Just some innocent pasta || @Calland
Calloway se preparou para um tapa. Preparou-se para cair no chão e para ficar lá, sem forças para levantar por um longo tempo. Só podia esperar não cair em cima de Rembrant e não quebrar nada que os médicos tinham refeito dentro da sua perna. Ele se preparou para tudo isso, de olhos fechados no lugar, a respiração de Holly aquecendo sua boca entorpecida pelo beijo leve.
Beijá-la foi como voltar para casa depois da longa temporada em Mont Blanc. Familiar. Naquela época ele retomara as mesmas manias que tinha antes de sair. Nunca as perdera, embora não as fizesse na escola. Com Holly foi a mesma coisa. Era como se ele estivesse programado para encaixar nela como uma peça de lego na outra.
Ele não podia acreditar quando Holly falou e que não ameaçou chamar a polícia nem nada parecido. Achou que estava sonhando, delirando, quando ela disse que tinha sentido, e tanto! a sua falta. Ele achou que tinha voltado para aquelas semanas horríveis no hospital em que os remédios para dor e as alucinações eram suas companheiras por noites inteiras quando ela enlaçou o braço ao redor do seu pescoço e voltou a beijá-lo.
Ele quase se sentiu inteiro de novo. Vivo. Não mais um aleijado. Um adolescente, um boxeador, e mais do que isso, um campeão. Era assim que Holly o via antes. Era o que ele queria voltar a ser.
Calloway deixou um sorriso escapar enquanto enlaçava as mãos ao redor da cintura pequena do vestido.
-Você ainda tem que ficar na ponta dos pés… Algumas coisas nunca mudam, não é, bella?
Ele firmou as mãos, e inclinou-se mais para baixo, para que não tivesse que se esforçar para alcançá-lo. Queria-a, queria-a tanto! Ainda assim, beijou-a com calma, dando tempo para que ela fugisse, se quisesse.
Ter sua cintura envolvida pela mão de Calloway fazia com que ela se sentisse segura, como não o fazia a tempos. Mais exatamente, a seis anos. Não que não tivesse se relacionado com mais ninguém. Teve uns dois namorados nesse - e muitos affairs - nesse meio tempo, todavia, nenhum deles se manteve por mais se alguns meses. No final tudo se resumia no fato de Holland não conseguir sentir nada por outra pessoa, e isso se tornava mais claro cada vez que a imagem do ex namorado assombrava seus sonhos. E naquele momento nada daquilo parecia ter importância, afinal, ela estava com o homem de seus sonhos e aquilo era mais do que perfeito.
O italiano reparou no jeito com que ela continuava a subir na ponta dos pés para beija-lo, ela sempre o fizera devido a diferença de altura entre os dois. - Você sabe como é... meninas não crescem que nem os garotos. - riu enquanto Call inclinava-se um pouco fazendo com que ela não precisasse manter-se na antiga posição. Ele o fazia de modo tênue, como quisesse preservar não si próprio, mas a Holly. Até faria sentido se ele ainda gostasse dela. Será que ele gostava?
Continuavam a se beijar como se estivessem matando sua sede de algo que não faziam ha seculos, o que em partes não era uma mentira, parando apenas para respirar. Não conseguia evitar de abrir um sorriso enorme em meio aos beijos. Era como se fosse uma criança ganhando doces, era único, era especial.
Foi então quando resolveu extintivamente quebrar a rotina, passando então a beijar o pescoço do rapaz enquanto passava delicadamente as unhas sobre as largas costas do rapaz. Não que quisesse parecer provocante ou algo do tipo. Eles tinham acabado de se encontrar, e por mais que quisesse se entregar a ele - e como queria - não podia deixar isso tão evidente, a não ser que tivesse a vontade de parecer uma vadia para o homem que amava. - Essa é nova. Nunca beijei nenhum desses fotógrafos dessas marcas de perfume. - comentou tentando afastar seus desejos que logo menos viriam à tona.













