Ethan virou de costas para ela em um ato reflexivo de egoísmo, mas também de proteção. Ele estava cansado em ter que lidar, há muito tempo, com as consequências das ações de outras pessoas, principalmente àquelas que lhe causava um sofrimento pesado. Se fosse outra realidade, Ethan estaria ao lado dela, fornecendo um suporte emocional necessário. Mas, algo tinha mudado dentro de si, essencialmente depois que tinha descoberto a verdade. Ele tinha planejado várias vezes o encontro com Lizzie e o que diria a ela e isso foi feito de diferentes formas. Em uma de suas imaginações, Ethan imaginava um reencontro feliz com ambos pedindo desculpas: ela por ter lhe deixado, e ele por não ter procurado mais. Porém, na mais recorrente, era ele considerando apenas seus sentimentos, ou seja, ignorando como estaria ela como forma de lidar com o abandono do passado. Querendo ou não, era assim que Ethan estava se comportando no momento.
— Sim, você foi estúpida. — Mesmo com o coração partindo-se ao proferir àquelas palavras e em um tom irritado, ele não conseguiu evitar. Toda chateação e raiva que vinham se acumulando com os últimos dias estavam sendo descarregados no momento, como ele havia imaginado. — Você foi estúpida em pensar e agir sozinha. Foi estúpida em não me considerar, nem mesmo por um segundo, nas suas decisões. Foi estúpida em mentir sobre estar viva e bem para todo mundo, principalmente para mim. Por ter me abandonado. Por ter feito pensar que você estava MORTA! —
As lágrimas também caíam sob seu rosto, mostrando que o rapaz não estava nenhum pouco feliz com aquele diálogo e sentimento. Ele não queria brigar. Mas também queria que ela soubesse o quanto tinha sido difícil. — Destruído tudo e não tem mais volta alguma. Agora, só nos resta seguir em frente e focar no que realmente importa... Não tem como mandar eles se fuderem, porque é a gente que desiste agora. Eu não queria estar perto de você... — Ele respirou fundo por um segundo sentindo o impacto daquela frase, e continuou com um tom sério. — Mas eu não tenho escolha. Temos que salvar o mundo. Ou eu vou ter que continuar sozinho de novo? —
Ouvi-lo confirmar suas angústias aprofundou ainda mais a temerosa sensação. O choro silenciou qualquer resposta afiada que pudesse dizer naquele momento. Sequer conseguia obter fôlego para contornar o próprio lamento. A cada piscar de olhos, mais lágrimas caíam de seus olhos e escorregavam na direção de seu maxilar sem interrupções, lavando sua pele com a água salgada acumulada por anos. Não existiam argumentos que pudessem a retirar daquele estado de catarse.
Abraçou seus próprios joelhos como costumava fazer quando criança, sentindo-se cada vez mais reduzida à sua versão juvenil. Não era mais a jovem adolescente que rompia os silêncios com piadas inconvenientes ou tentativas de flerte. Era uma mulher, exaurida pela própria rotina, angustiada pelas inúmeras decisões que a levaram até aquele momento, arrependida por seus inúmeros erros. Não havia fluidez em sua humanidade falha. Detinha-se em cobranças de um passado impossível de ser corrigidos, raiva de si e de suas estúpidas ideias, rancor sobre a pessoa que um dia foi e, neste singelo sentimento, a autoestima debilitada enfraquecia ainda mais, mesmo que vez ou outra usasse uma roupagem soberba. Não conseguia olha-lo nos olhos, não mais.
O choro se aliviou, engolindo as demais mágoas que ainda não estavam expostas ao ex-namorado. Soltou as pernas que antes estavam contra seu corpo e ergueu parcialmente a cabeça, apenas o suficiente para fita-lo de costas para si.
"Deveria continuar sozinho. É essa a melhor escolha. Mas eu não vou deixar que você se foda sozinho. Não depois de você levá-los para o meu quintal e destruir a porra do meu jardim." A fala amargada pela rispidez dolorosa, buscava proteger a si de que houvessem outras concordâncias entre suas dores e o homem que um dia amou. Preferia permanecer na completa ignorância sobre as opiniões do mesmo acerca de suas falhas. Com o dorso das mãos limpou o caminho das lágrimas em seu rosto. "Fale logo a merda dessa missão. Quero me livrar de uma vez por todas desse maldito fantasma que você é e nunca mais lembrar desse maldito sangue grego que corre nas minhas veias. Eu quero a normalidade da minha vida de volta, sem você e sem as loucuras do Olimpo. Quero a minha casa, que eu demorei muito tempo para construir e fortalecer, e nenhum de vocês vai arrancar a paz de estar longe dessas idiotices."


















