Notas sobre luto e saudade:
Atualmente, eu me vejo perdida ao assistir tantas mortes na TV, são vidas e mais vidas interrompidas. Mães que choraram e até hoje choram as mortes de seus filhos, avós e filhos que choraram a morte de seus netos e pais e assim segue...
Eu perdi três pessoas importantes para mim durante a minha vida toda (quatro se somar um irmão de uma das minhas avós, mas essa eu não senti muito o luto, por ainda ser um bebê, mas familiares e minha mãe contam que no dia que ele faleceu, sentiram o cheiro de hambúrguer que ele fritava todas as manhãs, isso, acredito eu que tenha sido espiritual).
Mas vamos lá... a primeira morte foi do meu avô paterno, faleceu em dezembro de 2018. Talvez minhas primas e eu ainda não tenhamos superado, visto que evitamos de ir na roça, pois sempre que chegávamos, lá estava ele sentado no banco, esperando para dar a nossa benção.
A segunda morte, foi do meu avô materno, em janeiro de 2019, sim, perdi duas pessoas que amo, uma seguida da outra. Meu avô materno fumava e isso acabou com ele, talvez por isso eu tenha tanta aversão ao cigarro? Mas logo veio o Alzheimer, ele esquecia de todos e só lembrava das coisas da sua juventude, de sua mãe, principalmente.
A terceira morte, foi de uma mulher forte, empoderada, que falava o que pensava e o queria, doesse a quem doer, eu a tinha como uma inspiração de vida, porque ela falava as verdades na cara, com ela não tinha isso, minha tia Jacy, faleceu em março de 2020.
Minha avó me deu um pingente com um "J" que foi dela, é de ouro e eu gosto e uso muito mais prata. Mas sempre que preciso sentir ela comigo em alguns momentos que preciso de coragem, eu o uso ou ele está sempre comigo.
Perder meu avô paterno, para mim foi o cumulo, na época eu estava no auge da depressão, me mutilei, senti a dor fisicamente, além do emocional, me recordo de chegar no interior, invadir a casa da minha tia e abraçar minhas duas primas, desesperadamente.
TODOS os dias, eu penso neles 3, não há um dia que eu não passe um mÃnimo momento que seja e não me lembre deles. Recentemente, eu estava na casa de minha avó materna, era noite, ela falou que meu avô adorava leite com batata doce(ACHO), e que minha mãe havia puxado isso dele. No mesmo instante que cheguei na sala, senti o cheiro do tabaco que meu avô usava para fazer o seu cigarro, talvez tenha sido apenas saudade olfativa, mas eu prefiro pensar que foi espiritual, que ele estava ali conosco, no momento, mesmo que não tenha sentido a sua presença.
Atualmente, sou muito espiritualista, acho que se alguma das minhas avós chegarem a falecer, eu vou estar em paz. Porque eu cultivei dentro de mim, que quando um ente querido morre, ele não morreu, ele se ancestralizou. Eu vou chorar, é claro que vou.
Mas acho que será mais de saudade da presença fÃsica delas, em si. Eu adoro sentar ou deitar na cama de minha tia e cochilar sentindo a presença de minha avó ao meu lado.
A dor de perder alguém é algo único para cada um de nós, eu acho que quando perdemos alguém, todas as velas, orações e tudo mais, não mudarão o fato do buraco que aquela pessoa deixou no nosso coração. O luto em si é um processo, cada um tem o seu tempo para o sentir.
Acho que é só isso o que eu tinha para dizer e contar a vocês... sinto muito se o que esperavam fosse algo mai simbólico, mas essa é a minha história com o luto.
Ah... eu tenho muito de me colocar no lugar do outro para sentir a dor do outro e isso acaba com o meu psicológico, mas eu me sinto feliz em saber que a outra pessoa não está sofrendo sozinha, pois eu estou ali com ela e para ela.