo parecia certo.
Seria egoísta demais da sua parte pedir que seus amigos esquecessem dela? Lucy sempre quis ser lembrada, ficava perturbando as pessoas. Não queria ser apenas um fantasma na vida de quem conheceu, mas parece que o feitiço virou contra o feiticeiro e ela realmente virou um fantasma, só que as pessoas não estavam esquecendo-na. E isso era um problema, pois isso faria com que eles não seguiriam em frente. Era por isso que Lucy queria que Charlotte escrevesse aquela carta. Queria ter certeza que Phillip seguiria em frente.
Passou a mão pelos cabelos ruivos, estava pensando muito e fazendo pouco. Deveria aproveitar desse momento que estava tendo sendo totalmente sincera com Charlotte. - Pensando bem, acho que terão de ser 2 cartas, uma para Phillip e outra para St Clair, a esqueça. A do St Clair você não pode ler, não leva a mal, mas é verdade. - Lucy pediria para Cristal escrever para ela depois, e se não achasse alguma outra garota que não tivesse medo dela, talvez Luna. Luna acabou sendo uma boa aliada para Lucy no final das contas.
Escrever uma carta nunca pareceu tão difícil para ela, mas ela tentaria. Ela tinha certeza que mandaria uma carta para ele, mas não sabia sobre o que a carta falaria, ela realmente era um gênio incumbido. Sobre o que ela falaria? Não sabia, ela sabia o que falar, mas não sabia como transformar aquilo em palavras. Para quem falou que morrer era fácil certamente não conheceu Lucy, a morte era muito mais difícil que a vida. E tudo isso por causa de uma bruxa idiota chamada Bellatrix, mas isso era outro assunto. E Lucy tentava não pensar muito sobre sua morte, para não ter que entender o que aconteceu naquela floresta.
Okay, sugeriu que Lottie pegasse as coisas que estavam na gaveta. A pena e o pergaminhou, e começou a ditar a carta para Phillip. - Querido Phillip, Obrigado. Sim, eu morri. É uma droga, e o pior é que mesmo morta vocês não vão se livrar de mim. Eu virei um fantasma, só que um fantasma preso nos arredores do colégio de Hogwarts, infelizmente. Por favor, agora vamos falar sério, volto ao que eu falei no começo, obrigado. Por cada momento que você me amou, mas eu quero que você não pense que a culpa é sua. E sim eu guardei o segredo, afinal era a única coisa que ainda me ligava a você. E agora eu deixei ele ir contando a verdade para Charlotte, eu deixei você ir com isso. E espero que você me deixe ir também, não quero arrependimentos, tudo bem? - parou de falar dando um tempo de Charlotte escrever, estava de costas para a garota, pois não queria ver a reação da mesma.
Quando ouviu o som da pena parando voltou a falar, não deixando espaço para que a prima falasse alguma coisa. - Ah, e queria agradecer você também pelo que fez, sério. Acabou que não foi tão ruim ser expulsa daí, claro que tudo isso não teria acontecido, mas eu acabei gostando de Hogwarts e eu me apaixonei. Não sei se deveria estar te falando isso, mas vou ser sincera nessa carta. Me apaixonei como nunca pensei que me apaixonaria novamente, pois eu amei você tanto. E isso até doeu, eu ainda amo você com a mesma intensidade, mas agora que eu morri eu posso ver que não lutar por você foi a pior coisa que eu fiz. Então por favor, ame alguém como você me amou, e lute por ela, aprendi isso te deixando ir e não quero você com coração partido. Para sempre sua, Lucy. - terminou de ditar arranjando forças para ver a cara de Lottie.
Deixou o tempo passar, enquanto a prima terminava de escrever a carta. Sabia que havia metido-a em um grande problema fazendo ela ir até a França, mas ela tinha de fazer isso. Por ela, não confiava em mais ninguém para fazer isso. A não ser, claro, Cristal, mas a garota estava tão abalada que Lucy não poderia e nem tinha coragem de falar com ela, mas coragem era um sentimento vivo, por que ela sentia? Realmente Lucy era um fantasma diferente, morrer jovem dava nisso. Toda confusão de ser um adolescente pelo resto de sua vida.
Finalmente virou agora para dar um de seus recados finais. - E você é uma idiota, eu já falei isso hoje, mas falo novamente. Por que veio para cá com a vovó? Por que ignorou as cartas dele? Prometa que você vai conversar com ele, vou fazer alguém escrever uma carta minha para ele, entre para ele, mande ele ler e depois te encontrar. Espero que esse seja meu presente como madrinha, sei que você queria se casar em alguma lugar como St Tropez, mas eu quero ser a madrinha, então façam uma cerimonia lá, e uma aqui com bastante coisa dourada bem nos jardins de Hogwarts, prometa isso para mim. - Lucy estava passando dos limites, sabia disso, mas não poderia evitar não sentir-se culpada pelos dois, se não fosse por ela eles estariam juntos ainda.
Mesmo que não fosse possível ela estava cansada, talvez fosse sua alma. Por todos os seus sentimentos por Phillip no papel, e ainda tentar dar moral para Lottie, havia esgotado a pobre fantasma de Lucy. O que ela não dava para poder dar um abraço na amiga, mas agora tinha apenas que ouvir tudo que a prima tinha a falar para ela. Lucy estava esperando o pior de Lottie, sabia que a garota odiava quando Lucy ficava mandando-a fazer várias coisas.
Ela escrevera a carta como fora lhe pedido, não deixando de sentir-se mal com aquilo, de todas as pessoas, por que Lucy? Sabia que aquilo era algo egoísmo de sua parte e talvez fosse como algumas pessoas diziam, que era algo para ser, que era "a hora dela"ou que aquilo era algo maior. Charlotte não acreditava em tais palavras e dificilmente achava conforto nas mesmas.
Entretanto aquilo a fez pensar - algo que estava fazendo de mais naquele dia, isso já estava deixando exausta - que talvez ela poderia consertar as coisas com St. Clair, ou mesmo, ter alguma chance com ele, talvez ela poderia deixar de agir como uma heartless bitch pelo menos uma vez. Como se fosse realmente tão fácil assim, pensou com certa amargura, pensou consigo, não se considerava uma "heartless bitch", apesar das crenças populares e das fofocas dos corredores, apenas não se achava boa o bastante para ele. Pelo menos não mais, ela havia mudado para algo que estava certa de que não era nem perto do que o garoto merecia.
Ela terminou de escrever, conjurando um envelope, guardando o pergaminho com cuidado antes de selar com cera de vela, era um costume velho e pretensioso que tinha, colocando em um pequeno baú que tinha - onde guardava coisas importantes e era protegido com feitiços. O silêncio reinara quando Lucy finalizara, talvez cada uma flutuando em pensamentos e lembranças, aquilo estava a cansando, a estressando e, pelo menos um pouco, a enlouquecendo, Charlotte não queria voltar para este tipo de silêncio, talvez Merlin a ouvira, já que Lucy voltara a falar... Sobre um assunto que ela realmente não queria falar, novamente, ela já havia falado de mais sobre isso.
"Desculpe, Lucy, não farei essa promessa" disse sentindo pontadas em sua cabeça "Eu prometo entregar as cartas, prometo escrever suas cartas, prometo andar pelo mundo para proferir suas palavras e até prometo tentar falar com St. Clair" ela não queria mais falar sobre isso, foi por isso que ficara em Hogwarts, foi por isso que voltara para a Inglaterra na manhã seguinte "Não vou fazer uma promessa sobre algo que não depende só de mim" ela estava odiando onde aquilo tudo levara, não queria estar explodindo "Eu não sou a única envolvida... Merlin, não sou um fantoche o qual você pode controlar e dizer o que devo ou não fazer, nem eu e nem ele!" ela apertou os olhos, focando em qualquer outra coisa e respirou tudo.
O pior de tudo, por mais que ela quisesse negar e bater o pé no chão, ela queria tudo aquilo que Lucy falara, mas não queria ser tola o bastante para achar que aquilo iria funcionar.
"Desculpe Lucy" ela murmurou encarando a imagem translúcida de sua prima "Eu só estou realmente cansada" passou as mãos pelos cabelos "Acho que irei dormir agora, amanhã mandarei uma carta para a vovó e meus pais e..." ela deixou a frase morrer, ela só queria dormir e esquecer por um instante aquele dia "Boa noite, Lucy."
Ela pegou uma muda de roupa antes de entrar ao banheiro e tomar um longo banho, ainda tinha que terminar uma redação para a aula de Herbologia amanhã, mas decidira que iria fazer isso pelo café da manhã, ela só precisava dormir. Ao sair do banheiro não ousou em olhar ao redor para procurar Lucy, sabia que se o fizesse e encontrasse Lucy iriam retomar a discussão e não queria aquilo.
Tirou da gaveta da comoda ao lado de sua cama um frasco de poção do sono que prepara, duvidava que pegaria rápido no estado que estava e não estava afim de uma noite cheia de sonhos, que não demorariam para virar pesadelos, ou vaguear pela suas lembranças. Não demorou para que a poção fizesse efeito, fazendo com que saísse em um sono pesado e profundo, sem seus fantasmas do passado para assombrá-la.
Suposta drabble dristal que era pra ser supostamente postada antes do dia 31/12/2013 e que supostamente era pra ter uma descrição melhor do que o refrão da música tema.
You were never gonna wait for me
Babe I really hate to say it,
But I'm gonna say it anyway
You, you know you're not the only one
I'd rather just cut and run
Than set the blind on yesterday
So lets just call this what it is
And give me one more goodbye kiss
Fazia mais de um ano desde que a guerra no mundo bruxo teve seu definitivo fim e a sociedade bruxa reerguia-se de forma um tanto quanto lenta porém promissora, as coisas enfim estavam melhorando. Entretanto, para Draco Malfoy ainda era difícil que as coisas iriam melhorar ou voltar ao que ser o que era antes, afinal, sua família ficara aos pedaços ao final da Batalha de Hogwarts e para eles as coisas pareciam longe de melhorar.
Alguns podem dizer que Draco e sua família estavam apenas colhendo os frutos através de todos os anos, pois, da nobre e respeitada família que eram agora beiravam a escória da comunidade bruxa, afinal, eles realmente estavam ao lado do Lorde das Trevas. As coisas apenas pioraram quando Lucius Malfoy fora mandado, mais uma vez, para Azkaban por seus crimes, fazendo com que sua mãe tomasse dianteira da família e ainda lutasse pela liberdade de seu marido.
Porém, o pior de tudo eram os cochichos e os olhares julgadores a cada vez que ele passava, aquilo era o que deixava Draco com mais raiva, pois todos o julgara pelas suas escolhas, alguns mesmo falavam que ele fizera as escolhas erradas, porém nenhum deles estavam em seu lugar. E talvez ele tenha feito as escolhas erradas, talvez, entretanto, ele e sua família estavam vivos, não estavam? No final eles sobreviveram, certo? Como poderiam falar que ele fizera as escolhas erradas, quando tudo apontava que ele fizera o que fizera para sobreviver e aquilo ele havia conseguido.
Assim, Draco preferiu se excluir, apenas socializando quando era estritamente preciso, e as pessoas aceitaram isso com tamanha complacência, apenas dirigindo-se a ele quando era igualmente estritamente preciso, não só com ele como com a Sra. Narcisa Malfoy, apesar dessa parte estar sendo mais difícil para sua mãe. Por isso, sua surpresa ao receber um convite para comparecer a uma festa de fim de ano, aliás, Draco ficara mais do que tentado a recusar e passar o ano apenas na companhia de uma ou duas garrafas de fire whisky – ou quem sabe mais – e talvez sua mãe, entretanto, o pequeno bilhete anexo com uma pequena letra cursiva fizera com que ele acabasse a aceitar o convite.
Agora, Draco Malfoy encontrava-se em frente de uma bela casa, decorada com luzes de nata, em território francês se arrependendo da tomada da sua decisão, mas apesar de não nevar o litoral fracês ainda trazia o vento frio e uma fina chuva começara; e convencendo-se que fora por causa do frio, o loiro caminhara em direção a festa.
O interior era aquecido e preenchido com conversas, Draco pode encontrar alguns rostos conhecidos – Weasleys, Potter e Granger era um deles – parecendo surpresos em vê-lo por ali, ele não entendera o porquê, afinal ela também era a sua amiga, entretanto, a atenção fora logo desviada e Draco fora ignorado.
Por que eu ainda estou aqui?
Ele estava prestes a virar-se e pegar seu casaco e voltar para o hotel em que se hospedara quando fora tomado por um furacão de fios loiros e envolvido em abraço caloroso, o qual não recebia há tempos. Afinal de onde ela surgiu? Mas ainda ficará feliz com tal ato.
“Você veio!” Cristal Lerman exclamou genuinamente surpresa ao vê-lo, porém o sorriso em seu rosto demonstrava a alegria em reencontrar um velho amigo.
“Hum... Você me chamou, certo?” coçou a nuca em um reflexo para disfarçar o constrangimento, apesar de não saber o motivo, pois aquela era a Cristal, a pequena loira que o chamava de “loiro falso” e a garota que nunca falhou em arrancar algum sorriso dele.
“Vamos, vou apresentar algumas pessoas pra você!” ela colocou-se ao seu lado, entrelaçado seu braço ao dele e o arrastando entre as pessoas.
Cristal tagarelava sobre os dois anos que passara em Beauxbatons o qual ele não prestava muita atenção, não que o fizesse de propósito, afinal, Cristal falava muito rápido e mudava de assunto com uma velocidade impressionante e que o deixava confuso entre as meias sentenças que ela falava, aliás, ele nem tinha mais certeza sobre o que a loira falava. Enquanto ele dava acenos de cabeça e concordava algumas vezes, apenas para fazer com que ela não se sentisse ignorada – tamanha era a importância que ela era, afinal, ele era Draco Malfoy – observava como a garota estava mudada, os cabelos loiros platinados estavam mais curtos, sua postura era de alguém bem mais matura do que ele conhecia antes, apesar da inocência ainda estar presente em seus olhos azuis.
“Bom, vou te apresentar as melhores pessoas que você poderia conhecer em toda França, além de mim, óbvio” eles pararam em frente um trio de garotos, dois loiros e um moreno, que haviam parado de conversar no momento que chegaram “Draco, este são Phillip Tavitian” o moreno com um lustroso topete abriu um sorriso, estendendo o braço para um aperto de mão, o qual ele retribuiu desajeitadamente “Étienne St. Clair” o loiro mais alto que ele apenas acenou com a cabeça com um sorriso polido “E Henry St. Clair” o garoto arqueou uma de suas sobrancelhas enquanto bebericava o conteúdo que continha no copo que segurava “Já volto, vou ver o que há na cozinha, enquanto isso conversem!” ela disse antes de sair “Isso era tão mais fácil quando a Lottie estava aqui” pode escutar a reclamação da loira enquanto se afastava.
“Então, você era o casinho da Crica na Inglaterra?” Phillip comentou com um sorriso de canto, que Draco interpretou como sendo malicioso, aliás, aquela pergunta o pegara de surpresa, ele viu que o loiro chamado Étienne dera uma cotovelada no braço de Phillip, entretanto, Henry apenas o encara. Draco definitivamente não gostara daquele garoto.
“Nós éramos amigos da mesma casa” respondeu desconfortável, pegando um copo de whisky, para disfarçar o constrangimento, era impressão dele ou suas bochechas estavam começando a ficar coradas? Afinal, eles eram apenas amigos e ele tinha um namoro que gostava de pensar que era sólido na época que Cristal ainda estudava em Hogwarts, e se fosse ignorar alguns eventos em particular – noites em claro, passeios clandestinos pelos corredores do castelo, garrafas de fire whisky sendo dividas, bailes – Draco Malfoy e Cristal Lerman eram nada mais que colegas de casa.
“Uhum” apesar de ser uma concordância, Draco percebeu que Phillip não estava convencido daquilo “Onde será que eu vi um filme parecido?” ele virou-se para Étienne com um sorriso brincando em seus lábios e uma de suas sobrancelhas levantadas sugestivamente, Draco imaginou que aquilo não era para ele, por isso ficou em silêncio.
“Vocês se conhecem de onde?” perguntou casualmente, tentado desviar a atenção de si.
“Sou amigo de infância dela” Étienne respondeu primeiramente “Cristal é minha vizinha desde quando me entendo por gente, ai por ela conheci Lucy e Charlotte, não sei de você as conhece” o ultimo comentário o deixara desconcertado, ele não esperava que Lucy fosse mencionada, não estava preparado para aquilo.
“Eu... Eu também era amigo de Lucy” ele olhara para as pedras de gelo boiando em seu copo tomando um gole em seguida, sua boca fora tomada por um gosto amargo que, infelizmente, não era por causa do whisky “Não falava muito com a Vandevyvere” verdade seja dita, ele nem fazia muita questão, havia algo nela que apenas o incomodava, talvez a arrogância francesa que parecia emanar de todos os poros dela, mas sabia que a garota era muito próxima de Cristal e Lucy.
“Sem noticias da Lottie, Saintie!” Phillip havia dado duas batidinhas nos ombros de Étienne que o olhara de uma forma raivosa, porém havia uma sombra de tristeza nos olhos do moreno que Draco pode identificar, o garoto ficara bom em ler esse tipo de sentimento nas pessoas depois de tanto convívio com ele “Mas conheci a Crica em uma festa no mesmo ano que fomos pra Beauxbatons.”
“Eu a conheci quando ela voltou de Hogwarts” pela primeira vez o garoto chamado Henry falara, e lá estava um dos motivos de Draco não gostar dele de cara, lá estava a arrogância francesa de que ele pouco gostava “E agora nós namoramos.”
Depois daquele anuncio pouco sutil, diga-se de passagem, o clima ficara cada vez mais estranhamente desconfortável e com que fizesse que Draco desejasse ainda mais a presença de Cristal, afinal, a garota saberia como acabar com aquele momento estranho. Nem mesmo quando uma morena, a qual ele não lembrava o nome, chegara apresentando-se como namorada de Étienne o clima melhora, Henry parecia decidido em fazer com que tudo aquilo fosse um momento desagradável.
Draco acabara-se cansando de todos ali e retirou-se sem dizer nada, não devia satisfações para ele e Cristal parecia ter sumido de sua própria festa, como não tinha mais ninguém que sentisse com vontade de conversar, resolveu dar uma volta pela propriedade, o último motivo para que não fosse embora era que gostaria de despedisse de Cristal.
Acabou sentando-se em um banco da varanda que dava para um extenso jardim, tomara o ultimo gole do que era seu sexto copo de whisky, ainda tinha um gosto amargo em sua boca e sabia o que era aquilo. Culpa. Sabia que não devia ter vindo para essa festa, pois sabia que no momento que encontrasse Cristal seria tomado pela culpa, mesmo que a loira parecesse bem e feliz, havia algo diferente nela e ainda recordava do jeito que ela ficara após a morte de Lucy, um acontecimento pelo qual ele se culpava. Ele sabia que Bellatrix estava pelas redondezas, apesar de não saber o motivo e não saber como ela conseguira entrar em Hogwarts, e não fizera nenhum esforço de avisar a ruiva que podia ser chamada de sua amiga. Por fim, houve a tomada de Hogwarts e a Batalha, por sorte, Cristal não perdera mais uma amiga por atividades o qual ele participara e ajudara acontecer; e uma sorte maior ainda dela ter sido expulsa antes de todo aquele caos tomar Hogwarts, ele havia ficado triste por vê-la partir obviamente, mas fora um peso tirado de seus ombros quando isso acontecera, pois ele não se perdoaria caso algo acontecesse com ela, caso ela fosse pega e torturada ou até mesmo morta. Draco Malfoy não conseguiria viver com aquele peso, mesmo que ele negasse para todos e agisse de forma como se importasse apenas e somente por ele, Cristal Lerman havia conseguido chegado de tal forma em seu coração que ele não se permitia nem em imaginar algo acontecendo com ela.
“Não está gostando da festa?” fora desperto de seus pensamentos pelo doce perfume e a voz dela.
“Não, digo, está ótima a festa” ele sorriu para a garota que tinha a fronte franzida “Só está um pouco abafado de mais lá dentro” além de seu namorado imbecil estar prestes a me azarar por motivo nenhum, porém, aquilo ele guardou para si.
“Eu pensei que você não iria vir” ela sentou ao seu lado, o empurrando levemente “Quando eu o vi parado no meio do hall nem acreditei, pensei que era algum daqueles feitiços de ilusão sabe” ele deu uma pequena risada, adorava o jeito que ela se expressava “Mas era você mesmo, por isso te abracei, sei como não gosta disso mas estava com muita saudade, ainda mais pelo fato de eu ter saído tão rápido e sem me despedir direito” ela parecia muita absorta em suas próprias falar que Draco nem resolvera interrompê-la “E também você nem respondera minhas cartas.”
O jeito como ela colocara aquilo o pegara, como se alguém estivesse espetando seu coração de forma constante, afinal, ele realmente ignorara todas as cartas dela e ainda assim, ela mandara uma a cada semana, até mesmo quando Hogwarts estava tomada – algo que o deixara temeroso – e depois de todo aquele caos, Cristal nunca se quer deixara de mandar uma carta e mesmo do mesmo jeito, Draco não respondera nenhuma.
“Sinto muito” as palavras simplesmente saíram de sua boca, Draco nunca fora bom em se desculpar, talvez, ele nunca tenha feito isso em sua vida, mas como dizem, sempre tem uma primeira vez “Eu...”
“Sei que você estava ocupado e que talvez você não podia falar comigo antes, eu entendo isso, pois nem mesmo Lottie me mandava cartas com freqüência, e as que eu recebia geralmente não tinha mais que uma frase, mas poxa Draco, um “oi” seria bom” ela simplesmente vomitara as palavras, Draco levara um tempo para juntar tudo, afinal, Cristal ainda misturara o inglês com o francês, algo que não ajudara muito “E depois de tudo, depois de tudo ter acabado você podia ter respondido, as únicas informações que eu tinha era do Profeta Diário e teve uma hora que eu pensei que você ia para aquele lugar horroroso, aquela prisão com aqueles Dementadores” ele só havia percebido que Cristal chorara agora, pois ela parara para afastar as lágrimas e acalmar os soluços que vieram.
Draco não sabia como agir, nunca fora bom em lidar com pessoas, ainda mais garotas chorando, nem mesmo quando escutava os choros de sua mãe fora saber ou perguntar como ela estava, por isso não sabia muito bem o que fazer, mas não podia deixar Cristal daquele jeito, por fim, decidira colocar os braços em volta dos ombros da loira, a aproximando mais de si, e de forma desajeitada começara a acariciar o ombro da garoto em forma de consolo.
“Eu... Não sabia” ele comentou em um fio de voz “Eu não sabia como te responder.”
“Eu sou sua amiga, Malfoy!” ela exclamou, o encarando profundamente e Draco sentira algo em seu estomago pelo jeito que os olhos da garota o encarava. Não era o desaprovando ou com repúdio, era de alguém que realmente se importava com ele, mas como? Ele não entendia o motivo daquilo, Cristal tinha motivos o suficiente para odiá-lo: a morte de Lucy, seu descaso, o fato de nunca ter ficado ao lado dela de quando ela mais precisava, entre outros mil motivos. E ainda assim Cristal o encarava como se nada daquilo tivesse acontecido, como se ele fosse uma das melhores pessoas do mundo e de alguém de grande importância. Como ela conseguia fazer isso depois de tudo que ele havia feito?
“Por que?” fora tudo que ele conseguiu falar e a garota o encarou com um semblante confuso “Por que você está me tratando assim?” aquilo não pareceu clarear a mente da garota, pois ela ainda parecia confusa “Por que você está me tratando bem quando você deveria estar me odiando e jogando pedras em mim como a maioria?”
“Porque eu já disse Draco, eu sou sua amiga” ela falou aquilo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo “Porque eu sei que você não é assim, você não é esse monstro que todos pintam, você só estava tentando proteger sua família e mesmo que não tenha começado desse jeito, com certeza terminou assim” ele tentou esconder rapidamente a lágrima que escorrera, por que Cristal tinha que ser tão... Assim?
Nenhum dos dois disse algo depois daquilo, ele por não saber como responder a tal declaração e ela parecia estar orgulhosa de si pelo que dissera e agora balançava os pés no ritmo da musica que tocava, empurrando casualmente o pé de Draco. O silêncio só fora interrompido pelo estouro de fogos que dera logo em seguida, anunciando a chegada de mais um novo ano, Draco observara o céu sendo tomado por cores vibrantes, desenhos e formas, os estouros eram abafados pelos gritos de saudações das pessoas e o tilintar de taças. Draco não sabia de onde tinha tirado a ideia de fazer tal proposta, se fora por causa dos seis copos de whisky, do turbilhão de sentimentos que despertara ou pela mistura dos dois, mas antes mesmo que a pequena fração racional de si tivesse tempo de fazer qualquer objeção já havia soltado as palavras: “Cristal, posso ser o seu New Year’s Kiss?”
A garota o encarou com um olhar que ele não soube interpretar, porém, ela estava próxima o bastante e para Draco, seus lábios pareciam muito convidativos e o momento propício de mais para que fosse despediçado, e em um ato de coragem e instinto, Draco colara seus lábios nos de Cristal antes de qualquer resposta a sua proposta. Ela havia ficado surpresa e ele não podia culpá-la – já que o mesmo não sabia como ele conseguia ter feito tal ato ou como prosseguir – ainda assim, ele pressionou ainda mais seus lábios contra os dela, a puxando gentilmente para mais perto de si.
Em algum lugar da mente de Cristal Lerman dizia para ela se afastar e parar aquilo imediatamente, por Merlin, a mesma tinha um namorado, porém, sentimentos posto em esquecimento a tempos voltaram, e tais sentimentos foram os principais motivos para que ela correspondesse o beijo da mesma intensidade.
Eles não sabiam dizer por quanto tempo aquele beijo havia durado, porém, quando ambos o quebraram, podiam afirmar que estavam felizes por terem o feito. Draco sabia que Cristal tinha alguém no momento e que estava feliz com ele, por incrível que pareça, aquele beijo comprovara aquilo, sabia que ele viera tarde de mais e as coisas poderiam ter sido diferentes caso ele tivesse tomado uma atitude antes, ou talvez não, porém, ainda estava feliz por ainda tê-lo feito. Em nenhum momento Cristal sentira que aquele beijo fora algo errado, nem mesmo sabendo de seu relacionamento com Henry, ela ainda sentia o mesmo por ele e em nenhum momento pensara em trocá-lo por Draco, mas parte dela precisava daquilo, ela precisava daquele ponto final no relacionamento entre os dois, agora ambos sabiam e podiam seguir em frente sem pensar em nenhum “e se” entre eles.
“Obrigado” ele disse sussurrou, aquilo não fora pelo beijo, aquilo fora por tudo que Cristal havia feito por ele, por todas as cartas que ela não deixara de mandar, por todos abraços que ela dera, por todas as palavras que ela dirigira para ele e por encará-lo como apenas um ser humano e não como um monstro; e ela sabia todos os motivos por trás daquele agradecimento “Feliz ano novo, loira”.
“Feliz ano novo, loiro falso” ela sorriu, beijando-lhe a face antes de levantar-se e entrar na casa, mas antes parou na soleira da porta “Responda as minhas cartas dessa vez.”
“Eu responderei” ele sorriu e a viu sumir, provavelmente, iria encontrar o garoto o qual ocupava seu coração “Eu prometo.”
Resolvera ir embora, não via motivos para continuar ali; o caminho para casa fora silencioso como o esperado e tranquilo, não incomodou-se nem com a chuva gelada que caia em um ritmo constante, estava feliz e não sentia-se sozinho, por tempos não sabia como era ambas sensações. Entrara no hotel, passando pelo salão de festas onde ocorria mais uma festa de fim de ano, ignorou o barulho do lugar e subiu para o seu quarto. Trocara a roupa molhada por seus pijamas quentes e confortáveis, deitando-se na cama e caindo em um sono leve e tranquilo sem sonhos. Talvez, mas só talvez, ainda existisse esperança para Draco Malfoy.
Charlotte hate Hogwarts uniform. All grey, with that annoying skirt, heavy black cloak, ridiculous tie and all that "mid all girls school" look, but she did managed that, with all grace and classy in her own Vandevyvere way.
A irritação de Charlotte era uma das coisas que mais divertia Lucy, quando estava viva. E mesmo agora, ela conseguia se lembrar de como era aquela pequena cócega nos estomago que sentia quando a prima a fazia sorrir, só que agora as cócegas não vinham. Ela continuou com a mesma cara impassível, tentando não pensar em muita coisa. Sabia que se disse mais alguma coisa errada a prima poderia desmoronar. E sabia o quanto Lottie odiava e tentava o máximo possível não fazer uma cena. Lembrou-se do que ela havia falado sobre suas amigas da Sonserina, certamente ela estava falando de Louise. Lucy apenas continuou com seu rosto duro, ela poderia ter falado que Lottie também fizera novas amizades como Luna Lovegood e mais importante Ana Zabine. De fato, Lottie agora estava o tempo inteiro na cozinha com a Zabine, mas quem era a errada na história era Lucy. Tentou não usar aquilo e conseguiu manter-se calada. Se estivesse viva poderia usar a expressão o sangue corria em suas veias, mas agora seria algo totalmente sem sentindo já que Lucy estava morta.
Saindo de perto da pia olhou para Charlotte. – Vamos sair daqui, te conto a história toda se quiser ouvir. – falou enquanto caminhava para fora do banheiro, tentando esquecer os gritos que lhe foram proferidos e as palavras duras que havia falado a Charlotte, mas se Lucy não tivesse feito ninguém as teria. – Vou começar falando do porquê que eu e Phill terminamos e assim você vai saber o porquê de eu ter sido expulsa. Só não conte para ninguém, eu sei que você guarda segredo é só que antes eu não conseguia falar, mas agora o que eu tenho a perder? – respirou fundo enquanto caminhava pelo corredor daquele andar. Dirigindo-se a colina perto da casa de Hagrid, ali era um ótimo lugar para ficar deitado e sentindo o cheiro da grama.
A ruiva e a loira seguiram andando, na verdade, Lottie andava o caminho inteiro enquanto Lucy apenas flutuava em volta da loira. Era bastante estranho, poderia ouvir alguns comentários de algumas alunas do primeiro ano, mas Lucy conseguia ignorá-los. Esse era um dos piores fatos de ser um fantasma, ela teria que se acostumar com aquilo. Seria perturbada a vida inteira por aquele tipo de garotas que não possuem conhecimento nenhum sobre Hogwarts. Continuaram o caminho e Lucy observou a loira, desejava bastante saber o que ela pensava, ou melhor, não desejava aquilo. Os pensamentos de Charlotte fariam-na se arrepender de não poder abraçar a prima e falar que tudo estaria bem.
Lucy respirou fundo, ai se lembrou que não precisava mais fazer isso, e lembrou Lottie. Seus olhos reviraram e ela começou a contar o triste de fim do que ela acreditava que seria seu feliz para sempre. – Você sabe o quanto faz calor em Beauxbatons? E que aqueles chapeis não ajudam em nada no cabelo? Eu fui naquele banheiro do terceiro andar e eu ouvi vozes, e você sabe que eu sou curiosa. Então eu fui até a sala e bam! Lá estava Phillip passando a mão no rosto de uma vadia qualquer, fazendo carinho no rosto dela do mesmo jeito que fazia comigo. Rindo enquanto falava coisas do pé do ouvido dela, dando beijos pelo rosto dela. Você sabe como eu sou louca, eu perdi minha cabeça. Você, mais do que qualquer um, sabe o quanto Phillip significava para mim! E vê-lo fazer tudo isso com uma vadia qualquer, apenas me destruiu. – Lucy parou para encarar como sua cousine estava reagindo com a história, mesmo sabendo que logo teria que contar a pior parte.
O que Lucy falaria a seguinte poderia fazer com que Charlotte olhasse a prima de um jeito totalmente diferente. Era por isso que ela evitou tentar contar, e ela havia conseguido, mas agora ela teria que falar. Não aguentava mais segurar aquele segredo, se livrar dele daria um alivio tremendo para a ruiva. – Então eu fiz, eu usei um feitiço e pronto! Eu estava tão irritada Charlotte! Eu queria que os dois queimassem! Eu não estava sã, mas quem ficaria na minha situação? E eu sempre fui bastante exagerada. Acho que você lembra do dia. E do que aconteceu em seguida. Você, Étinnie e Cristal me pararam eu não conseguia dizer nada e pronto, uma expulsão e transferência para esse castelo. Era isso que queria ouvir? – suas palavras soaram ríspidas, mas Lucy havia sofrido bastante para guardar aquele segredo, ela queria preservar aquilo, mas não queria perder a amizade com a prima.
– Tem outra coisa que quero que você veja sobre Phillip. – A fantasma comentou pedindo para Charlotte se levantar, elas teriam um turno completo, afinal era aquilo que Lottie havia perdido. A história toda. Ela não poderia contar em partes, fez sinal para entrarem no antigo dormitório que ela dividia com Lottie, Louise e Ana. Respirou fundo, ela não havia entrado no quarto desde que havia morrido. Aquele lugar havia tantas coisas e lembranças, ela não queria arriscar ficar presa ali para sempre, ainda mais porquê sempre teria alguém morando ali e Lucy não queria ser uma intrusa. Como a murta que sempre estava a espreita do banheiro esperando pela sua próxima vitima.
Poderia ir para o lugar que quisesse no castelo, até para floresta proibida já que esse havia sido o local que havia sido assassinada. Ela só não poderia deixar o limite dos campos de Quadribol e de onde os barcos com os alunos do primeiro ano chegavam basicamente. Ela tinha bastante espaço, então porque se prender em um cubículo com garotas que deveriam superar o fato de que elas se formariam sem a ruiva?
Apontou para a gaveta, ela não poderia abrir já que era algo material. – Ai tem algumas cartas que ele me mandou e também alguns rascunhos das minhas respostas, quero que você entenda. Eu sei que você gostava muito dele, mas ele foi um idiota. Como todos os garotos que eu gostei, acho que eu atraio ou atraia idiotas. George também preferiu Angelina a mim. Teve o Fred, também. Mas foi tudo tão confuso, eu não sei. Eu amei Phillip, acredite nisso. Só que ele quebrou meu coração se não fosse por ele e aquela vadia eu não estaria, é por isso que eu quero você lute pelo St Clair, as coisas não são tão diferentes como você pontuou antes. Se eu tivesse a chance de voltar e concertar meus erros eu faria, conquistaria-o de novo e daria um tapa da vadia, mas eu não posso. Você já pode, você pode lutar pelo Étinnie. Você não consegue ver Charlotte? Você tem oportunidades, você ainda pode escolher o que vai acontecer. – Lucy não queria ter sido tão direta como estava sendo, mas agora ela não sentia mais remorso.
Soltou um suspirou de alivio, tirar aquilo de seus ombros havia sido tão bom como conseguir se lembrar de tudo que havia vivido. Havia sido uma boa vida que Lucy tinha tido, e por um erro ela havia sido condenada. Agora parou para pensar, se não tivesse perdido a cabeça nada disso teria acontecido. – Quero que faça mais uma coisa para mim. – falou suavemente, essa era uma das razões para ter contado a historia toda com detalhes para a prima. – Eu recebi essa carta semana passada. E ela precisa de uma resposta. – ela apontou para uma ultima que estava debaixo do travesseiro, aquela era a mais dolorosa para Lucy.
“ Minha Querida Lucy
Você não sabe o caos que está aqui. De algum modo a noticia de sua morte chegou aqui, também. Eu estou tentando acreditar que isso é mentira e que você ainda vai voltar com os cabelos ruivos bagunçados para deitar no peito. Quero de volta a vista ao seu lado para a praia. E passar a noite olhando você observar o brilho das estrelas. Quero acordar na manhã seguinte sentido o cheiro de cereja que tem seu cabelo e o quanto você acha que está mal vestida quando acorda, mesmo que esteja parecendo algo como um anjo. Eu apenas não consigo acreditar que esteja morta, e a culpa toda é minha. Por isso que eu aceitei o soco de St Clair quando a noticia chegou aqui, pois de algum modo ele deve ter sentido. Pois eu guardei o segredo e espero que você tenha também. Acho que vai demorar a eu conseguir dormir de novo, já que vou saber que a culpa para que meu anjo tenha morrido tenha sido eu. Se eu não tivesse sido estúpido, se eu não tivesse valorizado o que eu tinha em mãos você não teria ido embora. Você estaria aqui em meus braços, mas eu tive que jogar tudo isso fora, não tive? Eu sei que você me odeia ou me odiava, mas não se passou um dia em que eu não desejei mudar. E de fato eu não sou mais aquele garoto que você viu, muito menos o garoto que se apaixonou. Eu sei que você agora é um fantasma, as noticias correm por aqui. Eu quero saber como vou conviver com essa dor constante? Esse vazio que você deixou aqui no meu peito, pois não consigo mais pensar em outra coisa. Eu sou o culpado, eu te matei e eu não posso me perdoar.
Com amor sempre, seu Phillip.
Enquanto Lucy lia a carta para a sua cousine, tentava não encarar Charlotte. Lucy havia decorado cada palavra da carta então não precisava dela para citá-la. Ela poderia imaginar Étinnie pirando e socando Phillip e o culpando e poderia ver como o ex-namorado estava sofrendo. Lucy apenas não sabia o que fazer. – Preciso que vá para França, entregue a carta a Phillip e que acalme St Clair antes que ele faça algo que se arrependa. – comentou olhando para a loira. – Só você pode fazer isso e você sabe. Mas antes preciso que escreva algo para mim.
Charlotte sentiu uma ponta de arrependimento ao perguntar o motivo do término ao ver a expressão da fantasma, que mesmo para uma morta – ou um espírito, ela não sabia muito bem como aquilo funcionava e Luna havia a proibido de vasculhar qualquer coisa sobre o assunto a frustrando – parecia bem viva com relação ao que sentia, como se algo a estivesse a corroendo por dentro, por mais irônico que isso soasse, mas vê-la assim, fez com que algo se iluminasse um pouco, algo mínimo, aquilo fazia com que Lucy parecesse viva.
Ela concordou com um aceno ao convite de sair daquele banheiro, afinal, aquele lugar estava ficando muito depressivo até mesmo para ela, aliás, Hogwarts estava a deixando muito depressiva, não ajudava nada o fato de ser final de Março, toda aquela transição de inverno para primavera estava deixando os jardins lamacentos de mais e as pancadas de chuvas que não paravam de cair não contribuíam para o seu humor, portanto a seguiu.
Era um pouco difícil acompanhar Lucy, o fato de fantasmas flutuarem e não esbarrar em pessoas ou coisas fazia com que eles fossem bem mais rápidos, o que levou Charlotte a dar longas passadas para que assim pudesse ficar ao lado de sua prima. Ela viu que aquela cena – pouco fora do comum do cotidiano de Hogwarts – estava arrancando alguns cochichos e risadas de alguns alunos, ela revirou os olhos e apenas lançou um olhar cortante em direção do grupinho de garotas que estavam fazendo alguma piadinha, aquilo bastou para que elas ficassem quietas por algum tempo.
Ela deixou um pequeno sorriso se formar em seus lábios “Eu gostava do chapéu” murmurou, na verdade, ela adorava chapéus, sempre os achou elegante e nunca se incomodou em usá-los porém sabia que sua prima não gostava muito. Charlotte engoliu em seco, ela imaginava como Lucy se sentira, provavelmente da mesma forma quando ela via St. Clair com uma garota nova ou quando leu a carta de Cristal dizendo que ele estava feliz com outra, talvez não fosse a mesma coisa, mas podia ter uma ideia. Fez a menção de falar algo, porém, Lucy ainda não havia terminado, então recolheu as suas palavras e esperou sua prima terminar a história.
Ela pensou muito antes de dizer qualquer coisa, percebeu que aquilo era muito difícil para Lucy, reviver tudo aquilo e admitir que quase incendiara duas pessoas, mas ainda assim, Lottie sabia que ela não era uma má pessoa, aquilo só fora ela respondendo a todo o ciúme e raiva que ela sentira, afinal, Lucy era muito intensa e sempre sentia de mais. Perguntou-se como era pra ela, que de alguém que sentia de mais agora não sente completamente nada.
“Você deveria ter contado” falou olhando no fundo dos olhos da prima “Você sabe que nunca ficaríamos contra você ou julgaríamos você por algo que você fez” aquilo era verdade, aliás, ela não estava em posição para julgar, ela teve um pequeno affair com seu professor e isso resultou sua ida para Hogwarts, desprezo de seus pais e a demissão do professor. “E eu não sabia sobre o Phillip, vocês pareciam estar tão bem e” ela resolveu se calar, não queria piorar a situação, mas sentiu-se muito decepcionada com ele.
Ela consentiu e seguiu Lucy novamente, ou melhor, tentando acompanhar a prima, já que sempre esbarrava em alguém a atrasando consideravelmente, chegando ao dormitório. Abriu a gaveta indicada, sentindo um pouco desconfortável por estar “invadindo” a privacidade de sua prima ali, achou alguns pergaminhos amassados e marcados, provavelmente sua prima os lera muito enquanto era viva. Lera as palavras de Phillip e sentiu um nó em sua garganta, algo que só aumentou enquanto escutava Lucy falando cada palavra da ultima carta, que era a mais recente.
“Ele parecia estar sinceramente arrependido, Lucy” falou depois de um tempo, guardando cuidadosamente as cartas. Imaginou como Phillip estava se sentindo e de alguma forma, pode entender o porquê dele ter ficado com aquela menina, fora pelo mesmo motivo que ela foi embora com sua avó na manhã seguinte.
O pedido de Lucy veio como um choque, voltar para a França? Lucy havia perdido o juízo ela não podia voltar, mesmo que quisesse que ajudá-la. “Não tem outra forma? Eu posso enviar uma carta para o Phillip, sabe” disse mexendo suas pernas impacientemente, mas ao olhar as feições da fantasma soube que voltaria querendo ou não, Lucy merecia uma chance de melhorar aquilo. Fechou os olhos tentando se convencer que tudo daria certo, suspirou sabendo que não teria mais volta “Só para deixar claro, vai ser difícil convencer meus pais, mas acho que a gente pode usar o fato de que a Páscoa vai ser na próxima semana” levantou-se para buscar pergaminho, pena e nanquim, viu que sua cama ainda estava uma bagunça, tirara a varinha do bolso falso, que fora costurado na manga direita de seu suéter, e com um aceno, estava em perfeita ordem.
“O que você quer que eu escreva?” falou, sentando-se com as pernas uma sobre a outra na cama que uma vez fora de Lucy, prendera os cabelos em um nó para que não caísse em seu rosto enquanto escrevia, apoiando um livro e um pergaminho em sua perna esquerda, onde estava a cicatriz do seu incidente com quadribol.
“Eu deixei o St. Clair” disse de repente, se Lucy fora sincera o suficiente para contar o que acontecera entre ela e Phillip, poderia ser sincera com ela quando não podia ser consigo mesma “Depois do baile, aquele que você não quis ir, eu disse que o amava pela primeira vez e nós...” ela pausou sentindo suas bochechas arderem “Bom, nós fizemos, sabe, ele foi o meu primeiro” mordeu os lábios inferiores e mexeu-se desconfortável na cama, mantendo seu olhar para as cobertas da cama “E na manhã seguinte eu fui embora, voltei pra cá com a Grandmère e depois não falei mais com ele, só deixei um bilhete pedindo desculpas antes de sair e depois ignorei todas as cartas dele.”
Ficara em silêncio depois disso, não atrevendo-se em olhar para nada além dos padrões de costura da coberta verde que estava na cama. “O que é mesmo pra escrever para o Phillip?” perguntou novamente na esperança de que Lucy não tivesse dado-lhe atenção.
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