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o que meu corpo agora diz, quando você chega, me paralisa. há nós espalhados pelo meu corpo e que estrangulam os fluxos que a vida me percorre, as vias inventivas às suas maneiras de escoar. o que houve? ou o que ainda há?
esse não é sobre ocê.
É, sim, sobre como me sinto com todas as minhas invenções de quem eu queria ser junto com você.
É sobre as partes minhas que restaram que escrevo agora.
Todos os poros e células, todos os universos em suas complexas biosferas e pluralidades de poder ser vida, apesar de.
não posso me afirmar em um amor-silêncio, quando o que menos sei, é calar. e isso não significa dizer sobre tudo, mas de não ter medos de dizer o que sinto ser preciso, urgente, visceral e forte. para que eu caminhe com o que em mim é possível, não posso estrangular os meus passos para tentar bifurcar os teus. não posso criar atalhos a todo custo para, quem sabe assim, te encontrar por alguma esquina. não posso me debruçar e simplesmente te adorar, curvada e à disposição de desejos que destroem muitos dos meus, já tão confusos...
insisto em tentativas e agora reconheço quando é só até ali. e dos vários passos, das muitas reviravoltas, de todas os estranhamentos que cada andar rumo ao novo me trouxe, é preciso também admitir que ~poder, possa também, não necessariamente ~ser sobre querer. e eu nunca soube como fazer com tanto.
invento malabarismos para diminuir os pesos do que ainda tento carregar - até quando? de um tempo que agora me atravessa de outros caminhos, esboço curas para que tentativas outras de aberturas se aproximem, e não se transformem em tantos fantasmas, hologramas abismais do fim de um mundo que custei a construir. e vai acabar. e outro virá. e também vai se acabar. e outros virão...
me apercebo os ritmos acelerados no peito e um turbilhão de pensamentos fusionados, aparentemente indivisíveis, como se glomérulos maciços tomassem conta de partes do meu corpo, estrangulando minhas vias de ar.
eu preciso te deixar escorrer DE MIM
é urgente que, se for pra ser, que vire ar
e eu te perca de vista
pra poder me ver de outra forma
porque se minha voz trêmula não se afirma,
pra te cantar,
eu não posso...
... mais.
- Maria Mônica

















