2025 on Tumblr: Trends That Defined the Year


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he wasn't even looking at me and he found me
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Noah Kahan
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Sweet Seals For You, Always

titsay
YOU ARE THE REASON
trying on a metaphor
Not today Justin

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@kafkafeteria

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Helen of Troy Does Countertop Dancing
by Margaret Atwood
The world is full of women who’d tell me I should be ashamed of myself if they had the chance. Quit dancing. Get some self-respect and a day job. Right. And minimum wage, and varicose veins, just standing in one place for eight hours behind a glass counter bundled up to the neck, instead of naked as a meat sandwich. Selling gloves, or something. Instead of what I do sell. You have to have talent to peddle a thing so nebulous and without material form. Exploited, they’d say. Yes, any way you cut it, but I’ve a choice of how, and I’ll take the money. I do give value. Like preachers, I sell vision, like perfume ads, desire or its facsimile. Like jokes or war, it’s all in the timing. I sell men back their worse suspicions: that everything’s for sale, and piecemeal. They gaze at me and see a chain-saw murder just before it happens, when thigh, ass, inkblot, crevice, tit, and nipple are still connected. Such hatred leaps in them, my beery worshipers! That, or a bleary hopeless love. Seeing the rows of heads and upturned eyes, imploring but ready to snap at my ankles, I understand floods and earthquakes, and the urge to step on ants. I keep the beat, and dance for them because they can’t. The music smells like foxes, crisp as heated metal searing the nostrils or humid as August, hazy and languorous as a looted city the day after, when all the rape’s been done already, and the killing, and the survivors wander around looking for garbage to eat, and there’s only a bleak exhaustion. Speaking of which, it’s the smiling tires me out the most. This, and the pretence that I can’t hear them. And I can’t, because I’m after all a foreigner to them. The speech here is all warty gutturals, obvious as a slab of ham, but I come from the province of the gods where meanings are lilting and oblique. I don’t let on to everyone, but lean close, and I’ll whisper: My mother was raped by a holy swan. You believe that? You can take me out to dinner. That’s what we tell all the husbands. There sure are a lot of dangerous birds around. Not that anyone here but you would understand. The rest of them would like to watch me and feel nothing. Reduce me to components as in a clock factory or abattoir. Crush out the mystery. Wall me up alive in my own body. They’d like to see through me, but nothing is more opaque than absolute transparency. Look–my feet don’t hit the marble! Like breath or a balloon, I’m rising, I hover six inches in the air in my blazing swan-egg of light. You think I’m not a goddess? Try me. This is a torch song. Touch me and you’ll burn.
fine af
Strictly Germ-Proof
The Antiseptic Baby and the Prophylactic Pup Were playing in the garden when the Bunny gamboled up; They looked upon the Creature with a loathing undisguised;— It wasn't Disinfected and it wasn't Sterilized. They said it was a Microbe and a Hotbed of Disease; They steamed it in a vapor of a thousand-odd degrees; They froze it in a freezer that was cold as Banished Hope And washed it in permanganate with carbolated soap. In sulphurated hydrogen they steeped its wiggly ears; They trimmed its frisky whiskers with a pair of hard-boiled shears; They donned their rubber mittens and they took it by the hand And elected it a member of the Fumigated Band. There's not a Micrococcus in the garden where they play; They bathe in pure iodoform a dozen times a day; And each imbibes his rations from a Hygienic Cup— The Bunny and the Baby and the Prophylactic Pup.
Arthur Guiterman
thesanderstans:
Langston Hughes: destroying Trump’s flawed fantasy since 1938.

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Olhos d’água
Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado até ali. E a insistente pergunta, martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe?
Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha mãe aprendi conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lava-lava, o passa-passa das roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro cabeludo ela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?
Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam nuas até bem grandinhas. As meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos. Às vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira. Felizes colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas por seus cabelos, braços e colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado... Mas de que cor eram os olhos de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.
Às vezes, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se assentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no céu. Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, gigantes adormecidos, e havia aquelas que eram só nuvens, algodão doce. A mãe, então, espichava o braço que ia até o céu, colhia aquela nuvem, repartia em pedacinhos e enfiava rápido na boca de cada uma de nós. Tudo tinha de ser muito rápido, antes que a nuvem derretesse e com ela os nossos sonhos se esvaecessem também. Mas, de que cor eram os olhos de minha mãe?
Lembro-me ainda do temor de minha mãe nos dias de fortes chuvas. Em cima da cama, agarrada a nós, ela nos protegia com seu abraço. E com os olhos alagados de pranto balbuciava rezas a Santa Bárbara, temendo que o nosso frágil barraco desabasse sobre nós. E eu não sei se o lamento-pranto de minha mãe, se o barulho da chuva... Sei que tudo me causava a sensação de que a nossa casa balançava ao vento. Nesses momentos os olhos de minha mãe se confundiam com os olhos da natureza. Chovia, chorava! Chorava, chovia! Então, porque eu não conseguia lembrar a cor dos olhos dela?
E naquela noite a pergunta continuava me atormentando. Havia anos que eu estava fora de minha cidade natal. Saíra de minha casa em busca de melhor condição de vida para mim e para minha família: ela e minhas irmãs que tinham ficado para trás. Mas eu nunca esquecera a minha mãe. Reconhecia a importância dela na minha vida, não só dela, mas de minhas tias e todas a mulheres de minha família. E também, já naquela época, eu entoava cantos de louvor a todas nossas ancestrais, que desde a África vinham arando a terra da vida com as suas próprias mãos, palavras e sangue. Não, eu não esqueço essas Senhoras, nossas Yabás, donas de tantas sabedorias. Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?
E foi então que, tomada pelo desespero por não me lembrar de que cor seriam os olhos de minha mãe, naquele momento, resolvi deixar tudo e, no outro dia, voltar à cidade em que nasci. Eu precisava buscar o rosto de minha mãe, fixar o meu olhar no dela, para nunca mais esquecer a cor de seus olhos.
E assim fiz. Voltei, aflita, mas satisfeita. Vivia a sensação de estar cumprindo um ritual, em que a oferenda aos Orixás deveria ser descoberta da cor dos olhos de minha mãe.
E quando, após longos dias de viagem para chegar à minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe, sabem o que vi? Sabem o que vi?
Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto, ela sorria feliz. Mas, eram tantas lágrimas, que eu me perguntei se minha mãe tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face? E só então compreendi. Minha mãe trazia, serenamente em si, águas correntezas. Por isso, prantos e prantos a enfeitar o seu rosto. A cor dos olhos de minha mãe era cor de olhos d’água. Águas de Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos para quem contempla a vida apenas pela superfície. Sim, águas de Mamãe Oxum.
Abracei a mãe, encostei meu rosto no dela e pedi proteção. Senti as lágrimas delas se misturarem às minhas.
Hoje, quando já alcancei a cor dos olhos de minha mãe, tento descobrir a cor dos olhos de minha filha. Faço a brincadeira em que os olhos de uma são o espelho dos olhos da outra. E um dia desses me surpreendi com um gesto de minha menina. Quando nós duas estávamos nesse doce jogo, ela tocou suavemente o meu rosto, me contemplando intensamente. E, enquanto jogava o olhar dela no meu, perguntou baixinho, mas tão baixinho como se fosse uma pergunta para ela mesma, ou como estivesse buscando e encontrando a revelação de um mistério ou de um grande segredo. Eu escutei, quando, sussurrando minha filha falou:
Mãe, qual é a cor tão úmida de seus olhos?
(Olhos d’água, p. 15-19)
Elisabet Velasquez
"Morrer" _ Pedro Munhoz
Eu escrevo pequeno-almoço os poetisos escrevem almoço pequeno Sobre a erva sobre a relva
(Adília Lopes)
Os meus versos estão impregnados Do teu suor, da tua luz e voz... e da tua obstinação. Tens medo que saibam que és tu. Não te apoquentes, amor. Esses de quem receias críticas e censuras não vão nunca aos livros. Têm enjôos da palavra escrita e do sabor dos beijos puros que te dei. Sabes, se lessem os meus versos, olhariam para ti com inveja disfarçada do tanto que te quero bem e cobiçariam o teu nome bordado em mim com fios de ouro e com enfeites de pequenas penas de ave exótica.
(Lica Sebastião)

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Carta de um contratado
Eu queria escrever-te uma carta amor uma carta de confidências íntimas uma carta de lembranças de ti de ti dos teus lábios vermelhos como tacula dos teus cabelos negros como dilôa dos teus olhos doces como macongue dos teus seios duros como maboque do teu andar de onça e dos teus carinhos que maiores não encontrei por aí...
Eu queria escrever-te uma carta amor que recordasse nossos dias na capôpa nossas noites perdidas no capim que recordasse a sombra que nos caía dos jambos o luar que se coava das palmeiras sem fim que recordasse a loucura da nossa paixão e a amargura nossa separação...
Eu queria escrever-te uma carta amor que a não lesses sem suspirar que a escondesses de papai Bombo que a sonegasses a mamãe Kieza que a relesses sem a frieza do esquecimento uma carta que em todo Kilombo outra a ela não tivesse merecimento...
Eu queria escrever-te uma carta amor uma carta que te levasse o vento que passa uma carta que os cajus e cafeeiros que as hienas e palancas que os jacarés e bagres pudessem entender para que se o vento a perdesse no caminho os bichos e plantas compadecidos de nosso pungente sofrer de canto em canto de lamento em lamento de farfalhar em farfalhar te levasse puras e quentes as palavras ardentes as palavras magoadas da minha carta que eu queria escrever-te amor...
Eu queria escrever-te uma carta... Mas ah meu amor, eu não sei compreender por que é, por que é, por que é, meu bem que tu não sabes ler e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!
(António Jacinto)
Antiode (contra a poesia dita profunda)
A
Poesia te escrevia: flor! conhecendo que és fezes. Fezes como qualquer.
gerando cogumelos (raros, fragéis, cogu- melos) no úmido calor de nossa boca.
Delicado, escrevia: flor! (Cogumelos serão flor? Espécie estranha, espécie
extinta de flor, flor ão de todo flor, mas flor, bolha aberta no maduro)
Delicado, evitava o estrume do poema, seu caule, seu ovário, suas intestinações.
Esperava as puras, transparentes florações, nascidas do ar, no ar, como as brisas.
[…]
(João Cabral de Melo Neto)
In. Rosa (Orides Fontela)
Una Colomba
D'altri diluvi una colomba ascolto
(Giuseppe Ungaretti)
Iniciação
se vens a uma terra estranha
curva-te
se este lugar é esquisito
curva-te
se o dia é todo estranheza
submete-te
— és infinitamente mais estranho
(Orides Fontela)

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Arte de amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(Manuel Bandeira)
Kant (relido)
Duas coisas admiro: a dura lei cobrindo-me e o estrelado céu dentro de mim.
(Orides Fontela)