“Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer não. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer não.”
— Martha Medeiros.
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“Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer não. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer não.”
— Martha Medeiros.

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Eu fui um idiota ontem. Eu sou um idiota sempre, você sabe disso. Você provavelmente deve estar me odiando agora, como sempre. E eu até te entendo, como sempre. Você merece mais, e sabe disso. Porra, você sabe de tudo. Mas ainda assim, você sempre me perdoa. Você sempre volta. Eu tenho um medo absurdo de qualquer dia você simplesmente… Cansar. Eu não vou poder te fazer ficar, porque eu vou ter que entender que você não aguenta mais. Não posso nem pensar em você sendo de outra pessoa. Essa ideia me enlouquece, preciso ser sincero. No fundo, eu sempre fui seu, Robin. Eu fui seu quando eu não era, eu fui seu quando eu tava com outra. Porra, eu sempre fui seu. Fui seu pra caralho, e isso você provavelmente não sabe. Eu nunca deixei você saber dessas coisas, eu sempre achei que você sabia. Você conhece todos os meus lados, e isso me assusta. Me assusta você me conhecer tanto, saber todos os meus medos. Isso me assusta porque eu nunca fui transparente. E ainda assim, você conseguiu me ver por dentro. Você soube me ver transparente, mesmo que eu nunca tivesse deixado. Eu nunca dei espaço pra você, mas você soube se dar espaço em mim. Foda de entender ou de compreender. Só aconteceu, só acontece sempre. Eu não sei se eu perdi você, eu não sei se você vai voltar. Não sei se você não aguenta mais minhas burradas, eu simplesmente não sei. Você sempre sabe das coisas, eu nunca sei de nada. Eu sei que fui um idiota, e sei que talvez você não volte. E de todas as coisas do mundo, a unica coisa que eu não podia ter feito era perder você. Caso eu não tenha te perdido, pelo amor de Deus, Robin… Me avisa. Antes que eu enlouqueça, de preferência. E… Vê se não me esquece, vê se volta.
robin and stubb.
Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.
Fabrício Carpinejar.
Sorte sua eu gostar de você.
A Menina que Roubava Livros
Ela tem uma risada incrível. E sem querer ser um babaca, mas ela tem tudo pra ser perfeita. Mas não é, claro. Ela tem mil idiotices e chatices na bagagem. E ela tem medo de tudo. Tem um ar de menina independente, que não precisa de ninguém. Mas quando tá no escuro, ainda pede pra alguém abrir um pouquinho a porta e deixar a luz entrar. Ela tem vergonha até de ligar pra pizzaria pra pedir uma pizza, cara. Quem no mundo é assim? Mas ela é tão indiferente, que a minha diferença não afeta ela em nada. Eu acho que ela pode ser o mundo inteiro se ela quiser. E ela é teimosa. E guarda rancor na mala. Ela sabe perdoar, mas precisa de umas aulinhas de como esquecer. Quando ela desiste ou acha que sabe de tudo, não tem jeito. Meu Deus, que mania insuportável que ela tem de achar que pode burlar tudo o que mandam ela fazer. Porque ela nunca tá satisfeita com nada. Nadinha.
Robin and Stubb.

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Mendigos com barba por fazer, mas com tempo sobrando. Mendigos sem lâminas, mas com pulsos e batimentos. Mendigos com fome, com frio, com medo. Mendigos que se drogam com cola de sapateiro, que colam pedaços da vida roubada e que lambem a sola de um sapato quando dormem fora do banco da praça. Mendigos que usam em benefício próprios outros ainda mais pobres, mendigos que pedem permissão aos ratos para caber em um espaço já tão miúdo, apertado, úmido, repulsivo. Que adoçam as esquinas com o medo de acordar, que aspiram a fumaça dos cigarros na tentativa de sentir o gosto do luxo na língua áspera e ferida. Cigarros são dinheiro sobrando quando as únicas coisas que sobram são olhos alheios em todos os lugares. Em todos os lugares por onde um mendigo nunca passou. Olhos que veem o mundo dos calabouços, olhos que imaginam porque o céu não pode ser laranja ou verde limão. Mendigos que conjugam o verbo errado, mas que sabem que a ignorância é a melhor arma para se obter piedade e, quem sabe, só quem sabe, um prato de arroz e feijão para colecionar. Mendigos que já foram crianças, ou mendigos que ainda são os números furtados do berçário. As estatísticas que crescem nas ruas. O cabelo que cresce pro alto, mas o cérebro que encrua, que vegeta, que azeda a essência do homem humilhado e ressentido com a própria condição. Mendigos com dentes estragados que não sorriem por medo de perder a sanidade. Sobrevivendo infelizes, mas conformados. A infelicidade iguala os feitos de carne. A infelicidade atingiu o engravatado e espatifado no estacionamento do shopping, a infelicidade atingiu um adolescente com os bolsos sujos de expectativas. A infelicidade atinge todo mundo na cabeça, para que não ninguém diga que a dor de um é pior que a dor do outro. Igualitária. Justa. Mendigos que se sentem bem com a infelicidade dos outros, porque só as deles fazem mal. Mendigos queimados em praça pública. Cachorros e cavalos sem sangue. Sem ração. Mendigos que brigam uns com os outros, mendigos que escutam a alma roncar e o estômago pedir silêncio. Mendigos que dormem em casas de jornais, protegem-se do frio do abandono dos seres semelhantes em matéria… E o vento forte da noite sempre arrasta todas as letras embora, atrás do lixo das ruas, onde o Sol e os passos aquecem mais que um coração faminto. A manchete do dia era: somos humanos, somos pedintes, somos pobres de choro e alegria, somos miseráveis de cama e alma, somos todos gratos por ainda termos o chão, somos todos pedintes, somos todos poetas e mendigamos pela solidão.
Cinzentos
“Eu quero casar com você, quero acordar do seu lado, quero brigar com você. Quero mandar você calar a boca mesmo sabendo que você não vai calar, e te calar beijando você. Quero provar todos os dias que eu te amo. Quero te fazer feliz, assim como você me faz. Quero morrer de cansaço ao correr atrás de você, depois de uma guerra de travesseiros. Quero dormir com você naquele sofá apertado depois de assistir o seu filme preferido. Quero morrer de rir ao ouvir você me contando uma piada, por mais sem graça que seja. Quero te acordar com vários beijos. Quero dizer que te amo. Eu apenas quero te fazer feliz, como ninguém nunca fez. E tem sido você, e vai continuar sendo você. Por tanto tempo eu quis, e então você chegou. E entenda que eu não quero mais o travesseiro como companhia… É você que eu quero abraçar a noite inteira. Sentir seu carinho durante o sono, olhar para você enquanto estiver dormindo. Dar beijos no seu rosto só para te despertar. E de manhã, te dar um belo “bom dia” para ficarmos o resto do dia nublado, deitados. Eu quero que você se sinta a pessoa mais feliz do mundo, a única capaz de ser pra mim um sonho em noite de insônia. E eu tô aqui, sabe? Pra conversar, brigar, rir, fazer loucuras. Não precisa me contar o que aconteceu ou porque você tá mal. Só me deixa tentar colocar um sorriso no seu rosto. Confesso que encontrei meu motivo pra sorrir. Encontrei alguém que eu queira dividir a minha cama, meu amor e minha vida. Encontrei alguém que aguentasse meu coração enjoativamente doce, e que suportasse meu humor incrivelmente amargo. Alguém que queira meu amor, mas que tenha minha amizade. Alguém que roube minha confiança e leve meu coração de brinde. Alguém que eu queira dormir de mãos dadas e acordar do lado. Alguém pra ser criança como eu. Alguém que tenha teu tempo todo meu e minha vida toda dele. Alguém que deixe o mundo pra me dar um beijo. Alguém que encontrasse o que procurou a vida toda, aqui dentro de mim. Alguém pra eu contar meu dia e alguém pra falar “te amo”. Alguém pra ser meu, de um jeito bem clichê. Alguém pra eu viver aquilo tudo que eu julgava besteira e que hoje é tudo que eu tenho. Eu quero você. Digo, repito, falo outras mil vezes. De trás para frente, de frente para trás. De canto, de lado, da maneira que for. Eu quero você. Que tenha clichê, ciúmes, malicia, sacanagem, egoísmo, afeto, loucuras, falhas, erros, acertos, perdões, beijos, abraços, pegação, sexo, amor, transa, filme juntinho, dormir de conchinha, mãos dadas, que tenha todas as coisas do mundo, mas que seja apenas entre eu e você.”
Cazuza.
Se você acha exagero as coisas que eu escrevo pra você, é porque não viu as que eu apago.
Soulstripper.
Sei que a tua boca já beijou a outra que não a minha, sei que já amou a outros quando não me conhecia. Mesmo assim, teu carinho me tomou o peito e hoje sem você não mais consigo ser do mesmo jeito.
Los Hermanos.
“Que importa o tempo? Há amigos de oito dias e indiferentes de oito anos.”
Machado de Assis.

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Vou contar um segredo: Não dormi a noite inteira, estou virado. Mas xiu! Ninguém precisa saber além de mim e você, estamos combinados? Espero que sim. Por favor, não entenda mal, tentei dormir. Revirei na cama, contei carneirinhos, eles me contaram. Nós rimos juntos. Eu disse que sentia saudades e pedi que não espalhassem. E quer saber? Eles são ótimos com segredos. Levantei e contei as estrelas do céu, mas não deu certo. Sentei e li um livro, mas nada de sono também. Uma coisa curiosa sobre a noite, é o silêncio natural que surge dela e a forma mágica que ela tem de fazer com que as lembranças nos invadam. Quando percebi isso… chorei. Não um choro comum, e sim aqueles que vem de dentro. Lágrimas que escorrem pelos olhos, porém foram derramadas pelo coração. Estranho e sem sentido isso, né? Mas depois de rir com carneirinhos, o que faz sentido então?
Allax Garcia.
You have bewitched me, body and soul. PRIDE & PREJUDICE (2005) dir. Joe Wright
[alguns amores nunca serão nossos]

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“Mas ela é diferente de todas as outras, ela ficou…”
— Fred Medeiros. (via rainedd)
“Tome um porre de livros, que a ressaca é de cultura.”
— Autor Desconhecido. (via over-horizon)