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Serenity tornou a apreciar o pequeno elefante de bronze que segurava em mĂŁos. Os detalhes em dourado cobriam estrategicamente o corpo do animal e lhe conferiam algo especial, que atraĂra de imediato a atenção dela. Ela secretamente adorava elefantes. NĂŁo que tivesse o quarto repleto deles, longe disso.
Serenity ignorou o comentĂĄrio. Agradeceu e pagou pelo elefante, ansiosa para sair da pequena loja claustrofĂłbica dominada pelo cheiro de incenso e pelo calor que beirava ao insuportĂĄvel. Se nĂŁo tivesse desenvolvido e aprimorado seu autocontrole ao longo dos anos, teria entrado em pĂąnico naquele local. Ou sequer teria entrado lĂĄ, a princĂpio. Ainda se perguntava por que o fizera.
O celular no bolso de trås dos jeans velhos, que delineavam as curvas elegantes de suas pernas, vibrou, seguido logo pelo famoso refrão de Fly Me To The Moon. Ela fechou os olhos enquanto baixava a cabeça com pesar. Antony.
- Acabou meu tempo, Tony? â Mascarou a relutĂąncia da partida assim que atendeu a ligação.
- Nosso voo sai em uma hora, suas malas jĂĄ estĂŁo quase arrumadas.
Ela suspirou, concluindo o quanto viagens a trabalho eram desgastantes, por mais que as amasse.
- Estarei aĂ em vinte minutos.
Voltou a observar a rĂșstica loja da qual acabara de sair. As paredes externas laranjas se camuflavam perante as cores vibrantes das outras construçÔes, o estabelecimento vendia quinquilharias para turistas, tal como todos os outros, no entanto, fora o Ășnico em que encontrara o suvenir que comprou.
- A pergunta de um milhĂŁo de dĂłlares â comentou num humor seco, sem sinais de sorriso em seus lĂĄbios. â SĂł acho que trabalhamos bem juntos â continuou, sabendo o quanto era verdade ao escutar as palavras em voz alta.
- Sim, trabalhamos. â Foi o que conseguiu responder para nĂŁo fazer papel de bobo. E, entĂŁo, retomou a compostura mais rĂĄpido que Serenity imaginara, retornando ao trabalho e deixando a colega imersa em reflexĂ”es.
Depois de horas no avião, Serenity reclamara em pensamentos sobre as costas doloridas, que a machucaram logo no desembarque. Os assentos acolchoados de couro ajudaram por algumas breves horas, depois tudo se tornou insuportåvel. As dores na nuca, que antes não sabia possuir, subiam à cabeça e latejavam.
E, mesmo sem ter dado nenhuma informação Ă senhora, sabia que ela ainda espalharia fofocas sobre sua chegada. Graças a ela, a reuniĂŁo de moradores que acontecia mensalmente virava praticamente um debate especulativo a respeito da vida alheia; nĂŁo demorou nem trĂȘs encontros para Serenity classificar aquilo como inĂștil, o que nĂŁo impedia os rumores de se espalharem por todo edifĂcio e carinhosamente apelidĂĄ-la como âBoneca de Porcelanaâ. NĂŁo que ela apreciasse o nome, mas ele trazia certo alĂvio para o que vinha fazendo por tanto tempo: mantendo segredos bem guardados.
Com uma mochila nas costas e uma mala em mĂŁos, esgueirou-se pela porta branca de madeira do 20A com o mĂnimo barulho possĂvel por chegar durante o meio da madrugada.
Desvencilhou-se bruscamente das sensaçÔes que despertaram â observĂĄ-lo dormir era um inusitado momento de intimidade â e retornou apressada ao quarto com as mĂŁos trĂȘmulas do frio. Certo, se repetisse vĂĄrias vezes, talvez acreditasse.
Caiu na cama e se perdeu no meio de edredons e almofadas enquanto tentava acalmar a respiração e os batimentos cardĂacos, e uma camada de poeira se levantou, fazendo-a tossir. Tinha se esquecido de que o quarto ficara trĂȘs meses sem ser limpo. Cuidaria daquilo no dia seguinte.
Seria tĂŁo fĂĄcil cair no sono naquele instante, mas a consciĂȘncia a impedia novamente de fazer o que queria. Quando jovem, tinha que dividir o banheiro com mais quatro pessoas; ao finalmente ter o seu prĂłprio, permitiu-se longos banhos de banheira e desde entĂŁo segue a rotina religiosamente, e saĂa somente quando nĂŁo havia mais espuma.
- Maldito fuso horĂĄrio â murmurou para si mesmo. â Sinto muito, Sery, eu realmente me esqueci. NĂŁo acredito que tenha atendido mesmo assim.
- Acabei de sair do banho â tentou tranquilizĂĄ-lo.
NĂŁo funcionou.
- Quem em sĂŁ consciĂȘncia toma banho Ă s trĂȘs da madrugada? â indignou-se.
- Quem passa quase vinte horas dentro de um aviĂŁo. O que o faz ligar pra mim depois de tanto tempo? EstĂĄ no seu turno de me convencer a aparecer?
- Claro, porque se dependesse de vocĂȘ, nĂŁo seria nunca. â Era pra ser uma brincadeira, mas havia mĂĄgoa nas palavras, e Serenity se sentiu a pior pessoa do mundo por a causa dela. Talvez fosse.
O vislumbre de lembranças do passado assombrou sua mente exausta, fazendo-a se sentar na cama antes que caĂsse no chĂŁo, pois suas pernas ficaram subitamente sem forças. Queria dizer âsimâ. Queria poder dizer âsimâ. Fazia tanto tempo que nĂŁo conversava com os irmĂŁos que sequer se lembrava de como era agir em famĂlia, por isso os tratava com a mesma distĂąncia com a qual tratava os outros. A Ășnica diferença era que eles â seus irmĂŁos â eram sua maior fraqueza.
O suspiro pesado de Sterling, seu terceiro irmão mais velho, revelou o quanto desacreditava naquelas palavras. Nem ela mesma se convencera tanto quanto gostaria. Estava perdendo a manha. Ou simplesmente perdendo as forças.
Pronto, Sterling acabou de ultrapassar os limites. O tema âpaiâ entre os GĂȘmeos Whitwell era um assunto delicado, provavelmente mais ainda para Serenity. E a menção por parte de Ster a deixou furiosa.
- VocĂȘ nĂŁo imagina o quanto â murmurou. â Ster, eu realmente preciso de algumas horas de sono agora, porque foi impossĂvel dormir no aviĂŁo. Podemos conversar outra hora? Quem sabe numa mais adequada ao meu fuso horĂĄrio.
Sterling tinha conhecimento de que ela tentava se esquivar da conversa, como sempre, mas deixou passar.
- Tudo bem, Sery, me desculpe novamente. Mas vocĂȘ nĂŁo vai fugir dessa vez, nem que eu tenha que procurĂĄ-la por toda Nova Iorque e arrastĂĄ-la.
- Boa sorte com isso â respondeu seca.
Antes de apertar o botĂŁo vermelho, conseguiu escutar do outro lado da linha, em voz baixa, um suave âsinto sua faltaâ. Seu coração palpitou e fechou os olhos com força para se acalmar. Lidar com a famĂlia era uma tarefa difĂcil e cansativa. Sabia que nĂŁo deveria ser, que deveria ser a coisa mais gratificante em sua vida, mas como, se escondia tantas coisas dela?
Passou de programa a programa na televisĂŁo sem prestar atenção. Repassava em mente a ligação de seu irmĂŁo na madrugada, e a mĂĄgoa em sua voz ainda a incomodava profundamente. A ideia de vĂȘ-los a entusiasmava e apavorava ao mesmo tempo. A covardia era uma caracterĂstica que Serenity detestava em si mesma, mas da qual nĂŁo conseguia abrir mĂŁo nem que sua vida dependesse disso.
- NĂŁo vai se decidir? â Serenity se assustou ao escutar uma voz aveludada perguntar com um suave acento britĂąnico. HĂĄ tempos havia perdido o sotaque e, ao escutĂĄ-lo novamente, e tĂŁo de perto, logo veio em mente o par de olhos azuis que a fitaram em acusação durante anos.
Seu coração acelerou em pùnico involuntårio. Sentiu um aperto amargo no peito.
A intenção de Serenity em ignorar o companheiro estava fadada ao fracasso.
- Fique Ă vontade â entregou-lhe o controle sem olhĂĄ-lo.
- Obrigado pelo cobertor â disse em tom casual, passando de canal em canal, como Serenity havia feito minutos atrĂĄs.
- NĂŁo precisa agradecer.
Descobriu que J nĂŁo era um daqueles adultos caretas que assistem jornais â ou esportes â todas as vezes que se colocam na frente da televisĂŁo. De todos os programas e canais existentes, escolheu justo um que transmitia um seriado policial. Um que, por sinal, Serenity adorava.
- Seriado policial? â Ela ergueu uma sobrancelha, de repente curiosa.
- Aparentemente minha fraqueza â lamentou ele com um pesar fingido.
Um pequeno sorriso se insinuou num canto dos lĂĄbios de Serenity, no entanto, era praticamente imperceptĂvel.
- Ora, me perdoe se fui mal educado com meus agradecimentos, nĂŁo sabia que isso a ofenderia tanto. Com licença, preciso me arrumar para ir trabalhar. â A Ășltima palavra foi dita com tanta lentidĂŁo e ĂȘnfase que Serenity poderia ter se deliciado na pronĂșncia, se nĂŁo soubesse que ele a alfinetava com a insinuação de que ela nĂŁo trabalhava, e se nĂŁo houvesse aquela droga de sotaque britĂąnico.
De manhĂŁ era mais intolerante que de costume e ela odiava conversar. Por que fazĂȘ-la se sentir tĂŁo culpada por isso? Prometera a si mesma tentar manter certa âpazâ e âharmoniaâ com seu colega de apartamento e controlar sua personalidade um pouco... DifĂcil, mas ele tinha que abordĂĄ-la justamente naquela hora do dia? Tudo bem, viajava bastante, mas nĂŁo queria ser expulsa do apartamento.
Pela primeira vez em anos estava disposta a aceitar um copo de whisky ou, quem sabe, um brandy. E ainda nem eram nove da manhĂŁ.
Jamais passou pela cabeça que J fosse algum trabalhador comum, afinal, moram no Victorian Lux, mas nĂŁo esperava tanta ostentação â ou serĂĄ que sempre fora assim e sĂł agora percebeu? Sentiu-se uma desleixada com sua calça moletom e camiseta lisa branca de mangas longas, nĂŁo que quisesse ficar apresentĂĄvel para ele, apenas odiou a sensação de desconforto que sentiu com suas roupas confortĂĄveis.
âAlguns dizem que eles sĂŁo mĂĄgicos, capazes de unirem aqueles destinados um ao outroâ, a voz do vendedor indiano ecoou em lembranças. Serenity balançou a cabeça, afastando as ideias. Era bobagem, uma grande bobagem. Uma bobagem que certamente sabia mexer com o inconsciente das pessoas. Nunca fora uma pessoa curiosa a respeito da vida alheia, e nĂŁo queria começar a ser, principalmente com J.
Abriu os e-mails em seu celular para distrair os pensamentos e leu o Ășltimo enviado por Antony, poucos minutos atrĂĄs. Enfiar a cara no trabalho era a melhor tĂĄtica para afasta qualquer outra coisa que se escondia nos recĂŽnditos de sua mente. Nem quando trabalhara com Johnny Depp agira de maneira tĂŁo boba, e ele era seu ator favorito!
âSei que retornara de viagem hĂĄ algumas horas, no entanto, estĂŁo preparando um evento onde requisitam sua aparição, no fim do ano. Se lesse as cartas e os e-mails, saberia o quanto isso seria vantajoso. Por favor, pense a respeito.â
âDireto e retoâ, Serenity pensou. Antony com certeza nĂŁo tinha medo de se impor quando era por meio de mensagens. Talvez porque assim nĂŁo desse pra ver â ou sentir â o olhar gelado e duro de sua empregadora. Ou escutar as palavras rudes que Serenity nĂŁo conseguia parar de pronunciar.
Ă como dizem:Â âvelhos hĂĄbitos nunca morremâ.
Poucos minutos apĂłs guardar todo material de limpeza e lavar os panos sujos, Serenity encontrou J na bancada da cozinha comendo um donut coberto com muito açĂșcar e recheado com bastante chocolate. O rosto dele, todo lambuzado, a fez lembrar uma criança, o que era muito cĂŽmico, visto que ele ainda trajava aquele terno ridiculamente caro e elegante.
Quase sentiu uma risada borbulhar na boca do estĂŽmago. Quase. HĂĄ muito nĂŁo tinha essa sensação, por isso lhe era incomum; seu organismo reagiu como se um ser estranho tivesse invadido seu corpo e este estava tentando combatĂȘ-lo. No entanto, nĂŁo conseguiu evitar que um sorriso brincasse em seus lĂĄbios enquanto o avaliava de cima a baixo.
- NĂŁo importa. â Avaliou o cansaço de seu corpo e as bolsas ao redor dos olhos negros e profundos, suplicando por algumas horas de sono, conhecia bem os sinais, via-os todos os dias quando se olhava no espelho. â VocĂȘ precisava deles mais que eu. E parece que os apreciou mais do que eu jamais seria capaz.
Pequenas manchas rosadas pintaram as maçãs do rosto de J. Aquele homem malditamente lindo estava corando! E, como se fosse possĂvel, ele ficava cada vez mais atraente. Maldição.
- Obrigado, eles estavam realmente bons â contou depois de chupar os dedos, tĂŁo lambuzados quanto o redor da boca.
J fez uma expressĂŁo horrorizada de culpa, o que deixou ela mesma com um pouco de culpa.
Por que tudo o que ela fazia rebatia e a atingia de volta?
- Realmente, me perdoe, eu compro outros pra vocĂȘ.
- Esqueça. â Ela achava impossĂvel ficar brava com um homem lindo que tinha o rosto cheio de chocolate e sequer notava isso. â Se preocupe mais em limpar a boca, ficou um pouquinho de chocolate no canto.
O pequeno objeto, então, pareceu brilhar, o que Serenity jå acreditava ser fruto de sua imaginação ou dos sonhos que se apoderavam de seu inconsciente.
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Eu sei que jå havia feito uma previsão ano passado de começar a postar este ano Happened in 20A, o que não aconteceu, evidentemente. Por isso peço mil desculpas a quem estava esperando pela história. Acontece que eu realmente acreditei que conseguiria escrever e postar, mas acabei estudando de verdade este ano. Hahahaha. Estudei mesmo!
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Oii! Comecei a postar uma histĂłria recentemente, e vim te chamar pra ler. Na aba âleia aquiâ tem a sinopse e o link, caso te interesse. Obrigada pela atenção. Pra vocĂȘ:âż âĄ
Oi, como vai? Desculpa a demora na resposta. Qual seu nome?
Bem, eu estou sem tempo para acompanhar as webs por causa dos estudos. Planejo voltar ano que vem a ler, quando estiver mais calmo.
Vou deixar arquivada a sua web para, eventualmente, lĂȘ-la. Obrigada pelo convite. :)
aaah tomara que decolee mesmo *u* queria tannto saber como ia ser o resto da historia *u* e aquela outra tb... q vc falou no wpp *u* eu me lembro que tinha um metro kkkkk :3 enfimmm... e aĂ como vai o cursinho? *-* preparada para os vestibulares? :P tĂŁo logo aĂ (mui amiga eu por "lembrar" kkkkkkkk
Eu contei no wpp o que eu estava planejando. kkkkk.
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Bem, eu ando com uma história na cabeça, mas não tenho certeza se ela vai conseguir "decolar". Se ela tiver um bom desenvolvimento, vou postar, sim, pode deixar, então não se esqueça de mim! :D