Queria apenas sumir. Fechar os olhos e virar pó. Um pó que nunca existiu, que nunca sofreu. Largar o aperto do peito. Largar o peso do mundo. E desistir. Desistir de seguir o que lhe obrigam. Desistir de ser mais uma máquina. De não viver. Voltar a sonhar. Voltar a apreciar. Voltar a querer. Sonho com o dia que serei livre. Com a verdadeira liberdade. Uma liberdade, que jamais vi alguém vivendo, e que não tenho a mais simples e vil esperança de alcançar. Por enquanto permaneço, e enlouqueço. Cada novo dia, é um pedaço dos meus sonhos e das minhas ilusões que se vai, triturados pela pressão do tempo e da vida. A razão, antes tão simples, a emoção, antes tão comum, e a criação, antes tão mágica, vão sendo sufocadas. Sufocadas junto com meu psicológico. Que dá lugar a loucura. Cada vez mais. Chego ao ponto de não distinguir realidade da ilusão. Mas não quero ficar assim. Não enlouquecer de todo. Manter a mente. Manter a consciência. E manter meu bem-estar. Meus sonhos. Minha capacidade de humanizar. Não quero me maquinizar.
Essa ainda é a melhor forma de fazer isso. As palavras, as singelas palavras, são como âncoras, que pesam mais a cada novo carácter digitado e que afundam, mantendo-me no lugar. Mantendo me real e humana. Sonhando e prosseguindo… Até que o sumiço ou a liberdade cheguem. Ou então o sufoco da loucura. Só continuando para saber. Ou não saber.



















