Tempo. Metamorfose. Metameria.
Nenhuma parte do que era Ă© agora.
O que jĂĄ foi nĂŁo tem mais como ser.
Metameria. Mudança de partes. Pedaços que se metamorfoseam. Jå não somos o mesmo.
As partes se foram. As partes se quebraram. As partes evaporaram. As partes se transferiram.
As partes se perderam. Eu também.
Quebraram. Despedaçaram. Penetrou-se até que se rasgasse. Partes perdidas.
Corra! Alcance! Pegue! Resgate! Antes que seja tarde.
O quebra cabeça não se encaixa mais. Pedaços tão pequenos que jå não são mais encontrados.
Perdeu-se. Perdi-me.
Metameria. Tempo. Metamorfose.
Forma-se um ser de formas compartilhadas.
O que se fez foi feito e nĂŁo mais desfeito.
Forma-se outra forma com fracas forjas.
Vire. Revire. Amasse. Estique.
Tem-se o novo que nĂŁo Ă© tĂŁo novo.
Novo frågil. Quebradiço. Cuidado criança!
Metamorfose. Metameria. Tempo.
Tic-tac. Ele nĂŁo para.
Vai. Volta. Roda. Escorre.
Tudo que foi te corrĂłi. O que vem nĂŁo tem vida. O agora te arrasta.
O tempo, meu anjo, nĂŁo Ă© carinhoso quanto pensas. Ele segue enquanto a gente nĂŁo sabe como seguir.
Ele te puxa, Ă s vezes com violĂȘncia, Ă s vezes com mĂŁos tĂŁo gentis que nem percebes.
E ele vai andando. Pisando leve e pisando forte.
Ăs vezes despercebido, Ă s vezes um furacĂŁo.
Ele toma decisÔes por quem não quer decidir. Ele cura quem sabe andar de mãos dadas com ele.
Mas ele tambĂ©m sabe machucar. Pega no braço e puxa com força. Te leva pra onde vocĂȘ nĂŁo quer.
Sem preparo. Sem pudor. Sem aviso. Sem nem meias palavras. Ele sĂł leva.
Te sufoca. Te prende. Te maltrata.
Mas, meu anjo, nĂŁo Ă© sĂł isso.
Ele vem. Ele vai. Ele Ă©. Ele foi. E quando vocĂȘ vĂȘ, jĂĄ nĂŁo lembra mais, jĂĄ nĂŁo dĂłi mais.
Seja só, sabe aqueles pedaços? Um quebra cabeça que só se junta com o tempo.
Mudanças temporais de partes quebradas.











