actually stop i don't think i can be normal about this

oozey mess
Not today Justin
trying on a metaphor
ojovivo
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH

祝日 / Permanent Vacation
NASA
taylor price


tannertan36

Origami Around


if i look back, i am lost
occasionally subtle
Sweet Seals For You, Always
hello vonnie
Lint Roller? I Barely Know Her
we're not kids anymore.
Sade Olutola
AnasAbdin

seen from Vietnam

seen from India
seen from United States

seen from Singapore
seen from Pakistan

seen from Australia

seen from Kyrgyzstan
seen from United States

seen from United States

seen from United Kingdom
seen from United States
seen from Italy

seen from United States

seen from United Kingdom
seen from Ireland

seen from United Kingdom

seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
@intrin-seca
actually stop i don't think i can be normal about this

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
Taehyung pensou que poderia muito bem se acostumar com aquilo.
O mogno escuro combinava perfeitamente com o branco sóbrio nos estofados dos assentos confortáveis dentro do jato. Havia um grande sofá de couro numa das laterais e doze poltronas individuais.
- Isso sim é luxo de verdade! - Exclamou Jin enquanto passava por ele e tomava uma das poltronas, retirando as botas pretas e apoiando as pernas num descanso. O mais velho jogou o corpo contra o assento e fechou os olhos, com um enorme sorriso de orelha a orelha. - Ninguém nunca me tirará de dentro desse jato.
- Bang PD vai te arrancar a força daqui quando ver o valor do combustível. - Disse o Namjoon enquanto também passava por Taehyung e tomava uma das poltronas próximo a Jin.
O líder estava certo. Para a felicidade do grupo - e para a infelicidade da Big Hit - o voo marcado para a volta deles do Japão para a Coreia do Sul havia sido cancelado e eles possuíam atividades impossíveis de serem remarcadas das quais não poderiam chegar a tempo se esperassem pelo próximo voo comercial. Felizmente havia um jato para frete disponível. Jato esse que cabia exatamente os sete e mais alguns dos staffs que estavam com eles.
- Não é como se o dinheiro pra pagar essa belezura não viesse do nosso trabalho… - Disse Jin ainda de olhos fechados respirando fundo o aroma fresco de sândalo que invadia o ambiente.
Taehyung pensou em abrir a boca para comentar sobre a possibilidade daquele único voo de 3h entre Tóquio e Seoul ser provavelmente o dobro do valor total que gastariam em um voo comercial para a América, mas sentiu duas mãos tocando a sua cintura por trás ao mesmo tempo que o perfume floral e sofisticado de Jimin tomou suas narinas.
- Porque está parado no meio do caminho? - O mais velho perguntou a um distância segura. Haviam alguns funcionários da empresa de frete aéreo ao redor e eles precisavam manter as aparencias.
- Tava esperando você para ver onde quer sentar. - Taehyung respondeu enquanto virava-se lentamente para Jimin. O cabelo descolorido caía em uma onda sútil sobre a testa do mais velho e a raiz escura o deixava mais sexy ainda, se é que isso era possível. Mas as feições de Jimin estavam cansadas. Um pequeno vinco entre as sobrancelhas e a pele um pouco mais oleosa que o normal, resultado de dois dias sem ter tempo para absoluto nada, inclusive dormir.
- Pode ser lá atrás. - Jimin indicou mais a fundo do jato, numa segunda sala onde havia o que parecia ter duas poltronas lado a lado.
Taehyung andou até aquele segundo cômodo, jogando seus pertences sobre uma das mesas. Ele sentou na poltrona próxima a janela e Jimin literalmente jogou todo o peso de seu corpo sobre o assento logo ao lado.
Enquanto eles se ajeitavam em seus lugares, Jungkook tomou o lugar logo a frente dos dois, Yoongi também seguiu para aquele cômodo, mas sentou-se numa das poltronas individuais e Taehyung acredita que ele já estava dormindo antes mesmo de ter se sentado no lugar. Hoseok sentou-se junto com Jin e Namjoon, com um tablet em mãos absorto em algo que escrevia ali.
Alguns dos staffs também sentaram-se na parte da frente junto com os mais velho, exceto por um que havia sentado junto com Jungkook enquanto eles conversavam sobre videogame. Mujin fazia parte do pequeno grupo de confiança deles, então Taehyung relaxou mesmo com a presença dele ali.
Uma aeromoça veio até eles e explicou todo o procedimento padrão do início de voo. Eles prenderam seus cintos e pediram por algumas bebidas, mas não pediram nada de comida pois haviam jantado antes de saírem do hotel. Ela sumiu num compartimento na frente da aeronave depois que todos estavam com suas bebidas e assim que o jato já estava no ar, todos sentiram-se mais confortáveis.
Taehyung puxou o braço que dividia o seu assento e o de Jimin e aproximou-se um pouco do mais velho, alongando os músculos cansados dos seus braços logo acima dos ombros do outro. Jimin por sua vez recostou a cabeça no ombro dele e repousou uma das mãos na parte baixa de sua coxa.
Ele estava relaxados e a vontade, coisa que ultimamente estava sendo bem dificil.
- Você está bem? - Taehyung conhecia bem Jimin, talvez melhor do que a si mesmo. Sabia quando ele estava inquieto e incomodado com algo pois ele contraia os dedos dos pés e estalava as articulações do pescoço o tempo todo. Ele também não parava quieto e aquilo deixava o mais novo levemente afetado, principalmente por querer dar um fim a o que quer que incomodasse o outro.
- Tudo ok. - Jimin se resumiu a dizer, mas aquilo não cessava sua preocupação.
- Não vejo a hora de chegar em casa. - Ele disse enquanto usava a mão esquerda para puxar o corpo de Jimin para mais próximo de si. A bochecha de Jimin pressionava contra a parte do peito logo abaixo da clavícula, provavelmente sentido cada batimento cardíaco do mais novo contra sua pele. - Preciso de um banho demorado urgentemente. Estou fedendo.
- Não acho. - Jimin virou um pouco o rosto e pressionou o nariz contra a blusa branca de botões que Taehyung havia vestido antes de deixar o hotel. Ele até tinha tomado um banho rápido, mas não se sentia limpo o suficiente se não ficasse ao menos dez minutos de baixo da água corrente e passasse um bom hidratante depois. - Amo seu cheiro.
Taehyung levantou o olhar até Jungkook e Mujin, que conversavam entretidos sem prestar a mínima atenção ao pequeno mundinho particular dos dois. Com isso ele sorriu para as palavras doces na voz baixa e aveludada de Jimin e deixou sua mão descer um pouco pelo braço do mais velho.
- Estou com cheiro de suor. - Eles estavam em novembro e por mais que o clima parecesse bem frio lá fora na neve, eles tinham esperado por mais de duas horas dentro do aeroporto. Aquilo o tinha feito suar um pouco.
- Gosto quando você cheira a suor… - A mão de Jimin que repousava na perna de Taehyung num local inocente entre a parte de cima do joelho se moveu alguns centímetros pra cima, se aproximando de um local bem perigoso. Felizmente havia uma mesa de mogno a frente deles, escondendo a movimentação que acontecia ali de olhares de fora. - Principalmente depois do sexo.
- Jimin. - O tom na voz de Taehyung era de aviso, mas não parecia o suficiente para parar o mais velho. Pelo contrário, ele virou a cabeça e olhou nos olhos dele. Por baixo dos lindos cílios escuros os olhos castanhos brilhavam com uma intensidade fora do normal. - Podem ouvir.
- Eu não disse nada. - O sorriso era pequeno mas ele valia tanto quanto um dos grandes sorrisos de Jimin. Eram vários os tipos, um para cada momento e cada ocasião, mas aquele em específico era do tipo que ele reservava apenas para momentos de intimidade. Era um sorriso provocador, mas no fundo ele explodia de intensidade e da paixão que eles compartilhavam. - Ah, Tae-ssi, você não pode me culpar.
E ele sabia muito bem do que o outro falava. Estávamos explodindo de tensão e tesão a vários dias, desde o dia anterior de embarcarem para o Japão. Eles já estavam acostumados com a agenda apertada e a correria incansável dos ensaios, shows, viagens e compromissos, mas sempre tiravam um tempo para relaxarem juntos. De certa forma era a maneira de liberarem a tensão. Enquanto alguns dos meninos praticavam esportes ou jogavam em seus tempos livres, os dois transavam como coelhos.
Facilitava a vida que estivessem sempre juntos, pois as vezes bastava um olhar para que se apertassem em algum canto do camarim para aliviarem a tensão. As vezes eram apenas alguns beijos afoitos e mãos bobas dentro das calças um do outro. Outras vezes eram fodas rápidas e desajeitadas contra o lavatório de algum banheiro apertado. Ou então invasões noturnas em quartos de hotéis para apenas dormirem juntos e abraçados.
Mas no final das contas, por incrível que parecesse, eles eram apenas um casal normal. Duas pessoas apaixonadas que precisavam da companhia um do outro para que pudessem relaxar totalmente em meio aquele caos de suas vidas. Tinham a sorte de ter encontrado um no outro as coisas mais importantes de tudo.
Muitas pessoas levavam a vida inteira para encontrar a sua alma gêmea. Aquela pessoa com a qual compartilhavam tudo, com a qual se sentiam felizes e completos. Aquela pessoa que se chamavam de casa.
Porque era para Jimin que Taehyung sempre corria. Quando ele sentia-se prestes a desistir e precisava recarregar a própria energia, quando seus músculos e ossos precisavam descansar de uma semana exaustiva, quando seu coração apertava de saudade da família ou de preocupação com o futuro… Corria para Jimin também quando sentia-se feliz e completo. Quando transbordava de amor vindo de seus fãs ou quando conquistavam alguma meta do grupo.
Seu coração estava soldado ao de Jimin de uma forma que apenas quando estavam juntos que sentia-se verdadeiramente feliz.
E por esse motivo que Jimin não era o único que parecia explodir de intensidade naquele momento. Ambos estavam com saudade, desesperados por apenas estarem um pouco juntos depois de cinco dias inteiros sem poder compartilhar nem ao menos um beijo casto, já que estavam sendo vigiados quase 24h por dia.
- Eu nunca culparia você por isso, bebê. Também estou enlouquecendo aqui. - Ele alisou o braço de Jimin sobre o moletom preto que ele usava. - Depois das gravações vamos direto pra casa, ok?
- Porque precisamos esperar todo esse tempo?
Taehyung franziu a testa e mais uma vez olhou para o resto do grupo que estavam distraídos em suas próprias coisas. Todos os membros sabiam do relacionamento dos dois e os apoiavam interminavelmente. Não eram só cúmplices desse amor e carinho, mas também ajudavam a manter os olhos e ouvidos externos bem longe do namoro dos dois, ajudando a manter a bolha deles intacta.
Mas por mais que todos achassem fofo os carinhos e declarações, eles mantinham os momentos mais quentes o mais privado possível, por mais que as vezes não pudessem evitar algumas mãos bobas em frente aos meninos.
- O que você quer dizer com isso? - A mão de Jimin subiu mais alguns centímetros e agora brincava com a parte de baixo das boxers de Taehyung por cima de suas calcas. O polegar dele roçava levemente sobre uma parte sensível na parte interna de sua coxa e ele sentia que a qualquer momento poderia começar a perder o pouco de sanidade que ainda mantinha.
- Você não ouviu o que a aeromoça disse? - Taehyung franziu o cenho e o sorriso de Jimin aumentou. - Sobre a cama no outro cômodo.
Taehyung lembro então da aeromoça ter comentado algo sobre haver um outro cômodo mais privado ao fundo no jato com uma pequena cama para que pudessem dormir caso necessário.
- Você tá brincando, né?
- Eu sempre quis fazer sexo num avião.
Taehyung mordeu o lábio com força e virou o rosto para a janelinha a sua direita. Lá fora, as poucas nuvens se formavam a baixo deles e acima do mar do Japão. O frio que provavelmente deveriam estar sentindo por estarem a 12km de altitude durante o início do inverno estava totalmente tomado pelo calor que emanava do corpo de Jimin colado ao seu.
Sua voz baixa e rouca a centímetros de seu ouvido enquanto sua respiração pesada batia contra a nuca de Taehyung e fazia todos os pelos arrepiarem.
- Você tá me provocando. - Taehyung fechou os olhos e só deixou as sensações maravilhosas tomarem conta de si. O calor, a mão alcançando agora o zíper da calça, a respiração quente…
- Queria estar fodendo você.
Isso foi o suficiente para acabar com os resquícios de sanidade restantes em Taehyung. Ele afastou Jimin com cuidado e levantou da poltrona, puxando o mais velho consigo. Mas assim que a aeromoça surgiu na porta do cômodo, a contragosto, os dois se afastaram alguns centímetros. - Com licença, onde fica o quarto que você mencionou? Queremos tirar um cochilo, mas poltronas é meio difícil.
A aeromoça sorrindo desviou o olhar para Jimin que fingiu um bocejo bem na hora, o que quase arrancou uma risada de Taehyung.
- Vocês acharam as poltronas desconfortáveis? Garanto que as do outro cômodo são melhores.
- Ah não é isso. - Jimin exclamou. - Não conseguimos dormir com nenhuma luz. Precisa ser tudo completamente escuro.
A fala chamou a atenção de Jungkook que parecia pronto para falar algo, mas engoliu suas palavras quando Taehyung o lançou o olhar mais fulminante de todos. “Diga algo e você será um homem morto”.
- Entendo completamente. - Disse a aeromoça. - Por favor, me sigam.
Jimin pegou sua bolsa e os dois seguiram a aeromoça em direção ao fundo a aeronave. Depois das instalações dos banheiros e um pequeno cômodo que parecia um escritório havia um porta. - Tenham um bom descanso.
Quando ela virou as costas, Jimin imediatamente puxou Taehyung pela mão e entrou no quarto. Era um espaço relativamente pequeno, na parte mais ao fundo da aeronave. A cama parecia um pouco menor do que uma de casal, mas era mais do suficiente.
Taehyung
Cento e quinze milhões de mortos.
Na verdade, isso é só uma estimativa. É difícil ter certeza quantos desses foram mortos pelo vírus ou por outros meios. Mas a questão é que tudo começou de uma forma muito simples. Uma faísca inofensiva no outro lado do mundo.
Lembro perfeitamente da primeira vez que ouvi falar sobre o vírus. Fiquei levemente instigada pela ironia do nome "aconito" referenciando uma flor linda, porém venenosa, mesmo ela não tendo nada a ver com aquela praga.
A primeira vez que o vírus surgiu foi numa província da China. Não demorou mais do que um mês para matar milhares e, mesmo o país inteiro sob quarentena, se espalhar pelo resto do mundo.
No início, era como se não passasse de um filme. Na rua, as pessoas ignoravam o vírus mortal que se espalhava e falavam: "temos coisas mais importantes para nós preocupar do que um vírus que está lá na China". Não que fosse mentira os nossos problemas, porque eles realmente existiam. Nosso país estava no meio de uma guerra fria interna.
Éramos presididos por um ser completamente insano. Lembro-me das pessoas que eram a favor de seu governo conservador e assassino. Lembro-me dos escândalos de corrupção, do fanatismo político de direita, do genocídio e feminicídio diário.
Porém isso é, felizmente, passado. Entretanto, nosso presente é mais assustador do que isso parecia na época. Aquela realidade que parecia um pré-apocalipse havia se tornado de fato um.
Tudo isso começou a um ano e cinco meses atrás, em dezembro de 2019. Não parece muito, mas cada dia concluído com vida parece um novo ano. Mas foi no abril seguinte que o colapso iniciou.
A China já havia atingido seu ápice; na Itália, já não contabilizavam mais os mortos; Estados Unidos entrava em colapso; e no meio disso tudo, o Brasil se recusava a acreditar na pandemia. Pessoas ignoravam os avisos das Organizações Mundiais, diziam que era tudo mentira e que não passava de uma manobra esquerdista para tomar o país. O povo foi pego pela armadilha invisível de um vírus.
Foi assim que nosso país entrou em um colapso completamente sem precedentes. Dia 17 de março foi anunciada a primeira morte. Um mês depois, já tínhamos mil mortos. Dois meses depois, alcançamos a marca de dez mil mortos. E junto, a morte do nosso sistema. Foi o início do surto.
Nosso sistema de telecomunicações caiu. O Brasil já não possuía mais contato com nada e nem ninguém fora dele. Nosso presidente estava morto, assim como seu vice e não era possível saber se havia sido o vírus ou outra coisa que havia os matado. Mas a questão principal era que o medo havia se tornado o personagem principal do dia a dia.
- JIMIN! -
Num susto, Jimin abriu os olhos e encarou o teto branco de seu quarto, mas não levou nem um milésimo de segundo para virar-se para o irmão, lançando-lhe um olhar raivoso.
- Já acordei. - O mais novo gritou antes de levantar o tronco e sentar-se em sua cama. - Feliz?
- Sim. - Hoseok disse torcendo o nariz. - Você estava sonhando com ele.
Jimin ergueu uma sobrancelha em dúvida. - Como você sabe?
- Você não parava de chama-lo.
Jimin sentiu as bochechas corarem violentamente. Hoseok era seu irmão de consideração, a pessoa em que mais confiava no mundo e que o conhecia como ninguém, mas era desconfortável saber que não conseguia esconder dele nem mesmo o conteúdo de seus sonhos.
- Isso é ridículo! - O mais velho disse enquanto apoiava seu peso na porta do quarto de Jimin. - Fazem quatro anos. Você já deveria ter esquecido ele.
Jimin jogou as cobertas para longe e colocou os pés para fora da cama, sentindo o piso gelado contra a pele quente de seus pés.
- Vou me arrumar. - Disse com simplicidade.
O relógio de cabeceira marcava 7h da manhã e isso significava que ele tinha um tempo confortável para se trocar e tomar um café da manhã antes de pegar o metrô até seu trabalho no hotel. Mas ele até sairia mais cedo de casa se fosse isso o necessário para evitar aquela conversa com Hoseok.
- Já está na hora de você seguir em frente. - O irmão continuou, acompanhando-o até a porta do banheiro e recostando-se contra o batente. - Você deveria sair com alguns amigos e talvez conhecer algum cara bacana.
- Não tenho cabeça para isso agora, Hobi. - Ele justificou-se, rezando para que fosse o suficiente, mas ele conhecia o irmão bem até demais. - Tenho dois empregos e muitas parcelas do empréstimo para pagar.
- Isso não passa de uma desculpa. Mesmo quando mal trabalhava meio turno naquele restaurante você saia com algum cara.
Jimin analisou seu reflexo no pequeno espelho de seu banheiro. Ultimamente ele havia percebido que sutis marcas de expressão começaram a surgir logo abaixo de seus olhos, lembrando-o constantemente que já estava se aproximando dos 29 anos. Além disso, a raiz castanha do cabelo já estavam comprida demais, destacando mais ainda o ressecado do descolorido que não cuidava a meses. Houve um tempo em que seus cabelos eram tão lindos e sedosos, mas agora estavam opacos e ressecados, provavelmente culpa da sua atual dieta composta por fastfoods e comida congelada.
- Eu também não vejo ninguém ao seu lado. - Jimin disse enquanto alcançava a escova de dentes e lambuzava um pouco de pasta.
- Posso estar solteiro, mas ao menos estou vivendo, diferente de você.
Jimin levou a mão direita até o peito e encarou o irmão. - Aparentemente meu coração esta batendo. Isso significa que estou vivo. É o suficiente...
- Não é não. - Hoseok disse se afastando e andando de um lado para o outro dentro do pequeno quarto do irmão. Eles alugavam um minúsculo apartamento num bom bairro que ficava a poucos minutos a pé do trabalho de Hobi e menos de trinta minutos de metrô do trabalho de Jimin. Se ignorasse os problemas de infiltração constante, os problemas com as baratas e os vizinhos barulhentos, podiam até mesmo dizer que vivam como reis em um apartamento no centro de Seoul. - Você não é feliz.
Jimin se conteve a revirar os olhos. Até porque o irmão não estava de todo errado. Ele realmente não era feliz.
Faziam anos que ele não sabia o que era felicidade, que não ia dormir sorrindo ou que ria até quase chorar. Anos desde a ultima vez que fez algo por prazer, ou que se permitiu apenas aproveitar o momento.
Sua mente girava ao redor de suas enormes dividas. As correspondências se somavam em sua gaveta do criado mudo e era impossível não pensar nelas. As despesas mensais de aluguel, luz e agua, o empréstimo que fez para pagar a faculdade a qual não exercia a profissão, e o seu maior pesadelo, o empréstimo que fez com o hospital para pagar o tratamento de sua mãe. A divida que provavelmente pagaria até o resto de seus dias, isso se não fosse preso por não conseguir pagar antes. O tratamento que mesmo ineficaz, lhe custara 10 milhões de wons, e que em cinco anos, ele conseguira pagar menos que 500 mil.
- Eu sou feliz. - Ele mentiu para o irmão. - Tenho saúde e tenho você. Não preciso de mais nada.
- Não sou tolo, Jimin. - Hoseok disse encarando o irmão pelo espelho enferrujado. - Eu odeio saber que a única vez que você foi feliz depois que a mamãe morreu foi com ele.
- Hobi...
- Ele é tão mesquinho! Entrou na sua vida no seu momento mais frágil e deixou que você construísse todo um castelo em volta dele, só para poder derrubar tudo e ir embora. - Hobi gritava com a fúria queimando em seus olhos. - Ele entrou em nossa casa, dividiu a nossa mesa, bebeu com nossa família e depois foi embora sem nenhum aviso, nenhuma explicação.
- Eu sei disso, Hoseok! - Jimin gritou, tentando manter-se firme. Ele odiava lembra-se dele. Seu pobre coração frágil odiava pensar nos dias em que pulsava firmemente quando o tinha ao lado. As vezes acreditava estar ficando louco, pois sua mente parecia constantemente relembra-lo de como era estar em seus braços. Mesmo depois de quatro anos, ele conseguia lembrar o gosto de seus lábios e o toque de seus dedos calejados. Da forma como ele sentia o simples som de sua voz em cada célula nervosa de seu corpo. Jimin fora viciado naquele homem e parecia lutar contra essa crise de abstinência sem fim.
- Me desculpe. - Hobi pediu, soltando um longo suspiro. - Eu apenas o odeio. O odeio tanto que se eu o visse agora eu o esmagaria com as minhas próprias mãos.
Jimin sorriu minimamente. - Agradeço toda a sua preocupação, mas acho que seria meio difícil.
- Ah, não seria não. - O irmão disse sorrindo diabolicamente para ele. - Eu posso não ser tão alto e musculoso, mas se mexeu com a minha família, pode ter certeza que eu viro um monstro.
- Tudo bem, então. - Jimin deu os ombros e voltou para seu quarto. - Agora deixe eu me arrumar. Não sou sortudo e posso ir a pé para o trabalho.
- Um dia você chega lá, maninho.
Hoseok virou as costas e fechou a porta atrás de si, enquanto deixava o irmão mais novo sozinho.
Jimin sentou-se em sua cama e abriu a gaveta do seu criado mudo. Abaixo de sua pasta com papeis dos empréstimos tinha uma única foto. A única foto. Aquele pequeno papel fotográfico amassado e com pequenas manchas de lágrimas derramadas era a única lembrança física que mantinha dele. A única coisa que ele havia deixado antes de desaparecer.
Uma foto tirada por Hobi antes dos dois saírem para um fim de semana viajando. Taehyung estava em sua moto, vestindo sua habitual jaqueta de couro e tinha o cabelo penteado para trás enquanto olhava para longe. Já Jimin estava sentado em sua garupa, focado nele. E o olhava como se ele fosse o seu mundo, o que realmente era.
Parecia estranho pensar que aquele homem tinha sido o grande amor da vida de Jimin, mesmo que seu tempo juntos tenha sido relativamente pequeno. E sentia-se mais bobo ainda quando pensava no quão pouco sabia sobre a vida dele.
Haviam se conhecido em um bar, onde Jimin trabalhava como barmen. O homem misterioso, vestido de preto da cabeça aos pés, sentou-se um dia no canto mais distante do bar e ficou uma noite inteira em silêncio, bebendo um único copo de whisky.
Ele irradiava uma aura estranha e perigosa, mas atraia Jimin como um ímã super potente. Seus olhos não se desgrudaram por um segundo naquela primeira noite, mas não trocaram uma única palavra.
Na noite seguinte, o homem estava lá novamente. Mesmo horário. Mesma roupa. Mesmo único copo de whisky. Mesmos olhares intensos sem nenhuma conversa.
No terceiro dia, Jimin não parava de encarar a porta de entrada do bar, esperando que o homem aparecesse, mas ele não veio. Como de costume ele encerrou o trabalho, fechou o caixa e trancou o bar perto das 2h da manhã, mas quando deu o primeiro passo para a rua naquela madrugada quente, viu uma moto parada do outro lado da calçada.
Ele não precisou estreitar os olhos para saber quem era, pois os pelos de sua nuca se eriçaram da mesma maneira que havia acontecido nos dois dias anteriores. Ele não vestia a jaqueta de couro, mas sim uma camiseta preta sem estampa. Segurava um capacete enquanto o outro estava engatado no espelho da moto. Jimin não tinha a mínima ideia do nome daquele homem, mas tudo que ele queria era sentar em sua garupa e segui-lo onde ele fosse. Era como se soubesse que aquilo era inevitável. O destino tinha o achado.
- Boa noite? - Jimin se aproximou, colocando as mãos nos bolsos das calças nervosamente. - Já fechamos hoje.
- É uma pena. Eu precisava de um copo de whisky. - Sua voz era grave e sexy. Tinha um timbre bonito e mesmo a uma bela distância dava para ouvir claramente. Ele era firme e não parecia com um pingo de nervosismo. Já Jimin não podia dizer o mesmo.
- Você pode voltar amanhã. Ficarei feliz em servi-lo um copo de Yamazaki. - Era o whisky mais caro que Jimin tinha no bar e das outras duas vezes aquele homem havia pedido as doses que custavam 20 mil wons.
- Tome uma dose comigo agora. - Ele pediu, mas não parecia um pedido. Era uma ordem quase desesperada, que o fez sentir uma sensação estranha. Ele estava suando e não era por causa do clima.
- Não o conheço. Não sei o que faz e nem seu nome. - Ele usava os honoríficos, mas mais por costume do que por achar que necessitava. Não tinha ideia se aquele homem era mais velho que ele ou não.
- Precisa de todas essas informações para tomar um drink? - Uma sobrancelha se arqueou e um sorriso ladino surgiu nos lábios bonitos. - Tudo bem. Sou Taehyung. - O estranho esticou a mão na direção de Jimin e manteve-a levantada até que o mesmo se aproximasse suficiente e a segurasse.
- Jimin.
A mão grande e esbelta do outro homem estava quente sobre os dedos de Jimin. Ele era todo fogo, queimando a pele em contato. Rapidamente ele se afastou e passou suas mãos em seus jeans nervoso. O olhar de Taehyung era intimidador demais para olhar por muito tempo, então ele olhou ao redor, focando a atenção na grande moto que servia de encosto. Ela era bonita, estilosa e parecia bem cara. Muito mais cara do que qualquer outro veículo que Jimin já tivesse dirigido na vida.
- E então? - Taehyung perguntou fazendo a atenção de Jimin voltar para seus olhos castanhos. - Você vem?
Uma lágrima solitária caiu em cima da foto, molhando o papel fotográfico pelo que seria talvez a milésima vez. Jimin secou rapidamente para evitar uma mancha maior e colocou de volta na sua gaveta, escondendo-o do irmão aquele último fragmento de recordação.
Lembrar-se de Taehyung era como abrir uma caixa de Pandora dentro do seu coração. Todos os sentimentos, tanto felizes como angustiantes eram liberados e ele não tinha mais energia para lidar contra aquilo. Era doloroso como uma ferida que nunca cicatrizava.
Ele não esperava mais que Taehyung voltasse. Havia passado do tempo em que implorava para qualquer santo ou Deus que o trouxesse de volta. Sabia que já havia sido abandonado e temia até que já tivesse sido esquecido. Certa parte de seu coração quebrava-se sempre que pensava nessa situação. Por mais doloroso que fosse, preferiria que Taehyung já nem estivesse mais vivo do que tivesse esquecido dele, até porque a única maneira de Jimin esquecer daquele homem seria morto.

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
。 .⠐✿. Another day of sun (vmin)
A música monotônica da caixa metálica enchia o ambiente por mais que estivesse em um volume bem baixo. Hoseok cochichava algo com um dos staffs, mas fora eles, todos os outros estavam em silêncio.
E isso não era muito comum.
Geralmente quando os sete estavam juntos não havia um segundo de silêncio. Mas as vezes haviam noites atípicas como aquela, e elas vinham se tornando cada vez mais frequentes.
Mesmo na época de treinees, quando as coisas eram muito incertas, ou logo depois do estreia quando a pressão era enorme. Eles nunca estiveram tão abatidos quanto naqueles últimos meses. Aquele ano estavam sendo o ano do BTS. Eles tinham furado uma bolha que poucos artistas orientais haviam quebrado e isso era ao mesmo tempo emocionante e assustador. Estavam muito felizes, mas mesmo assim eles quase não aguentavam mais. A exaustão extrema estava levando todos eles a situações desagradáveis, afetando inclusive a relação entre os sete amigos.
Mas a maior preocupação de Jimin estava logo ao lado dele.
Ele suspirou fundo e roubou um olhar para sua direita para ver o perfil de Taehyung. O mais novo encarava a nuca de Seokjin que estava logo à frente dele naquele elevador, mas Jimin sabia que ele estava perdido em pensamentos.
Eles haviam saído às pressas do local onde haviam filmado a apresentação e por esse motivo a maquiagem dele ainda estava borrada nas bochechas devido as lágrimas. Ele vestia um casaco com quase o dobro do tamanho dele por cima da roupa da apresentação. Jimin não podia reclamar disso pois também ainda usava a calça de social do figurino, mas agora que seu sangue estava frio, se arrependia de não ter pego um casaco também.
Mas naquele momento ele não estava pensando de forma racional.
Jimin então se encolheu minimamente pela vergonha do que tinha acontecido antes de deixarem o estúdio de gravação da TV japonesa em direção ao hotel que estavam hospedados. Seu olhar correu para a nuca do líder, que estava no canto oposto ao dele dentro do elevador. Namjoon não só era seu líder como também era seu hyung e ele tinha faltado com respeito ao gritar com mais velho.
Ele iria pedir desculpas de forma apropriada em breve. Se ajoelharia para o líder e pediria perdão por ter feito o que fez, mas não se arrependia nem um pouco.
Sua pequena bolsa pesou em seus ombros e Jimin soltou os braços na lateral do corpo, deixando-a tocar no chão. Dessa forma, sua mão direita chegou próxima de encostar a mão esquerda de Taehyung, que descansava ao lado do corpo do garoto. Ele precisaria esticar minimamente seus dedos e tocaria nele, mas estava apreensivo se poderia fazer isso. Haviam pessoas demais ali naquele elevador - doze para ser exato - e ele não queria tornar as coisas piores do que já estavam.
Mas mesmo assim ele precisava tocar no melhor amigo. Precisava ter certeza que ele estava bem e precisava mostrar para o outro que ele estava ali.
Então ele esticou minimamente o seu mindinho e tocou o de Taehyung.
O garoto se sobressaiu num susto, desviando seus olhos perdidos na direção de Jimin. Olhos perdidos e marejados. Quando o mais velho percebeu o sútil acúmulo de lágrimas nos cantos externos dos olhos do mais novo, quis ele mesmo chorar. - Você está bem? - Ele perguntou sem som algum, apenas movendo os lábios silenciosamente.
O aceno que recebeu como resposta foi quase imperceptível, tanto que poderia ser facilmente confundido com um movimento causado pela trepidação do elevador parando no andar de seus quartos.
Os primeiros a deixarem a caixa metálica foram os staffs que os acompanhavam seguidos por alguns dos membros que estavam mais a frente. Jimin e Taehyung foram os últimos a sair, lado a lado e em silêncio.
- Jimin! - Namjoon o chamou do meio do corredor. - Podemos conversar?
- Pode ser outra hora? - Ele perguntou enquanto virava-se para o líder. Taehyung já estava na porta do seu próprio quarto, buscando o cartão nos bolsos. - Vou ficar com Tae essa noite.
- Não é uma boa ideia, Jimin. Ele deveria ficar um pouco sozinho.
- Não vou deixa-lo sozinho depois do que aconteceu lá. - Jimin secou as palmas molhadas de suor nas calças de alfaiataria que usava. Não estava mais nervoso como quando tudo aconteceu, mas ainda sentia-se meio zonzo da gritaria e da confusão.
- Ele teve uma crise de pânico. O ideal é que ele descanse…
- Eu vou me certificar disso, pode ter certeza. - Ele não se importava de ficar em silêncio durante todo o resto da noite a seguir se for isso que Taehyung deseja. Ele apenas precisava ficar ao lado do amigo para se certificar de que tudo ficaria bem. Era meio egoista, mas ele não conseguiria pregar os olhos essa noite se estivesse a mais de cinco metros de distância do mais novo.
- Então vá para seu quarto e o deixe descansar.
- Não quero discutir de novo com você, hyung, mas eu vou se for preciso. Ele não tá bem e eu não vou deixa-lo sozinho.
Namjoon bufou e apertou o maxilar com força, da mesma forma que faz sempre que esta com raiva. Jimin era teimoso demais e tentar contra ele era como remar contra a maré furiosa. Ele podia não estar mais tão explosivo quando estava no estúdio, com os olhos em chamas de raiva enquanto tentava proteger um Taehyung desabando, mas ainda assim estava irredutível.
Depois de uns segundos o líder apenas balançou a cabeça em concordância e virou as costas para Jimin. Precisou de poucos passos para eliminar a curta distância até a porta do seu quarto, onde desapareceu sem mais nenhuma palavra. Ele detestava ir dormir brigado com qualquer um de seus membros, mas hoje não tinham mais cabeça para continuar esse assunto, e por isso Jimin apenas caminhou até a porta do quarto de Taehyung e entrou. Ela estava entreaberta, mas as luzes lá dentro continuavam apagadas.
Lá dentro a temperatura era agradável devido ao ar condicionado trabalhando e Jimin foi recebido pelo cheiro de lavanda comum dos hotéis e pelo som de água corrente vinda do banheiro.
Quando se aproximou daquela porta, a luz também estava apagada, mas era possível ver uma sombra aninhada num dos cantos do box logo abaixo do chuveiro. Taehyung ainda vestia as roupas e os sapatos e ele abraçava os joelhos enquanto a água corria e o encharcava. Aquela cena era tão dolorosa de assistir que quase fez com que Jimin caísse de joelhos no chão. Ele sentia como se uma mão invisível apertasse em torno de sua traqueia o impedindo de respirar devidamente enquanto outra mão esmagava o seu coração.
- Tae? - Ele chamou baixinho, se aproximando lentamente. - Eu estou aqui.
- Me desculpe. - A voz do mais novo tremia e um soluço alto denunciou que ele chorava novamente mesmo que a água do chuveiro tentasse disfarçar.
- Pelo que? - Jimin já estava recostado na porta de vidro com a água ricocheteando no chão e respingando em suas pernas, mas ele não se importava.
- Você e hyung brigaram por minha causa.
Jimin deixou a razão de lado e entrou no box, agachando-se em frente de seu amigo e buscando o rosto grande com as mãos. Ele parecia minúsculo ali, como uma criança indefesa e amedrontada. - Não diga besteiras, por favor.
- É culpa minha. - Seus olhos estavam perdidos por mais que o rosto de Jimin estivesse a poucos centímetros. - Eu errei tudo.
- Você não tem culpa de nada. Todos nós estávamos exaustos e você teve uma crise por ter errado alguns passos. Mas todos nós estávamos nervosos e eu acabei sem querer descontando em Namjoon hyung a minha preocupação com você. E agora está tudo sobre controle. Já conversei com ele e pedi desculpas por ter me exaltado e agora eu estou aqui com você.
Taehyung engoliu em seco e fungou mais uma vez. A água estava fria e Jimin sentiu um arrepio por estar completamente molhado, mas não deixou isso transparecer e continuou encarando o fundo dos olhos castanhos do amigo.
- Obrigado. - Foi um sussurro tão fraco que se a distância entre eles não fossem de apenas alguns centímetros ele não teria escutado. - Obrigado por estar aqui comigo.
- Você é a minha pessoa! - Ele sorriu, tentando demonstrar todo o apoio que ele tinha para dedicar ao mais novo. - E agora você vai tirar essa roupa e tomar um banho decente enquanto eu peço algo no serviço de quarto e coloco algum filme de comédia bem canastrão para assistirmos, ok?
Taehyung acenou em concordância e Jimin levantou-se, estendendo a mão para o amigo e o ajudando a levantar. Com uma toalha em mãos, ele secou-se por cima para tirar o excesso da água e voltou para o quarto, deixando a porta entreaberta para que pudesse espiar o outro de vez em quando.
Ao lado da cama king size, um cardápio de capa preta descansava no criado mudo. Jimin abriu-o e buscou por alguma opção leve para a janta. Sabia que dificilmente conseguiria fazer Taehyung comer algo, mas iria ao menos tentar.
Ele retirou o telefone do gancho e discou o número da recepção. - Boa noite, em que posso ajudá-lo? - Perguntou a recepcionista de forma formal em japonês.
- Gostaria de fazer um pedido de jantar. - Ele pediu no idioma local. Não era fluente, mas conseguia se virar muito bem, ainda mais quando o assunto era pedir comida. - Quero dois missoshiro com acompanhamentos, por favor.
- Quais carnes? - Ele até pensou em perguntar para Taehyung o que ele preferiria, mas conhecia as preferências do amigo e sabia que se perguntasse o outro apenas diria que não quer nada.
- Porco, por favor.
- Certo. Mais alguma coisa?
- Apenas isso. Obrigado!
A atendente confirmou o quarto e informou que estaria pronto em 20 minutos antes de desligar o telefone. O barulho do chuveiro ainda zunia pelo quarto e Jimin se espreitou próximo a porta do banheiro para verificar o mais novo.
O vidro do box do chuveiro não fazia muito para esconder a nudez de Taehyung que estava de costas para a porta enquanto a água corria por seu corpo. Jimin observou enquanto ele jogava a cabeça para trás enquanto lavava seus fios castanhos e longos. Ele parecia um pouco mais tranquilo agora o que fazia com que o mais velho pudesse respirar sem tanta dificuldade.
Jimin deixou o mais novo para trás e caminhou até a mala que repousava em um canto próximo a janela. Os dois tinham intimidade o suficiente para poderem mexer tranquilamente nas coisas um do outro, então o garoto simplesmente abriu o fecho e começou a reviras as roupas ali dentro. Encontrou a calça de flanela que Taehyung gostava de usar para dormir e separou-a junto a uma camiseta preta simples. Numa das separações da mala, encontrou as roupas íntimas e separou uma cueca boxer e um par de meias. Enquanto fechava a mala, Jimin se deu de conta que também precisava de uma muda de roupa para si, mas como não tinha a mínima intenção de deixar aquele quarto no momento - mesmo que o dele estivesse a menos de três metros do outro lado do corredor - ele reabriu a mala e voltou a vasculhar. Uma calça de moletom que o mais novo gostava de usar para ensaios e uma camiseta de filme bastariam por essa noite. E não era como se eles nunca tivessem dividido roupas…
Com as duas mudas em mãos, ele caminhou até o banheiro, onde Taehyung já havia desligado o chuveiro e agora usava uma toalha branca do hotel para se enxugar.
- Pedi missoshiro. - Jimin disse claramente enquanto apoiava as roupas na bancada da pia e começava a tirar os próprios sapatos.
- Não sei se vou conseguir comer algo, Jimin-ssi.
- Sem problemas. - Ele buscou o olhar do amigo e quando se certificou que o outro o olhava, ele abriu um grande sorriso. - Eu te obrigo.
O mais novo soltou um suspiro cansado, mas parecia um pouco mais leve que alguns minutos atrás e aquela cena doméstica tornava tudo ainda mais tranquilo. Taehyung vestia as roupas do seu pijama enquanto Jimin se despia das roupas úmidas e ia em direção ao chuveiro.
Ele precisou aumentar a quantidade de água quente no registro bem consideravelmente, mas já estava acostumado a fazer isso quando dividia banheiro com Taehyung. Ele tinha essa obsessão por banhos frios enquanto Jimin preferia a água quase escaldante. Essa era mais uma coisa na lista de diferenças dos dois, mas que faziam eles se complementarem magicamente.
- Ah, eu tenho duas opções pra você de o que vamos assistir: “La la land” ou “The notebook”. Escolha.
- Você não tinha dito que iria escolher uma comédia pastelona? - Jimin se desmanchou em um sorriso doce. Por cima do ombro ele viu o amigo secando o cabelo com uma toalha, mas seu reflexo no espelho dedurava o sorriso contido nos lábios.
- Você sabe que eu não gosto muito de comédia pastelona.
- Ok, então eu escolho “La la land”.
As coisas não ficavam nunca mais fáceis.
Suas agendas eram apertadas e a pressão da fama e dos holofotes tornava normal não reconhecer o momento exato de parar e relaxar. Jimin sabia que por mais que fizesse mais de seis anos de seu debut, seu corpo parecia nunca acostumar com aquela rotina enlouquecedora. Ele amava o que fazia, mas não podia fingir que aquilo era um mundo maravilhoso, pois não era.
Ele não era o único que sentia o peso da exaustão. Todos os membros sofriam com o trabalho excessivo e cada um tinha adaptado a sua vida da melhor forma. Mas Taehyung andava tendo muita dificuldade com isso.
Fazia uns bons meses que o psiquiatra havia lhe dado a diagnóstico de Síndrome de Bournout, mas o mais novo tinha escondido isso dos outros até pouco tempo atrás. Jimin descobrirá a algumas semanas, quando presenciou ele tendo uma crise de ansiedade trancado em um dos banheiros da premiação em que estavam.
Aquilo havia deixado Jimin enfurecido. Como seu melhor amigo estava passando por uma situação dessas e não havia lhe contado absolutamente nada? Quando chegou em casa, Jimin passou horas na internet buscando como lidar e o que fazer para ajudar Taehyung. Ele queria ser um pilar onde o amigo pudesse se apoiar assim como Taehyung sempre foi para ele.
Os anos dentro da indústria eram o suficiente para compreender o peso de suas carreiras e da vida que eles escolheram seguir. Os sete tinham um sonho em comum e o fato de passarem por tudo aquilo juntos fazia com que eles pudessem lembrar uns aos outros o quão importante era a pausa para respirar.
Era muito fácil perder a si mesmo naquela loucura. A fama, o dinheiro, a multidão… Tudo isso parecia engrandecer a visão deturpada daquela indústria. Mas a cobrança era gigantesca, a mídia era faminta e eles estavam se tornando um dos maiores banquetes daquele país. Tabloides saiam no tapa por exclusivas e passavam com os olhos vidrados em cada movimento deles em busca de qualquer ação minimamente dessincronizada para que pudessem escrever milhões de artigos difamando-os.
Essa pressão colocava a mente de Taehyung numa espécie de limbo entre a pressão de ter que fazer cada vez mais e a decepção por não conseguir dar tudo de si. Era visível para Jimin que o amigo estava se afundando cada vez mais em seus pensamentos dolorosos e ele sentia como se nadasse por um imenso oceano agarrado apenas em Taehyung enquanto tentava lutar contra os próprios demônios.
Mas o sorriso doce e contido de Taehyung enquanto seus fios ainda úmidos começavam a tomar a forma dos recentes cachos faziam tudo aquilo valer a pena.
Jimin nadaria o oceano pacifico de ponta a ponta se isso fizesse Taehyung sorrir.
A água quente do chuveiro relaxava os músculos do corpo cansado de Jimin. Por mais que ele tentasse disfarçar, o dia havia sido completamente exaustivo. Tinham aterrissado em Tokyo às 9h da manhã e tinham tido tempo apenas para fazer o check-in e deixar as malas em seus quartos antes de irem para uma sessão de fotos. Durante o almoço ensaiaram para a apresentação e sem descansar mais do que vinte minutos entre a passagem de som e a preparação, eles se apresentaram três vezes Fake Love naquela noite.
No final da terceira apresentação todos estavam exaustos. Yoongi não suportava mais a dor no braço e precisou tomar uma dose injetável de remédio. Hobi havia machucado o pulso em um dos movimentos de solo e os fisioterapeutas da equipe ficaram bem preocupados com a situação. Jungkook estava tão exausto que quase desmaiou em algum ponto entre uma apresentação e outra e quando todos estavam nervosos e exaustos, Taehyung sumiu dos bastidores.
Namjoon surtou de uma forma que não surtava a muito tempo. Sua cabeça latejava e ele quase não enxergava nada na sua frente, mas mesmo assim gritava com todos para que encontrassem o mais novo. Foi Jimin quem encontrou Taehyung novamente trancado em um banheiro tendo uma crise de ansiedade. Segurou o amigo em seus braços enquanto ele chorava, mas quando o líder apareceu furioso atrás dos dois, Jimin perdeu completamente as estribeiras.
Todos estavam cansados e com os nervos a flor da pele. Ansiavam por descontar aquela frustração em qualquer coisa e acabaram focando um no outro. Nunca, desde que haviam se conhecido a oito anos atrás, tiveram uma briga desse tipo.
Jin hyung precisou intervir na briga para que não se tornasse algo maior e por mais que Jimin soubesse que os dois estavam errados, ele sentia-se um bobo por ter feito aquilo.
Mas assim como a raiva viera muito rápido, ela também havia se dissipado bem rápido. Na primeira hora da manhã seguinte ele iria até seu hyung e pediria desculpas sinceras e ele sabia que o líder o perdoaria. Os sete tinham um pacto feito a muitos anos atrás: diferenças seriam eliminadas com conversas e brigas resolvidas com desculpas.
E então tudo estaria certo.
O barulho de um toque de telefone despertou Jimin de seus devaneios. Ele encarou Taehyung por cima do ombro enquanto se ensaboava com uma barra de perfume floral. - Isso é meu telefone?
- Acredito que sim. - Tae respondeu dando os ombros.
- Você poderia busca-lo pra mim, por favor?
O mais novo rapidamente desapareceu e segundos depois reapareceu no banheiro trazendo consigo o IPhone de Jimin. - É Jungkookie.
- Pode atender.
O barulho do toque desapareceu e a voz do maknae tomou o lugar. - Oi, hyung. Tudo bem aí?
- Kookie! Sim, está tudo bem. Estamos tomando um banho e esperando o jantar. E você?
Taehyung se aproximou com o telefone no viva voz e se apoiou no box de vidro. - Suga hyung, eu e alguns staffs vamos descer para o bar por alguns minutos. Estou ligando para saber se vocês querem vir junto.
Jimin encarou o amigo que franzia a testa levemente, num claro sinal que não tinha a mínima vontade de sair do quarto naquela noite. Por mais que o mais velho soubesse que incentivar relações sociais descontraídas fosse uma das etapas do tratamento da síndrome de Taehyung, ele também não se sentia com vontade de sair naquela noite. Não negaria que gostaria de uma garrafa de soju, mas preferiria deitar na confortável cama king size no outro cômodo do que se colocar naquele frio externo novamente.
- Ah, Jungkook, obrigado pelo convite, mas vamos ficar aqui no quarto mesmo.
- Tudo bem. Vocês devem descansar um pouco.
- Venha aqui mais tarde. Nós vamos assistir alguns filmes…
- Ah, irei sim.
- Vai ser La la land. - Taehyung se pronunciou pela primeira vez na conversa, fazendo Jimin soltar uma risada fraca nasalada.
- Oh. - No outro lado da linha o barulho de uma porta fechando ecoou. - Acho que vou deixar para outro dia então.
Os dois mais novos soltaram uma risada de cumplicidade que fez o coração de Jimin se aquecer. Ouvir a risada calma na voz grave de Taehyung era um bom sinal. - Qual o problema de vocês com La la land? Pensei que vocês gostavam…
- Eu gostava. - Disse Taehyung. - Pelo menos nas dez primeiras vezes que você nos fez assistir…
- Tenham uma boa noite, hyungs! - O maknae se despediu antes que o mais velho dos três começasse uma sessão de comentários dramáticos acerca das implicâncias com seus gostos para filmes.
- Você também, Jungkookie!
Com a linha muda, Taehyung se afastou e Jimin desligou o chuveiro, buscando outra toalha branca e felpuda para se enxugar. Vestiu as roupas que costumavam ficar um pouco grandes demais devido ao estilo mais folgado de Taehyung e saiu para o quarto buscando o controle da TV para procurar o filme escolhido pra a noite.
A campainha tocou indicando o serviço de quarto e o mais novo foi atender a porta, trazendo consigo o carrinho de apoio com seus jantares.
- Você pediu comida demais… - Taehyung comentou ao abrir as bandejas e encontrar a grande quantidade de acompanhamentos. Carne, arroz, legume e uma porção de kimchi que provavelmente foi posta por saberem que os hóspedes daqueles quartos eram coreanos.
Jimin ignorou a reclamação de Taehyung e continuou em sua busca pelo filme favorito na TV do hotel. Felizmente tinha a disponibilidade de legendas em coreano, o que já era uma boa vantagem comparado a vários hotéis ao redor do mundo nos quais ficavam.
Enquanto a cena inicial do filme começava a correr, Jimin voltou sua atenção para o amigo que continuava de pé entre a cama e o carrinho do jantar olhando para o nada em completo silêncio.
Ele se levantou e caminhou até Taehyung. Parou em frente ao garoto com olhos nos olhos e suas palmas descansando nas maçãs do rosto dele. Ele parecia uma criança assustada. Seus olhos felinos que geralmente eram tenazes, sedutores e tinham o poder de desarmar qualquer um, agora pareciam perdidos. Quase solitários.
- Ei. - Jimin o chamou, queria a atenção completa do mais novo em si. - Está escutando a música? - No fundo deles os atores cantavam animadamente a música de abertura do filme enquanto dançavam entre carros. - Amanhã vai ser outro dia, e outro dia de sol. Você não precisa se cobrar tanto, não precisa se culpar tanto. O que aconteceu hoje fica no hoje e amanhã a gente começa o dia de novo juntos, ok?
Taehyung acenou de leve com a cabeça, um tímido sorriso surgindo em seus lábios. Isso fez com que Jimin sorrisse também, e antes que eles percebessem, os dois tinham sorrisos mais largos do que jamais haviam visto. O sorriso progrediu para uma risada e então Taehyung moveu seus braços que estavam soltos ao lado do seu corpo para a cintura de Jimin, puxando-o para mais perto de si.
As mãos de Jimin que seguravam as bochechas de Taehyung desceram para seus ombros e ele apoiou o queixo na curva do ombro do mais alto, encostando peito no peito.
Eles podiam sentir o coração um do outro batendo contra suas peles e a respiração forte que cada um tentava abrandar. Era um abraço mais íntimo do que muitos carinhos que já haviam trocado, mas isso porque aquilo significava algo muito maior.
Aquele abraço era como a resposta para um grito de socorro preso na garganta de Taehyung. Enquanto as paredes ao seu redor se fechavam e a pressão entorpecia todos os seus sentidos, a voz de Jimin o mantinha na superfície. Ele não era apenas o bote de salva vidas a qual ele se segurava com força, mas ele também era o cilindro de oxigênio que dava ar para seus pulmões cansados. Jimin era o sol - um astro resplandescente e majestoso - e Taehyung era uma flor que necessitava de todo o seu brilho para sobreviver.
- Obrigado. - Taehyung sussurrou próximo ao ouvido de Jimin, sabendo que ele nunca conseguiria nem chegar perto de descrever em palavras o quanto sentia-se grato por tê-lo em sua vida. Então ele se limitou a falar as palavras mais verdadeiras que seu coração conseguiu encontrar no momento. - Eu amo você!
- Eu também amo você! - Jimin disse de volta, com seu nariz enterrado em algum lugar entre a nuca e a orelha de Taehyung, sentindo aquele gostoso perfume de hidratante floral e colônia que era característico do mais novo. Cheiro de casa. - Mas não pense que vou escolher outro filme. Ainda iremos assistir La la land.
Você só vive duas vezes:
Uma quando nasce,
e outra quando encara a morte.
- Ian Fleming
O som das ondas do mar quebrando na costa soava com uma música melancólica e a única coisa audível além delas era o canto das gaivotas sobrevoando ao longe. As nuvens no céu escondiam o sol com muita competência, fazendo a tarde parecer quase chuvosa.
E talvez por esse motivo tudo estava tão deserto, tão calmo, tão isolado.
Jimin olhou para os lados, buscando a sua companhia.
Ele sabia que o outro estava ali.
Ele havia ido busca-lo em casa, vestindo sua jaqueta de couro e pilotando sua moto. Ele soava tão atraente e perigoso toda a vez que tirava o capacete e colocava seus óculos escuros. Charmoso. Os fios iluminados pelo sol contrastando com os olhos castanhos.
Olhos castanhos que ora eram calmos como um lindo bosque cheio de flores, e ora eram tórridos como uma densa floresta inexplorada.
Mas aqueles olhos não estavam ali. Jimin os procurou, sabendo que o seu lugar era ali ao seu lado, porem não conseguia encontra-lo. De repente, tudo estava tão frio e solitário.
Ele tentou gritar seu nome, mas o vento levava sua voz. Era como se tudo ao seu redor se esforçasse para exila-lo. Não importava o quanto ele tentasse, no fim das contas todos o abandonariam.
。 .⠐✿. Primeira dispensa (BTS)
Se tinha uma coisa que Jimin tinha orgulho era de sua mais recentemente adquirida calma. Talvez essa fosse, inclusive, a única coisa boa que o serviço militar tinha proporcionado. Ele tinha aprendido a ter calma.
Nem os doze anos na indústria do entretenimento havia conseguido faze-lo menos explosivo, mas os quase sete meses de serviço militar tinham feito isso.
Entretanto, nem Buda teria a paciência para aguentar Jungkook batendo insistentemente o pé no chão por mais de cinco minutos.
- Você pode parar? - Ele pediu tentando não dirigir um olhar tão ríspido para o mais novo, mas sem sucesso.
Jungkook encolheu os ombros e imediatamente parou de bater o pé. - Sim, Sangbyeong. Quero dizer, Jimin-ssi.
- Aish, se você usar honorífico de novo vou acabar com você.
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios do maknea, que rapidamente mudou a postura para um pouco mais relaxado. - Você e quem mais?
- Você pode ser grande, mas não esqueça que agora eu sei muito bem como dar uma surra em você.
Jungkook não discutiu pois sabia muito bem do que o Jimin falava. Antigamente o mais novo era o melhor no box entre todos os sete rapazes, mas desde que haviam entrado no serviço militar, Jimin havia se destacado na parte de treinamento corpo a corpo.
Provavelmente por causa de todo o seu longo treinamento em dança, havia desenvolvido habilidades que nem imaginava que eram usadas no combate. Com o tempo, foi incorporando a movimentos de taekwondo, muay thai, jiu jitsu e outras artes marciais vários de seus conhecimentos de dança e vinha se destacando muito nisso. Seus superiores já lhe diziam que provavelmente receberia uma promoção em breve.
Mas isso não o deixava muito feliz. Ele queria finalizar aquilo o quanto antes para sair de lá e, principalmente, tirar Jungkook de lá.
O mais novo tinha mudado muito desde o alistamento. Ele andava quieto demais, isolado demais. Não tinha feito muitas amizades com os colegas e quando não estava trabalhando e treinando, estava sozinho em algum canto com seu caderno em mãos. Um pequeno bloco de anotações com uma capa preta que Hobi havia dado de presente a ele antes do alistamento. E, droga, o garoto provavelmente já tinha enchido todas as páginas de escrita pelo jeito.
Jimin era a única pessoa que Jungkook ainda conversava normamentel. As vezes ele também ligava para Namjoon hyung e os dois ficavam por horas no telefone, mas no final do dia, o mais novo sempre se isolava.
Sempre que podia, ele tentava indagar e descobrir o que se passava dentro da mente de JK. Frequentemente a única resposta que recebia era que estava cansado ou frustrado por estar preso lá, mas algumas vezes Jungkook não conseguia guardar tudo pra si mesmo por muito tempo e desabava. Jimin sentiu seu mundo desabar quando, pela primeira vez, o mais novo deitou em seu colo e chorou como um bebê.
Contou que se sentia deslocado, abandonado e sem esperanças. Não conseguia acompanhar os outros colegas e nem interagir da forma correta. Estava tão frustrado que a única coisa que conseguia fazer era se isolar dos outros. Sentia falta de fazer música, de estar rodeado de pessoas energéticas e de lugares criativos. Sentia falta dos amigos pessoais e principalmente do ARMY. Jimin percebeu que Jungkook era como uma esponja, absorvendo tudo que estava ao seu redor. E quanto mais ele sugava daquele ambiente rigoroso, hostil e agressivo, mais ele se fechava. Aquilo estava afetando demais o garoto.
E talvez fosse por isso que hoje ele estava tão nervoso.
Estaríam os sete juntos novamente.
A última vez que estiveram todos juntos foi em dezembro, no alistamento de Taehyung e RM. Isso a quase sete meses atrás. Seria também a primeira vez que veria Taehyung desde seu próprio alistamento.
Isso por si só estava deixando Jimin nervoso então, por Deus, Jungkook deveria estar surtando dentro de sua própria cabeça.
- Ei, você sabe se a empresa vai nos trazer até aqui de volta amanhã à noite ou vamos alugar um carro?
Jimin perguntou para um Jungkook perdido em pensamentos, mas que aterrissou na terra rapidamente. - Ah, não sei. Acho que vão nos trazer.
Jimin concordou com um aceno de cabeça, mas não queria parar a conversa. Precisa distrair a propria mente e a do mais novo também. Ele apontou a pequena bolsa que estava nos pés dele com um aceno de cabeça. - Está levando roupa o suficiente?
- Vai ser só hoje e amanhã, Jimin-ssi. Duas calças e duas camisetas é o suficiente.
- Aish, isso se você passar o dia todo usando a mesma camiseta…
- Eu chego a passar uma semana inteira usando a mesma farda. Um dia usando a mesma camiseta é nada.
Jimin deu uma risada que chamou a atenção do soldado mais velho sentado a alguns metros deles. Ele arqueou uma sobrancelha em um claro sinal mandando os dois calarem a boca e voltou sua atenção para os aparos em cima de sua mesa.
Os dois se encolheram nas pequenas cadeiras na qual estavam sentados, na área de recepção da base, onde aguardavam que alguém viesse busca-los para se juntarem aos outros meninos para receber Jin em sua dispensa.
Os dois já haviam conversado com o hyung no dia anterior, quando se deram de conta que não teriam mais o mais velho lá com eles.
Por mais que ele fosse uma patente mais alta e ficasse em dormitórios separados, eles estavam na mesma base. E isso significava que sempre se viam, nem que fosse por alguns minutos durante as refeições.
Mas agora Jin Hyung estava saindo do serviço militar e os dois estariam mais sozinhos ainda.
Um soldado da divisão administrativa da base surgiu na porta em frente e eles se puseram de pé, fazendo uma saudação ao superior.
- Vamos.
Foi a única coisa que ele disse e então virou as costas e seguiu até a porta.
Jimin seguiu o soldado com Jungkook logo atrás de si. Com sua bolsa no ombro, os dois foram de encontro a três funcionários da BigHit parados do lado de fora. Um deles Jimin reconheceu como sendo um dos assessores de imagem da empresa. Ele falava no telefone sem parar enquanto os outros dois funcionários corriam até Jimin e Jungkook para pegar suas bolsas.
- Ah, obrigado, soldado. Obrigado pelos seus serviços. - Disse o assessor sem nem olhar direito para o militar, que bufou em resposta. - Garotos, vamos logo. Jin já está na sendo liberado. Isso, organize com os fotógrafos para tirarem fotos que apareçam todos eles. - Ele voltou a falar no telefone enquanto caminhava rapidamente pela calçada em direção ao portão principal, onde provavelmente estava acontecendo a saída oficial de Jin.
Eles caminharam lado a lado, com os dois seguranças logo atrás deles. Jimin não deixou de soltar uma pequena e disfarçada risada.
Hoje provavelmente poderia dar uma surra nesses dois seguranças e ainda sair rindo disso tudo. Estava cada vez mais curioso para saber como seria quando fossem dispensados e voltassem para suas vidas normais de ídolos. Talvez ele até tentasse lentamente dispensar os guarda-costas para algumas situações…
Quando se aproximaram do portão, viram que aquele lugar estava bem mais movimentado que o normal. Haviam milhares de carros parados, a maioria deles da imprensa. A segurança ao redor da base também estava bem maior que o normal.
Quando se aproximaram de alguns veículos que obviamente eram da BigHit, um dos seguranças correu para abrir as portas e indicar para que os meninos entrassem ali para esperar.
Imediatamente Jimin deu de cara com Hobi hyung e RM hyung, ambos conversando animadamente dentro do veículo. Eles usavam roupas normais e pareciam bem tranquilos. Jimin jogou-se ao lado de Hobi e abraçou o mais velho.
- Ah, hyung, é tão bom ver você. Como está?
- Muito bem! E você Jimin-ssi?
- Empolgado. Estava com muita saudade vocês.
Jungkook que estava agarrado em um abraço no líder começou a perguntar: - Será que Jin hyung já vai ser liberado? Vamos embora direto daqui? Onde está Suga hyung?
- Aish, vamos recebê-lo no portão assim que terminar a cerimônia.
- Vamos aparecer para os fotógrafos, certo? - Jimin perguntou.
- Sim. Ai depois voltaremos para Seoul.
Os dois mais novos concordaram e os quatro começaram a conversar entre si. Descobriram que no outro carro atrás deles estava Suga hyung e Taehyung, mas apenas o mais novo sairia para receber Jin.
Yoongi era uma das pessoas mais incríveis que Jimin já havia conhecido na vida, mas também era a pessoa mais teimosa.
Havia batido o pé e dito que só apareceria para a imprensa em 2025 e iria cumprir. Mas isso significava que esperaria a saída de seu hyung ali dentro do carro e não permitiria que a mídia tirasse uma foto sequer dele.
Jimin achava a insistência dele louvável. Queria ser tão firme em suas decisões quanto Suga hyung um dia.
- Ah, acho que está na hora. - Disse o líder quando a movimentação começou a aumentar do lado de fora. Jiwon, o CEO da Hybe estava parado do lado de fora, segurando um buquê de flores. - Vou pegar meu equipamento.
Até aquele momento, Jimin não tinha percebido o enorme saxofone dourado que estava ao lado de RM, mas agora que o mais velho estava com o instrumento em mãos, os dois mais novos apenas o encaram em dúvida.
- Ah, não queiram saber… - Disse Hobi hyung dando os ombros e se apressando para sair do carro antes de todos. Seu olhar dizia que já tinha desistido de discutir com o líder. - Ele realmente faz o que ele quer.
- Eu apenas quero mostrar para Jin hyung meus novos talentos…
- Saxofone? - Jungkook perguntou chocado.
- Sim. Estou realmente arrasando no sax.
- Isso parece legal. - O mais novo sorriu e o líder encheu o peito de orgulho.
- Viu, Hobi-ah, JK achou legal a minha ideia de tocar saxofone.
Namjoon saiu logo atrás de Hobi e os dois seguiram em direção ao portão, numa discussão passivo-agressiva sobre o saxofone. Jimin e Jungkook receberam duas máscaras do assessor e as colocaram antes de ir com os outros.
Quando se aproximou para abraçar Jin, percebeu que alguém já estava lá e se chocou quando percebeu que só poderia ser Taehyung. Jimin sabia que o melhor amigo havia ganho mais de 10kg de músculo e estava treinando ao menos 2x mais que qualquer um deles, mas ver isso com seus próprios olhos era impressionante. Taehyung estava gigante.
Quando foi sua vez de abraçar e parabenizar Jin, Jimin quase quis chorar. Quis apertar seu hyung forte e não solta-lo mais. Não conseguia conceber a ideia de que não o veria com frequência pelo próximo ano inteiro.
- Ei, tá tudo bem, Jimin-ssi. - Jin sussurrou enquanto o mais novo afundava o rosto no pescoço do mais velho e se segurava para não chorar.
- Parabéns, hyung. Estou muito feliz por você ter concluído.
- Eu sei que está.
Jimin se afastou para dar lugar para Jungkook cumprimentar o mais velho e então deu alguns passos para trás, tentando respirar fundo e controlar as lágrimas de emoção.
Ele pensou em como as coisas seriam dali para frente.
Faltavam mais quatro meses para a dispensa de Hobi, que provavelmente seria o próximo momento em que se veriam. Depois disso, para a própria dispensa e de Jungkook, Taehyung e RM hyung faltariam oito meses. E dez dias depois disso, Suga hyung estaria livre também e então esse tormento acabaria.
BTS estaria de volta para seu ARMY e nunca mais haveria nenhum hiatus. Eles lançariam o álbum novo que a rap line estava preparando desde antes do alistamento em pouco mais de um ano. Todas as estrelas e planetas se alinhariam novamente.
Faltava pouco. Muito pouco!
O que tirou Jimin de seus devaneios foi seu melhor amigo aparecendo em frente de seus olhos. Taehyung abraçava Hobi e ele lembrou que alguns segundos atrás estava chocado com o tamanho do outro. Quando os dois a sua frente se afastaram, Jimin segurou o braço do mais novo para vira-lo para si. - Taehyung-ah!
- Jimin-ssi. - O rapaz o puxou para si, apertando-o em um abraço de urso. - Eu senti tanta saudade sua. Como está?
- Estou bem, Tae.
Jimin deitou a cabeça no ombro do amigo e respirou fundo o perfume dele. Ele podia estar bem diferente, mas seu cheiro doce e seu abraço acolhedor continuavam o mesmo.
Ele fechou os olhos e se deixou levar pelo momento. Sentia-se em casa naquele abraço, rodeado de sua família. Sentia-se completo novamente.
Foi o barulho do disparo das câmeras fotográficas que o trouxe de volta a realidade. Afastou-se de Taehyung quase que a força e percebeu o olhar de cansado do melhor amigo. - Você está bem?
- Agora estou.
Ele sorriu mesmo por de baixo da máscara e seguiu os outros que já iam em direção aos carros. RM tocava dynamite no sax enquanto Jin era recebido por todos com felicitações. Eles entraram nos mesmos carros anteriores, com o hyung recém dispensado indo junto de Taehyung e Suga.
- Jin gostou que eu toquei para ele. - RM disse para Hobi assim que o carro se colocou em movimento.
- Eu não disse que ele não iria gostar, só disse que era meio exagerado.
- Jin hyung gosta de exagero. Ainda mais se for feito para ele. - Jungkook falou e fez os outros três rapazes no carro caírem na risada.
- Estamos comemorando, rapazes. - RM disse em um tom mais animado. - O primeiro de nós já foi dispensado. Logo mais teremos todos cumprido o tempo.
- Parece passar tão devagar. - JK confidenciou. - Como será que o ARMY está? Será que nos viram hoje?
- Tenho certeza que sim. - Hobi disse. - Tinham vários repórteres transmitindo ao vivo. E Seokjin fará uma live no Weverse assim que chegar na empresa.
- Nós participaremos? - Foi a vez de Jimin perguntar. Da mesma forma que ele queria muito falar com seus fãs, ele não sabia se estava preparado para uma live. Sentia-se fora de forma nisso. Será que ainda tinha o mesmo charme de antes? Será que o ARMY ainda o acharia fofo mesmo com os calos em suas mãos? Provavelmente não. Ele precisaria de um tempo para se preparar e estar perfeito para todos eles.
- Não, só Jin hyung. Ficaremos de fora dessa vez, é o momento dele.
- Está certo. - Jungkook concordou e se aconchegou no banco do carro, ao lado de Namjoon.
Os meninos entraram em uma conversa sobre seus treinamentos e Jimin apenas os observou, principalmente o mais novo. Sentiu-se meio bobo por toda a sua preocupação com Jungkook, pois agora o garoto estava sorrindo e conversando alegremente como sempre fez. Era como se ele tivesse ligado uma chavezinha desligada desde o momento em que se alistaram.
Contou para os mais velhos que andava escrevendo músicas e que não via a hora de poder grava-las. Tinha inclusive até as melodias gravadas na cabeça. Por sua vez, Namjoon disse que ajudaria ele com isso, ainda mais agora que fazia parte da banda marcial da divisão e estava adquirindo muito conhecimento de diferentes tipos de arranjos musicais.
Namjoon parecia o mesmo de sempre. Os ombros estavam um pouco mais largos, se isso era possível, mas fora isso parecia que não havia passado um dia sequer para o líder. Ele ainda falava de forma despojada e olhava nos olhos sempre que queria ter a atenção. Todo o ambiente era preenchido pela sua presença com toda a sua postura e forma de falar, era a maior característica de líder que existia.
Hobi hyung também não havia mudado nada. Sua risada preenchia o local e parecia como música tocando. Jimin sentia-se voltando para a época em que tinham acabado de debutar e dividiam um quarto. Talvez fosse isso que o deixou tão próximo de Hobi e Taehyung. E saber que seus amigos continuavam os mesmos depois de tantos anos era um alívio para seu coração.
Eles sempre estariam juntos. Para sempre.
。 .⠐✿. Ligação (vmin)
Jimin sentiu o celular vibrar no bolso lateral da farda e rezou para que tivesse lembrado de deixa-lo no silencioso da última vez que mexeu.
Eram poucos os soldados que tinham o benefício de poder andar com o celular. A maioria deles precisavam deixar qualquer aparelho eletrônico nos dormitórios. Mas a recente promoção de Jimin para assistente de instrutor de combate individual tinha lhe rendido esse privilégio.
Entretanto, ele não podia abusar da sorte.
Seu chefe, o instrutor oficial, tinha firmemente lhe dito que só poderia usar o aparelho para comunicação entre eles, e como o homem estava na sua frente não teria como estar lhe ligando.
Mas felizmente o telefone estava no silencioso. Só que isso não o impedia de vibrar loucamente no bolso contra a perna de Jimin.
Demorou cerca de dez minutos para que seu chefe o liberasse e ele pudesse correr até o banheiro mais perto e visse que o autor das ligações perdidas era quem ele menos esperava. Taehyung.
Imediatamente clicou no botão de retornar a chamada. No segundo toque, a voz grave de seu amigo soou no telefone.
- Jimin-ssi.
- Você me ligou? O que aconteceu? - Jimin não queria parecer desesperado, mas seu coração parecia a ponto de sair pela boca. Os dois conversavam uma vez a cada 15 dias, sempre num horário preestabelecido pelos superiores de Taehyung.
Diferente de Jimin, o mais novo estava servindo nas forças especiais e as coisas lá eram bem mais rigorosas do que pra ele. Taehyung tinha horário até mesmo para ir ao banheiro, e receber uma ligação no meio da tarde quatro dias antes do dia em que oficialmente podem conversar não parecia algo bom.
- Estou te atrapalhando? Fiquei com medo de lhe arrumar problemas, mas precisava falar com você.
- Estou trancado em um banheiro da unidade agora. Pode falar.
Taehyung soltou uma risadinha e isso aliviou um pouco a pressão que parecia ter se instalado no peito de Jimin nos últimos dois minutos. Ele não estaria rindo se fosse algo sério, estaria?
- Espero que ninguém entre aí e pense que você enlouqueceu e está falando sozinho.
- Taehyung-ah, me fale logo o que aconteceu. Estou preocupado.
- Porque está preocupado? Eu estou bem. Você está bem?
- Pare de papo fiado! Você me liga no meio do expediente e espera que eu não fique preocupado?
- Ok, você tem razão. - Taehyung soltou um suspiro e um barulho de farfalhar de tecido chamou atenção de Jimin. Ele parecia relaxado e não ofegante por causa de suas roupas de treinamento. Será que ele estava de folga e Jimin não sabia? - Eu estou te ligando hoje pois não vamos poder conversar na quinta-feira.
Quinta era o dia em que os dois tinham meia hora para colocar as notícias em dia. Taehyung tinha direito a uma ligação por semana para familiares. Então revezava uma semana para Jimin (que repassava as notícias para os outros garotos, já que eles conversavam com mais frequência) e outra semana para sua mãe.
- Ah, aconteceu alguma coisa? Mudaram seus horários de ligação?
- Não. É que amanhã sairemos em uma missão, então liberaram o dia de hoje para ligarmos para familiares.
- Missão? Que tipo de missão?
- Não sei bem… - Jimin percebeu o tom de voz diferente do melhor amigo. Até porque, era muito difícil que Taehyung escondesse qualquer mínima coisa dele. E não é porque eles eram amigos a mais de doze anos. Também tinha esse tempo de amizade com os outros cinco rapazes, mas não era a mesma coisa que entre eles dois. Eram mais que amigos. Mais que melhores amigos. Eram alma gêmeas. Jimin conhecia Taehyung melhor que a si mesmo e vice e versa. Eram unha e carne. Duas metades. E era por isso que Jimin sabia que o tom de voz de Taehyung era de preocupação, mesmo que ele tentasse esconder.
- Mas onde vai ser essa missão? Eles te deram algum tipo de informação?
- Bom, é a minha primeira missão, Jimin-ssi. A única coisa que me disseram é que iremos para Daeseong-dong.
- Na zona desmilitarizada? Aish.
O coração de Jimin que já não batia na frequência normal desde o início da ligação quase saiu de seu peito com aquela informação.
- Parece que é uma missão padrão. Nada muito perigoso.
- Qualquer coisa na zona desmilitarizada é perigosa, Taehyung.
- Não seja exagerado. Vamos em poucos soldados, deve ser algo tranquilo…
- Ou algo secreto… Você poderia estar me falando isso?
- Bom… - Jimin ouviu o barulho das unhas de Taehyung coçando seu cabelo que ele sabia que estava bem curto. - Talvez não sobre Daeseong-dong, mas sei que você não vai contar para ninguém.
- Aish, Taehyung, me prometa que você vai tomar cuidado.
- Darei tudo de mim para que a missão seja um sucesso e tomarei cuidado. Eu juro.
Jimin soltou um suspiro amargurado. Sabia que o amigo manteria a promessa, mas tinha medo que ele focasse mais na primeira parte e esquecesse da segunda. - Quando você volta?
- Não sei.
Outro suspiro. - Você vai me ligar assim que voltar?
- Vou tentar.
Jimin pressionou a cabeça conta a parede fria da cabine onde estava. Ele fechou os olhos e tentou manter a calma, repetindo mentalmente o mantra que lhe ajudava nessas situações. “Tudo vai ficar bem.”
- Me conte como foram seus dias. - A voz grave de Taehyung tinha um tom de súplica que fez Jimin querer chorar. Queria abraçar seu amigo e nunca mais soltar.
- Está tudo normal aqui. Estou ajudando nos treinamentos de combate corpo a corpo.
- E como está Jungkook?
Jimin imediatamente lembro que o maknae provavelmente surtaria ao saber da missão de Taehyung. Desde que havia se alistado, o mais novo parecia cada vez mais quieto e preocupado. Não parecia o Jungkook de sempre e isso vinha preocupando todos eles.
- Continua a mesma coisa. Na semana passada ele faltou os treinos porque estava doente. Mas os médicos liberaram ele essa semana.
- Ele voltou a treinar box?
- Não.
- Aish, vou puxar a orelha dele em junho, na dispensa de Jin hyung.
Eles estavam no início de maio, o que significava que em pouco mais de um mês seria a dispensa de Jin, o primeiro membro que havia se alistado.
- Você vai conseguir a folga no dia? - Jimin e Jungkook estavam na mesma base de Jin, então eles facilmente conseguiriam o dia de folga. Suga hyung era o que tinha um pouco mais de liberdade entre eles, então já tinha dito que com certeza estaria lá. Hobi hyung tinha negociado a folga com um outro colega e Namjoon hyung também tinha confirmado que conseguiria estar presente. O único que ainda não tinha certeza se poderia era Taehyung.
- Eu fiz o pedido formal aos meus superiores e eles disseram que iam analisar. Mas eu já estou contando que vou conseguir sim.
- Ótimo. Vai ser bom estarmos todos juntos de novo.
- Eu estou com saudades.
Jimin sorriu para o telefone. Taehyung continuava manhoso do jeito que sempre foi. Isso serviço militar nenhum tiraria dele.
- Também estou com saudades. - Enquanto levava a mão para ajeitar os curtos fios, Jimin viu rapidamente o relógio no pulso e checou as horas. Tinha cinco minutos para estar de volta no centro de treinamento avançado que ficava quase do outro lado da base. - Droga, preciso desligar.
- Ah, sim! - Taehyung concordou com um tom entristecido na voz. - Desculpe por te atrapalhar.
- Você não me atrapalhou. Eu disse a todos que precisava ir ao banheiro.
- Ah, então me desculpe por fazer os seus colegas acreditarem que você está com problemas no estômago.
As risadas se misturaram na ligação e ele sentiu-se bem por alguns segundos. Era muito bom compartilhar uma risada com seu melhor amigo.
- Você sabe que meu estômago está sempre com problemas.
- Seus colegas nem devem mais estranhar seus longos períodos no banheiro.
- Aish, não é pra tanto…
A risada se esvaeceu depois de um tempo e o suspiro pesado de Taehyung lembrou Jimin de o quando difícil eram essas despedidas. - Certo, então prometa-me de novo que vai se cuidar.
- Eu prometo, Jimin-ssi.
- E prometa que me avisará assim que voltar. Nem que seja com uma mensagem.
- Ok, farei isso.
- Certo, então. Tenha uma boa sorte na missão. E tome cuidado.
- Pode deixar. Você também se cuide. E cuide de Jungkook.
- Tudo bem.
O som da respiração de ambos era a única coisa na chamada. Como se os dois estivessem adiando o máximo que pudessem o momento em que teriam que desligar. - Eu amo você, Jimin-ssi.
- Eu amo você, soulmate.
Jimin conseguiu ouvir o pequeno risinho de Taehyung antes que o mais novo desligasse o telefone.
✩ CARRD INSPO by LOVJBINI // © hyunico
like or reblog if you useㅤෆㅤ2024.
✎﹏ please, put “ © hyunico – tutorial by @lovjbini ” in the description if you use our tutorial!
CLICK HERE FOR TUTORIAL

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
Há quem diga que o simples bater de asas de uma inocente borboleta poderia originar um catastrófico tornado no outro lado do mundo. Outros, entretanto, diriam que o teórico Edward Lorenz havia bebido firewhiskey demais quando escreveu a teoria do caos. Porém, tudo não passava de apenas teorias, a não ser por um pequeno evento acontecido no verão de 1925, no pequeno vilarejo de Little Hangleton. E foi, literalmente, uma bela borboleta monarca que desviou brevemente a atenção de Mérope Gaunt naquela manhã. E, assim como a aparição de uma espécie daquela borboleta tão ao norte da Europa naquela estação, outro fato improvável aconteceu: Gaunt errou a quantidade de ovos de cinzal em sua poção. Naquele momento, ninguém poderia imaginar o que aquele pequeno erro poderia alterar na história do mundo bruxo, e foi por isso, que Mérope terminou sua poção daquele jeito e, horas depois, serviu-a para o homem que amava, e o viu reagir de uma maneira completamente diferente do que esperava. Antes do amanhecer do dia seguinte, os dementadores de Askaban davam as boas vindas a ela, que junto ao seu pai e irmão, asseguravam o fim de linhagem de Salazar Slytherin.
Querido diário,
As vezes, a gente se pega sentindo saudade de coisas simples, como o salgado de uma padaria que já fechou, como do móvel antigo que você se desfez, como dum lugar que você costumava ir, mas não pode ir mais... E são nesses momentos que percebemos que cada minúsculo detalhe importa. Cada coisa que você faz no seu dia a dia importa e, em algum momento no futuro, você vai parar e sentir saudade de exatamente o que você está fazendo agora.
Isso não é algo ruim. Significa que vivemos todos os momentos que vivemos ao ponto de querer os reviver.
- Com amor, R.
minha maçante presença importuna teu dia minha desagradavel conversa pode soar ousadia mas não passa de mais uma dose entediante do meu desespero desinteressante.
- Com (muito) amor, R. (intrin-seca)
“(...)
Quando os meus pés sentiram a areia fina e branca que os massageava enquanto eu trilhava cada passo em direção ao mar. O mar que era tão imenso e bonito, que não parecia real, mesmo eu estando ali. E eu me apaixonei. Me apaixonei pelo exato tom de azul do momento onde o céu e o mar se unem no horizonte. Me apaixonei pelo balanço do mar que guiado pelo som das ondas quebrando, parecia dançar a mais bela das canções. Eu me apaixonei pelo cheiro de verão, de areia molhada e água salgada. Eu me apaixonei por tudo ao meu redor e nunca mais consegui esquecer a sensação que aquela brisa me fazia sentir.
(...)”
- Com amor, R. (intrin-seca)

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
Querido diário,
Cicatrizes não são sinais de fraqueza. Demorei muito tempo para entender isso.
Milhões de vezes me vi as cobrindo, mentindo sobre, envergonhada e evitando mostra-las. Eu as tinha como provas dos meus erros, do meu passado dolorido. Como se a única maneira de seguir em frente seria esquecendo-as.
Mas elas não representam os nossas fraquezas, e sim nossos aprendizados e amadurecimento.
Cada linha, fina ou grosseira, tem a sua própria história, origem e motivação, mas todas tem algo em comum: Elas representam a continuação da vida.
- Com amor, R.