Nunca na vida escrevi sobre ele. Já escrevi sobre coisas e pessoas que passaram por aqui brevemente, durante meio segundo. Mas ele, está aqui tem um tempo, já... e por incrível que pareça, nunca dirigi nem sequer um “ai” a respeito dele nesse emaranhado aqui. Se bem que... vou falar o quê? Já perdi a conta de quantas vezes perdi a fala diante dele (e a cabeça também, e provavelmente o coração). Como eu vou falar que ele é incrível se nem ele sabe disso? Como eu vou falar que por mais que o queira perto, continuo deixando-o ir? E cada vez que ele vai, dói. Ele diz que não liga. Que sempre tá nem aí. “Que nem ferro, Raissa. Se ligar, não esquenta. E se esquentar, não queima.” Como é que eu falo pra uma pessoa dessas que ele me queimou? Simples... não falo. Não falei. Então ele se esvai, me esquece... não que ele lembre muito de mim. A única coisa que falei pra ele, e não me arrependo, foi: “Eu fiquei curiosa sobre você... e aí nesse meio tempo, acontecem três coisas: a primeira é que eu tenho vontade de bater sua cabeça na parede porque tu é muito cabeça dura. A segunda é a de que eu tenho vontade de te pegar e falar que vai ficar tudo bem porque tu é só um menino. E a terceira é que tu me dá um tesão do caralho. Aí eu fico assim.” Mas eu o deixei ir. Ele deixou-se ir. Eu só queria que ele soubesse que ele poderia ficar, se quisesse.
R.N



















