As três Antonias disseram que viram JANNES FRIEDRICH RIZZI passando na praça de manhã, você ouviu? Não é de se espantar, já que JAN tem 27 ANOS e quase todo mundo aqui já conhece a rotina dele por estar em Monteluna DESDE QUE NASCEU. A cidade pode até estar mudando, mas ele segue firme sendo bastante GENTIL, mas também tendo seu lado ACUMULADOR COMPULSIVO. Ele continua se parecendo com DAMIAN HARDUNG e ESTÁ ansioso para conhecer os novos moradores!
chave antiga presa num cordão de couro no pescoço; óculos de leitura pendurados na gola da camisa; cabelo levemente bagunçado; vitrola antiga; manchas de tinta nanquim nos dedos; gato preto.
+ CONEXÕES REQUERIDAS
Os Rizzi chegaram em Monteluna há quatro gerações. Se estabeleceram e nunca mais saíram. Junto com uma família grande e bastante próxima veio a ideia de montar um antiquário onde as pessoas poderiam penhorar seus itens ou apenas vender para conseguir um dinheiro. Ao longo dos anos, o antiquário se tornou parte da pequena cidadezinha e o comércio foi passando de mãos em mãos na família… até chegar no Rizzi atual. Ou bem, nos dois atuais. Jannes e seu irmão assumiram a loja da família quando o pai precisou se afastar por causa da idade. Os dois cresceram naquele lugar e sabiam de tudo o que precisavam para manter a loja aberta. Tudo… até mesmo os problemas financeiros.
O que antes era um ramo lucrativo, hoje em dia não é algo tão procurado como antigamente, mas isso nunca impediu os Rizzi de lutar pelo negócio da família, mesmo que não seja bem o que eles queiram fazer. A escolha não existe, não quando o negócio é tão importante para os pais.
Jannes só saiu de Monteluna para cursar Arqueologia em Roma, sendo esse o caminho mais distante… se é que podemos chamar assim. Uma hora de distância? Nada. Toda sua vida está enraizada em Monteluna e ele gosta disso, apesar de sempre ter tido o sonho de conhecer novos lugares, nunca teve condições financeiras para isso. Os Rizzi são conhecidos por serem muitos e gentis, não por terem dinheiro. Jannes inclusive já está trabalhando em aumentar a família, tem um filho de 4 anos chamado Carlo, a luz de sua vida.
A notícia de que o governo estava ativando um programa para atrair novos moradores deixou Jannes em êxtase. Novos moradores significa novos clientes, certo? Mal pode esperar para que o antiquário comece a ter mais frequentadores, mesmo que sejam pessoas interessadas em conhecer o trabalho de sua família.
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Escutou o irmão em silêncio, esperando sua vez. — É, eu tentaria dizer isso, mas eu não tenho voz pra falar alguma coisa, de acordo com ele, nem moral desde que larguei a Serena antes do casamento. — Comentou, relembrando um dos maiores motivos de seu pai pegar no seu pé ou diria um dos que a família tinha conhecimento. — Ninguém apareceu em uma hora depois que abri, dez minutos com certeza não fez diferença. — Completou, estava um tanto impaciente, parte de si se sentia mal por esconder o motivo de ter se atrasado e falar muito sobre aquilo, poderia gerar mais questionamentos. — Até o dia que eu virar homem. — Comentou usando da frase do próprio pai. — Ahn? Encher o saco, é só isso que ele sabe fazer. — Respondeu, falando o que jamais falaria na cara do mais velho.
apesar de não ter ficado satisfeito quando o irmão cometeu aquele erro com a ex, jannes, ao contrário do pai, sabia que a vida de samuel era apenas do próprio samuel. as escolhas por mais tortas que fossem, eram de responsabilidade dele. não entendia como isso afetava o profissional. "não faz sentido ele, ainda te perturbar com isso. não é como se isso tivesse atrapalhado as coisas aqui pra ele achar ruim." revirou os olhos. um riso acabou escapando porque mesmo quando deu seu horário de chegar, ainda tinha ficado uma boa hora parado sem receber alguém ali. "minha primeira cliente do dia foi a chiara que veio mais pra conversar do que comprar algo." relembrou do momento da fofoca, bufando baixinho. os negócios não estavam indo bem, mas pelo menos estava melhor do que antes dos novos moradores chegarem ali. a frase do pai já soava absurda vindo do patriarca da família, mas quando algum irmão repetia, jannes ficava ainda mais irritado por eles terem crescido ouvindo isso. "céus, essa porra de frase me irrita." reclamou, soltando um suspiro pesado. "sempre achei que a essa altura ele já teria parado com isso."
O peso leve da testa de Jannes em seu ombro como se fosse a peça exata que faltava ali no encaixe do dia. Ele só sorriu por um segundo beijando-lhe os cabelos carinhosamente antes de dar um tapinha de leve na lateral de seu quadril. Podia querer guardá-lo em um potinho com tampa de rolha mas não iria atrasar o fechamento da loja. Só que aquele beijo na "bochecha", não facilitava nem um pouco no auto controle. Sendo assim, pegou o celular com a ponta dos dedos, mas antes de se afastar, inclinou-se devagar até o ouvido de Jannes, o hálito quente e a voz arrastada: "Ah, e se você disser mais uma vez que não consegue olhar diferente pra mim... vou acabar te fazendo provar quantos jeitos diferentes ainda tem de me olhar.' Deu um beijinho rápido e estalado na ponta do queixo do outro, só porque podia, e então recuou devagar como quem já sabia que aquela vitória era doce "Vou pedir comida, sim. Mas se você demorar muito… posso acabar pedindo você de entrada." O homem subiu a escada assobiando baixinho uma música qualquer, uma dessas que toca em vinícolas no verão. Ele simplesmente ignorou o celular de Jannes, o deixando na mesinha, e pediu a comida favorita deles no próprio aparelho, foi a cozinha para encher duas taças de vinho e deixou-se relaxar no sofá escolhendo uma playlist suave para embalar a noite. "Por que essa carinha me diz que está precisando de um chamego?" perguntou retoricamente ao vê-lo entrar em seu campo de visão. Sem demora ele se levantou indo até o rapaz acariciando os braços dele lentamente "Quer banhar enquanto a comida não chega? Colocar uma roupa confortável e depois a gente toma o vinho..."
depois de um dia tão perturbado e esticado, merecia um pouco de paz e conforto, não ousaria reclamar então pelas brincadeiras alheias quando tudo o que queria era realmente ignorar a loja e afundar nos braços do mais velho. demorou anos para reconhecer que não havia como ser feliz se encaixando nas expectativas dos pais, mas agora que realmente tinha algo para si, algo que verdadeiramente escolheu manter... aquele peso nos ombros tinha diminuído. fechar a loja rapidamente era quase automático, ainda mais quando sabia quem lhe esperava lá em cima. deixou ligada a luz do corredor da outra entrada de sua casa ao qual usaria para pegar depois a comida e finalmente subiu, os passos rápidos pulando dois em dois degraus. trancando a porta atrás de si por receio dos irmãos darem um jeito de subir ali, relaxava totalmente pela primeira vez no dia. "estou sim, na verdade." resmungou, abraçando-o com facilidade assim que ele estava em seu alcance, os braços rodeando o corpo do mais alto. "meu pai veio hoje, já pode imaginar." acrescentou. "mas essa é uma boa ideia, você vai me esperar aqui ou vai tomar banho comigo?" perguntou curiosos, afastando-se para oferecer um sorriso. um banho rápido enquanto a comida não chegava iria servir para espantar o estresse do dia e a promessa do vinho era perfeita demais para jannes dizer algo contra. as mãos pousavam no quadril alheio, os dígitos alisando distraidamente o local.
Afirma com a cabeça em concordância com o comentário do outro, levando o broche escolhido para perto da roupa que usava em uma pergunta silenciosa de sua opinião "Aquela suposta amiga dela não cansa de espalhar fofoca, dela inclusa." da de ombros e da uma volta na loja procurando mais coisas que a agradam "em minha defesa eu tava só fazendo meu trabalho e ouvi elas conversando..." solta uma risada leve e volta a observar o outro "e aí, como tá se sentindo com essa galera nova chegando?" pergunta em genuíno interesse, o entregando o broche para que pudesse usar as mãos para procurar a carteira perdida na bolsa e pagar.
jannes não hesitou em assentir em concordância para aquele broche escolhido pela amiga, combinava bem com a roupa alheia e o estilo da mesma. "acho é pouco. quanto mais vergonha aquela desgraçada passar, melhor é pra todo mundo. talvez um dia ela crie vergonha na cara." aquela fofoqueira nunca tinha cismado com sua cara, mas as palavras dela à chiara lhe ofenderam indiretamente. mesmo se as ofensas não tivessem sobre a sexualidade da amiga, sabia que ainda iria tomar as dores dela. "hmm, está bom até. as coisas têm melhorado por aqui, acredita?!" o sorriso finalmente apareceu com mais gosto nos lábios. "até guardei algo pra você, trouxeram de manhã e eu lembrei que poderia gostar." vasculhou um pouco o balcão e rapidamente encontrou o pequeno caderno antigo. "a moça disse que foi da avó dela, tem várias colagens legais, olha." deslizou-o pelo balcão na direção alheia. "você já conheceu alguém novo por aqui?"
Noora havia tido um pequeno surto básico de identidade, e acabou descolorindo o cabelo e o deixando loiro, ela odiou ainda mais, depois de uma semana sem a coragem de sair de casa, resolveu ir até o parque central e ficar observando os outros e criando uma história em sua cabeça para cada ser que observa. Noora estava distraida, fumando se cigarro de filtro amarelo, viceroy king size, foi quando percebeu que muse estava ali, mesmo que Noora estivesse de boné, dava pra ver o resultado do surto. "É, eu sei, está horrível." retirou o bone. "Eu to a cara da tia peruca.
sua corrida diária foi interrompida para que tomasse um pouco de água, se hidratar era sempre uma prioridade já que esquecia tantas vezes de fazer isso que quando estava correndo, jannes temia passar mal. apesar de distraído, não pôde deixar de notar a figura feminina ali fumando. algo meio incomum para a praça central. "tia da peruca?" perguntou confuso. "bem, eu não sei quem é essa, mas você não está horrível, vamos lá. desculpe se eu estava encarando e dei a impressão errada, só nunca vejo alguém fumando tão abertamente por aqui."
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Eva se movimentava pelo apartamento quase como se morasse ali, talvez porque passasse tanto tempo ali dentro que conhecia cada cantinho, tentava se concentrar no que precisava fazer antes de andar até o filho, tinha que se manter racional, mesmo que uma parte de si estivesse implorando para que ela apenas o abraçasse dizendo que estava tudo bem, e talvez o levar correndo aos berros para o hospital, mas sabia que não seria o melhor no momento. Andou até o banheiro ligando a água quente para encher a banheira, encostando a porta para que vapor preenchesse o local " a quanto tempo você deu o remédio? temos que continuar monitorando a febre e quem sabe fazer uma sopa, ele vai precisar de bastante água e temos que ver se ele come alguma coisa. " suspirou baixando os olhos para o filho, ele parecia tão frágil e pequeno todo encolhido naquela cama. " você vai ficar bem meu amor, mamãe está aqui. " sussurrou dando um beijo em sua testa.
"antes de ligar pra você, assim que desliguei o médico." explicou, afastando da festa do filho os fios ruivos meio úmidos de suor. "ele já começou a suar, acho que começou a fazer efeito." soltou um suspiro baixo de alívio. a criança ainda estava quente e parecia sem graça, todo quietinho, mas o remédio agir era um bom sinal. "hm, acho que algo mais sólido, né? porque a sopa ele colocou pra fora." definitivamente não era algo que iriam tentar de novo, o estômago da criança já tinha deixado claro que líquidos não iriam ficar. talvez dessem sorte com algo mais firme. aproveitando que eva chegava para fazer companhia ao menino, jannes levantou-se e caminhou até a cozinha. o apartamento era pequeno e aberto então conseguia vê-los dali. "o que acha de algumas frutas? parti algumas mais cedo pra ele comer quando chegou da escola mas ele nem comeu tudo."
Spencer mal podia acreditar que, depois de quase um ano inteiro viajando, agora tinha um quarto fixo. E por mais que estacionar em Monteluna estivesse começando a lhe dar algum senso de normalidade, ela se sentia como um pássaro numa gaiola. Talvez por isso tenha dirigido até as montanhas com Honeycombs e Brutus — só para respirar. Mas agora, no caminho de volta para casa, ao desligar o motor da van e tentar religar... nada. Bateria morta. Ela bufou, revirando os olhos antes de sair e se aproximar de quem parecia ser sua única esperança. — Eu juro que nem tenho a capacidade de te sequestrar — começou, com um meio sorriso exausto. — Só preciso de um jump start. Já devia ter trocado essa droga de bateria — Dormir mais uma noite na van, com um cachorro e uma gata? Nem pensar. O hotel lhe parecia infinitamente mais atraente naquele momento.
a aproximação repentina lhe assustou e talvez não tivesse escondido isso bem já que a mulher mesmo tentou garantir que não iria tentar algo ruim. jannes, desconfiado como sempre, continuou sem abaixar a guarda. "se tentasse, ia ficar no prejuízo, sinto lhe avisar." tratou logo de frisar aquilo por garantia. "e eu não tenho carro, moça. infelizmente você não vai encontrar muita gente aqui pra isso." agora diminuía um pouco a hesitação porque era um baita problema que a desconhecida tinha em mãos. "você está de passagem? porque acho que nem deve ter alguma oficina aberta mais essa hora."
Uma risada escapou dos lábios com a combinação do pai e filho, se lembrando de como Jannes tinha a personalidade parecida quando eram mais novos e, apesar dos pais mais rigorosos do loiro, Lorenzo era um dos primeiros a o apoiar em qualquer coisa que quisesse fazer "Realmente, tenho certeza que é o mais rápido depois do que vi." comenta em um tom divertido, jogando um olhar para o homem que compartilhou momentos na infância "seu pai também era, acredita?". Tentou apenas afirmar com a cabeça em concordância da possível lição de moral que a criança deveria aprender daquilo mas acabou deixando escapar uma gargalhada com a combinação do beijo que ganhou, a expressão que Jan colocou no rosto e o comentário de criança "tudo bem, mas toma cuidado da próxima vez, talvez a próxima coisa que te pegue não seja tão macia ok?" fala com ele após finalmente consegui parar de rir, as bochechas doendo com o quanto havia sorrido após tanto tempo sem isso. Por fim, ajeitou a postura, bagunçando os fios do pequeno "obrigado vocês dois, fazia um tempo que eu não ria assim."
a comparação com o pai pareceu animar o ruivinho que começou a saltitar contente mas o adulto suspirou pesadamente. "bem, obrigado. agora ele vai usar isso de desculpas pra correr pra todo canto." o lamento era apenas para dramatizar e arrancar uma risada do filho, coisa que funcionou. "sim, como o poste de semana passada. não sei como não abriu a testa." contou, estremecendo levemente com a lembrança. o garoto provavelmente também tinha tdah então não havia como jannes culpá-lo por toda aquela energia; crianças já eram energéticas, tendo isso então? ele bem sabia que às vezes era difícil de controlar, quanto mais o pequeno de apenas quatro anos? "não tá feliz aqui? posso te mostrar meus legos! eles me deixam feliz." carlito ofereceu, se inclinando para abraçar as pernas de lorenzo. o menino era empático apesar da pouca idade. "mudanças não são fáceis, carlito. são cansativos, lorenzo pode estar cansado." tentou dar uma saída ao outro. "e monteluna não tem muita coisa pra animar, não é?" não podia deixar de alfinetar, mesmo que superficialmente. perder o amigo de infância para uma mudança foi algo ruim, deixava para trás uma cicatriz que não desaparecia com o tempo.
Felippo soltou uma risada abafada, daquelas que saem pelo nariz, enquanto ajeitava a ultima estatua no lugar. Ele virou-se devagar, como quem aproveita cada milésimo de segundo daquele olhar, antes de se aproximar e apoiar as mãos no balcão, bem em frente a Jannes. "Bonzinho, é?" repetiu, com a voz um tom mais baixo, mais carregada, como se saboreando o desafio "Amor... você tá me pedindo pra ser uma coisa que eu nunca fui. E justamente agora?" Os olhos dele deslizaram devagar pelo rosto do outro, depois para os ombros e dava para ver que ele não o via ali e sim quando estivesse deitado ao seu lado completamente despido. Lippo deu a volta no balcão parando a poucos centímetros de distância e passando a lingua nos lábios ele continuou "Eu faço tudo certo, tutto, porque sei exatamente o que quero no fim da noite." Seus dedos tocaram brevemente o tecido da manga do outro, ajeitando cuidadosamente o tecido só pra ter o gosto do contato. "E vou ser sincero contigo, cuore mio, se você continuar me olhando desse jeito, vou subir contigo nem que seja carregado nas costas." ameaçou com um sorriso de quem realmente faria aquilo se ele deixasse "Agora tranca aquela porta e deixe de ser a única coisa que me impede de arrancar as suas roupas"
com a cabeça tombando para o lado, jannes o observava com um sorriso. "você sabe ser bonzinho pra mim." retrucou, encolhendo os ombros. a voz era brincalhona mas tomava cuidado de manter o tom baixo pois se alguém entrasse ali, não escutaria. mas o enólogo se aproximava e o olhar do mais novo se aprofundava. era difícil focar em qualquer outra coisa quando o rapaz estava por perto, por isso ficava receoso quando ele pisava ali. "ah é? eu gosto de homens bem decididos." brincou, soltando uma risada baixa. quando ele estava perto o suficiente, jan esticou a mão para alisar a bochecha do mesmo. "não lembra que eu disse um tempo atrás que eu não consigo olhar diferente pra você?" ergueu as sobrancelhas, o sorriso se tornando travesso. deixou o corpo pender para frente para encostar a testa no ombro alheio, lip era poucos centímetros mais alto que ele afinal. "okay, okay, você venceu. vamos fechar, já está quase na hora mesmo não vai fazer diferença." ergueu a cabeça e beijou-lhe a bochecha, um pouco perto demais dos lábios para não ser intencional. "vai subindo, aproveita e pede alguma coisa lá pra gente." pediu, tirando o celular do bolso e lhe entregando. "eu já chego." prometeu. por sorte dentro da loja tinha uma escada que levava direto para sua casa, era mais fácil assim para si quando queria tê-lo consigo. seguiu então com a rotina de fechar o caixa e logo em seguida trancar as janelas e a porta, todas as luzes sendo desligadas antes que pudesse finalmente subir. seus pés doíam, o estômago estava vazio demais e já sentia uma pontinha de dor de cabeça por isso; mas a ideia de conseguir relaxar e aproveitar a companhia de felippo era o suficiente para lhe dar forças para que subisse aqueles degraus.
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Como toda vez que Chiara ganhava seu salário, desceu de sua bicicleta rosa na frente de um de seus lugares favoritos da cidade: o antiquário da família Rizzi. Com um sorriso leve no rosto, entrou na loja quase saltitante para parar na frente de Jannes e o entregar os biscoitos que havia comprado no caminho ao se lembrar que Carlos gostava daqueles "Bom dia Jan! Advinha quem recebeu hoje." o tom divertido da mulher era quase atípico para todos da cidade menos aquele ali presente. Se virou para ir atrás de mais broches para sua coleção, como um vermelho que usava agora no blazer rosa que era um de seus favoritos "você não vai acreditar no que me disseram esses dias, você acredita que aquela mulher que mora na casa azul tava toda toda pra cima de um dos novos moradores?" compartilha a fofoca que havia ouvido mais cedo no trabalho, um sorriso travesso nos lábios ao achar um broche que combinava com seus gostos. "e levou logo um fora, acho que tudo é pouco pra essa baranga homofóbica, nunca vou esquecer aquela vez que ela gritou pra cidade toda que eu tinha acabado com a vida da filha dela."
o sininho na porta sempre fazia jannes se animar. a espera por clientes agora tinha se tornado menos demorada desde que os novos moradores passaram a chegar na cidade. jannes sorria para quem entrava mas aumentava ainda mais esse sorriso quando viu que era chiara. a destra subiu para ajeitar os óculos que escorregaram no nariz e já ia aceitando os biscoitos. "considerando que parece que esse alguém já está mimando o carlito, acho que sei quem é." brincou ao ver o lanche favorito do filho. "obrigado, ele vai adorar quando chegar da escola." sempre sentia o peito se aquecer quando os amigos lembravam de algo que o filho gostava e chiara fazia isso de maneira tão genuína e espontânea todas as vezes. "sério? que cara de pau! o pessoal acabou de chegar!" surpreendia-se com a facilidade que as pessoas tinham de ir atrás de outras, ele mesmo era lento demais nisso. "espero que ela tenha sido ridicularizada em público com essa merda dela. todo karma é pouco pra essa maldita." reclamou também. "como que você soube?"
“É, tá certo... eu nunca diria não,” repetiu, como se estivesse provando o gosto das palavras na boca. “Principalmente quando você fala com essa voz de quem quer um beijo...” Sentiu as mãos de Jannes nos próprios quadris e mordeu o canto da boca, lutando contra o impulso automático de puxá-lo mais perto. Mas ele só deixou-se ser guiado para onde ele queria ouvindo as instruções com atenção “Estátuas. Mesa da coruja. Sem distrações. Recebido e registrado, capitão Rizzi.” Só que o toque e o beijo na nuca era covardia. Lip quase suspirou, teatral, antes de revirar os olhos com exagero balançando a cabeça para tirar os pensamentos impuros que tinham se apossado de toda sua imaginação “Você sabe exatamente o que tá fazendo comigo, né?” disse, já se afastando com passos largos e lentos, dramático como sempre. Ele parou na porta, virou-se de lado e piscou com deboche. “Mas só porque você disse que tá com fome. E eu tenho intenções muito claras de alimentar esse apetite... mais tarde.” E sumiu pela porta, rindo sozinho, fingindo que era só pelas estátuas. Eram até que pesadinhas, mas nada como uma promessa de um date com o homem que gostava para incentivá-lo a arregaçar as mangas e colocar os músculos para jogo. Uma a uma elas foram sendo colocadas de volta na loja "Por Deus, espero que você tenha pensado em me recompensar muito bem por esse trabalho."
"ah e eu quero. mas em casa." apontou para cima indicando a própria casa acima da loja. odiava a sensação de estar sendo vigiado dentro do antiquário. sabia que não havia câmeras ali na parte de dentro e que estavam sozinhos, mas ainda não conseguia relaxar. mesmo que brincasse com o mais velho e o provocasse, jannes não perdia a tensão; parecia quase como se esperasse o pai ou os irmãos entrarem ali a qualquer segundo. "eu não sei do que você está falando." fingiu-se de inocente, sorriso meio contido na tentativa de combinar com as palavras mas a risada baixa lhe traindo. "pulei o almoço sem querer então realmente vamos jantar antes de tudo. as coisas ficaram animadas aqui hoje." o que era uma novidade, algo tão inédito que esqueceu-se da pausa. estava exausto e com fome, teve sorte de felippo chegar ali para o confiscar na ajuda para fechar a loja porque tudo o que desejava era subir para descansar um pouco depois do dia corrido. tinha pego de propósito a parte mais leve das tarefas ali por isso rapidamente guardou tudo separado, concluído com facilidade para que pudesse se apoiar no balcão e observar o outro terminando a parte dele. não podia negar que era uma bela cena, os braços fortes do enólogo lhe distraiam. "se você for bonzinho e fizer tudo certo, acho que posso pensar em algumas formas de agradecimento."
Andar pelas ruas da cidade sempre traziam um sentimento de nostalgia e inspiração para Lorenzo, era onde você poderia o encontrar após algum dia ruim como era o caso de hoje. Os fones de ouvido que usava não foram o suficiente para abafar a risada sapeca da criança que quase foi de cara com suas pernas, e após uma quase queda da parte do mais velho e várias risadas de Carlo, finalmente conseguiu se agachar para falar com ele "Oi Carlito, tá aprontando de novo?" a voz pacífica e divertida que usa faz com que o outro responda apenas com um sorriso, ambos virando o olhar para o pai da criança que chega correndo também após apenas alguns segundos "ele tá ficando cada vez mais rápido, acho que deviam tentar algum esporte depois..." comenta risonho com a situação de Jannes, tinha que admitir que agradecia muito pelo pequeno por deixar a situação entre os dois menos entranhas de vez em quando.
a facilidade com a qual carlito escapava do pai deveria ser vergonhosa. a criança tinha uma energia que rivalizava com a do próprio jannes que já era meio disperso no quesito atenção; quando na idade dele, o loiro era da mesma forma e parecia que o ruivinho vinha para lhe mostrar o trabalho que deu para os pais. ao contrário dos seus pais, no entanto, jannes não brigava com o filho por isso. o incentivava. e isso acabava com os dois correndo pelas ruas de monteluna, os gritos animados se dissolvendo em risadas. antes que pudesse fazê-lo parar para não bater em alguém, isso aconteceu. e justamente em lorenzo. para seu desespero, a criança não tinha um pingo de hesitação em se atirar no outro, aproveitando até que ele estava agachado para o abraçar. "eu sou o mais rápido da minha turma!" carlo alegou com orgulho. "é, tem razão, talvez um esporte de correr o faça gastar a energia na escola ao invés de me fazer sair por aí correndo feito um louco." era uma boa ideia, não dava para negar. "mas atropelar as pessoas não é legal, é?" tentou fazer a criança perceber o erro, mas o máximo que conseguiu foi vê-lo apertar um beijo na bochecha do antigo amigo do pai, completamente alheio a estranheza que os adultos enfrentavam. "desculpe, enzo. não dava pra parar! mas você me pegou!"
"Realmente, seria um terror um vinho tão caro caindo nesse carpete velho" a carinha de desgosto do homem não era nem um pouco discreta, até porque era uma completa brincadeira. Felippo deixou escapar um suspiro dramático, levando a mão ao peito como se o beijo rápido tivesse sido um golpe fatal. O sorriso dele se abriu ainda mais, preguiçoso e cheio de malícia. "Com um pagamento desses... como é que eu poderia dizer não?" provocou, a voz rouca de diversão. Ele se endireitou, pegando a sacola com mais cuidado as deixando em um lugar seguro antes de contornar o balcão e parar ao lado do homem "Prometo ser um santo aqui em baixo..." soltou obediente só na teoria, porque não resistiu a roçar de leve a mão na cintura de Jannes ao passar por ele, como quem "sem querer" esbarrava. Sabia do perigo que corriam, a cidade não era lá muito progressista, mas diferente do homem ao seu lado ele estava bem mais tranquilo com a própria sexualidade. "Agora anda, me diz o que eu tenho que fazer antes que eu tenha ideias que definitivamente vão fazer a gente ser pego." ele tirou o casaco que vestia, deixando sobre o balcão e arregaçou as mangas. Querendo ou não a ideia de um momento a sós lhe agradava bastante.
a risada de jannes era algo raro ali dentro da loja, se carlo não estivesse presente, dificilmente aquelas paredes velhas conseguiram presenciar o filho do meio dos rizzi se divertindo com algo. agora, porém, com felippo, o loiro não segurou o riso diante das brincadeiras alheias. "você nunca diria não." a segurança banhava suas palavras porque disso tinha certeza. e outra coisa que tinha convicção também era que o nome do outro e santo não combinavam bem juntos na mesma frase. ele provava isso com o toque discreto em seu quadril, fazendo-lhe ter que resistir ao reflexo de se inclinar na direção do toque. "é só pensar que quanto mais se comportar, mais rápido vamos terminar pra subir." argumentou, mesmo que até ele parecesse bambear com as palavras. foi então a sua vez de deixar as mãos descansarem nos quadris dele, mas seu toque não se afastando pois usava o contato para os guiar para fora do balcão. "você vai guardar todas as estátuas lá de fora enquanto eu separo os relógios aqui. traga pra dentro e coloca naquela mesa perto do relógio de coruja." fez um sinal com a cabeça indicando a mesa onde as estátuas podiam ser deixadas e aproveitou para se inclinar rapidamente, beijando a nuca alheia. "vamos, vamos. eu estou com fome!"
a pergunta do rapaz pouco mais a sua frente fez com que nicolas o encarasse com um sorriso costumeiro — por mais que ainda não fosse de seu conhecimento o fato do loiro ter tais comportamentos padrões. ele entendia o estranhamento (afinal, se fosse um morador antigo também estaria um pouco desconfiado) mas, familiarizado com a quantidade de vizinhas mais velhas que tinha e que desde que chegara solicitavam constantemente sua ajuda pra tantas coisas, emprestar a força pra um desconhecido na cidade era o menos dificultoso trabalho. "não tem problema. passar por essa primeira desconfiança deve ser o destino de todo recém-chegado nessa cidade. ainda mais estrangeiro."
riu soprado, apressando-se para segurar o outro lado da enorme caixa. "bem, apesar de eu achar bastante ordinário da parte dele deixar você fazer todo o trabalho pesado, pelo menos posso te ajudar pela próxima uma hora. depois disso, começa meu turno." fazendo um pouco mais de força junto ao rapaz para que elevassem mais a caixa, passaram pela porta sem mais dificuldades. "a propósito, eu sou nicolas. trabalho no piccola luna. não é muito longe daqui."
"da minha parte pode ficar tranquilo que eu estou adorado toda essa gente nova." garantiu. até onde sabia, não era mesmo todo mundo que estava feliz com aquela mudança, mas jannes? ele via naquela situação uma chance de fazer o antiquário se recuperar do vermelho. "só não sou acostumado a lidar com novos conhecidos... então não é pessoal." tentou explicar o pé atrás que tinha com tamanha gentileza. com mais força para conseguir levantar a caixa, agradeceu mensalmente a ajuda extra para que pudesse acabar logo com aquela tarefa. queria mesmo era um bom vinho agora. "sim, e com certeza ele fez de propósito, o que deixa ainda pior." se queixou mas acabou soltando uma risada baixa pois já estava acostumado com o irmão dando sumiços daquela forma. "próxima hora? saiba que eu vou te alugar realmente então. alguma chance de saber montar móveis?" o sorriso que o loiro abriu foi mais simpático, tentaria deixar de lado toda a desconfiança pelo novo conhecido. com a caixa passando para dentro, os guiou para onde estava deixando as outras madeiras empacotadas. "é um prazer, nicolas. eu sou jannes, minha família é dona desse antiquário aqui." estendeu a mão para oferecer um cumprimento, estava devendo ali na questão educação já que nem sabia antes o nome do outro e o tinha emboscado para uma ajuda. "ah! se eu não tivesse tão ocupado, você com certeza já estaria cansado da minha cara. aquele lugar é quase minha segunda casa."
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Sentiu o pai bater a porta atrás de si, gerando um barulho típico que ecoou dentro do antiquário, deixando Samuel parado sem reação, puxando todo o ar que pôde para dentro dos pulmões e soltando lentamente. Seus olhos azuis buscaram qualquer objeto no cômodo, por sorte seu irmão mexia em um relógio de bolso que estava ali para concerto há alguns dias, então direcionou toda sua atenção para os movimentos delicados de Jannes, até que o mesmo repetiu a frase do pai, questionando-o sobre o significado da mesma. Sam bufou, brevemente fechando os olhos para encontrar a paciência que não tinha. — Não sei. — Inicialmente mentiu, mas em sua mente existiam inúmeras opções para o mais velho ter dito aquilo, quem sabe Jannes poderia escolher uma se contasse todas, pois não existia um momento que não sentia a decepção dos pais, desde os dez minutos que chegou atrasado até o fato de estar com outro homem em sua cama. — Sei lá, talvez por eu abrir a loja dez minutos atrasado hoje de manhã. — Concertou, confessando o menor de seus pecados.
sentia-se como uma criança quando o pai começava a agir daquela forma. a bronca nem era consigo, mas jannes ficava sem respirar até que tudo passasse. os olhos claros desviavam para o relógio, mexendo nervosamente no objeto. "como se dez minutos a mais ou a menos fizesse diferença aqui." entortou a boca, a postura ainda não tão confortável. odiava a forma como os pais conseguiam tratar os filhos, às vezes preferia a indiferença. "isso foi uma merda. até quando ele vai continuar agindo dessa forma? a gente já está cuidando da loja, o que diabos mais ele quer?" reclamou, erguendo de volta o olhar para o irmão mais velho. pelo menos cael não estava ali para presenciar aquilo ou então receber nas costas também.
"Uau. É assim que você me recebe agora? Um merda Lip? Que romântico" brincou com aquele sorriso sacana que só ele sabia fazer, encostado preguiçosamente na lateral do balcão. O homem já tinha olhado em volta quando entrara para ver se tinha alguém no local, qualquer um que pudesse acabar com a intimidade que a muito custo tinha conseguido. "Vim te salvar desse tédio mortal antes que você virasse parte do estoque. Podia me agradecer um pouquinho não?" nisso levantou a sacola para que pudesse ser vista por cima do balcão e se inclinando um pouco pra frente, como se estivesse conspirando alguma travessura. "Vamos Jan, trouxe vinho, duas taças...Fecha essa loja, Jan. Ou finge que fechou. Hoje você vai ter uma aula particular sobre como esquecer segunda-feira." Felippo piscou para ele de forma descarada continuando, dessa vez muito mais baixo e provocativo "Ou você prefere continuar de joelhos atrás do balcão?"
"você me assustou, queria o quê?" retrucou, revirando os olhos. como parecia impossível para si não devolver o sorriso todas as vezes que via felippo abrindo aquela expressão, jannes nem tentou esconder o esticar dos lábios. "não vamos beber aqui, se esse vinho derrama, meu pai me mata." se havia algo que nunca recusaria, era vinho. e o outro bem sabia disso. mas também não havia chances de fazê-lo ir embora, a companhia alheia sempre seria bem quista para o rizzi. "se você me ajudar a guardar as coisas lá de fora, eu consigo fechar mais rápido e a gente pode subir." declarou, erguendo as sobrancelhas ao lançar a sugestão. não devia fechar a loja ainda, mas faltava menos de meia hora para o fim do expediente e não havia como o pai descobrir... certo? "nada de distrações aqui, meus irmãos podem entrar ou sei lá, meu pai." estremeceu só de pensar na cena. se pudesse evitar que o pai descobrisse mais sobre sua vida pessoal, o faria. sempre. aproveitando do inclinar alheio, jannes encurtou a distância para deixar um beijo rápido no lábios macios do rapaz; o balcão atrapalhava os dois e ainda bem, já que as portas de vidro lhe intimidavam. "vai me ajudar a guardar tudo?" questionou. "depois podemos pedir algo pra jantar e subir pra esperar. algo que combine com seu vinho."