identidade de gênero & pronomes: Enby, genderfluid. é um tanto quanto indiferente aos pronomes, mas tem preferência pelos neutros ou femininos; no formulário do Projeto e para os responsáveis pelos tais, Sasha utilizou pronomes masculinos por aconselhamento para que seu pareamento não demorasse.
idade: 27.
faceclaim: Nico Tortorella.
hierarquia social: Plebeu.
ocupação: Sasha é uma das meretrizes de um dos bordéis mais discretos de Brittania.
Desenvolvimento ╱ About .
A infância cercada de irmãos lhe ensinou duas coisas: a dividir tudo o que possuía e que você nunca estará sozinho. Apenas um desses aprendizados mostrou-se verdadeiro e seguro em seu crescimento, o de dividir. Oliver não era como seus irmãos que queriam entrar para o exército e ter alguma chance de se machucarem para ganhar uma pensão vitalícia, sim, os Conrad desejavam lesões em serviço, serem dispensados e então viver da mísera recompensa que era paga aos veteranos que não exerciam mais seus cargos.
Oliver não… queria isso para si. A primeira vez que percebeu que o apoio dos irmãos era algo ilusório foi quando seu pai presenciou a filha mais nova lhe ajudando a usar a maquiagem da mãe. Céus, a surra que levou…. E pior, a solidão que veio depois, parecia insuportável. Rapidamente qualquer curiosidade ou vontade que sentisse era reprimida, Oliver lutou com todas as suas forças mesmo que, no fundo, desconfiasse que havia algo errado consigo, como o pai dizia. Seus irmãos se afastaram, era taxado de estranho pelas outras crianças e a adolescência foi ainda mais complicada. Oliver estava sozinho.
Fugir de casa foi um impulso que tomou aos quatorze anos, mas talvez tenha sido o movimento certo. Viveu nas ruas por tempo o suficiente para se arrepender de largar a família, mas também para compreender que era necessário. Não errou em fazer aquilo, mesmo que doesse. Doía mais ficar lá. Nesse período nas ruas aprendeu mais sobre si, Oliver Conrad ficou para trás, principalmente ao encontrar abrigo em um dos prostíbulos do reino. O local discreto estava repleto de meninas, mas não havia alguém como si, dizia Antonieta, a mulher mais velha do local. Fazia algum tempo que não viam alguém especial assim.
Aquele local se tornou seu lar. Ali, Sasha nasceu, floresceu. Aprendeu que embora não desse tanta importância à lhe tratarem com pronomes masculinos, Sasha preferia os femininos ou que nem usassem algo para lhe definir. Duas caixinhas não eram o suficiente para lhe conter. Ganhou uma certa fama entre as mulheres e os homens influentes que procuravam o bordel de Antonieta; sua versatilidade e facilidade de atender quaisquer que fossem os gêneros, rendia tal atenção.
O único motivo pelo qual escapou do exército foi conhecer as pessoas que recrutavam os novatos. Ganhou o veto por explicar que teria que parar os serviços caso entrasse no exército, sabia usar bem seus atributos, não foi difícil sair com o papel carimbado como inútil aos militares. Além do mais, talvez, Sasha tenha usado algumas ameaças também.
Embora a vida no bordel não fosse perfeita, foi bem melhor que o exército. Mas, às vezes, o serviço era demais. Algumas pessoas exigiam muito, havia àquelas que maltratavam por achar que por pagarem, poderiam fazer qualquer coisa; o trabalho podia ser cruel. Sendo assim, ao ouvir o anúncio sobre o Projeto, cadastrou-se. Pela primeira vez em tempos, usou pronomes masculinos para que não tivesse problemas com o pareamento. Queria ter a sorte de encontrar alguém com status, ou pelo menos alguém para lhe tirar do bordel.
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Seu prato tinha pouca coisa, não estava com fome pois o comportamento de Luna realmente tinha arruinado isso para si. No entanto, sabia que não podia desistir assim com tanta facilidade. Ainda mais se ela continuasse a atacar e diminuir o que os dois sentiam. "E pare de dizer isso, Luna. Krishna não é meu amante. Você e eu não somos casados ainda e, quando formos, vai ser apenas um contrato, sabe disso.' disse com um certo desgosto de precisar se dirigir à mulher. "Você não vai ser padrinho da minha criança." ela declarou, de início ignorando Sasha, mas logo movendo seu olhar. "E você vai me ajudar a ter essa criança pois eu não vou sair desse inferno com as mãos abanando sem receber nada da rainha." porque tudo o que parecia importar para Luna era o dinheiro prometido, agora que sabia que não iria ganhar um casamento perfeito. "A convivência não vai dar certo se você continuar vindo aqui.'
“Eu arrisquei. Sabia que podia dar nisso quando eles falaram que eu deveria… mentir. Então não dá para culpá-los, eu arrisquei mesmo sabendo que tinham chances de acabar dessa forma.’ preso com alguém que lhe desprezava. Por causa de sua profissão, por causa de quem era, sempre encontrava pessoas assim; não era então nenhuma novidade, só que agora parecia pior. Teve um vislumbre do que poderia desfrutar com Krishna e então a vida pareceu resolver que estava muito feliz com a realidade que lhe seria entregue. Um suspiro de alívio lhe escapou ao ouvi-lo concordar, um sorriso aparecendo em seus lábios quando se inclinou e escondeu o rosto no ombro do mais alto. “Okay, bom. Eu estou fe-” Não teve a chance de terminar porque ouviu o suspiro impaciente de Luna e então a voz desagradável da mulher enchia o ambiente, cortando aquela bolha que os dois haviam criado na sala. “Vão ficar aí? O almoço está servido.”
Krishna pode entender muito bem o porquê de Sasha ter feito algo assim, afinal, os dois não poderia prever o futuro. Mesmo naquela situação, Kris não ia dizer também para a amada o quanto as coisas poderiam dar errado e o quanto estava preocupado com aquilo. Ver o sorriso de Sasha só fez com que o indiano ficasse mais feliz. Apesar de claro terem sido interrompidos pela madrasta do mal enquanto não tinham percebido que na verdade, o almoço estava pronto. Ergueu o corpo e ambas as sobrancelhas enquanto andava na direção da cozinha, esperando que os residentes da casa fizessem o mesmo. “Bom… Eu acho que deveríamos conversar sobre o que realmente importa. Nossa família.” Falou logo para que Luna pudesse entender o que Krishna pretendia e queria com aquele almoço. “Eu quero que nós quatro formemos uma família.”
Era desanimador sair da sala e rumar para a cozinha sob o olhar da futura esposa. Quebrar aquele conforto e segurança que haviam construído e que Kris emanava era uma tortura, Sasha não queria passar o momento da refeição ouvindo as provocações de Luna. Mesmo assim, não havia escolha. Passou pela mulher com a atenção voltada para o chão, sentando-se no assento oposto a ela. E agradeceu mentalmente já ter se sentado quando ouviu-o soltar aquilo; era seu desejo também, mas isso antes de conversar com a mulher. Agora já desconfiava que não seria bem possível. E como se para confirmar a sua linha de pensamento, Luna riu enquanto começava a servir o próprio almoço. "Você acha que daria certo? Cada casa que a rainha estipulou aqui é para uma família. Vocês dois? São uma anomalia no pareamento." ela revirou os olhos, negando com a cabeça. "Eu nao vou explicar ao meu filho que o pai dele tem um amante." insistiu. Sasha não se pronunciou, optando por colocar seu próprio almoço e fazer um sinal com a cabeça para Kris também fazer isso. Discutir com Luna era cansativo e irritante.
"Eu arrisquei. Sabia que podia dar nisso quando eles falaram que eu deveria... mentir. Então não dá para culpá-los, eu arrisquei mesmo sabendo que tinham chances de acabar dessa forma.' preso com alguém que lhe desprezava. Por causa de sua profissão, por causa de quem era, sempre encontrava pessoas assim; não era então nenhuma novidade, só que agora parecia pior. Teve um vislumbre do que poderia desfrutar com Krishna e então a vida pareceu resolver que estava muito feliz com a realidade que lhe seria entregue. Um suspiro de alívio lhe escapou ao ouvi-lo concordar, um sorriso aparecendo em seus lábios quando se inclinou e escondeu o rosto no ombro do mais alto. "Okay, bom. Eu estou fe-" Não teve a chance de terminar porque ouviu o suspiro impaciente de Luna e então a voz desagradável da mulher enchia o ambiente, cortando aquela bolha que os dois haviam criado na sala. "Vão ficar aí? O almoço está servido."
Assentiu levemente para o dizer alheio, realmente deveriam haver pessoas ali que achavam mesmo que teriam algo mais do que apenas um contrato e uma criança no final daquele ano. Mesmo quando se inscreveu, Sasha sabia que não teria tanta sorte, mas agora não importava mais. Desde que soube que Krishna pensava em si de uma maneira diferente da que acredita, tinha se convencido que talvez tivesse uma chance de encontrar felicidade em um relacionamento. "Está tudo bem. Não é como se fosse uma surpresa alguém agir assim." Murmurou suavemente, se inclinando para beijar novamente aqueles lábios macios. O selinho não foi demorado pois não tinha certeza de quanto tempo Luna permanece desenteressada neles. A futura esposa tinha sido cruel com as palavras, mas não era nada que não tivesse ouvido antes. "Sim, ao menos isso. E também ela quer tentar a criança." acrescentou, era algo que o melhor amigo deveria saber. "Mesmo... mesmo com esse imprevisto, ainda quer tentar? Estarmos juntos?" Indagou com hesitação. Não haviam previsto a confusão, mas torcia para que isso não mudasse os planos.
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Enquanto Luna não parecia ter pressa para terminar o jantar na cozinha, Sasha mantinha o aperto na mão de Kris mesmo quando se acomodaram no sofá e o rapaz começou a falar sobre a conversa que teve com a noiva. Não conteve o suspiro de alívio por pelo menos o outro ter conseguido falar normalmente com a moça, era menos uma preocupação na mente. "Que bom que ela entendeu, liebe. So Uma confusão já é o suficiente."Murmurou, se inclinando um pouquinho para frente para lhe deixar um selinho nos lábios macios. "Eu tentei explicar aqui para Luna e... Não deu muito certo. Ela não entendeu que eu não sou gay, entendeu menos ainda sobre eu ser genderfluid. E ficou puta quando eu contei que apesar de querer seguir os planos da rainha e tentar termos uma criança, eu não queria um relacionamento com ela.' explicou, mordendo o canto do lábio. Tinha sido uma conversa bastante constrangedora e Sasha não iria repetir nenhuma das palavras que a mulher disse, tudo lhe machucou profundamente. Abaixou o olhar para as mãos unidas e limpou a garganta com um pigarro. "Ela não nem tentou compreender. Apenas começou a ser preconceituosa e falar coisas ruins. Só prometeu quem não iria me entregar para os guardas porque estava com medo da rainha."
Aquele jantar seria um desastre, sentia. Assim que Kris entrou e lhe abraçou, Sasha agarrou-se ao melhor amigo com alívio. Era bom não estar sozinha ali, lhe deixava com o nervosismo menos aflorado. Afrouxou o aperto do abraço para poder observar a troca de falsas gentilezas por parte de Luna que colocava na mesa o prato trazido pelo indiano. "Não é o que você é?" a mulher disparou em um tom quase entediado. Embora desejasse interferir, estava exausta da discussão que teve mais cedo, só queria comer e acabar com aquilo. Não sabia como tinha corrido a conversa do outro com Lusa, mas esperava que tivesse sido bem melhor do que a que teve ali. "Não precisa, as mulheres da casa cuidam do jantar." a alfinetada foi certeira e Sasha se encolheu um pouco, soltando um suspiro pesado. Cada vez mais a noiva deixava óbvio que não havia entendido nada do que conversaram. Nada do que explicou, pareceu entrar na mente alheia. "Está tudo pronto, Kris. Só está terminando de cozinhar mesmo." murmurou em um tom baixo, puxando-o consigo para o sofá. Luna permanecia na cozinha, o que era ótimo, pelo menos poderia explicar um pouco sobre o que diabos acontecia ali. A única certeza que tinha era que estavam seguros, mesmo com toda reclamação e com a ironia por parte da outra, lhe foi assegurado de que não iriam ser expostos. Sasha não era a única pessoa procurando a estabilidade que o complexo oferecia. "Como foi com a Luísa? Você falou com ela?" Indagou com curiosidade ao sentar-se no sofá, oferecendo ao outro um sorriso gentil. A noite seria longa, podia estar cansada, mas era ótimo ter a companhia alheia, isso realmente lhe animava e sua expressão foi de genuína felicidade por isso.
Depois da longa conversa com Lysa, ele conseguiu chegar a uma cordo com a futura noiva: iriam tentar ter filhos mas isso era o máximo de envolvimento romântico que teriam. Kris esperava que ela entendesse o que sentia por @ladysasha e porque não ia conseguir apaixonar-se por outra pessoa, já que só conseguia ter olhos para ela. No entanto, Kris também entendia que os dois teriam de ter pelo menos um bebê a caminho para a situação de ambos os casais não fosse algo que desse a chance do governo matar-los. Por isso, teve de conversar minuciosamente com todo o cuidado do mundo para frisar que Kris nunca iria deixar nada de ruim acontecer nem com Lysa, com Sasha e muito menos com o bebê dos dois. Claro, Kris também não poderia deixar de incluir o futuro bebê da sua paixão e a noiva, Luna.
E por isso estava indo na casa dos dois, queria conversar com Sasha e Luna para que pudessem chegar a um acordo. Kris também iria levar Sasha para falar com a sua noiva, mas, naquele dia, era sua vez de conhecer Luna mais a fundo. E isso só o deixava cada vez mais nervoso porque arrastou duas pessoas para uma confusão enorme, mas, era impossível viver longe de quem estava perdidamente apaixonado. Por isso, Kris estava ali, vestido de um jeito mais formal e querendo sair correndo dali. Mas, permaneceu encarando a porta para justamente poder ver o rosto de Sasha quando abrisse a porta. Mas, o rosto que viu foi o que Luna. “Olá Luna… Boa noite.” ergueu um tabuleiro cheio de samosas recheadas com seus legumes favoritos.
A situação no complexo já estava tensa, a casa parecia ser o único ambiente onde podia relaxar, mas claro que, na vida de Sasha, as coisas não poderiam ser assim tão simples. O casamento se aproximava ainda mais, e, como não achava justo com a noiva esconder quem realmente era assim como também o que sentia, tentou conversar com Luna sobre todos os pontos que vinha organizando nos últimos dias. A conversa não poderia ter ido pior. Ao ouvir sobre sua identidade de gênero, a mulher riu, ridicularizou suas palavras e em seguida ficou brava quando Sasha contou que não iria se afastar de Krishna mesmo quando casassem. O indiano estava em sua vida desde os seus quinze anos, ele lhe salvou, o que sentia pelo mesmo ia bem além da amizade, mesmo que não entendesse tão bem ainda o que sentia ou se teria chances de desfrutar daqueles sentimentos que passou anos reprimindo. Teriam o bebê que a rainha queria, sim, mas seria isso. E a mulher não estava contente com os termos.
Sasha estava nervosa com o jantar que teria com Kris e Luna, por algum milagre divino ela concordou. A calça jeans e a camisa social lhe deixavam desconfortável ainda, mas iria se acostumar com as vestimentas ao longo do tempo que permanecesse no complexo. Terminava de checar os alimentos já quase prontos no fogão quando a campainha soou. Nem sequer teve tempo de pensar em ir atender; Luna se apressou para abrir a porta e saudar Kris. A mulher sorriu, aceitando o prato, Sasha, tensa, permanecia parada na entrada da cozinha. "Boa noite, você deve ser Krishna, o amante." ela saudou, a acidez na voz mal escondida por trás do sorriso falso. Sasha não gostava daquela palavra, mas também não falou nada, apenas oferecendo um sorriso sem graça para o melhor amigo quando a mulher o deu espaço para que ele entrasse.
"Claro que sim." respondeu de modo baixo, mas confiante. Estava ainda com uma certa descrença sobre o melhor amiga querer lhe agradar com a comida e o motivo disso; Sasha nunca iria imaginar que havia algo romântico por trás dos gestos de Kris, parecia confuso agora associar assim. Porém talvez tivesse sido melhor, afinal, se soubesse que havia esse detalhe, teria se culpado por não deixar o bordel; mas como faria isso se os Leonhart dariam um jeito de lhe levar de volta? E se esse jeito fosse machucando Krishna ou Shiva? Nunca se perdoaria se algo acontecesse com eles. Com o projeto, eles nunca seriam capazes de lhe tirar dali, apesar de estar preso, de certo modo também via-se livre daquele trabalho medíocre. Os olhos verdes ficavam nos castanhos do mais alto quando sentiu a carícia em sua face para limpar as lágrimas que insistiram em cair. Sasha sorriu, teria respondido que sim, claro que ele poderia estar ao seu lado agora, mas suas intenções foram interrompidas pelos tiros. O barulho alto e inconfundível arrancou de si um grito assustado, quase travou ali em pé, mas Kris lhe direcionando para baixo da mesa foi a melhor coisa que poderia acontecer. Agarrou-se ao amigo, os olhos arregalados com receio de algum guarda entrar ali na casa. A voz da Reiss soou, mas Sasha ao identificar vagamente algo sobre um nobre estar morto, apenas se agarrou mais ao outro. "E-eu... sim. O que diabos foi isso? Oh, céus! Ela matou alguém! Ela matou alguém, Kris!"
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"E você pode." concordou com um riso. "Quer dizer, mais ou menos,bjs que não podemos sair de Mitras." mas depois? Sasha seguiria Kris de muito bom grado. Provavelmente teria as responsabilidades futuras para dividir a paternidade com a noiva, mas ficaria tudo bem, eles dariam um jeito. Ouviu com atenção a explicação, nunca tinha observado por esse lado; agora cozinhar para alguém parecia bem mais especial. Queria isso. "Então pode fazer o que quiser, eu vou adorar." garantiu. O sorriso pequeno que tinha aparecido em seus lábios durante a singela explicação anterior rapidamente desapareceu; ver Krishna em uma postura vulnerável foi estranho, incomum, e Sasha não gostou. O mais alto não deveria chorar nunca. Apertou os braços em torno dele, ficando um pouquinho na ponta dos pés. "Não, não. Claro que não, liebe. Eu nem tenho certeza se eu iria conseguir funcionar sem você por perto." ele era, afinal, a única figura de segurança e conforto que tinha desde os seus quinze anos. Afastar-se seria como tirar de si a visão, estaria sem rumo, completamente perdido. O misto emoções parecia não ter fim, não bastava a angústia que sentiu ao vê-lo chorando, agora ficava... confuso com a confissão. O conceito dele querer algo a mais do que apenas uma amizade consigo era... Algo utópico, não? Nunca se permitiu ler muito os gestos carinhosos, os beijos que trocavam, as carícias, nada disso deveria ser algo que levasse a, de fato, um relacionamento. Sasha não servia para isso, trabalhava em um bordel, era submissa aos Leonhart e respondia à Madame Antonieta. Não tinha uma vida própria, essas pessoas comandavam-lhe. Era sujo, todos pagavam para ter relações consigo. Seu corpo era impuro, tocado por todos em Brittania. Kris não... não podia querer isso. Afastou-se, observando o sorriso sem jeito nos lábios alheios. "O quê? Você... está falando sério? Isso foi mesmo algo que você considerou?" agora era sua vez de sentir os olhos lacrimejando. Os orbes ardiam e a visão ficou um tantinho embaçada, rapidamente deixou seu corpo grudar no de Kris, abraçando-o de maneira apertada após o beijo curto e suave. Os contatos castos dos lábios nunca lhe deram sinais de que o outro queria algo fora a amizade com aqueles beijos; agora algumas coisas faziam sentido, mesmo que não conseguisse acreditar direito. "Está... tudo bem, Kris. Só... e-eu..." suspirou, inclinando a face para esconder no pescoço dele. "Não parece real o que eu estou ouvindo. Eu acredito em você mas... eu sempre me forcei a não prestar atenção em como nossa amizade era diferente das que eu tenho com outras pessoas. Você... estava certo, eu teria tido medo de fugir do bordel. Eles não aceitariam isso e eu não colocaria você em risco."
"Não irá ouvir nenhuma discordância vindo de mim! Pode me arrastar para aonde quiser." declarou com facilidade e de maneira tranquila. De fato, Sasha iria adorar não só colocar em prática tudo o que o melhor amigo lhe ensinasse, assim como também lhe acompanhar nos lugares. Pelo menos quando pudessem sair de Mitras. "Você quer cozinhar para mim?" foi impossível conter a surpresa em seu tom. Além de ser algo que nunca imaginou ser possível receber, seu gosto era bem diferente do gosto de Kris em relação aos alimentos. "Eu não quero que fique desconfortável cozinhando algo que você não coma, okay? Tipo carne. Então tem total permissão pra me mostrar suas... comidas verdes ou sei lá como chama." brincou, raspando as unhas curtas na nuca dele. Era a primeira vez em tempos que as usava curtinhas assim, mas não parecia tão ruim. A postura tranquila da mais baixa começou, porém, a se esvair quando notou que Kris, ao falar sobre o casamento e as crianças futuras, demostrava um certo desconforto. "Ei, calma aí. É só... uma criança é bem diferente do que temos. Sim, é inevitável que tenhamos pelo menos uma. Sabemos disso. E talvez seja até mais seguro ter pelo menos um bebê até o final do ano já que não temos ideia de qual serão os planos da rainha... mas também não é assim." Franziu as sobrancelhas, o assunto era delicado e não tinha importância apenas para eles dois, mas para as futuras esposas também. "Não é porque vamos ter que casar e ter bebês que vamos acabar com tudo. E... e como assim é sua culpa eu nunca ter tido um relacionamento? Como eu poderia ter alto, Kris? Trabalhando no bordel?" suas questões foram interrompidas pelo beijo que era bem mais do que apenas bem-vindo. Aqueles lábios grudados aos seus serviam para acalmar a corrida apressada do coração que batia sem controle no peito. Estava nervosa, Kris tinha os olhos úmidos e Sasha não sabia o que diabos tinha dito de errado. "Sim... É passado, você está certo. É por isso que eu acho que devemos falar com nossas noivas? Porque se elas souberem, não é traição, certo? Não estaríamos fazendo nada por trás. Sei que não posso exigir nada ou algo mais... mas uh, eu gosto disso. E quando eu for procurar outro emprego você não vai me ajudar? Eu achei... que íamos ver isso juntos. Não conheço nenhum estabelecimento para trabalhar fora o bordel."
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Sentiu o rosto ruborizar quando ouviu o apelido. Foi impossível segurar o sorriso, os lábios foram esticados e virou um pouco o rosto para roçar o nariz na mandíbula alheia. "Beleza, por mim tudo bem então assim. Você vai poder finalmente me explicar mais sobre as flores e sobre as coisas que a gente pode plantar pra usar aqui na cozinhar." Isso realmente lhe animava. Sasha adorava cozinhar então ter ao seu alcance todos os temperos e ingredientes soava magnífico. "Mas como assim competir? Você é minha prioridade, então..." encolheu os ombros com facilidade, não havia sentido naquilo. A noiva e Kris sequer estavam na mesma categoria de importância em sua vida. "... sempre terá todo o tempo que me permitir dar." contou, olhando-o seriamente. Era algo que Krishna deveria já saber, depois de tantos anos de amizade, achava que estava explícito que qualquer pessoa não era páreo para o espaço e importância que o rapaz tinha para si. O saquinho do chá foi posto em cada uma das xícaras; deixaria tomando o gostinho por um tempo para ficar mais forte. Aproveitando disso, Sasha virou-se. As costas agora apoiadas contra o balcão e os braços podendo rodear o pescoço alheio. "Não, eu sempre gostei de beijar você." e para provar seu ponto, grudou os lábios nos macios de Kris. "Eu sou a pior pessoa para saber sobre conceito de traição, não acha? Quer dizer, eu nunca tive um relacionamento e as pessoas pagam pra fazer sexo comigo, a maioria delas casadas." fez uma careta com isso. Aquele fato estava na lista dos motivos que odiava em seu trabalho. "Mas... a partir do momento que assinarmos o documento de casamento, qualquer coisa fora é... traição. Eu acho? Eu não sei. Não me sinto confortável de me tornar como aquelas pessoas que são meus clientes." resmungou, mesmo sabendo que a situação era diferente.
— Cinco minutos?' resmungou com o cenho franzido. Sasha abriu os olhos mesmo que acabasse ganhasse mais selinhos deliciosos, os lábios esticando levemente no cantinho com um sorriso pequeno. — Isso não serve de nada, nós nos víamos bem mais quando eu trabalhava até." revirou os olhos. O beijo doce em sua testa lhe deu um aperto em seu coração. Não estava habituada a gestos como aquele, tão gentis e sem algo por trás. Kris podia ser o único que lhe tratava daquela forma, sempre o fez, mas ainda assim surpreendia-se quando acontecia. A amizade de ambos era distinta de tudo o que experimentava com outras prssoas; os amigos que possuía não agiam como o indiano, muito menos ocupavam o mesmo tamanho do espaço que Kris tinha em sua vida. Nunca soube o que isso significava, mas também nunca questionou. Apenas aceitava os beijos, quaisquer carícias que ele quisesse lhe oferecer. Era o suficiente pois sabia que não podia pedir por mais que isso, era até bem mais do que achava que merecia. "Muito mais cuidado." corrigiu. "E eu não me importo que faça mais vezes." Soltou um riso baixo e então afastou a cabeça do ombro dele para prestar atenção na chaleira que agora tirava do fogo. Com Kris grudado em suas costas era engraçado andar, mas tentou fazer mesmo assim, os direcionando para o balcão onde ficavam as xícaras e as caixinhas com chá que tomou bem mais cedo. "Mas... vamos casar em alguns dias. Isso é... algo que vai continuar?" mordeu o canto do lábio, descansando uma das mãos sobre a dele para ter certeza de que o mesmo sabia que Sasha não queria mudar ainda as posições, estava confortável daquele jeito, sentia-se segura.