imnbyul!!
more an illusion?✗— @imnbyul
Não dormia por horas há muito tempo - três meses para ser exato. Custava a fechar os olhos e encontrar paz dentro de própria mente que funcionava como um trem à todo vapor e quando finalmente cansava de tanto pensar faltavam pouquíssimas horas para levantar e viver sua vida. E quando se deitava cedo e conseguia dormir, acordava no meio da noite respirando mal. Não descansava há tempo tempo… Estava exausta de tentar esconder as olheiras fundas embaixo dos olhos com maquiagem e parecer bem e simpática o tempo todo. O próprio cargo como Presidente de Boas Vindas estava ameaçado por conta da falta de compromisso e responsabilidade de Nambyul - e quando é que alguém viu Nambyul faltando com responsabilidade com alguma coisa? Queriam substitui-la por uma garota qualquer e em dias normais, ela teria rido da pobre coitada que achava que podia respirar o mesmo ar que ela, mas a morena não pôde ligar menos. A falta de paciência apenas fez com que fosse grosseira com a menina e deixasse ela e a todos os outros falando sozinhos. Nambyul não era ela mesma há três meses e também pudera - carregava o mundo em suas costas e não tinha ninguém com quem dividir. Pelo menos não mais.
Perder a amizade de Jaeho havia sido um baque muito grande para ela que basicamente dividia toda a vida com o lutador. Apesar da raiva e da mágoa, vez ou outra ela se deixava pensar nele e sentir falta, mas sentia-se traída e logo os pensamentos se transformavam em pó. Pouco tempo depois, seus pais receberam uma ameaça de morte por conta de dívidas, fazendo Nambyul se locomover sozinha e aos prantos para Seoul para passar algumas noites com os pais mesmo que não fosse seguro. O medo de perder os pais fez com que ela ligasse para eles todos os dias quando chegava da aula e com a mente vagando em coisas mais importantes, o desempenho dela nas aulas começaram a cair. O histórico perfeito de Nambyul que nunca havia sido estragado, tornou-se um borrão de notas medianas e baixa porcentagem de frequência. Nambyul não tinha vontade de sair do quarto. Não queria ajuda. E não teria dinheiro para um terapeuta.
Não ter Dongwook por perto foi a última gota para o copo transbordar. Mas ela não explodiu, não - pelo contrário, inundou-se dentro de si mesma. Não falava sobre e parecia mais fácil ficar triste mas exibir um falso sorriso para todos ao redor. A realidade é que a mágoa final - saber que não valia a pena nem mesmo para Dongwook -, fez Nambyul apática, perdida.
No entanto, foi um alívio conseguir chorar na noite anterior. Achava que não sabia mais como fazê-lo. Ver Dongwook mexeu demais com a cabeça de Nambyul, mas vê-lo naquele estado lhe causou um enorme pânico. A paranóia e o medo a fizeram pensar que Dongwook morreria e que ela o perderia para sempre.
Quando os olhos da menina se abriram, ainda um pouco embaçados enquanto se acostumava com a luz, a primeira imagem que viu foi o rosto sonolento de Dongwook. Não soube como se sentir, mas parecia uma onda de adrenalina e imediatamente Nambyul se sentou. “Você está bem?!” Foi a primeira coisa que perguntou, levando uma das mãos até o rosto dele. A respiração não parecia preencher bem seus pulmões por mais força que fizesse, o som alto de sufocamento escapando pelos lábios de menina. A mão dela agarrou-se a ele, as unhas fincando nos ombros dele enquanto as lágrimas começaram a descer descontroladas pelo rosto da morena. Todo o corpo de Nambyul começou a tremer, toda sua pele formigava e entre soluços e gemidos de dor, Nambyul engasgava-se no próprio ar, puxando Dongwook para mais perto até se encolher inteira como uma bolinha e se agarrar ao homem. “Você está bem?” Perguntava entre os choramingos altos que a fazia tossir tão forte que parecia que iria vomitar. Escondeu o rosto no peito de Dongwook, esperando que aquela sensação assustadora passasse logo. “Não faça isso de novo…” Pedia, sem conseguir controlar as lágrimas grossas e constantes.
Tê-la novamente em seu campo de visão pelas manhãs era aliviante para o peito que respirava com dificuldade e não se acalmava quando sozinho, precisando da jovem para aquece-lo e também silenciar o sufoco do passado. Quis sorrir para quem sabe deixar o clima leve, dando início a um dia tranquilo e quem sabe deixar a conversa já prevista e muito necessária para mais tarde, porém, a expressão alheia não só o surpreendeu, como eliminou a suavidade da face masculina, arqueando as sobrancelhas. — Estou, eu.. Eu estou bem. — A reposta foi lenta, baixa o suficiente para gerar a dúvida se Nambyul havia escutado. Os globos escuros se perderam por não esperar tal reação, sequer entendendo a presença das lágrimas desenfreadas que geraram o automático aperto em volta o corpo magro, pressionando a cabeça contra a pele rente ao pescoço de maneira que se encaixassem perfeitamente. — Nambyul, eu estou bem. Por favor, não chore assim. — Pediu em desespero, tinha medo de que a mais nova engasgasse ou acabasse lhe faltando o ar enquanto ofegava constantemente. Se perguntou qual era seu estado na noite anterior, sem noção de que a ponto podia chegar por ser o alterado em questão, vivia de relatos que o preocupavam, mas não eram o suficiente para que parasse. A reação da morena era vivida, amedrontadora e tão preocupante quanto a bagunça que tinha em seu apartamento ou o quase vício criado em cima de tantos traumas.
As duas mãos grossas apanharam a face como se tratasse do mais precioso cristal, as linhas duras esperando ser o suficiente para ao menos silencia-la. — Me desculpe por ter te assustado, jamais poderia imaginar que estaria lá. Não lembro de muita coisa, mas sei que senti vergonha. — Buscou murmurar as palavras calmamente, pensando em como seguir o rumo daquela conversa sem faze-la correr para longe. — Eu te amo, Nambyul. Fui estúpido por pensar que seria melhor ficar longe de você, dizer todas aquelas coisas que não eram verdade para te afastar.. Olha onde eu cheguei. — Queria ser sincero, mas como o peso do assunto já havia sido estabelecido, deixou que ela tivesse liberdade para se expressar como preferisse, baixando as mãos para o colo após abandonar um longo suspiro. — Tive algumas alucinações, via Ahyoung em todos os lugares e achava que era minha culpa por estar seguindo em frente. Eu jamais pediria para que carregasse esse fardo comigo, ninguém precisa suportar a mulher morta de alguém. — Riu sem humor. — Mas então quando nos separamos.. Eu também via você, e saber que ainda estava viva perambulando a mesma cidade que eu e convivendo com outras pessoas, foi insuportável. — Os dígitos da destra escorreram pelas bochechas, já não conseguia mais encara-la. — Acho que cheguei ao fundo do poço. Essa foi a primeira vez em meses que consegui dormir, e só por que estava aqui.
Nambyul tentava. Tentava ouvir, tentava se acalmar, tentava se deixar levar pelo calor do corpo dele contra o seu para regular a própria respiração, mas parecia impossível. Parecia jamais ter paz, mesmo quando a única pessoa que lhe proporcionava tal sensação estava bem ali. Não saberia dizer como era maravilhoso estar nos braços de Dongwook novamente, no entanto, o ataque de ansiedade não a deixava enxergar daquela forma de jeito algum. As unhas cravavam a pele das costas do mais velho, o rosto se afundando em seu pescoço como se ele fosse desaparecer bem na sua frente. Quando o rosto foi erguido, entre as mãos másculas, Nambyul sentiu vergonha. Sentia facilmente as grossas lágrimas escorrendo por suas bochechas e não conseguia parar de fungar, choramingar alto e tremer. Era uma vergonha. Tantos anos lutando para ser forte e não se deixar abalar na frente de ninguém para chegar àquele ponto: em frangalhos na frente do único homem que amou de verdade. Patética.
Agora, com os olhos fixos aos dele, a morena conseguiu ter um pouco mais de atenção e o ar parecia ter voltado a entrar em seus pulmões de forma saudável. As palavras dele faziam crescer pontas de esperança dentro dela, mas ainda não o suficiente para salvá-la da merda que havia se tornado. Eu te amo, era a última coisa que achava que ouviria, mas gostaria de ouvir. Um eu te amo sincero, real. Não parecia sincero. Dongwook havia mentido antes para se livrar dela. Nambyul estava alerta... “Você mentiu pra mim...” Choramingou, voltando a se encolher, dessa sentada sobre as pernas, como se houvesse acabado de ser atingida por um soco no estômago - de fato, parecia como um. “Por que? Por que você também quer decidir o que é melhor pra mim? Por que ninguém me deixa escolher? Ninguém quer me ver feliz? Você sequer me perguntou o que eu queria, se eu me importava. Você só assumiu que eu ficaria melhor longe de você... Seu idiota... Você mentiu pra mim.” Tremia fortemente, a respiração ofegante fazendo a coluna de Nambyul subir e descer de forma incansável, tornando-se pior quanto mais a morena se encolhia, escondendo o rosto. Nambyul não se importou com a história de Ahyoung que Dongwook havia compartilhado quando ainda estavam passando algumas noites juntos em Jeju. Não se importava com a história de Ahyoung naquele momento. Só conseguia pensar em como poderia ajudá-lo a superar e viver de forma mais saudável e não por uma pessoa que não estava mais presente. Mas nunca, nunca cogitou a ideia de deixar Dongwook sozinho. “Eu só queria que alguma coisa desse certo pra mim... Qualquer coisa.” Implorou para ninguém, apenas implorou, voltando a choramingar alto. As costas doíam, o pescoço doía, os braços doíam, mas sua cabeça parecia explodir a qualquer momento.














