Abanoinei-me de mim mesmo e deixei, ou melhor, expulsei o meu antigo eu à ferro e fogo. Forjado, machucado, desgastado e, depois, imerso em água fria para voltar das profundezas mais resistente e resiliente do que antes. Não foi fácil. Fácil? Em nenhum momento. Cada fragmento do todo humilhado, doÃdo, massacrado, foi se reajuntando, reformulando, reinventando. Pedaço por pedaço, como que monta um imenso e complexo quebra cabeça. Este, de sentimentos, pensamentos, sensações, estas, amargas até à alma. Descobrimos um guerreiro interior quando a vida (e as pessoas nela), nos "convidam" a passar por pelejas. Num primeiro momento, o mundo cai. E cai mesmo. Está-se perdido e sem rumo e a dor esfacela tudo. Num segundo momento, revolta e indignação. Num terceiro, tristeza. E os sentimentos e sensações vão se misturando e parece que não vai passar nunca. Nos dizem que vai passar, mas sequer mencionam que demora, que tem idas e voltas até o tempo poder amenizar um pouco. Não nos dizem tantas coisas. Só alguns poucos (raros) é que realmente saberão. Ainda bem que pude contar com um deles. Mas agora, que também não faz mais sentido nenhum ainda remoer tais acontecimentos, sinto que a tempestade foi embora e que estou mais forte como uma rocha que resiste ao vento, ao mar, ao sol. Está se consolidando um novo eu, um novo tempo que não existiria se eu não percorresse esse caminho. É difÃcil ser grato por algo que te deixou tão destruÃdo. É difÃcil perdoar. Mas é preciso. As coisas acontecem porque têm de acontecer. Sábio aquele que aprende, mas não se prende a pessoas, situações, sentimentos.