You only know you love him when you let him go.
Sometimes I wanna slap in your whole face (…) You’re the only love I’ve ever known, but I hate you, I really hate you. So much I think it must be…
Haneul Kwon, que inferno de nome! Nunca sabia se deveria ser isso ou Daniel quando eu gritava com ele. Aquele infeliz só estava ocupando espaço mesmo. Ah, e como era um pentelho infeliz. Só implicava comigo, com meu jeito caipira, com minhas gírias, metáforas e comparações com meu doce e fedido lar. Implicava com minha grosseria e como eu conseguia ser nojenta e falar coisas inúteis ou desagradáveis em momentos errados. Implicava com os garotos que eu ficava e implicava quando eu o beijava. Ou quando eu o abraçava enquanto ele brigava comigo. Quando eu ficava muito séria, fazia piada do que não devia, ria da cara dos outros. Brigava comigo porque eu o chamava de japa, mas sempre me chamou de caipira.
Mas ouvir isso na sua voz eu nunca me ofendeu.
It’s such a shame for us to part… no one ever said it would be this hard. I’m going back to the start.
Cause I remember every sunset, I remember every word you said. We were never gonna say goodbye.
JÁ VAI TARDE! Talvez ele não deveria nem ter comparecido àquela detenção no segundo ano. Melhor, não deveria ter ido atrás de uma pirralha burra na floresta proibida, não deveria ter pegado na minha mão e compartilhado o meu medo consigo. Não deveria ter sorrido e bagunçado meu cabelo, não deveria ter ficado bem comigo depois de tudo em que eu o meti! Não deveria ter aparecido na ala hospitalar quando eu me machuquei no Quadribol, não deveria ter ido na fazenda e se molhar todo de leite por não saber ordenhar da teta da vaca, ou derrubado um ovo em mim. Ele não deveria ter me segurado quando eu estava para cair na lama dos porcos. Ou melhor, não deveria ter rido quando não conseguiu e caímos juntos. Não, ele deveria ter me visto entrando na floresta e seguido seu caminho para o dormitório. Deveria ter me ignorado na sala de aula nesses últimos sete anos, virado a cara e não socializando com a caipira nojenta.
I know life would suck without you. At the same time I wanna hug you I wanna wrap my hands around your neck. You’re an asshole, but I love you.
Ah, mas e eu? Eu não vou chorar, eu não choro. Mas talvez eu tivesse chorado muito nos últimos anos se ele tivesse virado as costas e não me seguido. Talvez, mas só talvez, Deus nos juntasse de um jeito ou de outro. Eu sei que Ele quer meu bem, Ele faria isso por mim. As coisas acontecem porque o Senhor quer, aquele infeliz vai ficar melhor longe de mim se é o que Ele fez acontecer. Quem sabe também Ele… Não. Não.
True love,
Não vai fazer falta também, o Daniel. Vou finalmente fazer amigos diferentes de só um infelizinho de coreano, não é? Ele tinha “ficantes” meio ridículas, senão ignorantes e meio lerdinhas. Eu tive uns namoros rápidos, mas nunca nada deu certo. Me separavam muito da minha vida, que eu tanto amei. Ou amo. Me separavam do meu amigo, basicamente. Ele tinha amigos, mesmo que alguns inimigos e pessoas que implicavam com ele. Implicavam não do jeito que eu fazia.
But you shouldn’t worry about what they say ‘cause they got nothig on you baby. Oh, there’s nobody even close to be like you.
Mas quando ele estava mal, quando ele achava que não tinha ninguém, ah, aquele infeliz estava muito errado. Se tinha alguém que, agora, eu com meus 17 anos de vida, conseguia me entristecer era ele. Aquele infeliz não sabe que poderia correr pra mim mesmo quando eu estou brava com ele? Eu sei que ele sabe que passa rápido. Não sabe que eu faria qualquer coisa por ele? O garoto tem sorte por eu ser controladíssima e super bem humorada e não enchê-lo de porrada quando reclamar da vida. I mean, enchê-lo de estrume. Quando reclamar dos dias de escola, dos dias em Hogwarts, das pessoas ruins.
…nothing else can break my heart like you.
Aquele infeliz sabe que eu não deixaria de implicar com ele por nada. O jeito dele é insuportável, dramático, impaciente, irritante, falante e ridiculamente engraçado…
…Mas o meu também é. Eu o irritava como ninguém mais, ele me suportava o xingando, mordendo, falando demais, gritando, brigando, sendo ridiculamente engraçada. Dizendo inconveniências sobre outros garotos com quem fiquei, sobre animais e suas fezes, sobre coisas femininas, sobre filmes, histórias, comidas, culturas… Sobre minha vida nada empolgante e privada. Eu o chamava de japonês, mesmo sabendo que veio da Coreia do Sul. Dizia sobre a Coreia ser um país só, mas sempre soube a diferença absurda que era de duas formas de governo e economia mesmo que governadas pelos mesmos olhos puxados. Aqueles olhos que eu sempre brinquei e fiz piada, imitei para deixá-lo estressado. Ele se irrita e eu rio, porque sei que ele tem conhecimento do meu jeito estúpido, bobo. Ele sabe que eu nunca o magoaria, mas nunca falaria isso pra ninguém. Não sou romântica, nem a amiga que alguém sonha. Mas se tem alguma coisa que eu aprendi com aquele infeliz é que não existe uma pessoa perfeita, existe aquela pessoa perfeita pra você. Aquela pessoa que ri quando você chora, aquela pessoa que te faz rir sem falar nada, que te faz sorrir ao pensar nos momentos que passaram, que te faz chorar escondido quando se sente mal e sozinho, te faz pensar se é mesmo amizade ou deveria haver um nome para isso que seja maior ainda que irmandade. Aquela pessoa que te faz acreditar que realmente existe alguém que te completa, que você encontrou aquele “outro como você” que dizem ter no mundo. Aquela pessoa que é incrivelmente igual e diferente a você, que te faz feliz mesmo longe, que mesmo quando te faz triste, está lá pra você.
You reflect me, I love that about you.
Ah, eu o odeio tanto por isso. Por ir embora, o odeio tanto pir me fazer ficar horas na cama do dormitório parada pensando nele. Me odeio tanto por isso. Por pensar demais nele, por gostar tanto dele. Me odeio por me odiar e odiá-lo, quando eu deveria perceber que em alguns meses isso ia acontecer, mas mais ainda por não mudar nada o que eu sentia antes. Mas eu só sei disso agora.
Quero voltar pra minha fazenda, não prestar NIEMs, não passar em nada, não fazer nada… eu nunca quis isso mesmo. Eu nunca soube o que realmente me fazia continuar aqui se eu não faço questão da magia. Não, eu quero meus animais, um marido, um filho e meu melhor amigo. Como eu sou ingênua pensando assim. Ele ia ter sua família, sua esposa. E me dói pensar nisso, agora me dói pensar que ele vai encontrar outra melhor amiga, outra pessoa que ele ame mais que eu. Me dói mais ter certeza que ela não vai amá-lo tanto quanto eu. Que ele vai fazer mais falta a mim do que meus próprios pais, do que meu próprio irmão fez. Mais que tudo, arrependimento me faz sentir ridícula. Mas eu só percebi o quanto amo o Niel quando aquele infeliz foi embora. Eu só queria ouvir a voz dele dizendo que ninguém que ele encontrasse seria como eu: uma caipira louca, escandalosa e nojenta. Mais que isso, sua melhor amiga, que faria tudo por ele sem pensar duas vezes. Só é tarde para chegar nessa ideia, Jessica. Você deixou aquele infeliz ir e agora lamenta.
Digo infeliz é no sentido pejorativo. No pior sentido como xingamento, mas eu poderia substituir por uma palavra pior. Só que em momentos de drama me obrigo a ser decente. Não sei por que, ele não merece o pouco de dignidade que estou lhe dando.
Estou sendo mulherzinha. Estou sendo fresca, dramática, mimada e sentimental. Agora eu sei como é ser como aquele infeliz. Ah, eu ainda mato o Niel.















