SAPATÃO
Sapatão, palavra q só amigo da gte pode nos chamar. Quando dito e escutado soa forte, no entanto dito por um amigo é carinho, é de perto, é do coração.
Por muuuuuuuuitos anos tive medo dessa palavra, tinha medo até de quem pertencia ao esteriótipo do sapatão, ficava incomodada. Não joguei bola com um time quando me mudei pra Araçatuba, por que meu tio me falou q só tinha sapatão e insinuando que elas iriam me querer. Pensamento tão tosco, e pequeno da minha parte e do meu tio.
Cresci em um meio machista, onde tudo era explicado que ele (irmão) pode porque é homem, particularmente nunca gostei dessa frase. Eu brigava pra ir com meu pai pra ir pescar, pra ele me levar junto com ele pro jogo de futebol de toda sexta, pra eu poder colocar short ao invés de vestido, e quando colocava vestido era um “senta direito”, “fecha a perna”, “parece um menino”, “você tem que se comportar como uma mocinha”. Brigava com meu irmão muito, porque eu queria fazer tudo que ele fazia, e ele não queria menina do lado dele o famoso batutinhas “girls aaah, boys ahhh”
Desde de pequena coloquei na minha cabeça se meu irmão poderia eu também poderia, e com isso cresci se homens pode eu também posso.
Cresci no meio tradicional, na igreja, escutei que homossexualismo era abominado por Deus, que era pecado. O a palavra abominado sempre me transmitiu um peso grande. Dentro da igreja era muito feliz em todos os sentidos, mas por dentro não me encaixava muito porque queria xingar certas horas, queria transmitir insatisfação e não poderia demonstrar, tinha que ser grata o tempo todo, me questionava, mas não falava. Que fase dificil a adolecenscia, eu era toda estranha, diferente, meu Deus que difícil.
Hoje sou sapatão, sou mulher, sou feminista, sou bissexual, sou humana, sou o que eu quiser ser.


















