Valentina segurava forte no volante de seu carro, prestando o mĂĄximo de atenção na estrada, ignorando assim qualquer piada que seu irmĂŁo e o amigo deles faziam durante a viagem.Â
Passar o natal com sua famĂlia era sempre Ăłtimo, ter cerca de cinco dias com eles, de fato nĂŁo era o suficiente para matar a saudade por tanto tempo que ficaram longe uns dos outros. De Ășltima hora seu irmĂŁo mais novo e um amigo em comum dos dois, resolveram seguir viagem com Valentina atĂ© SĂŁo Paulo, inclusive passar o ano novo com a loira, ideia que de primeira foi aprovada com ĂȘxito por ela, contudo durante a viagem no carro, jĂĄ a fazia arrepender-se por ter aceito a ideia. Era incrĂvel passar mais tempo com seu irmĂŁo mais novo, mas o fato de que com tĂŁo pouco ele jĂĄ estava irritando Valentina, a incomodava mais ainda. De qualquer forma, ali estavam, Valentina, Thomas e Vitor, enquanto sujavam o carro com salgadinho e trocavam as mĂșsicas da playlist da loira, ela por si tentava manter o mĂĄximo de sua concentração e foco na estrada.Â
Por sorte nĂŁo pegaram tanto trĂąnsito e a viagem deixou de ser um problema assim que começaram a lembrar da Ă©poca de escola, Ă©poca em que todos se falavam diariamente e nunca imaginariam que a distĂąncia existiria entre eles. Passaram no mercado e fizeram algumas compras para a semana e aproveitaram e fizeram uma pausa na padaria, o melhor momento de descontração do dia. A loira abriu a porta de seu apartamento e mostrou cada cĂŽmodo para os rapazes. Assim que terminou de guardar as compras, percebeu uma sĂ©rie de mensagens vindas de JoĂŁo no seu celular. Mensagens nas quais diziam que ele estava indo entregar seu presente de natal, logo que Valentina viu o horĂĄrio que foram enviadas as mensagens, deduziu que Jota estaria para chegar. Correu para o banheiro tomar um banho.Â
Quando estava prestes a sair do banheiro, ouviu a campainha soar. Thomas abriu a porta e olhou JoĂŁo de cima a baixo, avisando em seguida a loira âVal, seu namorado esquisito tĂĄ aquiâ. Valentina foi em seguida recepcionar JoĂŁo com um beijo e um abraço forte, recebendo reviradas de olhos de Thomas. A garota deduziu que JoĂŁo Pedro estava sem entender toda situação de seu irmĂŁo e um rapaz desconhecido estarem ali, mas ignorou por um instante aquele fato. âHm, eu preciso pegar seu presente. Senta ai, eu jĂĄ venhoâ.Â
JoĂŁo havia combinado com sua famĂlia brasileira de que passaria o Natal com eles, e como a mĂŁe de Guilherme havia viajado, resolveu chamar o amigo e Chico para passarem junto com ele. Foi uma noite divertida, e mesmo longe de sua namorada, o loiro havia aproveitado aquele dia ao lado dos amigos e da famĂlia.Â
JĂĄ estava combinado de que no dia seguinte encontraria com Valentina, entĂŁo logo que o dia começou, o loiro enviou uma mensagem de bom dia para ela, confirmando o encontro. Sabia que a garota estava longe, na casa dos seus pais no interior, entĂŁo tirou o resto da tarde para descansar enquanto esperava a hora de ir. Depois de algumas horas que ela havia dito que jĂĄ estava vindo embora, JoĂŁo começou a enviar mais mensagens, perguntando quanto tempo ainda demoraria, se ela jĂĄ estava perto ou nĂŁo, mas a loira nĂŁo respondeu. Ficou preocupado, pensando que algo poderia ter acontecido, mas logo deduziu que ela poderia ainda estar dirigindo.Â
Assim que passaram mais algumas horas, mesmo sem uma mensagem dela, ele logo começou a se arrumar para ir ao apartamento da garota. Vestiu sua roupa, usou seu perfume e pegou o presente dela, jĂĄ embrulhado. Pediu o carro da mĂŁe para ir de encontro a namorada, e antes enviou uma mensagem perguntando se ela queria que levasse algo de comer. Ainda sem resposta, JoĂŁo decidiu ir assim mesmo, e caso decidissem comer algo, pediriam por telefone ou sairiam para comprar depois.Â
Cumprimentou o porteiro do prĂ©dio, que jĂĄ o deixou subir sem interfonar antes, por conhecĂȘ-lo. Assim que JoĂŁo Pedro tocou a campainha, abriu um sorriso animado quando a porta se abriu, mas logo o murchou quando viu quem era. Tentou sustentar um sorriso amigĂĄvel, ainda que um pouco decepcionado por nĂŁo ser a namorada. Soltou uma risada nasalada, um pouco sem graça quando o cunhado se referiu Ă ele como âesquisitoâ. Sua expressĂŁo fechou-se, e ficou sĂ©rio quando viu um outro rapaz desconhecido, sem camisa, sentado no sofĂĄ. O outro o cumprimentou, e ele apenas assentiu com a cabeça, encarando o outro. SĂł perceber a chegada de Valentina Ă sala, quando a mesma o beijou e o abraçou, e ele retribuiu, embora com a expressĂŁo ainda um pouco fechada, e alternando o olhar entre a namorada e o garoto no sofĂĄ. âOk, eu te esperoâ, mas antes que a garota saĂsse, segurou em sua cintura, colando mais os seus corpos e lhe dando um selinho demorado. Separou o rosto, e sorriu para ela, virando-se depois para sentar-se no sofĂĄ, e encarando em seguida o rapaz ainda desconhecido.Â