houve um tempo em que a tristeza me tomou. por um tempo eu me esqueci de quem era e só restava um vulto, uma sombra sem nome. eu não lembrava o som da minha voz antes do silêncio. agora, depois de um tempo algo começa a se mover dentro do vazio. é um retorno frágil, como uma chama que hesita antes de acender. reconheço traços perdidos em gestos mínimos: um respiro mais fundo, mas neles encontro vestígios de mim. talvez não volte a ser inteiro — talvez nunca mais. mas eu acredito que há beleza até naquilo que sangra devagar. e se ainda posso me reconhecer na dor, é porque não me perdi por completo.
céu de júpiter

















