Férias de verão e eu passava na casa da minha vó. Deveria ter por volta de 4/5 anos quando um dia realizei que deixaria de ser criança, me dei conta que eu não seria fisicamente pequena, que meus aniversários iriam passando e em algum momento eu seria uma adulta. Lembro de chorar copiosamente como se na suplica do choro eu fosse conseguir parar o tempo, e lembro também, na minha pouca estatura, de olhar pra cima e perceber que tudo era muito maior que eu, mas que deixaria de ser. O medo, penso eu olhando para trás, veio do não poder mais passar o dia todo brincando, de não ser mais aquele ser humano que vive em função de brincar e conhecer o mundo. Para mim, virar adulto era a pior coisa que poderia acontecer com alguém. Em algum momento a minha vó me consolou do choro dizendo que todo mundo iria crescer e que era inevitável, mas eu bati o pé, bati o pé porque não queria de forma alguma estar nessa lista de pessoas que iriam ser fisicamente grandes e não iriam poder ouvir os álbuns da xuxa o dia todo e ficar dançando pra cima e pra baixo.
Com o passar dos anos, toda ida para a casa da minha vó era atravessada pela sensação de que, em algum momento, aquilo iria acabar. Chega uma idade que não é mais tão aceitável chorar por medo de crescer. O sentimento foi ficando mais brando mas permaneceu o peso de que tudo é melhor quando tu é criança.
Passar as férias na casa da minha vó realmente acabou, ela mudou de casa, eu mudei de cidade, a vida mudou e eu enfim cresci, mas cresci sabendo que mesmo com pouquinha idade eu já sabia de muita coisa.