Se tinha algo que Greta havia aprendido naquele seu último ano em Hogwarts é que nem tudo tinha que ser extremamente planejado. A chegada de Johnny em sua vida não havia sido planejada, assim como se deixar levar pelo jeito do garoto que por vezes parecia extremamente parecido com ela, tirando o fato de que o humor dele era muito mais fácil de lidar do que a cara fechada dela. O ruivo havia conseguido mexer com o coração dela desde o momento em que apareceu em sua frente no refeitório sendo completamente sincero ao dizer que estava lhe convidado para um encontro por conta de uma aposta que fizera com os amigos. Ela poderia ter recusado e revirado os olhos pela atitude infantil de algumas pessoas do seu ano, achando que podiam brincar com aquele tipo de coisa. Mas algo lhe dizia que talvez fosse bom tentar aquilo e foi seguindo aquele algo que ela havia se metido em uma tremenda enrascada.
Sem saber lidar com os sentimentos que nutria por Johnny, mascarando o ciúmes que sentiu ao vê-lo beijando outra pessoa quando eles sequer tinham algo. Ela havia conseguido manter a cara fechada, os olhares atravessados e os cortes por alguns meses, antes que o lufano conseguisse passar por aquilo, se mantendo firme na decisão de fazer com que ela o perdoasse e sem mais forças para lutar contra aquilo, ela finalmente havia cedido. Era uma novidade para a loira lidar com todos aqueles sentimentos e todas aquelas sensações que lhe dominavam toda vez que o ruivo se aproximava. Mas ela podia negar que havia sido uma experiência interessante. Ainda que os dois continuassem focados nos estudos, agora eles dividiam aqueles momentos juntos, tornando aquilo algo bem mais divertido do que passar horas na biblioteca só com a companhia dos livros. E talvez aquele fosse o tipo ideal de encontro deles, mesmo que tivesse quem dissesse que aquilo não era um encontro propriamente dito.
O fim daquele ano letivo trazia um certo pânico para Catchlove, a garota que sempre esteve tão focada nos estudos e que tinha uma resposta pra tudo, não sabia o que responder quando perguntavam quais eram os planos para o seu futuro. O problema era que a sonserina havia passado muito tempo se dedicando apenas no presente, tendo a única missão de tirar notas boas na escola sem nem pensar o que faria com elas no fim daquele ciclo. A proximidade da formatura só lhe trazia a pressão de uma decisão que mudaria sua vida inteira. Todas as vezes que ela analisava a imensidão de opções de profissões que existiam no mundo bruxo, nenhuma parecia encaixar com o que ela queria. Nenhuma parecia cativar Greta o suficiente para que fosse escolhida como o que ela queria fazer pro resto da vida. E ela teria ficado nisso pra sempre se não tivesse a ajuda de seu namorado.
Johnny havia sido quem abriu seus olhos para coisas além do mundo bruxo, lhe dando a opção de sair da sua zona de conforto pelo menos uma vez e seguisse aquele seu hobbie favorito que vivia escondido muito bem. Se aventurar no mundo trouxa para fazer gastronomia parecia ser a coisa certa a se fazer e somente dias antes da formatura ela finalmente decidira o que faria. E estava animada com o que o futuro lhe reservaria dali pra frente. Greta não esperava que uma das coisas que o futuro lhe reservava envolvia um compromisso maior com o ruivo selado com um anel de plástico.
Estava conversando com Amber e Mina em uma das festas de formatura dadas pelos alunos, algo que Catchlove não costumava frequentar, mas que como sendo a última de sua vida estudantil em Hogwarts, parecia ser o certo a fazer e por isso havia aceitado o convite do namorado. Mayfield se aproximou delas e a loira abriu um sorriso pra ele, notando que ele estava daquele mesmo modo que havia estado quando meses atrás tinha lhe convidado para o tal encontro. “Claro.” Disse para o garoto, se virando rapidamente para as amigas, pedindo licença para se retirar e finalmente pegando a mão do mais alto. Ela caminhava as escuras, sem ter noção pra onde o ruivo lhe levava e ela estava começando a ficar nervosa e curiosa quando finalmente chegaram ao tal local que o garoto queria. O pequeno arco de flores que havia ali fez com que a sonserina arqueasse uma sobrancelha sem entender muito bem o que aconteceria ali. “Johnny…O que é isso?”Perguntou com um leve sorriso no rosto, ainda mantendo a sobrancelha arqueada em uma clara expressão de quem não fazia ideia de qual era a intenção do namorado naquele momento.
Ninguém conseguiria duvidar do quão nervoso Johnny Mayfield estava. Nem mesmo ele conseguiria entender de onde vinha tudo aquilo, por mais que não fosse uma proposta grandiosa como ele gostaria, ou algo tão sério, Johnny sabia que aquilo era mais do que simplesmente dizer tudo que ele sentia. Aquele era o futuro, e ele não queria perder Greta Catchlove. Por mais que eles tivessem vivido uma montanha naquele ano fora Greta, com todo seu jeito controlador e responsável que se parecia tanto com o dele que fizer Johnny perceber que viver trancado na biblioteca não era suficiente. Após estar poucas horas com a sonserina nada mais havia sido suficiente. Foi uma reviravolta que nem mesmo ele poderia prever, e por mais que tivessem passado por algumas situações extremamente complicadas nos últimos tempo, ele não tinha dúvidas que suas decisões para o futuro eram corretas. Ele amava a garota, e com tudo que estavam enfrentando ele não daria o luxo de deixa-la.
As palavras engasgavam em sua garganta, e Johnny queria saber se teria coragem de falar tudo que estava em sua mente. “Ultimamente, muitas garotas da sua casa ficaram noivas. Eu tentei, ênfase no tentei, falar com suas colegas sobre isso. Aparentemente você não fala sobre isso com quase ninguém. Elas me explicaram que é um costume dos bruxos mais tradicionais ficarem noivos tão jovens. Não fazia ideia disso.” Tentou começar, enquanto andava para frente e para trás, mas terminava sempre focando nos olhos da garota. Ele precisaria tomar algo muito forte quando saíssem dali para aguentar até o final do dia. “Não conheço sua família direito, e não quero que você seja prometida a outra pessoa. Da mesma forma que eu sei que nem eu, nem você queremos nos casar agora. Temos focos no que queremos, e casamento não é bem isso. Então tudo isso aqui.... é uma promessa.” O estudante tirou um tempo para apreciar o trabalho que havia feito.
Olhando as flores ao redor, todo o arco, e ambiente. Uma energia encorajadora passou por seu corpo, e Johnny sabia que se não falasse tudo de uma vez acabaria se atrapalhando. Colocara as mãos dentro do casaco da veste. “Não venho de nenhuma família bruxa, e você sabe que eu não tenho muito. Além dos vários problemas que minha família está passando, mas isso é o que eu posso te oferecer. Não quero que desista de mim, assim como eu nunca desistiria de você. Eu quero que você seja meu futuro, Catchlove.” O garoto então abriu a palma de suas mãos e estendeu para garota. No meio de sua palma se encontrava um pequeno anel de plástico. Daqueles que se encontravam facilmente em qualquer mercearia. A menina merecia diamantes, e ele sabia disso, mas aquele era seu coração. Seu coração estava em suas mãos.
“Não estou pedindo que case comigo, ou qualquer coisa do tipo, mas nesse ano que vai vir assim que nós formamos. Enquanto eu estiver no Hospital, e você no que decidir fazer, quero que saiba que eu estou aqui. Que não estou indo a lugar nenhum tão cedo. Que podemos trabalhar nossos problemas, e que podemos seguir em diante. Para não desistirmos só porque temos um problema, e que algum dia quem sabe, eu possa trocar esse anel por outro. Como eu disse é uma promessa. Uma promessa que eu vou estar sempre ao seu lado.” Ele queria ter cantado, queria que explodissem confetes. Que a melodia entrasse na mente da garota, e que ele pudesse sair correndo de tudo aquilo. Porém, não era tão fácil assim. Ele havia aberto seu coração para a garota. Uma garota que até poucos meses atrás era considerada alguém com coração de gelo. Ele estava totalmente a mercê da garota.
Sua mão suava com o pequeno anel ali. Como se ele pesasse uma tonelada, Johnny não conseguia retirar os olhos da garota. Então conhecendo Greta viu-se na necessidade de avisá-la. “Era isso. Acho que era isso. Você pode falar agora, e se quiser sair correndo daqui eu vou entender.” Ele não superaria, mas ele entenderia.