“Não sou tão mais racional assim. Só estou mais calmo que você agora.” Talvez ele fosse mesmo mais calmo, porque nunca esquentava a cabeça com nada, evitava qualquer tipo de briga e sempre pensava com mais razão do que coração. Alguns desses fatos poderiam nem sempre serem interpretados de boa forma, mas Maxwell também sempre era simpático e estava de bom humor. Entretanto, a fala não fora ao todo só um elogio, por isso não precisava utilizar-se do momento para gabar-se e implicar com a mais velha. “Sempre temos mais caminhos a seguir e sempre te disse que estamos predestinados a sermos os pontos fora da curva dessa família.” Acreditava que sua irmã mais nova poderia ter tal potencial, porém Evelyn tinha somente 10 anos ainda. “Hazel, eu e você somos diferentes em tantas formas, mas comparados ao resto da nossa família, nós dois somos bons. Melhores do que tudo isso. E sim, você pode ter mesmo razão quanto a isso. Harriet pode ter passado por tudo isso e se reprimido, toda essa pressão não faz nunca bem a ninguém. Talvez ela tenha criado toda essa casca grossa envolta de si, se tornado essa pessoa por ter passado por isso no passado, quem sabe ainda não passa. Ela cedeu a esse pensamento que você está tendo nesse exato momento, pode ter sido isso que aconteceu a Harriet. Por esses motivos que você não pode simplesmente se deixar levar, absorver tudo. Você é melhor, Hazel. Você é uma pessoa forte, eu sei que é.” Afinal, desde pequeno, quando os dois eram afinal tinham um mês de diferença, Maxwell sempre vira Hazel como uma figura a se espelhar. Apesar do comportamento, que parecia sempre tratar de afastar todos os demais primos, ele sempre a viu como a mais forte da família. Sua postura, seus modos, poderiam não ser os que mais agradavam, mas ele compreendia o porque. Nenhum deles nasceu daquela forma, tão ferrados, mas cada um tinha se moldado de uma forma diferente ao meio. “Seus problemas importam, você importa. E há tantas pessoas aqui mesmo que podem afirmar o que eu digo que você nem imagina. Você tem amigos, pessoas que se importam e sinceramente, sei que não é o que quer ouvir mas eu também nunca lhe digo o que quer ouvir…” Ele estava sempre tentando mediar as situações de melhor forma, o que definitivamente tinha deixado de lado ali, pelo que parecia. “…você não quer ouvir isso dele. Eu sei que é algo que a gente espera, faz tudo para ouvir isso, ele é seu pai eu sei, mas quer mesmo ouvir que um cara que mal pode adiar um compromisso pela própria família, nem pelas aparências, diga que tem orgulho de você. Porque isso pode significar perder quem você realmente é para agradar alguém. E Hazel, mesmo com muitos defeitos, você é uma pessoa incrível e você nunca, nunca mesmo, vai estar sozinha enquanto eu estiver aqui.” Ver ela chorar doía para ele de uma forma que não sabia. Provavelmente nunca tinha a visto em uma situação tão frágil como aquela e sentia-se um tanto destruído por saber que o tio era capaz de causar um estrago tão grande daquele jeito. “Você nunca está sozinha. Sempre vai poder contar comigo.” Toda sua linguagem corporal dizia aquilo para a outra, estando ela prestando atenção ou não. O rapaz levou sua mão ao braço da outra, depositando um aperto ali para que ela realmente recebesse aquelas palavras.
você é uma pessoa forte. não sabia se acreditava totalmente naquela afirmação. mas escutá-los fez os seus olhos lacrimejarem. lutou consigo mesmo para não deixar que outras lagrimas lhe escorregassem sem controle, mas foi difícil. principalmente após tudo o que escutara. hazel mais do que qualquer outro sabia o peso de ser um healy. seu pai era o primogênito, era o que tinha um cargo de relevância, o que se achava superior aos outros irmãs. consequentemente, era o que queria que os filhos fossem tão grandiosos quanto. não tinha irmãos, sua mão não o dera herdeiros homens, logo, seria ela ou a irmã a seguir seus passos. estes que, para o healy mais velho, era um cargo realmente valioso. mesmo sendo suas irmãs, tendo seu sangue, não media esforços em ser duro. quem sabe, achava que assim poderia arrancar o melhor de si, o que por muito tempo foi eficaz. agora, nem tento. porque nada era suficiente, nada parecia bom o bastante. seu pai estava constantemente procurando por mais. algo que hazel não sabia mais se conseguia dar, ou se queria dar. lhe sugava as forças estar naquela posição, lhe tirava todas as expectativas de um futuro brilhante. porque tudo o que a healy conseguia pensar era no quanto tudo seria mais fácil se não fosse uma, se não estivesse tão fervorosa em uma busca em ser a melhor. não queria mais ser a melhor. talvez nunca sequer houvesse sido boa o bastante um dia. por isso limpou os olhos molhados e tratou de vestir a sua armadura mais uma vez. respirou profundamente, erguendo os ombros e também a cabeça. “não sei se você está mesmo certo sobre isso, mas acho que também não importa mais. sempre levei as coisas dessa maneira e não vou conseguir mudar isso agora.” moveu os ombros, não queria mais pensar naquele assunto embora a questão houvesse sido levantada por conta própria. max também era um healy, mas talvez ele não entendesse exatamente como as coisas funcionavam para os seus pais. “mas obrigada. de verdade. significa muito pra mim saber que você não acha que isso tudo é uma grande bobagem.” deu uma risada fraca, agradecida com o toque em seu ombro, lhe passava mais confiança, mais credibilidade no que ele dizia, mas ainda se sentia exatamente da mesma maneira de segundos atrás. talvez não fosse passar tão rápido quanto o esperado. “tá, esquece isso. não vou estragar a sua noite.” afastou a mão em uma mudança de posição. sequer sabia o estado de sua maquiagem agora, mas sua imagem era a última com que se preocupava agora. “teve tempo de curtir alguma coisa?”