Por um momento, William pensou que a menina fosse virar as costas e deixá-lo com a maior cara de tacho no mundo: fizera um silêncio longo o suficiente para que ele sentisse o nervosismo começar a alastrar-se. Sorriu, nervoso, quando a viu abrindo os lábios para fazer o mesmo e falou. “Mesmo? Que pena, porque eu também sou um péssimo dançarino. Você quer apostar que eu posso pisar no seu pé primeiro?” brincou, uma vez que ele não era tão ruim assim. Deu de ombros, como se não fosse problema algum. “Desde que você me salve do momento solitário, eu não me importo em ficar com qualquer versão que você tenha para me mostrar. Muito pelo contrário, eu gosto de alguns pontos extrovertidos.” disse com a maior sinceridade do mundo. Muitas pessoas poderiam encarar aquilo como uma verdadeira bajulação para acabar na cama no final da noite, mas Will estava sendo franco e não teria problemas em conhecer a dança ruim da moça — e outras características — desde que tivesse a companhia da mesma. Parecia ter sido atraído como um ímã para ela e não queria desperdiçar o tempo que lhe fora cedido agindo como um completo idiota, e, ah, ele sabia ser um imbecil quando queria. “Antes que você pense que sou mal educado” retomou a fala, puxando-a pela mão para irem mais dentro da pista. “não quero acabar com o tema da festa e descobrir quem é que está por baixa dessa máscara tão cedo. Vai ser mais divertido assim, não acha?” indagou, esperando aprovação para a atitude. A verdade é que poderia aproveitar bem a temática para algo diferente; nunca conhecera alguém ‘às escuras’, como no caso, e tinha a lista mental das pessoas que conhecia no Upper East Side. Visto que a maioria ela dali, queria surpreender-se e, talvez, surpreenderia a ela também. E ele realmente esperava ter aquele efeito.
O nervosismo começou a alastrar-se por seu corpo e torceu para que ele não fosse evidente em seu olhar. Seus olhos destacavam-se ainda mais na máscara azul pastel que escolhera, por incrível que pareça, sozinha. Ela estava se sentindo como uma princesa de conto de fadas, cada detalhe fazia diferença e ela fez questão de realçar cada um deles. Nunca se sabe quando teria oportunidade de vestir-se assim novamente. A voz do rapaz, até então sem identidade, lhe transmitia paz no estado de irritabilidade que encontrava-se. A fala dele lhe trouxe divertimento, e facilmente o garoto conseguiu arrancar dela um grande sorriso seguido de uma risada despretensiosa. “Eu não acho que seja um péssimo dançarino, só está falando isso para que eu me sinta melhor. E está funcionando. Como eu perderia facilmente a aposta, acho melhor não me comprometer a isso. Mas, por curiosidade, o que apostaríamos?” Ela ergueu uma das sobrancelhas, porém percebeu que dificilmente ele conseguiria perceber sua expressão já que a máscara ocupava metade do seu rosto. “Bom, essa é a única versão que tenho a te oferecer, espero que lhe agrade.” Disse, sem certeza se aquela resposta era a mais apropriada. A realidade de Linzy era completamente diferente daquela, mas percebeu quantos pontos positivos aquela noite estava atraindo. Sorriu quando o mascarado lhe puxou até a pista de dança; o toque das mãos dele a confortava o suficiente para se sentir segura naquela situação, na qual envolvia não saber quem estava por trás da máscara. Quando pensou no assunto, o garoto comentou sobre e ela apenas concordou com a cabeça. “Mesmo se soubesse, não acho que me conheceria. Mas, sim, você tem total razão.” Ela comprimiu os lábios, suspirando fundo e aproximando-se mais do corpo do rapaz, esperando que o mesmo tomasse alguma iniciativa a respeito. “Nada mais que diversão, certo?”