a segunda filha dos adormecidos nasceu para ser uma estrela! bom, pelo menos é isso que ela acredita e o pai dela faz parecer. linda adormecida é a filhinha do papai, tem vinte e três anos e é atriz. desde criança, atua em novelas da storytv e filmes da briar productions, sendo famosa não apenas por ser filha de phillip adormecido, mas por ser a linda adormecida! você pode crer que ela é a típica adormecida superficial que encaixa perfeitamente na reputação que a família tem por aí: e até que sim! mas a verdade é que tem mais sobre a linda. sua habilidade, insônia, faz com que os dias dela sejam intermináveis e ela tenha muito, muito mesmo, tempo livre. é um pesadelo, infelizmente não no sentido literal da palavra porque linda não dorme, então consequentemente não sonha nem com coisas boas ou ruins, mas proporciona à ela a chance de se afundar em livros. linda adormecida sabe latim e o básico de mecânica? pode ser um choque para qualquer um que descobre, mas com tanto tempo livre quando não está envolvida em trabalhos da briar, ela precisava de algo para não morrer de tédio. e no fim do dia, descobriu ser bastante inteligente.
❀ 𓂃 𝒄𝒖𝒓𝒊𝒐𝒔𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆𝒔.
abaixo do read more!
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A INSÔNIA (+ORÁCULO).
pode parecer simples como o nome, linda não dorme. a última vez que o fez foi em 2017. depois disso, fez 18 anos, foi para a academia e recebeu a habilidade de... não dormir. nunca mais. no início, ficou super empolgada com isso. imagine nunca mais precisar dormir! ela poderia conquistar o mundo se quisesse. com o passar dos anos, tornou-se um peso nas costas dela. ainda é cheia de energia, mas às vezes, tudo que ela queria era poder tirar uma soneca todos os dias e diminuir o tempo prolongadíssimo que passa sozinha com os seus pensamentos enquanto o resto do mundo dorme. ela usa a habilidade dela para aprender, linda é muito mais inteligente do que parece, mas ainda não encontrou um motivo para ter recebido a insônia.
bom, isso até o baile da lua de sangue, quando linda teve o vislumbre de uma névoa verde preenchendo a atmosfera do salão e ela sentada num trono com os olhos na mesma coloração da fumaça. de sua boca, um grito ensurdecedor escapou, mas naquele momento ela compreendeu que um dia poderia ser mais, fazer mais, e que a insônia não é uma habilidade, mas um escudo.
até então, jurava que a fraqueza de sua insônia eram as luzes verdes. quando linda enxerga um feixe de luz nesse tom, ela automaticamente fica hipnotizada e adormece acordada por alguns minutos, enquanto fala profecias estranhas em um idioma antigo que não se lembra depois.
as profecias falam de coisas que, talvez, possam ser importantes... ainda não há como saber. mas com o progresso da dádiva da lua de sangue, ela poderá descobrir do que se tratam, como poderá achar uma maneira de bloquear a sua insônia e treinar o seu verdadeiro dom de oráculo... ou algo do tipo.
no momento, ela desconfia que a origem deste seja uma maldição lançada por malévola muito antes dela nascer.
algumas inspirações para a personagem: lydia martin (teen wolf); alexis rose (schitt’s creek).
linda possui um diário mágico, presente da fada flora, sua madrinha, em seu aniversário de dezoito anos depois de ficar com pena de linda por não ter recebido nada magicamente útil. o diário é embutido de magia das fadas, então sempre que linda escreve algum desejo seu, ele se concretiza como se a fada concedesse ao vivo para ela (e até poderia! mas flora é muito ocupada em moors). claro que são apenas desejos simples e linda basicamente só os usa para fazer trocas de looks e desejar que suas bolsas e sapatos que comprou on-line em sites non-maj cheguem instantaneamente na casa dela. ela também usou o diário uma vez para fazer bonito ter um furo na calça dele quando eles brigaram!
muitos podem vê-la como superficial e até pensarem que sua simpatia é falsidade! mas linda se mostra uma pessoa carismática, que parece ter a cabeça nas nuvens e adora seus fãs! o nome do seu fandom é #Glamuroso. então se você faz parte do fandom, você é um #Glamuroso.
porém, a sua imagem como superficial e adormecida raíz é justificável. linda é extremamente apegada ao pai e passa pano para phillip. de certo modo, tem medo de deixar de ser a favorita dele, então faz tudo que ele pede e não levanta a voz nunca para ir contra ou discutir com o homem. é bastante prejudicial porque, por exemplo, linda na verdade não concorda com a divisão do castigo; mas nunca vai se posicionar sobre isso, pelo contrário, vai sempre soar e se mostrar condescendente às injustiças e à opinião do pai.
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Linda optou por ousar dessa vez. E, é claro, seus fãs foram à loucura quando viram a sua diva entrar no castelo de Drácula usando um vestido feito de cristais Swarovski, idêntico ao da diva pop dos non-majs, Rihanna! Não é segredo para ninguém que Linda serve continuidade em suas fantasias de Halloween, vestindo-se de personalidades non-maj todos os anos.
“Eu sou a tendência, baby,” disse para o correspondente da Bibbidi News ao ser entrevistada na entrada do baile, recebendo os flashes das câmeras com poses glamurosas. “Ano que vem, esperem várias eras de Rihanna nas vitrines das lojas de fantasias em Arthurian. Assim como esse ano, que onde você ia, encontrava uma fantasia da Cher!” Linda piscou para a câmera, referindo-se ao fato dela ter lançado tendência ao se vestir de Cher no ano passado.
what’s your muse’s favorite album of all time / favorite artist?
-- Só os fãs de verdade sabem, mas a @lindaadormecida teve a sua ERA CANTORA. O álbum debut dela era muito bom, mas no fim o talento verdadeiro dela era atuar e ela continua a nos agraciar com papel bom atrás de papel bom. Mas de vez em quando ela ainda canta em algum musical e só posers acham que ela precisou de treinadores vocais para aprender só para o papel.
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Dizer que descia uma espiral de tormentas desde o dia do Salvador era quase um eufemismo quando o tópico era a Dunbroch, mesmo que grande parte dos pontos só fossem realmente impactantes para si e não para os outros ao seu redor. O anúncio realizado pelo Feiticeiro com a volta às aulas apenas intensificara ainda mais o processo, o suficiente para que fosse pega por Merida, na única veze em que se viram, à beira de uma crise e tivesse de prometer que iria pensar sobre a possibilidade de fazer visitas ao Grilo Falante para lidar com o que quer que estivesse se passando em sua mente. (Fora algo da boca para fora, é claro. Ambas sabiam que não iria se abrir facilmente assim.) Um fato era verdade: precisava externalizar ao menos parte do que sentia logo, sobre qualquer um dos tópicos, ou iria explodir com tamanha pressão acumulada em seu interior. Para piorar, a única coisa que realmente lhe distraía de sua tormenta interna, embora ironicamente, havia sido suspensa nos últimos dias com sua folga indesejada. Considerando os acontecimentos recentes entre si e Linda, não era exatamente um choque, mesmo que tivesse afundado mais a adaga que ela própria havia colocado em seu coração. Não era isso que queria que a Adormecida fizesse? Seguir com sua vida e se afastar de si? Mesmo que não tivesse direito de se sentir mal depois de ter provocado aquele resultado com as próprias mãos, sentia um peso esmagar seu tórax onde quer que fosse, impedindo-a de respirar. Havia questões mais urgentes com as quais se preocupar, no final do dia; não podia se deixar corromper por qualquer que fosse a maldita semente do mal implantada em sua mente. (As visões que tinha toda noite a convenciam de que, talvez, já fosse tarde demais para isso.) Ainda assim, parecia incapaz de retirar Linda de seus pensamentos, ainda mais do que antes de tudo desmoronar: a dor em seu olhar na noite dos fogos, seu rosto enquanto dormia, a confusão quando acordou… Massageou a ponte de seu nariz com um suspiro, afundando na poltrona da ópera. Sequer lembrava do caminho entre seu dormitório e o local, muito menos de ter comprado o ingresso. Talvez estivesse mesmo enlouquecendo, talvez fosse muita tarde para recuperar quem quer que fosse antes. Engoliu em seco e, inquieta, brincou com as faixas que encobriam as mãos. (A predominância do vermelho contrastando com o pano branco deveria lhe assustar, mas causava uma espécie de alívio.) Perdida em seus pensamentos, demorou alguns instantes para notar que a voz que ouvira não fora fruto de sua mente, mas da pessoa real que se encontrava, surpreendentemente, ao seu lado. “Eu também não esperava me encontrar aqui.” Admitiu com uma careta, sentindo como se seu corpo queimasse apenas de fitar Linda, como se estivesse cometendo algum tipo de pecado. Engolindo um novo suspiro, voltou o olhar para o palco, sem deixar de brincar com as próprias mãos. Os próximos dizeres da Adormecida fizeram com que todo seu interior se revirasse. Havia se empenhado tanto que, agora, a mulher realmente acreditava estar lhe prendendo à si, como se forçasse algo. Era o que Meliora dava a entender, sabia disso, muito assustada em admitir que havia aceitado a oferta de Phillip por pura vontade e desejo. “Talvez essa versão seja diferente…” Respondeu em uma voz mais fraca do que o habitual, menos implicante. Em sua honestidade, não sabia o que dizer para a Adormecida. Eu vim porque não conseguia tirar seu rosto de minha mente? Riu sem humor com o pensamento. “Não acho que seja uma caso de Síndrome de Bela e a Fera se a afeição vem antes.” Encolheu os ombros, mesmo que sua fala tivesse soado mais como um sussurro do que uma resposta à provocação da outra. “Eu posso me retirar se estiver desconfortável.”
Ajeitou a postura no assento, esboçando uma careta ao perceber que estava rasgado. Eram os pequenos detalhes que faziam o lugar parecer assombrado. Uma ópera de fantasmas, não apenas uma comum. “Então por que veio?” Perguntou suavemente, virando o rosto para olhá-la. Parte dela desejava ouvir Meliora dizer que viera porque tinha esperanças de vê-la ali. Linda espantou esse pensamento com o habitual falatório inconveniente que gostava de fazer na presença da guarda-costas. Ela não teve como retrucar a suposição. “Ah, provavelmente. Mas só consigo pensar em como somos tão importantes que chegamos até a outra dimensão! Quem mais pode dizer o mesmo?” Deu uma mexidinha no cabelo, jogando os fios longos para trás do ombro. “Me lembre de contar pro meu pai sobre isso depois.” Phillip era quem se importava com aquilo, assim como ela. Aurora provavelmente não daria tanta credibilidade. Há anos se tornara coadjuvante da própria história no mundo deles, e as coisas não eram tão diferentes assim para os non-majs. Linda sentia calafrios toda vez que pensava em como Malévola se tornara a heroína deles por conta de alguns filmes com Angelina Jolie. Distraída nessa linha de raciocínio, deixou escapar o comentário de Meliora, escutando apenas a parte final. As sobrancelhas dela se juntaram, embora àquela altura devesse estar acostumada àquela montanha-russa delas. Uma hora estavam no topo. Se provocando, descontraídas, como se tivessem esquecido os últimos acontecimentos. Mas bastava alguns segundos, uma palavra errada ou uma brincadeira para que despencassem e tudo voltasse ao estado complicado. “Por que eu ficaria desconfortável, Meliora? Por favor, se você não estivesse de folga, teria que estar me acompanhando de qualquer jeito. E eu escolhi me sentar aqui.” Disse como se não fosse nada, dando de ombros e passando a encarar o palco ainda vazio enquanto o espetáculo não se iniciava. O silêncio perdurou por o que pareceram-se horas enquanto mais turistas entravam e procuravam assentos para assistirem ao show. Linda queria prestar atenção neles, em seu iWish que vibrava com notificações incessantes na bolsa, em qualquer coisa. Mas isso se fazia impossível quando o coração dela apertava no peito e o sangue borbulhava sob a pele porque Meliora estava tão perto de novo. “Você...” Hesitou momentaneamente, quase constrangida; o que não era do feitio de Linda. Pelo menos não a Linda que procurava ser para sustentar a imagem da família. “Você estava esperando alguém? Eu posso me retirar, se for o caso. Não quero atrapalhar e transformar a sua noite de diversão em trabalho.”
₊𓂅 ᝰ 🍁 ˓𓄹 ࣪˖ Tinha seriamente desistido de procurar o ursinho de Ethan e isso estava lhe corroendo por dentro. Maple não fazia ideia de como iria recuperar a pelúcia, a tristeza de perder o seu bem mais precioso era enorme e aumentava sua necessidade de colocar um cigarro na boca. Por isso esse já era o terceiro do dia, o baseado bem enrolado de folha de artemisia não saía de seus lábios. Senti-se eufórico, mas sabia que nada mais era do que o efeito da erva. Bom, pelo menos até avistar a figura de Linda um pouquinho mais adiante, não sabia para onde ela estava indo mas oh céus, quando foi que ela acordou? "LINDA ADORMECIDA!!" gritou em plenos pulmões. Maple, que raramente gritava, não tinha hesitando dessa vez. O rapaz levantou-se e colocou suas asas para funcionar, voando até a amiga. Não demorou em envolvê-la em um abraço, suspirando pesadamente. "Ai, caramba, se isso for uma alucinação do meu baseado eu vou ficar tão triste. Você acordou? Está mesmo aqui?" questionou, apertando ainda mais o abraço para ter certeza de que sim, a amiga estava de pé. "Não demorou cem anos, achei que quando você acordasse ia ter se passado isso tudo, eu iria estar com rugas."
No jardim da Academia, Linda ensaiava as poses para o photoshoot que tinha agendado para o dia seguinte. Em comemoração ao seu despertar, e também ao Outono, fariam algo inspirado em Aurora quando ainda era a camponesa Briar Rose. A tia Flora estava com ela, em seu tamanho humano, orientando-a. Pois, acredite se quiser, Linda estava sofrendo de problemas de auto estima naquela tarde! Insegura sobre não ter mais o mesmo brilho de antes em suas fotos depois de passar todo aquele tempo hibernada. Ela se esqueceu de tudo isso, e até da fada que era sua madrinha, porém, quando a voz de Maple foi ouvida ao longe. Teatralmente, a Adormecida se virou na direção dele. “MAPLE BOO!” Levou as mãos até a boca, emocionada. Não importava quantas vezes tivesse assistido Maple voar, sempre se encantaria com as asas do amigo. A tia Flora resmungou algo sobre Linda não estar focada no trabalho, o que ela também ignorou assim que os braços masculinos a envolveram no abraço caloroso e retribuído por si. “Eu acordei, sim! Mappie, você não sabe como foi traumatizante...” O suspirou pesado escapou os próprios lábios. “Tive tantos pesadelos. Eu estava presa naquela dimensão dos sonhos e havia...” Muita coisa ruim. Um vinco se formou entre as sobrancelhas dela pelo momento em que se lembrara de seus sonhos, e ela não tardou em balançar a cabeça para afastar os pensamentos. Seu foco agora era Maple Boo. Seu melhor amigo. “Ai, amigo, por favor! Você nunca vai ter rugas. E nem eu. Pessoas como a gente foram feitas para a beleza eterna.” Piscou para ele. Considerando os produtos de beleza que as mães de ambos usavam, e as melhorias na tecnologia MagiTech nos últimos anos no setor de beleza, decerto passariam dos cem anos com poucas rugas quando chegasse as suas vezes... “Me conte tudo o que eu perdi sobre a sua vida recentemente! Sinto que não nos falamos há meses. E vamos aproveitar e dar um passeio nessa cidade nova juntos. Eu ouvi dizer que o sr. Múmia conhece a Múmia que nos perseguiu no Egito. E nem te conto a melhor... Eles são exes.”
Aquilo não era algo ao qual Sarabi gostaria de se orgulhar, mas é claro que sabia e entendia como era esse sentimento que Linda estava falando, afinal ela já havia tido algumas recaídas com exs. Era um sentimento estranho, incompleto, até porque não estavam mais juntos e de certa forma, era algo inalcançável para qualquer coisa além daquela recaída. — Algumas recaídas podem ser inesquecíveis, não? Talvez seja por isso que você dormiu por tantos dias. Um sentimento digno de tortura para relembrar, como você disse — tomou um pouco da bebida que estava em seu copo, enquanto encarava a mais nova a sua frente. — Mas é melhor ter esse sentimento por alguns dias dormidos, do que por alguém, não? — fez uma pausa, escolhendo bem suas próximas palavras. Linda era mais nova que ela e talvez nunca cometesse tais erros. — E pelo menos você sabe que realmente foi bom. Agora, quando falamos sobre alguém, no caso um ex, fica aquele sentimento torturante de que essa pessoa existe, fora a ressaca moral dos dias seguintes. Talvez exista uma linha tênue nesse meio — não que ela fosse uma especialista nisso, mas Sarabi ainda tinha algum conhecimento sobre.
Não queria dizer que, agora do jeito que Sarabi colocava a situação, sentia algo parecido por alguém com quem nunca se relacionara, mas que tinha diferentes papéis em sua vida. Os últimos meses poderiam até ser considerados uma espécie de recaída entre as duas, voltando para o que costumavam ser no passado — porque decerto a parte da tortura, de lembrar que ela existia, estava ali agora, no presente. Constantemente. Linda espantou os pensamentos sobre Meliora com um menear discreto da cabeça e tornou a focar em Sarabi. “Então, com qual ex você dormiu recentemente?” Riu fraquinho antes de entornar outro gole da bebida, esperando pela reação da King mais velha. “Parece que está super entendida do assunto, Bibi.” O riso tomou a forma de um sorriso malicioso nos lábios pintados de Linda. Ela ajeitou a postura na cadeira, que assim como todo o resto do bar, era feita de abóbora. O estabelecimento em si era localizado dentro de uma abóbora gigante, com uma iluminação tão alaranjada que os olhos dela doíam. “É algum que eu deva me preocupar?” Fazia tanto tempo que Linda não se permitia fofocar daquela forma com suas amigas que, pela primeira vez em semanas, sentiu-se normal de novo. “Aliás, você viu que sou famosa aqui também?” Meneou a cabeça na direção da televisão do bar, que passava um dos filmes de Halloween da Briar Productions, estrelado por Linda Adormecida. Ela deu uma mexidinha no cabelo e sorriu orgulhosa. “Ah, depois dessa, eu mereço ganhar o Excalibur’s Choice Awards de personalidade mais influente esse ano de novo! Espero que o seu pai não tente roubar de mim igual ele fez ano retrasado.”
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A biblioteca estava entre os últimos lugares que Qianyue escolheria para frequentar assiduamente — boa parte de seus dias (e noites, e madrugadas) eram passadas no dojo da mãe, Blossom & Honor, ou no próprio Centro de Treinamento da Academia. Entretanto, durante as últimas noites desde o fatídico ocorrido com a professora Darling, pegava-se levando o treino a sério até demais, sequer parando para fazer refeições corretamente em meio às horas longas que tentava se distrair. E Mulan, como boa apreciadora do equilíbrio, havia (de forma gentil, é claro) pedido para que a filha pegasse leve na atividade física e arranjasse outra coisa para fazer — seu jeitinho de dizer que não, ela não podia mais passar a madrugada toda em claro praticando porque aquilo já estava passando dos limites considerados saudáveis. Por isso que, sem nada pra fazer e meio a contragosto da ordem da Fa, a chinesa optara por passar a madrugada ali na biblioteca de Arthurian. Sabia que provavelmente nem deveria estar ali, já que à essa altura, o local deveria estar fechado; ainda assim, escolhera o lugar pelo simples fato de precisar ficar um tanto sozinha e em silêncio, fora de seu quarto cujo ambiente começara a ser um tanto sufocante. Seu plano até estava dando certo, até ser retirada do silêncio com o barulho de algo caindo no chão, surpreendendo-se com a figura de Linda ali. “Ah, oi— eu também achei que estava sozinha, na real.” A Li coçou a própria nuca, um tanto sem jeito, mas sem deixar de dirigir um sorriso simpático à Adormecida (parte dela quis perguntar se estava tudo bem após os dias dormindo, mas tinha medo de acabar sendo indelicada demais). A expressão, contudo, congelou surpresa quando ouviu a menção do nome de Wendy, ou ao menos parte dele. “Ah.” Foi tudo o que conseguiu proferir, antes de deixar o silêncio constrangedor tomar conta durante longos minutos. “E você… vem aqui para ler?” Qian tentou até desviar o assunto para amenizar o clima, mas se fosse sincera, aquilo havia lhe deixado desprevenida.
Não pode evitar perceber o quão constrangedora a situação havia se tornado devido às suas palavras. O silêncio as sufocou por longos segundos até que Qianyue se pronunciasse, e a Adormecida pegasse a deixa para dar uma de Linda e safar as duas de acabarem tendo conversas que não queriam ter. Haviam coisas demais acontecendo no reino, coisas assustadoras, para que fosse saudável entrar em uma discussão sobre os últimos acontecimentos. Ademais, havia ido até a Biblioteca de Arthurian precisamente porque não queria pensar naquilo tudo. “Depende. Hoje vim porque precisava parar de pensar, mas semana passada tive que sair do meu dormitório às cinco da manhã porque eu já tinha lido todos os livros da coleção de romances de máfia non-maj com cenas super picantes que tem na biblioteca da Academia, e eu precisava da continuação de O Meu Bebê Com O Príncipe Da Máfia. Eu estava desesperada para saber se o príncipe da máfia ia mesmo assumir o bebê da protagonista. E adivinha?!” Linda fez uma pausa dramática, como se estivesse a contar a maior notícia bombástica para a Li. “Ele assumiu, mas só lá no final, quando ele levou alguns tiros e teve que ser hospitalizado. Um pouco antes de entrar em coma ele recobrou a consciência e disse...” A atriz suspirou, encarou Qianyue nos olhos, e repetiu as falas do Príncipe da Máfia do livro com a mão sobre o peito: “Esse bebê não é meu, Adeline. Ele é... nosso.” E tão rápido quanto ela assumiu a postura melodramática, voltou ao normal. “Isso me lembrou que eu não li a conclusão dessa saga.” Ela começou a caminhar entre as estantes de obras de ficção non-maj, passando os dedos pelas capas enquanto procurava pelo último livro de “O Meu Bebê com o Príncipe da Máfia”. “E você? Vem aqui para lutar?” Espiou Qian por um buraco na prateleira, sorrindo com um leve tom de deboche amigável. “Olha, achei a minha saga de romance de época favorita! Os Irmãos Bridgitton.”
A colocação de Humbert no Conselho fora a mais aprovada pelos Adormecidos, Phillip e Linda em particular. Além de ser amiga de longa data de Bora, ela confiava na perspicácia do patriarca da família Hunter muito mais do que acreditava que o Professor Hiccup, com o seu gênio impossível de lidar, fosse apto ao cargo. Tudo contra os Hoffersons. A ideia de fazerem um jantar entre as duas famílias fora de Aurora, porém, e depois de comerem o banquete oferecido pela ex rainha de Briar, Phillip e Humbert foram discutir negócios e Linda encontrou Bora no jardim dos fundos da mansão. Aproximou-se do amigo, entregando uma taça de champanhe para ele. “Acha que algum dia vai se acostumar à essa vida de ter o pai no Conselho?” Indagou, sem qualquer resquício de maldade nas palavras, embora, sim, de certa preocupação. Linda não precisava fingir ser menos do que era perto do Hunter. Ele sabia que havia mais camadas na Adormecida do que a fama de atriz superficial e tola. “Esses jantares podem ser chatos, mas você acaba gostando depois de tantos deles...” Sorriu sem os dentes. “Pode acabar descobrindo certas coisas também, se for souber onde procurar...” Ela ergueu as sobrancelhas, apontando a cabeça na direção da janela iluminada pela luz amarela. O escritório do pai, onde ele e Humbert conversavam. Conhecia Bora o suficiente para compreender que ele queria saber mais do que lhe era mostrado. E, bom, não era como se ela não quisesse também.
Contra a vontade do pai, Linda exigiu que Meliora tirasse alguns dias de folga. Ultimamente, estarem no mesmo ambiente não trazia vantagem a nenhuma das duas. Para Linda, vê-la trazia à tona todas as vezes em que a Dunbroch lhe virara as costas, como senão pudesse suportá-la sendo do seu jeito; e ela tinha certeza de que para Meliora não era muito diferente, e que olhar para o seu rosto causava o mesmo tipo de emoção pesada dentro dela, embora por motivos diferentes dos seus. A ida à Ópera no Distrito Centro não fora combinada. Linda decidira que estava entediada depois de concluir os estudos de linguagem das fadas e quis sair da Academia para encontrar uma distração na cidade nova. Coincidentemente, era dia de Bela Adormecida no balé fantasmagórico e, bom, conhecimento universal que Linda Adormecida não perde um espetáculo sobre a sua família. Comprou o ingresso e adentrou o anfiteatro, surpresa por quão bem arrumado era. Esperava um palco de madeira caindo aos pedaços, paredes com papel de parede rasgado, janelas quebradas e assentos à deriva do tempo e do mofo, porém, não viu nada de tão diferente da Ópera de Storydom. Talvez um pouco mais empoeirado. Os olhos varreram o recinto atrás de um lugar para se sentar. Não estava cheio ao ponto de não sobrar cadeiras, mas havia uma quantidade razoável de monstros e visitantes da Academia esperando pelo começo do show. Foi só quando olhou para uma fileira mais distante do palco que ela a viu. As sobrancelhas se juntaram, desenhando um vinco na testa, e antes que pudesse impedir a si mesma, os pés a levavam até Meliora. “De todos os lugares nessa cidade, não esperava encontrar você aqui. Meliora. E na noite de Bela Adormecida? Uau.” Não pediu permissão, sentou-se ao lado dela e passou a mão pela saia do vestido rosa antes de cruzar as pernas. Ela tinha um sorriso discreto nos lábios rosados. “Quantas vezes você já não assistiu Bela Adormecida? Eu diria que isso está começando a se tornar um caso de síndrome de Bela e a Fera*. Você passa tanto tempo presa com algo que acaba se afeiçoando...” E logo depois de falar isso, Linda olhou para o teto adornado por pinturas renascentistas na versão monstros, e fez um sinal, soltando dramaticamente o ar junto da fala: “Que os deuses os tenham.”
“Sabe, é até meio irônico tudo isso que está acontecendo.” Começou, quase como se estivesse falando consigo mesma, pensando alto o suficiente para que aqueles ao redor pudessem escutar. “Primeiro eles nos fazem passar por um torneio, um teste infalível que prova nosso valor.” A Marvolo cruzou as pernas lentamente, levando o copo que segurava até os lábios e sorvendo o líquido pouco antes de o apoiar novamente no joelho. “Agora decidem implantar as trevas nos nossos corações pra que nós possamos… arrancá-la pela raiz.” Balançou a cabeça levemente, como se estivesse organizando os pensamentos. ”Depois que nós matamos nossos pais pra provar que não temos trevas nos nossos corações. Eu já disse, mas não podemos esquecer desse detalhe.” O pequeno sorriso em seus lábios era zombeteiro. “Ah, mas não antes de ficarmos mais fortes e recebermos dádivas… Claro.” Deu de ombros, Karma conhecia a gama infinita de possibilidades que os poderes das trevas traziam consigo e não estava surpresa por aquele bando de hipócritas terem escolhido esse caminho. “Aparentemente amaldiçoar pessoas entrou na moda agora, bom pra mim.” A brincadeira nem um pouco sutil se referia ao poder que recebeu da Excalibur, indução de maldições, no mínimo parecia uma grande piada para a filha da Malévola. “Podemos esperar um aumento de moradores das ruas dos Castigo.” Nefasta inclinou-se um pouco mais na direção de muse, mantendo a mesma expressão irônica que acompanhava o diálogo casual. “Não se preocupe, nós temos uma ótima vizinhança.”
Phillip Adormecido se contorceria onde quer que estivesse se descobrisse que a filha ia à uma boate cheia de monstros sozinha, mas os poucos dias que estiveram em Halloween Town já haviam se provado mais pacíficos que os últimos quatro meses na Academia. Ademais, Linda estudara sobre os monstros o suficiente para saber que eles não seriam os seus inimigos ali. Nefasta Marvolo, por outro lado... De início, não percebeu que se tratava da garota ao se achegar no bar para experimentar algum dos drinks especiais, mas então escutou a voz dela, conversando com outrem, e teve certeza de que a noite desandaria ali mesmo. O primeiro e único encontro que tiveram em todos aqueles anos coexistindo na Academia, um infortúnio do destino que tentou lhes pregar uma peça, apenas provou que Linda não estivera errada em evitá-la nos corredores. Ela pareceu notar que a Adormecida bisbilhotava a conversa, porque logo estava fazendo menção à maldições e falando mais consigo do que com a pessoa do outro lado. E Linda teve que fingir não ter sentido nenhum arrepio desagradável. Poderia tê-la ignorado. O certo seria pegar a bebida e virar as costas. Mas havia algo dentro dela que queria ficar ali e queria, principalmente, confrontá-la pelo que estava dizendo. “São diferentes tipos de magia das trevas.” Acomodou-se melhor na banqueta, cruzando as pernas, e passou a encarar o copo sobre o balcão. “Quando você nasce com as trevas, é quase impossível que se livre delas. É por isso que eles fazem vocês passarem pelo torneio. Não podemos arriscar que um corrompido de nascença entre na Academia.” Curvou os lábios, soando estranhamente tranquila. “Saberia isso se prestasse atenção nas aulas.” Concluiu, enfim se virando para encarar a morena com um sorriso sem dentes e um ar debochado. “E se eu fosse você, não faria brincadeirinhas sobre maldições por um tempo.” Phillip tinha um alvo nas costas dela, mas Linda duvidava que Karma se importasse com isso.
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Linda não queria admitir, porque costumava memorizar bem as coisas, mas elas haviam se perdido no caminho para a boate Teen Wolf. E de todos os lugares de Halloween Town que poderiam ter se encontrado, acabaram na Avenida Transylvania. Tudo bem que ela sabia que existiam leis que proibiam os vampiros de atacarem os turistas, mas não deixava de ser sinistro. E empolgante. Como a boa fã de literatura non-maj que era, tinha a sua própria queda por fanfics envolvendo vampiros. “Não olha agora, mas aquela vampira tá nos encarando muito.” Puxou Nellie para mais perto, sussurrando perto do ouvido da amiga (o que seria o mesmo que nada caso a mulher pudesse ler mentes igual o personagem Eduardo na novela O Beijo do Vampiro) e esperando que ela acompanhasse a direção de seu olhar. “Será que ela gostou da gente? Nellie, eu sempre quis virar vampira. Eu já não durmo, você sabe, só falta o vampirismo agora. Imagina só, eu ia ficar ainda mais gostosa! E ninguém precisaria viver em um mundo sem Linda Adormecida, porque eu seria imortal. Sempre fzendo os meus filmes!” Abriu um sorriso. “Vou perguntar pra ela se ela quer dar um chupão nos nossos pescoços!” Para alguém que lia tanto...
☀ — › Sendo o toque físico a sua linguagem de amor, não era de se estranhar que Apolline fosse descrita como touchy. As carícias distraídas eram uma constância em sua vida, tanto quanto os agradecimentos em meio a beijos delicados. Ao se tratar dos detentores de seu apreço, a característica parecia se acentuar, e por isso poucos olhariam duas vezes para a loira aninhada próxima a @lindaadormecida, uma de suas melhores amigas - o que certamente era um ponto em seu favor, considerando as intenções que tinha por trás do gesto. Seu olhar deslizou à figura da ex amiga da Adormecida, aproveitando-se do fato de ter sua atenção para aproximar os lábios da orelha da morena. “Sabe que esse vestido é um atento à sanidade das pessoas? E a minha previsão é de pelo menos três ou quatro acidentes ainda essa noite.” Os dígitos femininos alcançaram a nuca feminina, deslizando lentamente pela região. “Mas ainda acho que deveria ter me deixado encurtar uns cinco centímetros do vestido, só para ter certeza de que alguém acabaria tendo um ataque ao saber o que perdeu.”
O Clube das Originais sempre tinha uma solução para tudo: jantares luxuosos. Não importava o quão fragilizado o reino estivesse no momento, um evento da elite prestigiada era a resposta. Afinal, com Charming e a Sra. Boo, eles precisavam comemorar. O vestido escolhido naquela noite, confeccionado pela madrinha Flora, caía perfeitamente nela. Fosse uma festa pequena ou grande, Linda dificilmente desapontaria no visual. Constatou a proximidade de Apolline com o canto do olho, entornando um gole da bebida de maçã da tia Snow enquanto ela falava. “Só?” Curvou os lábios, virando o rosto um tantinho para poder fitá-la. “Eu espero uns seis, no mínimo.” Ergueu as sobrancelhas, a boca entrepartida para retribuir o elogio e oferecer que encontrassem algo para fazerem juntas antes do jantar ser servido pelos Charmings — porém, a fala alheia a tirou de órbita. “De quem estamos falando, exatamente?” Franziu o cenho, diminuindo o tom de voz quando um garçom passou por elas. Preferia fazer-se de burra do que demonstrar mais do que desejava. Linda dificilmente se abria sobre a vida pessoal, especialmente naquela área; no entanto, Apolline era a exceção. A amiga conhecia os segredos do coração de Linda desde que eram mais novas e vice-versa. O que significava que ela sabia a problemática atual, mas não em todos os detalhes. As irises escuras da Adormecida percorreram o salão, acabando por encontrarem um motivo para colocar uma careta no rosto. “Falando em alguém que precisa saber o que perdeu...” Meneou a cabeça discretamente, apontando para o ex-namorado da Crystal e aproveitando para passar a mão pelas costas dela, segurando-a pela cintura. “O que ele está fazendo aqui?”