Como um reflexo imediato, assim que sentiu uma presença prĂłxima a si, Rhagael jĂĄ devolveu a expressĂŁo confiante ao rosto, virando-se para ver Jessamine lhe dirigindo a palavra. Nunca tinham tido uma conversa a sĂłs propriamente dita, mas gostava da sua presença ali. Ela fazia Cissa sorrir, e diante do fato de que a irmĂŁ caçula tinha poucos motivos para fazĂȘ-lo hoje em dia, era grato por alguĂ©m ser capaz de lhe arrancar aquela expressĂŁo que lhe tinha se tornado tĂŁo rara. Sorriu levemente tĂmido para ela, cumprimentando-a com a cabeça. â Lady Jessamine, que prazer Ă© a sua companhia. â exclamou, evitando propositalmente responder a pergunta se ele estava bem. Geralmente, a resposta vinha-lhe fĂĄcil, sempre estava bem. Mas a exaustĂŁo jĂĄ ameaçava dominĂĄ-lo tĂŁo intensamente que achou necessĂĄrio dar mais alguns goles de seu vinho. â Ă claro, sĂł precisei de um pouco de ar e molhar a garganta depois de falar com tantas pessoas agradĂĄveis. â olhou novamente pela janela, apreciando a vista das estrelas de onde estavam. â EstĂĄ uma linda noite, nĂŁo acha? EstĂĄ se divertindo? â perguntou-a, em seguida soltando mais uma risada, achando graça do fato dela achar que o prĂncipe tinha começado a beber agora. Sua primeira taça da noite tinha sido ainda em seu quarto, tomando coragem para sair dele. E mesmo depois de vĂĄrias outras, ainda sentia-se demasiado sĂłbrio para nĂŁo sentir a exaustĂŁo causada por tantas conversas. â NĂŁo se preocupe, milady, estou muito bem alimentado. AlĂ©m disso, estou mais que acostumado com altas quantidades de ĂĄlcool no corpo. â lhe deu um sorriso travesso e uma piscadela, como se dissesse "se Ă© que vocĂȘ me entende". â AliĂĄs, o que preciso fazer para convencer seu irmĂŁo Julian a se juntar a uma de minhas noitadas? Ele sim parece com alguĂ©m que precisa beber um pouco mais.
Ainda que o prĂncipe a encarasse com a mesma confiança e simpatia que dispensava aos demais convidados, para olhos treinados como os seus, acostumados a acompanhar os membros da famĂlia real quando possĂvel, o cansaço ainda era evidente nas expressĂ”es dele. Arrependeu-se, entĂŁo, por interromper seu momento sozinho e teria se retirado com uma breve reverĂȘncia se ele mesmo nĂŁo tivesse dado continuidade Ă conversa. Por isso, sorriu ao ser cumprimentada por ele de forma tĂŁo agradĂĄvel, imediatamente seguindo seu olhar para a janela, tambĂ©m contemplando as estrelas. â A noite estĂĄ realmente linda, mas divirto-me na medida do possĂvel com tantos olhos atentos, sedentos por um deslize alheio para que possam falar sobre. â confidenciou, da mesma forma que ele lhe segredava sobre sua resiliĂȘncia quanto ao vinho. Tinha se acostumado Ă vida em Porto Real relativamente rĂĄpido; ali nĂŁo havia os olhos dos homens de seu pai a observĂĄ-la como gaviĂ”es, prontos para correr e contar ao seu senhor sobre quaisquer infraçÔes de sua filha. A liberdade, ela entendeu, era viciante, e era em momentos como aquele, em que era observada por cada lorde e lady presentes no grande salĂŁo da Fortaleza Vermelha, que Jessamine a desejava com mais intensidade. A menção de seu gĂȘmeo, porĂ©m, arrancou-lhe um sorriso um tanto mais genuĂno e em nada ensaiado. â PrecisarĂamos que os deuses nos dessem um milagre para isso, meu prĂncipe. Parece-me que toda a disciplina dos Baratheon ficou com Julian, apesar dos meus esforços e tentativas de convencĂȘ-lo a se divertir. Os deuses sabem que ele precisa.

















