Enfim, 4 de julho. Poderia parecer uma data como outra qualquer; e, na verdade, era – em partes. A festividade que Bang aguardava era sobre o dia seguinte, 5, o aniversário de Melody. Mas, devido às circunstâncias da data, o rapaz sabia que teria que dividi-la com seus amigos (por mais que não quisesse), e, não à toa, decidiu comemorar um pouco antes: na véspera. Claro, isso não queria dizer que surpresas não viriam no próximo dia; Bang sempre tinha cartas na manga, afinal. E a falar sobre ele, vale dizer que Dae detesta esse tipo de comemoração (principalmente quando eram seus aniversários); mas, assim como sempre, tudo mudava quando se tratava de Choi Yun. Ele não mediria esforços para tornar aquele momento o mais memorável e especial possível. Assim, por volta das 20h, Bang enviou algumas mensagens para Yun, pedindo para que ela se arrumasse – isso, sem avisar para qual destino iriam. Não tardou muito para o rapaz aparecer na janela alheia, pronto para “sequestrá-la”. Felizmente aquele era um final de semana, logo, tinham passe livre para sair do internato sem precisar de planos para fugas.
Até esse ponto, nada ilegal. Entretanto, ao sair da escola, uma moto suntuosa estava estacionada bem à frente. Bang, apesar de saber dirigir, ainda era menor de idade; portanto, sem habilitação. Se Melody reclamou a respeito disso, certamente ele ignorou; estava ocupado demais em firmar o capacete nela, enquanto pedia (ou seria ordenava?) para que subisse na garupa. No mais, era um segredo em como havia conseguido o locomotivo. Fosse como fosse, tão logo deu partida, saindo enfim dali. A melhor parte do plano aconteceu minutos depois: ao chegarem. Em um circo. A vista era enorme, onde já se enchia de diversas pessoas. Ao estacionar propriamente, retirando-se do veículo, suas mãos estavam prestes a recolher o capacete; porém, não teve tempo suficiente. De longe, ouviu um grito feliz e agudo – algo como “oppa-yah!”. Dae não precisou olhar para saber quem era: Bang Eunji. Depois de tanto tempo… Seus pais finalmente a trouxeram. A criança disparou em sua direção, abraçando-lhe com muita força – Bang retribuiu de imediato, e um sorriso (mais do que feliz) iluminou seu rosto. A babá, assim, veio logo atrás. “Oppa-yah, ela é a sereia que você me contou?! Ela é tão bonita!” Eunji desvencilhou-se rapidamente do abraço, olhando maravilhada para Yun. “Sim, Eun, é sim. E… ela não é bonita. Ela é perfeita.” Nisso, Bang lançou uma pequena piscadela à Choi. “Neee! Ela vai no circo com a gente, não vai?! Woah… Onde que ela esconde a calda? Onde, onde, onde?” Enquanto lotava de perguntas, dava diversos pulinhos. Bang acabou por rir. “É segredo! E, ei, é claro que ela vai no circo com a gente. Você mesma sabe o porquê. Não está se esquecendo de algo?” O rapaz apontou para a mochila alheia, maior do que o habitual. “Oh… Sim!” Ela fez um biquinho no mínimo engraçado, enfiando as mãozinhas sobre a bolsa; assim, apesar do altura diminuta, estendeu à Choi um embrulho médio, o qual continha um presente. “Feliz aniversário, Ariel!!” Observando a cena, um sorriso não deixou de crescer nos lábios do mais velho. Ariel… Claro.
Era tudo muito misterioso. As mensagens começaram no nada, afinal Yun não esperava que Bang lhe chamasse para sair no dia 4, seu aniversário era dia 5 e ela já planejava passar com o quase namorado, ok ok, alguns amigos da tudo também, mas com Bang no meio. Dessa forma, ver o pedido para se arrumar no celular foi um tanto... Inesperável. Melody correu desesperada por seu quarto, que roupa vestir? Teria tempo para maquiagem? Aish, seu cabelo estava sem lavar. Quase em tempo de um corredor de maratona, Choi correu ao banheiro e na pia mesmo lavou sua franja, se pelo menos a parte da frente do cabelo estivesse apresentável, o resto passaria despercebido. Após isso ela secou com o secador deixando as mechas em bob de cabelo. Aí começou o verdadeiro problema. A roupa. Yun nem teve tempo de escolher direito, ouviu o barulho na janela e já sabia o que significava. O grito de ‘já vou’ foi a deixa para que ela pegasse uma saia e uma blusa e vestisse. A janela foi aberta e ela mandou ele esperar por pequenos segundos, só faltava a maquiagem e ela a fez em um flash. Pronta, retirou o bob e sorriu para Bang. Ao contrário dele, não usou a janela. A porta foi sua deixa e rapidamente ela chegou ao lado de Daehyun.
Tudo parecia as mil maravilhas, até ela ver a moto. Com certeza os gritos de Yun sobre como aquilo era totalmente errado, porque ele não tinha carteira, foram ignorados. Com receio, a estudante subiu na garupa e segurou seu corpo contra o do ficante. Queria gritar mais, mas o problema era que o medo consumia Melody e a fazia abraçar-se e firma-se contra Bang, teria sido aquele o plano do garoto? Estava tão inundada no cheiro do outro que mal notou quando chegaram, entretanto assim que chegaram ela percebeu aonde estavam. Todos os gritos foram dispersos quando ela olhou as luzes piscantes do circo. Teria abraçado e beijado mil vezes o garoto se não fosse a voz gritando ‘oppa’. Era pra ele? Yun olhou para a criança, reconhecendo-a de imediato. Eunji, foi o que pensou, a boca formando um ‘O’ e depois um sorriso. Bang deveria estar tão, mais tão feliz. Os pensamentos foram confirmados conforme ela se dirigiu até o colo do irmão, o abraçando. O sorriso do garoto a fazia sorrir junto, ela amava o sorriso de Dae. Quando ouviu o elogio destinado a si, Melody corou. Ela não sabia o que falar, não de verdade. Quando Bang lhe elogiada... Seu coração só faltava pular fora. Ela amava Bang Daehyun. Mas não podia demonstrar todo o amor porque não eram namorados ainda, aquilo era tão frustrante. Ela não queria atrapalhar a conversa dos irmãos, mas então a palavra foi direcionada a si, com um presente ainda. “Oh, isso é pra mim?” Yun se abaixou na altura de Eunji para segurar o presente e sorrir para ela. A garota era tão fofa, possuía alguns traços iguais ao de Bang e certamente dava para notar as semelhanças. “Mas na verdade eu não sou a Ariel, sou a filha dela, Melody. Eu tenho cabelo preto e não vermelho, olha.” Pegou uma mecha do cabelo enquanto sorria. Nunca pensou que fosse conhecer Eunji assim, nunca pensou que passaria a véspera do aniversário daquela forma, tão feliz. Yun olhou para Bang e sorriu, ela estava tão, mais tão agradecida.
















