Mini Doc - Aborto
Entrevistas, Produção e Edição: Clara Fernandes, Giulia Villa Real Seabra e Catharina Figueiredo

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Entrevistas, Produção e Edição: Clara Fernandes, Giulia Villa Real Seabra e Catharina Figueiredo

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NotĂcia - Geração+ (AES TietĂȘ) - Composteiras para toda Ibitinga
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As composteiras implementadas no percurso de GestĂŁo de ResĂduos SĂłlidos no Geração+ ultrapassaram as salas de aula e estĂŁo trazendo grandes mudanças na realidade dos moradores do municĂpio de Ibitinga! Educadoras da Pastoral da Criança e famĂlias atendidas estĂŁo tendo a oportunidade de entender como se mantĂ©m e como funciona uma composteira domĂ©stica â e a inspiração foram as composteiras da EMEF Professora Francisca SimĂ”es.
Tudo começou quando coordenadores da Pastoral da Criança de Ibitinga escutaram a professora Ana Maria de Moraes falando na rådio Portal Ternura sobre os resultados positivos das composteiras. A organização resolveu então falar com a escola e convidar a professora para tocar uma oficina de construção de composteiras domésticas para a comunidade atendida pela Pastoral.
As reuniĂ”es, que acontecem desde o inĂcio do ano, envolveram os moradores da Vila SimĂ”es. A coordenadora da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Karine Paniquar, se juntou Ă iniciativa palestrando nos encontros. Ela fala sobre o destino do lixo produzido na cidade e a importĂąncia de se reduzir o lixo domĂ©stico, mostrando Ă s famĂlias que a composteira domĂ©stica pode ajudar nĂŁo sĂł o meio ambiente por meio do reaproveitamento de resĂduos orgĂąnicos, como tambĂ©m dentro de casa, melhorando a alimentação da famĂlia quando o adubo Ă© usado na horta.
Depois, a professora Aninha apresenta as composteiras de balde, que funcionam com e sem a ação das minhocas, para as famĂlias. Quatro delas se interessaram e receberam composteiras em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente para que jĂĄ começassem a produção de adubo muito nutritivo. âA gente levou a composteira jĂĄ na hora da reuniĂŁo, mostramos que pode se fazer com balde, assim nĂŁo tem que pagar por nada. A ideia Ă© trabalhar com o que a gente jĂĄ tem e nĂŁo precisar gastar a mais, nĂ©?â, conta a professora.
O prĂłximo passo Ă© que as famĂlias recebam mudas doadas pela Secretaria para poderem utilizar o adubo produzido. As prĂłximas famĂlias a participar das oficinas e reuniĂ”es serĂŁo as da Vila dos BancĂĄrios, onde tambĂ©m serĂŁo distribuĂdas composteiras.
âO que estamos tentando mostrar Ă© que devemos diminuir a quantidade de coisas que jogamos fora e aprender a ter mais consciĂȘncia com o lixo. Poder plantar em hortas na sua prĂłpria casa, usando o adubo das composteiras, para que depois vocĂȘ tenha na alimentação da sua famĂlia coisas que vocĂȘ sabe de onde vem e que nĂŁo tĂȘm nenhum tipo de agrotĂłxicosâ, explica Aninha. âAlĂ©m de, Ă© claro, motivar as crianças. Eles adoram!â
NotĂcia - Instituto TIM - Comemoração e Bateria do IT na sede da TIM
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Nesta terça-feira, dia 16 de abril, a Bateria do Instituto TIM comemorou em alto estilo e na companhia dos colaboradores da TIM uma grande conquista: o PrĂȘmio Anatel de Acessibilidade em TelecomunicaçÔes 2019, concedido pela AgĂȘncia Nacional de TelecomunicaçÔes. A apresentação aconteceu na sede da TIM, no Rio de Janeiro (RJ).
O PrĂȘmio Anatel Ă© concedido Ă empresa que conquistar o primeiro lugar no Ranking de Acessibilidade da agĂȘncia. Esse ranking classifica e compara as cinco maiores empresas de telecomunicaçÔes de acordo com o Regulamento Geral de Acessibilidade, a fim de incentivar a criação de polĂticas de acessibilidade mais ativas e o desenvolvimento de novas tecnologias para atendimento aos mais de 45 milhĂ”es de brasileiros com deficiĂȘncia, segundo dados do IBGE.
A cerimĂŽnia de entrega do prĂȘmio aconteceu em BrasĂlia (DF). Estiveram presentes o presidente da Anatel, Leonardo de Morais, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, a senadora Mara Gabrilli (PSDB/SP), o secretĂĄrio-Executivo do MinistĂ©rio da CiĂȘncia, Tecnologia, InovaçÔes e ComunicaçÔes, JĂșlio Semeghini Neto, e o presidente do Conselho de Administração da TIM, Nicandro Durante.
Iniciativas como a promoção do aplicativo Giulia â MĂŁos que falam, voltado para deficientes auditivos e a parceria com o Instituto Benjamin Constant para criação do plug-in Emoti Sounds, para pessoas com deficiĂȘncia visual, sĂŁo exemplos de açÔes implementadas pela TIM.
A Bateria do Instituto TIM tambĂ©m Ă© uma importante iniciativa voltada para a inclusĂŁo: boa parte de seus integrantes possui algum tipo de deficiĂȘncia.
NotĂcia - Instituto TIM - EstĂŁo abertas as inscriçÔes para AWC 2019
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Universitårios interessados em transformar seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) em startups de base tecnológica jå podem se inscrever no programa Academic Working Capital 2019. Os estudantes devem realizar a pré-inscrição através do site de AWC e enviar suas propostas e documentos até o dia 22/04.
As equipes inscritas podem ter atĂ© quatro pessoas, maiores de 18 anos e cursando qualquer ĂĄrea de graduação. O lĂder da equipe deve estar no Ășltimo ano de curso e seu TCC deve estar relacionado a tecnologia. Alunos de quaisquer universidades localizadas nos estados de EspĂrito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, ParanĂĄ, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e SĂŁo Paulo e no Distrito Federal podem participar.
As expectativas para a quinta edição do programa sĂŁo altas: Ă© esperada a participação de 30 a 40 equipes. âJĂĄ sĂŁo mais de 700 coordenadores de cursos contatados. Fizemos um trabalho bem forte com ex-alunos que jĂĄ participaram do AWC para que eles fossem nossos embaixadores nas suas respectivas universidadesâ, conta o professor da Universidade de SĂŁo Paulo e consultor acadĂȘmico do AWC, Marcos Barretto.
AlĂ©m do aumento no nĂșmero de inscriçÔes, a expectativa Ă© de que mais mulheres integrem e liderem equipes. âAno passado foram mais de 30% dos projetos liderados por mulheres, e tivemos garotas em mais de 50% dos times. O objetivo Ă© chegar no 50%/50% nas liderançasâ, diz Marcos. Para incentivar a presença feminina no programa, a AWC tem se alinhado a entidades como a Rede de Mulheres Empreendedoras e a Meninas Digitais.
O resultado do processo seletivo serĂĄ comunicado no dia 29 de abril.
Para mais informaçÔes consulte o edital completo.
NotĂcias - Instituto TIM -Â AWC: Startup ganha R$ 25 mil em evento nos EUA
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Na Ășltima sexta-feira, dia 5 de abril, a startup AquaLuz, participante do programa Academic Working Capital em 2018, foi uma das campeĂŁs do HackBrazil 2019, competição que reĂșne empresas nascentes de base tecnolĂłgica focadas na resolução de problemas sociais brasileiros. A AquaLuz, que ficou em segundo lugar, levou para casa um prĂȘmio de R$ 25 mil. O primeiro lugar ficou com a startup Blue, que utiliza tecnologias de InteligĂȘncia Artificial para calcular o risco de doenças crĂŽnicas.
Ao todo, 400 startups se inscreveram no HackBrazil. As 35 melhores foram escolhidas para um perĂodo de trĂȘs meses de mentoria, oficinas e workshops. A final do concurso aconteceu durante a Brazil Conference at Harvard & MIT, em Boston, na qual as cinco finalistas fizeram pitches, expondo seus projetos para uma banca composta por sete jurados, lĂderes de grandes empresas. Das cinco startups selecionadas para o evento, trĂȘs fizeram parte de AWC 2018: alĂ©m da Aqualuz, Helidrop e NextCam.
A Aqualuz busca solucionar um problema presente principalmente no SemiĂĄrido: a falta de acesso Ă ĂĄgua potĂĄvel. Dados do MinistĂ©rio das Cidades apontam que mais de 16% da população brasileira nĂŁo tem acesso Ă ĂĄgua potĂĄvel, o que diminui drasticamente a qualidade e expectativa de vida dessas pessoas. A solução proposta pelos empreendedores Anna LuĂsa Beserra Santos, Lucas Gama Dantas Ayres, LetĂcia Nunes Bezerra e Marcela Sepreny Ă© um sistema de filtragem que utiliza radiação solar para tornar ĂĄgua contaminada prĂłpria para consumo. Cada ciclo de filtragem dura, em mĂ©dia, 4 horas, disponibilizando atĂ© 28 litros por dia. A expectativa da startup Ă© acrescer 400% atĂ© 2021.
A Brazil Conference at Harvard & MIT aconteceu entre 5 e 7 de abril e reuniu importantes nomes brasileiros e um pĂșblico formado por pessoas influentes no mundo empresarial e de investimentos. Mais do que o prĂȘmio em dinheiro, o ponto alto do evento para as startups de AWC foi o networking. Os empreendedores tiveram a oportunidade de angariar contatos e estabelecer conexĂ”es valiosas para impulsionar seus projetos.

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NotĂcias - Instituto TIM -Â MĂșsicos da Bateria assistem ao Cirque du Soleil
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No dia 27 de março, os integrantes da Bateria do Instituto TIM tiveram a oportunidade de assistir ao espetĂĄculo âOVOâ do Cirque Du Soleil, no Rio de Janeiro. O espetĂĄculo se tornou ainda mais especial com a presença do ator e cantor Jonathan Azevedo, convidado pela TIM a acompanhar o grupo durante todo o evento.
Todos que participaram da apresentação da Bateria no prĂ©-Carnaval do Rio deste ano receberam o convite. Pessoas portadoras de deficiĂȘncia e menores de idade puderam levar um acompanhante para que ninguĂ©m precisasse ficar de fora. Ao todo, compareceram 38 integrantes da Bateria dentre 76 visitantes (incluindo acompanhantes, monitores, membros da equipe e o Mestre Mangueirinha, regente da Bateria). Durante o intervalo foram distribuĂdos saquinhos de pipoca e refrigerante.
âOportunidade Ășnica!â, descreveu JosĂ© Augusto Chaves, que Ă© portador de deficiĂȘncia visual e toca repinique na Bateria hĂĄ cinco anos. Ele adorou o Cirque du Soleil e achou tudo muito lindo.
Além de assistir ao espetåculo, Mariana Alves Rodrigues, que toca chocalho na Bateria hå dois anos, foi convidada para visitar o backstage, assistir ao espetåculo da årea VIP e ainda conhecer os artistas que fazem parte do Cirque du Soleil.
âFoi maravilhoso. Fiz ballet por 10 anos entĂŁo foi muito importante para mim porque consegui ver toda a preparação, os artistas, os figurinos. Todos os detalhes!â, conta Mariana, que tem 17 anos.
NotĂcias - Instituto TIM - GaratĂ©a: Experimento vai ao espaço em julho
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O foguete Falcon 9, contratado pela AgĂȘncia Espacial Norte-Americana (NASA) e que levarĂĄ o experimento cientĂfico vencedor do projeto GaratĂ©a-ISS, apoiado pelo Instituto TIM, para o espaço, deve ser lançado no inĂcio de julho. O experimento âCapilaridade vs Gravidade no Processo de Filtraçãoâ, feito por alunos do 2Âș ano do Ensino MĂ©dio do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), voarĂĄ para a Estação Espacial Internacional (Internacional Space Station â ISS) e, lĂĄ, serĂĄ operado por astronautas.
A iniciativa GaratĂ©a-ISS possibilita que alunos brasileiros façam parte do programa norte-americano Student Spaceflight Experiments Program (SSEP), que incentiva, principalmente, a educação cientĂfica. O Brasil Ă© a Ășnica comunidade fora da AmĂ©rica do Norte a fazer parte do programa. âO Brasil era originalmente membro da estação espacialâ, conta o engenheiro espacial Lucas Fonseca, diretor da MissĂŁo GaratĂ©a, que realiza o projeto GaratĂ©a-ISS. âAcredito que essa Ă© uma retomada do Brasil, mesmo que por vias educacionais, para a cena espacial mundialâ, completa.
Ao longo de 2018, mais de 4 mil estudantes de 10 a 17 anos foram envolvidos no projeto, convidados a construĂrem experimentos cientĂficos para serem enviados Ă Estação Espacial Internacional. Para isso, foram realizadas formaçÔes com professores sobre a metodologia cientĂfica e os conceitos necessĂĄrios para a execução do projeto. Um processo seletivo Ă© realizado dentro de cada uma das escolas participantes, e o escolhido em cada uma Ă© enviado para avaliação de uma banca de acadĂȘmicos da MissĂŁo GaratĂ©a. A banca elege trĂȘs finalistas, que sĂŁo entĂŁo enviados para a NASA, que escolhe o experimento mais viĂĄvel.
O experimento brasileiro vencedor e que vai para o espaço em julho, âCapilaridade vs Gravidade no Processo de Filtraçãoâ, Ă© inspirado no filtro de barro, muito comum no Brasil e conhecido mundialmente por ser um dos mais eficientes. Na Terra, ele funciona atravĂ©s da gravidade, jĂĄ que a ĂĄgua escorre pelo sistema interno e sai filtrada para nĂłs. Esse processo original, no entanto, nĂŁo funciona no espaço, jĂĄ que as noçÔes de gravidade sĂŁo bem diferentes das terrestres. Partindo desse princĂpio, os alunos propuseram um experimento que usa um efeito fĂsico chamado de capilaridade, que funciona independentemente da gravidade.
ApĂłs ganhar o concurso, o experimento passou para a fase de sair do papel. Todos os experimentos foram condicionados em tubos com diferentes cavidades, permitindo manipulação das substĂąncias pelo astronauta. No perĂodo de um mĂȘs, os astronautas receberĂŁo instruçÔes dos alunos para operar cada projeto e, atravĂ©s dos dados fornecidos, eles acompanharĂŁo o experimento.
Passado um mĂȘs, os astronautas trarĂŁo o experimento de volta Ă Terra. Os alunos farĂŁo a observação dos resultados e formalizarĂŁo tudo num estudo, detalhando o processo e a conclusĂŁo final, incluindo se o projeto funcionou ou nĂŁo â essa etapa finaliza o ciclo completo de investigação da experiĂȘncia cientĂfica, construindo um estudo de campo completo.
Antes do lançamento do foguete, os alunos vencedores participam de um congresso, em Washington, nos Estados Unidos, em que contarĂŁo como Ă© o experimento e a montagem do projeto para um pĂșblico de acadĂȘmicos e cientistas.
O projeto GaratĂ©a-ISS Ă© realizado em parceria com a Universidade de SĂŁo Paulo (USP) e a Fundação de Apoio Ă FĂsica e Ă QuĂmica (FAFQ) e conta com o patrocĂnio do Instituto TIM, entre outras organizaçÔes. âO fato do Instituto TIM jĂĄ apoiar projetos que fomentam a educação nos mostra como se trata de uma instituição que se preocupa com a ciĂȘncia, muito mais do que sĂł financeiramente, mas de fato com o incentivo Ă educação cientĂfica no paĂs. Por isso procuramos o Instituto TIM, sabendo que casava com a missĂŁo e os nossos objetivosâ, explica Lucas Fonseca, da MissĂŁo GaratĂ©a.
O objetivo do programa para os prĂłximos anos Ă© impactar entre 30.000 e 40.000 alunos.
Blog - Instituto de Cinema -Â AgnĂšs Varda, pioneira da Nouvelle Vague, morre aos 90 e deixa legado brilhante
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A cineasta pioneira que marcou a geração da Nouvelle Vague francesa, AgnÚs Varda, faleceu nessa sexta-feira, aos 90 anos, em razão de um cùncer.
A Nouvelle Vague foi um importante movimento cinematogrĂĄfico que marcou o cinema francĂȘs nos anos 60 e que marca produçÔes atĂ© hoje com seu legado contestatĂłrio.
Ela cunhou o termo "cinecritura" (cinecriture) para se referir a seu processo de trabalho, jå que se envolvia em todas as etapas de produção: do roteiro e da direção, até a montagem, imprimindo sempre um estilo ousado e próprio.
Com uma vasta produção, com tĂtulos como âClĂ©o das 5 Ă s 7â (1962), âOs Renegadosâ (1985), âAs Duas Faces da Felicidadeâ (1965) e âOs Catadores e Euâ (2000), Varda foi a pessoa mais velha a disputar o Oscar, com a indicação pelo documentĂĄrio "Visages villages"(2017) em 2018, ganhando um prĂȘmio honorĂĄrio da Academia.
A cineasta era muito presente no Festival de Cannes com mais de dez filmes exibidos desde 1958 atĂ© os dias atuais, participando duas vezes do jĂșri, ganhando uma Palma de Ouro em 2015.
Seu trabalho mais recente foi a sĂ©rie em documentĂĄrio âVarda par AgnĂšsâ, apresentada no Festival de Berlim, em que ela mostra sua obra para um pĂșblico ao vivo, dando detalhes do seu processo criativo.
O comunicado publicado feito pela famĂlia dizia que "A realizadora e artista morreu de cĂąncer em casa, na noite de 29 de março, cercada da famĂlia e de amigos", alĂ©m de descrever Varda como uma "feminista alegre" e "artista passional".
O InC lamenta profundamente a morte de Varda, que impressionou e impressiona amantes da sétima arte em todo o mundo.
Blog - Instituto de Cinema -Â 18 filmes dirigidos por mulheres que vocĂȘ nĂŁo pode deixar de ver
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Mais do que pontual, o machismo Ă© um fenĂŽmeno estrutural e que acomete os diversos Ăąmbitos humanos. Com a arte nĂŁo seria diferente! No total, mulheres representaram apenas 8% dos diretores dos 250 filmes de maior bilheteria nos Estados Unidos, em 2018,  e no Brasil, apenas 16% dos 160 filmes brasileiros lançados nos cinemas em 2017 foram dirigidos exclusivamente por mulheres, apontou estudo da AgĂȘncia Nacional do Cinema (Ancine).
Fato é: o machismo restringe (e muito!) as oportunidades de mulheres estarem presentes atrås das cùmeras e impede que diretorAs explorem o vasto potencial criativo que resultariam em grandes produçÔes na telinha.
Por esse motivo, muitas vezes nem conhecemos ou entramos em contato com grandes nomes femininos que estão a frente de produçÔes brilhantes, clåssicas e contemporùneas do cinema brasileiro e internacional!
Pensando em cada vez mais quebrar esse ciclo constante no Cinema e desconstruir o machismo no meio, o Instituto de Cinema, em parceria com o site Mulher no Cinema, que celebra o trabalho de mulheres na tela, e o portal Cinemascope, oferece o curso Mulheres no Cinema: 12 encontros.
As aulas serĂŁo ministradas pela criadora e moderadora do âMulheres no Cinemaâ, Luisa PĂ©cora, formada em Jornalismo, foi editora do catĂĄlogo da Mostra Internacional de Cinema de SĂŁo Paulo e colaborou para publicaçÔes como Playboy, Filme B,FilmMaker, GetĂșlio e DiĂĄlogos&Debates, entre outras, e que integra o Elviras â Coletivo de Mulheres CrĂticas de Cinema.
Juntamente com Pécora, o curso também serå ministrado pela fundadora e editora-chefe do Cinemascope, além de jornalista, professora, palestrante e filmmaker paulistana, Joyce Pais.
O conteĂșdo serĂĄ dividido em trĂȘs mĂłdulos: âCineastas pioneirasâ, âVanguarda e resistĂȘnciaâ e âCinema contemporĂąneoâ, oferecendo um panorama introdutĂłrio do cinema realizado por mulheres no Brasil e no mundo. Com inĂcio em 02 de abril, ele acontece na sede do Instituto de Cinema, localizado no bairro de Pinheiros, em SĂŁo Paulo.
Para mais informaçÔes acesse aqui
Que tal aquecer para o inĂcio do curso? Confira uma lista de 18 filmes maravilhosos e para todos os gostos, dirigidos por mulheres!
Lady Bird: A Hora de Voar
Tudo para ser um filme clichĂȘ sobre colĂ©gio e a passagem da adolescĂȘncia para a vida adulta, âLady Birdâ (2017), dirigido por Greta Gerwig, surpreende pelas imagens bonitas e ao explorar com eloquĂȘncia a relação entre mĂŁe e filha.
Com 4 indicaçÔes ao Oscar, o longa conta a histĂłria de uma adolescente que passa pelos comuns traumas que todos passamos na adolescĂȘncia: o primeiro namorado, crises na amizade, a necessidade de se sentir diferente do coletivo e ao mesmo tempo como Ă© difĂcil se sentir a parte.
O filme fica ainda mais rico com as caracterĂsticas autobiogrĂĄficas da diretora em pequenos detalhes, como com a sua cidade de nascimento que Ă© a mesma que da protagonista, Sacramento.  âLady Birdâ por muitas vezes representa nĂłs mesmos na Ă©poca da adolescĂȘncia! O longa ganha pontos por, alĂ©m de ser dirigido por uma mulher, explorar bastante questĂ”es relacionadas a maternidade.
Cleo das 5 a 7
Na maioria das vezes deixada de lado quando o papo Ă© sobre a Nouvelle Vague, AgnĂšs Varda dirigiu verdadeiras obras de arte! Dentre elas, temos âCleo das 5 Ă s 7â (1961) que mostra em suas duas horas de duração, as angĂșstias de Cleo, que aguarda o resultado de um exame que dirĂĄ se ela tem cĂąncer ou nĂŁo.
O longa deixa claro ser feito por uma mulher, principalmente devido a Ă©poca que foi feito, quando Varda explora a energia sexual de Cleo e transparece os primeiros momentos em que a protagonista fica sem rumo e decide o que fazer com o que lhe sobra de vida, com a iminĂȘncia da doença.
O belo filme retrata como em duas horas, Cleo passa a dar mais atenção aos pequenos momentos e detalhes do cotidiano, por muitas vezes esquecidos. Â
Que horas ela volta?
Escrito e dirigido por Anna Muylaert, o filme âQue Horas Ela Volta?â (2015) Ă© um filme provocador e que retrata muito bem o ciclo que ainda se perpetua entre empregados e empregadas e seus patrĂ”es. Ambientado na casa de um famĂlia de classe mĂ©dia alta no bairro do Morumbi, em SĂŁo Paulo, o filme de Muylaert retrata o cotidiano de Val, pernambucana que veio para a capital paulistana em busca de melhores condiçÔes de vida para sua famĂlia.
Lotado de estereĂłtipos quanto a famĂlia, o filme toca em diversos pontos que mostram como Ă© o tratamento de Val, que representa todas as empregadas brasileiras. O longa tem cenas marcantes e mostra um trabalho primoroso da Regina CasĂ©.
Raw
âRawâ (2016) chamou a atenção no ano de lançamento quando no Festival de Toronto pessoas desmaiaram apĂłs ver o filme que aborda o canibalismo. A diretora e escritora do longa Ă© Julia Ducournau e se trata de uma produção franco-belga!
Muito alĂ©m do canibalismo em si, âRawâ trata tambĂ©m de violĂȘncia psicolĂłgica ao contar a trama de Justine, uma jovem de 18 anos que acabou de entrar na faculdade de veterinĂĄria e Ă© vegetariana. O processo dissociativo da protagonista começa quando em um trote violento e extremamente invasivo da faculdade, os veteranos a forçam a comer carne crua, o fĂgado de um coelho.
A partir daà Justine começa a tomar atitudes extremamente diferentes do estilo de vida que levava antes, contribuindo para a narrativa relativamente absurda da trama. Uma obra prima!
As Sufragistas
Esse filme franco-britĂąnico Ă© de 2015 e, basicamente, retrata o inĂcio dos movimentos feministas em prol, principalmente, da igualdade no voto, mas tambĂ©m na igualdade das condiçÔes de trabalho e de representatividade. O filme conta com duas mulheres na sua direção e roteirização: Sarah Gavron e Abi Morgan, respectivamente.
A personagem principal Ă© a lavadeira Maud Watts que leva uma vida pacata na Inglaterra atĂ© ser chamada para uma reuniĂŁo das sufragistas que, apĂłs serem ignoradas por tempos, passaram a realizar açÔes mais ativas, organizando passeatas que sĂŁo reprimidas pela polĂcia.
âAs Sufragistasâ cumpre com a questĂŁo histĂłrica e reativa discussĂ”es feministas que atĂ© hoje estĂŁo em pauta, nĂŁo a questĂŁo do sufrĂĄgio em si mas da igualdade de gĂȘnero.
Bicho de Sete Cabeças
Eleito um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Associação Brasileira de CrĂticos de Cinema, âBicho de Sete Cabeçasâ (2000) Ă© dirigido pela paulistana LaĂs Bodanzky.
Baseado na autobiogrĂĄfico AustregĂ©silo Carrano Bueno, Canto dos Malditos, o longa conta a histĂłria de Neto, que foi internado num hospital psiquiĂĄtrico/manicĂŽmio depois do seu pai encontrar maconha nos seus pertences. AlĂ©m de mostrar as mazelas da relação entre pai e filho, o filme foca em contar os abusos e violĂȘncias sofridos nesses hospitais atravĂ©s das situaçÔes que o protagonista Ă© exposto.
Mais do que qualquer outra coisa, o filme de Bodanzky Ă© uma denĂșncia que surtiu efeitos na Ă©poca, culminando na sanção da lei que proĂbe esse tipo de institutição no Brasil.
Mulher Maravilha
Baseado na personagem homĂŽnima da DC Comics, âMulher Maravilhaâ (2017) demorou para sair do papel e foi dirigido pela americana Patty Jenkins. Desde Elektra, em 2004, foi a primeira vez que reavemos uma heroinA-solo nas telinhas, mas talvez seja a primeira vez que vemos algo do tipo e com essa dimensĂŁo.
Ambientado na Primeira Guerra Mundial, o filme conta a histĂłria de Diana, uma semideusa (que ainda nĂŁo sabe disso) amazona, que vive em uma ilha com outras amazonas, inclusive sua mĂŁe. De uma forma inesperada ela conhece Steve, um espiĂŁo britĂąnico que parte numa missĂŁo com Diana, e algumas outras figuras para tentar impedir os desastres da guerra.
Com cenas de ação, muitos efeitos, mitologia, fantasia, romance, a histĂłria aborda ainda o desejo puro pelo bem da sociedade refletido em Diana. Ă um filme feito por uma mulher e que aborda, essencialmente, o genuĂno heroĂsmo feminino.
O Babadook
âO Babadookâ (2014) Ă© um filme de terror que nĂŁo se utiliza de ferramentas como o sangue ou sustos para causar horror, mas sim angĂșstia com as cenas sufocantes. Dirigido por Jennifer Kent, o filme conta a histĂłria de Amelia, uma mĂŁe traumatizada pela morte do marido, e seu filho, Samuel.
Os dois começam a ser aterrorizados pelo pesadelo de Sam, o Babadook que, inclusive, não é retratado com os costumeiros efeitos cinematogråficos atuais que procuram trazer as imagens para o mais próximo do real. O monstro em si é bem simples, demonstrando que o foco não é a imagem em si, mas o que ela representa.
à aà que a questão subjetiva entra em pauta: o longa, essencialmente, se trata da depressão pós-parto, tão mal entendida pela nossa sociedade atual machista e que ainda não compreende doenças psicológicas.
Era o Hotel Cambridge
Participando da escrita do roteiro e tambĂ©m dirigindo, temos a importante cinegrafista brasileira Eliane CaffĂ©! O longa conta o dia a dia dos moradores de um prĂ©dio ocupado no centro de SĂŁo Paulo. A mistura de culturas se intensifica quando os moradores tĂȘm que conviver com refugiados.
Um ponto interessante e que descola o filme do comum é a mistura de realidade e ficção: o filme é resultado da parceria entre Frente de Luta por Moradia (FLM), do Grupo Refugiados e Imigrantes Sem Teto (GRIST) e da Escola da Cidade, além de fazer parte do elenco pessoas que, de fato, moram na ocupação.
O filme de Caffé é um grande exemplo de como o cinema brasileiro pode servir para defesa de uma causa.
Encontros e Desencontros
Sofia Coppola, que jĂĄ tinha se consagrado com o longa âAs Virgens SuicĂdasâ (2000), chamou atenção e encantou mais uma vez dirigindo âEncontros e Desencontrosâ (2003). O longa foi todo gravado em TĂłquio, mas mais do que uma estĂ©tica marcante ou fotografia marcantes, o filme mostra a essĂȘncia do cinema: uma boa histĂłria, sendo contada por uma boa cineasta e estrelada por bons atores: Bill Murray e Scarlett Johansson.
Ele Ă© um ator que foi famoso nos anos 70 e ela estĂĄ acompanhando o marido, fotĂłgrafo de celebridades, e que se conectaram pela insĂŽnia na intensa cidade de TĂłquio, com seus leds coloridos. Coppola consegue mostrar com essa narrativa simples, as cisuras identitĂĄrias que os tempos atuais causam no ser humano. Tudo isso pontuado por uma bela trilha sonora.
Guerra ao Terror
Vencedor do Oscar de Melhor Filme, âGuerra ao Terrorâ (2008) tambĂ©m rendeu o Oscar de Melhor Diretor para Kathryn Bigelow, que conseguiu renovar a forma que guerras sĂŁo retratadas nos cinemas.
O longa aborda a Guerra do Iraque na perspectiva do exercito, mostrando como os motivos de todos estarem ali eram muito mais por ser uma questão presente na realidade de toda a população ao longo dos anos do que por concordarem ou até mesmo saberem porque aquela guerra estava acontecendo.
Deixando de lado a visĂŁo Ă©pica e dando lugar a visĂŁo humana, Bigelow explora as questĂ”es psĂquicas que envolvem aqueles que pĂ”e âa mĂŁo na massaâ em uma guerra e como eles entendem a situação em que estĂŁo.
Zama
âZamaâ (2017) nasceu do encantamento da diretora argentina Lucrecia Martel com a obra de Antonio di Benedetto, publicado em 1956. O longa Ă© ambientado numa AmĂ©rica Latina dominada pelo colonialismo no sĂ©culo 17, com seus contrastes entre o que era considerado âcivilizadoâ e âselvagemâ.
O protagonista da trama Ă© Dom Diego de Zama, que enfrenta questĂ”es profundamente existencialistas que em um primeiro momento parecem alheias ao perĂodo em si, ao ficar isolado e preso no ciclo do sistema burocrĂĄtico da Ă©poca, se sentindo subestimado nas categorias que ocupa e na possĂvel estadia na capital argentina, Buenos Aires.
Cada cena do longa Ă© um combate de Martel a imagem europĂ©ia do conquistador como herĂłi na AmĂ©rica Latina. O diferencial da cineasta se mostra no carĂĄter sobrenatural e de delĂrio nas imagens, pensamentos, diĂĄlogos e atĂ© som. O filme tem um final marcante!
A Hora da Estrela
Baseado na famosa obra de mesmo nome, da autora Clarice Lispector, âA Hora da Estrelaâ (1985) Ă© um filme dirigido por Suzana Amaral, que pĂŽs em imagens a narrativa de Lispector, contando a histĂłria de MacabĂ©a, uma nordestina que foi para SĂŁo Paulo em busca de uma nova vida.
O filme consegue cumprir com louvor o importante papel de representar, através da sétima arte, essa bela história, realizando um intenso estudo de personagens que då outra dimensão para a obra.
Trabalhando como datilĂłgrafa em um pequeno escritĂłrio, MacabĂ©a tem como sua principal caracterĂstica a ingenuidade, pureza e baixa auto estima, muito bem representadas pela atriz MarcĂ©lia Cartaxo. A trama se desenrola contando a histĂłria da protagonista, sua paixonite, tambĂ©m migrante, OlĂmpico, sua amiga GlĂłria e as mudanças em suas vidas depois de ir na cartomante Madame Carlota.
O filme Ă© sinalizado pela Associação Brasileira dos CrĂticos de Cinema como um dos 100 melhores da histĂłria de nossa cinematografia, alĂ©m de ser escolhido como o melhor filme pela crĂtica no Festival de Berlim, recebendo tambĂ©m o prĂȘmio de  Melhor Atriz, pela atuação de Cartaxo.
Amor Maldito
O longa não só foi um marco na história do cinema nacional, como também um marco na luta contra o preconceito racial, o machismo e a homofobia. Adélia Sampaio foi a primeira mulher negra a dirigir um filme no Brasil, além de escolher uma temåtica extremamente disruptiva e afrontosa para a época: o relacionamento homossexual entre duas mulheres.
âAmor Malditoâ (1984) retrata o relacionamento dessas duas mulheres que, diariamente, tem que lidar e combater o preconceito nĂŁo sĂł da sociedade como das duas famĂlias tambĂ©m, culminado por um suicĂdio.
Apesar de jå fazerem anos desde o seu lançamento, o filme mantém sua importùncia não só pela representatividade, como também por, até os dias atuais, o tema ser recorrente.
Tomboy
Escrito e dirigido pela francesa CĂ©line Sciamma e lançado em 2012, âTomboyâ, como a expressĂŁo contemporĂąnea que dĂĄ nome ao filme jĂĄ indica, conta a histĂłria de um menino que tem caracterĂsticas e comportamentos que a sociedade estabelece como masculinas.
Na história, Laurie, uma garota de 10 anos, se muda com os pais e a irmã mais nova para uma casa nova. A garota se apresenta para as outras crianças da vizinhaça como Mickael, se socializando como um garoto. Com sua crescente amizade com uma das garotas, chamada Lisa, a menina passa por uma crise de identidade.
O filme aborda assuntos que sĂŁo importantĂssimos e ainda mal compreendidos na nossa sociedade: as diferenças entre sexualidade e comportamento e o que Ă© ser transgĂȘnero. AlĂ©m disso, fica claro como desde a infĂąncia, os padrĂ”es do que Ă© âde meninoâ e âde meninaâ jĂĄ sĂŁo implementados e geram futuras violĂȘncias.
Inspire, Expire
Filme recente, âInspire, Expireâ Ă© dirigido e escrito pela islandesa Ăsold UggadĂłttir e foi lançado em Festival Sundance de Cinema em janeiro do ano passado e Ă© um longa original da Netflix. O enredo trata de um tema extremamente atual: a crise de refugiados e, num espectro mais amplo, a desigualdade social.
O longa conta a vida de Lara, islandesa, mĂŁe solteira e com extensos problemas financeiros que estĂŁo causando grandes apertos e prejudicando sua vida de forma muito preocupante. A situação chega ao apĂce quando ela precisa morar, junto com seu filho pequeno, em seu carro.
Tudo parece melhorar quando ela arruma um emprego na capital, na alfĂąndega do aeroporto. Ă aĂ que as duas mulheres que, aparentemente nĂŁo tĂȘm nada em comum, se encontram a primeira vez, jĂĄ que Lara descobre o passaporte falso de Adja, uma refugiada de GuinĂ©-Bissau, que tenta ir para o CanadĂĄ para se reencontrar com  filha que conseguiu chegar atĂ© o destino final.
Essencialmente o que liga as duas mulheres é sua dedicação aos filhos e o descaso da sociedade para com elas.
Cafernaum
Filme ĂĄrabe-libanĂȘs, âCafernaumâ (2018) foi dirigido pela libanesa Nadine Labaki! Indicado ao prĂȘmio Palma de Ouro e no Festival de Cannes, o longa foi ovacionado por 15 minutos na premiação francesa.
Traduzido como âCaosâ, o longa tem como personagem principal Zain, interpretado por Zain Al Rafeea que atua atravĂ©s de sua prĂłpria histĂłria: um menino de 12 anos, refugiado de Beirute. Imagens aĂ©reas da cidade, evidenciam a destruição e o caos instaurado, em que, crianças como Zain, perderam a muito tempo sua ingenuidade.
A narrativa se desenrola através dos acontecimentos na vida do menino, que passar por poucas e boas depois de fugir de casa, ficar sob custódia por um esfaqueamento e depois processar seus pais por ter nascido.
Garota Sombria Caminha pela Noite
O longa âGarota Sombria Caminha pela Noiteâ (2015) foi dirigido e roteirizado pela cineasta americo-iraniana Ana Lily Amirpour. Um detalhe no mĂnimo instigante na obra Ă© o fato de ter sido gravado em apenas 24 horas, por imigrantes iranianos. AlĂ©m disso o filme Ă© inteiro em preto e branco e que faz uso de criaturas pĂłs-modernas: os vampiros.
O enredo se passa na cidade fictĂcia âBad Cityâ, ou Cidade do Mal em portuguĂȘs,  que jĂĄ alerta sobre o caos da cidade, lotada de traficantes e prostitutas. No mais, Ă© importante ressaltar o elemento essencial do filme: os sentidos, jĂĄ que nada na narrativa Ă© linear ou fortemente ligado aos quesitos espaço-temporais.
O filme tem um forte cunho feminista, jĂĄ que conta a histĂłria do ponto da garota, uma vampira que vaga pela cidade a noite, com uma capa preta, a procura de alimento: homens que desrespeitam mulheres. Em meio a essa temĂĄtica melancĂłlica, Amirpour ainda acha espaço para uma histĂłria de amor. Â
Blog - Instituto de Cinema -Â InC farĂĄ transmissĂŁo ao vivo do Oscar com comentĂĄrios de especialistas
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Chegou o momento de um dos eventos mais esperados do ano para os apreciadores da sĂ©tima arte: a grande noite do Oscar. O evento, comandado pela Academia de Artes e CiĂȘncias CinematogrĂĄficas, aconteceu pela primeira vez em Hollywood, no ano de 1929, e permanece atĂ© os dias atuais envolto em muita pompa e recebendo atenção do mundo inteiro.
As categorias da premiação envolvem as mais diversas åreas de uma produção cinematogråfica: de roteiro, cenårio, animação, maquiagem, figurino, trilha sonora e fotografia até a mais esperada da noite, a de melhor filme do ano.
Apesar das crĂticas e polĂȘmicas quanto a seleção dos candidatos ou os critĂ©rios para a escolha do vencedor, por exemplo, o Oscar Ă© a principal premiação do cinema e revela as diretrizes que rondam a Academia ao longo do tempo, alĂ©m de reunir grandes produçÔes cinematogrĂĄficas em um Ășnico evento. Quase como uma OlimpĂadas do Cinema!
O InC, buscando proporcionar uma experiĂȘncia mais proveitosa para o pĂșblico, vai realizar uma exibição ao vivo da premiação, no dia 24/02, Ă s 20h30. O evento, que vai acontecer no prĂłprio InC, localizado na Rua Teodoro Sampaio, 1109, no bairro de Pinheiros em SĂŁo Paulo, vai contar com a presença de especialistas em cinema, nossos professores, que comentarĂŁo as escolhas da Academia e os prĂłprios filmes tambĂ©m. A entrada Ă© gratuita e o evento Ă© aberto ao pĂșblico.
AlĂ©m de tudo, cada pessoa vai preencher uma ficha com seus filmes favoritos para receberem a estatueta e, quem acertar o maior nĂșmero de vencedores vai receber um prĂȘmio especial no final da noite!
VocĂȘ estĂĄ tĂŁo ansioso quanto nĂłs? Se inscreva e venha assistir com a gente no prĂłximo domingo: https://goo.gl/forms/DgypuU1NbdtnJ70n1

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Blog - Instituto de Cinema - InscriçÔes para a 6ÂȘ Prova de Bolsa do Instituto de Cinema estĂŁo disponĂveis
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O Instituto de Cinema estå com provas de bolsa abertas para alunos que desejam estudar cinema e trabalhar no meio audiovisual. Para concorrer à bolsa, o candidato deve se cadastrar através do link que se encontra ao final deste artigo até o dia 04/10 e vir até o InC no dia 05 para realizar a prova. Os horårios são das 10h às 12h e das 19h às 21h.
São 10 questÔes objetivas e uma redação, todas relacionadas a cinema e atualidades. Dependendo de seu desempenho na prova e de fatores socioeconÎmicos, a bolsa pode ser de até 60% e é vålida para os cursos Cinema Total (båsico) e FilmLAB (avançado).
Esta Ă© a oportunidade que vocĂȘ estava esperando para se aprofundar no assunto que vocĂȘ mais ama: cinema. Cadastre-se jĂĄ e nĂłs entraremos em contato o mais rĂĄpido possĂvel.
A prova serĂĄ realizada aqui no Instituto de Cinema, Rua Teodoro Sampaio, 1121 â Pinheiros, SP. Os resultados da prova serĂŁo anunciados a partir do dia 11/02 via telefone em contato direto com o candidato.
FormulĂĄrio para cadastro: https://goo.gl/forms/nJPNZQ0j3Q8J4tiw1
Blog - Instituto de Cinema -Novas palestras confirmadas no Instituto de Cinema
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Uma das premissas do Instituto de Cinema é democratizar o ensino do audiovisual no Brasil e, numa perceção ainda mais ampla, democratizar o acesso ao conhecimento. Buscando cada vez mais tornar a nossa visão realidade, o InC propÔe palestras gratuitas com grandes nomes do audiovisual!
JĂĄ recebemos em nosso espaço profissionais como Debora Ivanov e LaĂs Bodanzky, alĂ©m de Luiz Bolognesi e Paulo Morelli, que vĂŁo palestrar nos dias 22/02 e 15/02, respectivamente, Ă s 18h, aqui no InC localizado na Rua Teodoro Sampaio, 1121.
Como forma de aproximar ainda mais o pĂșblico de cineastas e atuantes no mercado, o InC traz novos nomes para palestras 100% gratuitas e abertas ao pĂșblico em fevereiro, março, abril e maio! Rodrigo Teixeira, Pedro Morelli, Katia Coelho e Krishna Mahon vĂŁo estar no Instituto, na Rua Teodoro Sampaio, 1109 (nosso prĂ©dio administrativo), no bairro de Pinheiros em SĂŁo Paulo, nos dias 07/02, 11/04, 08/03 e 17/05, respectivamente, para contar mais sobre suas trajetĂłrias pessoais e percepçÔes sobre o mercado brasileiro.
Confira mais informaçÔes sobre cada um desses cineastas e também o link para inscrição em cada uma dessas palestras!
Rodrigo Teixeira
Nascido no Rio de Janeiro, Rodrigo Teixeira é o fundador da importante produtora paulistana RT Features. Na juventude, após desistir da vida no mercado financeiro, Rodrigo se mudou para Los Angeles, nos Estados Unidos, onde começou a chamar atenção através da produção de curta-metragens.
Em 2006, o produtor começou a se destacar com o filme âO Cheiro do Raloâ, dirigido por Heitor Dhalia e protagonizado por Selton Mello, que custou R$ 300 mil e rendeu R$ 1,5 milhĂŁo em bilheterias.
Atualmente, o cineasta estampa seu nome em grandes produçÔes reconhecidas mundialmente como âA Bruxaâ (2015), dirigido por Robert Eggers, o aclamado mundialmente âMe Chame Pelo Seu Nomeâ (2017), que rendeu quatro indicaçÔes para a principal premiação da sĂ©tima arte, o Oscar, âFrances Haâ (2012), dirigido por Noah Baumbach.
O ano de 2019 promete para o produtor, que lançarå duas produçÔes: "Ad Astra", com Brad Pitt e Tommy Lee Jones e "The Lighthouse", filme de terror e fantasia do diretor Robert Egger, estrelado por Robert Pattinson e Willem Dafoe.
Palestra dia 07/02
HorĂĄrio: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1109 - Pinheiros, SĂŁo Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/6B0SzkwnkavA0nqo1
Pedro Morelli
Formado em audiovisual na USP e filho do diretor Paulo Morelli, Pedro se especializou em sonoplastia e direção cinematogråfica. Jå dirigiu dois longa-metragens e também realizou produçÔes para a televisão.
âEntre NĂłsâ (2013), filme com coprodução de seu pai e lançado no Festival de Roma, foi premiado no Festival do Rio do mesmo ano, como melhor roteiro e melhor atriz coadjuvante. JĂĄ o longa âZoomâ (2015), uma coprodução internacional, foi lançado no Festival de Toronto e foi vendido em 15 paĂses.
AlĂ©m disso, o cineasta fez e dirigiu a sĂ©rie âContos de Edgarâ (2013), que foi transmitido pela Fox e adaptava as histĂłrias de Edgar Allan Poe para a sociedade brasileira. Para a Globo, ele dirigiu as duas Ășltimas temporadas de âCidade dos Homensâ (2017/2018).
Foi diretor geral tambĂ©m de âRua Augustaâ (2018), exibida no canal TNT.
Palestra dia 11/04
HorĂĄrio: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1109 - Pinheiros, SĂŁo Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/K7x4PTtpEQJlwUsw1 Â
Katia Coelho
Primeira mulher a ser diretora de fotografia no Brasil, Katia Coelho coleciona, no total mais de 30 prĂȘmios internacionais e nacionais.
O longa âTĂŽnica Dominanteâ (2000) conta com Vera Holtz no elenco e rendeu a cineasta dois prĂȘmios: Kodak Vision Award-Woman in Film em Los Angeles e tambĂ©m o prĂȘmio APCA, Associação Paulista de CrĂticos de Arte.
A profissional tambĂ©m fez a direção fotogrĂĄfica do filme âVia LĂĄcteaâ, indicado no Festival de Cannes e ganhador do prĂȘmio de fotografia no Festival Ibero-Americano.
Foi professora de Cinematografia na USP durante 7 anos e atualmente trabalha com direção de fotografia de longas, sĂ©ries, programas de TV e comerciais. Â
Palestra dia 08/03
HorĂĄrio: 19h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, SĂŁo Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/IcSGQik12SNHc3Sb2
Krishna Mahon
Produtora executiva e diretora de conteĂșdo, Kishna Mahon passou pela Discovery e hoje em dia atua hĂĄ 9 anos produzindo conteĂșdo original para os canais History, A&E, Lifetime e H2.
A profissional desenvolveu a sĂ©rie âO Infiltradoâ (2013), campeĂŁ de audiĂȘncia no canal History Brasil. AlĂ©m disso, Krishna tem no seu currĂculo produçÔes como a sĂ©rie âGigantes do Brasilâ (2016), a produção mais cara do canal History jĂĄ feita no paĂs.
Krishna Mahon tambĂ©m Ă© criadora e responsĂĄvel pelo projeto âImprensa Mahonâ, canal do YouTube em que Krishna compartilha seu vasto conhecimento na ĂĄrea, dĂĄ dicas de ouro sobre o mercado audiovisual e algumas mais especĂficas para as mais diversas ĂĄreas do audiovisual, de players Ă fundos.
Palestra dia 17/05
HorĂĄrio: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, SĂŁo Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/UsAUTKr7r8HfaQu33
Blog - Instituto de Cinema -Diretores do longa âTinta Brutaâ, grande vencedor do Festival do Rio, conversam com o Instituto de Cinema
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O longa âTinta Brutaâ, distribuĂdo pela Vitrine Cultural, conta a histĂłria de Pedro, interpretado por Shico Menegat, um solitĂĄrio e tĂmido jovem homossexual, que mora em Porto Alegre e Ă© obrigado a lidar com a mudança da irmĂŁ, com quem dividia o apartamento, ao mesmo tempo que responde por um processo criminal.
Pedro vive quase que uma vida dupla, encarnando o Garoto Neon na internet e realizando performances erĂłticas para anĂŽnimos de todos os lugares do mundo, como meio de sobrevivĂȘncia financeira e escape da realidade. A tinta neon aparece como um elemento marcante da sua identidade.
O filme ilustra quais foram as cicatrizes em Pedro causadas pelos julgamentos e perseguiçÔes que sofreu durante toda a sua vida, tanto por sua sexualidade, quanto por sua aparĂȘncia, e como o personagem se comporta ao conhecer LĂ©o, interpretado por Bruno Fernandes, outro artista performĂĄtico do submundo online.
Como imagem de fundo, vemos uma Porto Alegre cinza, solitĂĄria, abandonada e claustrofĂłbica, contundentemente contrastante aos neons de Pedro.
âTinta Brutaâ foi dirigido por Filipe Matzembacher e MĂĄrcio Reolon que vĂȘm se consolidando no cinema brasileiro, ganhando os prĂȘmios de Melhor Filme, Roteiro, Ator e Ator Coadjuvante no Festival do Rio e chamando atenção no circuito internacional, ganhando o principal prĂȘmio LGBT do mundo, o Teddy. A dupla gaĂșcha tambĂ©m dirigiu o filme âBeira-Marâ, de 2015, aplaudido com veemĂȘncia no Festival de Berlim.
Os diretores contam mais sobre o enredo, a produção e a pós-produção em conversa com o InC, além de contarem sua trajetória no cinema, como se interessaram pela sétima arte e quais são as expectativas para o futuro do audiovisual brasileiro.
Sobre o que Ă© o âTinta Brutaâ?
Filipe: O Tinta Bruta é um longa metragem que conta a história do Pedro, um jovem que mora em Porto Alegre e que estå sofrendo um processo criminal enquanto tem que lidar com a despedida da sua irmã e uma vez que ele entra em um processo de se enclausurar em casa, ele começa a performar na internet em sites eróticos, pintando o corpo de tinta neon.
Na internet ele se torna esse personagem que Ă© o Garoto Neon e que Ă© quase uma versĂŁo idealizada dele mesmo. Chega um momento em que ele descobre que tem um outro jovem o imitando e ele vai de encontro a essa outra pessoa.
Como foi o processo de produção e filmagem?
Filipe: Começamos a trabalhar no filme a partir de 2013/2014, mais ou menos. Foram 27 diarias de filmagem, nós temos uma pré-produção bem longa. Na verdade a gente tenta aproximar esse processo bastante do teatro, por exemplo, os ensaios são bem mais longos do que o normal, ensaiamos por um total de 7 meses.
Foi um processo muito bom, boa parte da equipe a gente jĂĄ tinha trabalhado em outras produçÔes. A gente tem uma equipe que confiamos muito e que somos muito prĂłximos, tambĂ©m. Por isso nos comunicamos de uma maneira muito interessante, seja no set ou seja na prĂ©-produção. Â
No filme, nĂłs vemos o Pedro assistindo diversas pessoas indo embora, inclusive a irmĂŁ dele. O quanto esse sentimento de clausura, apesar da vontade de ir embora tambĂ©m, tem a ver com um sentimento pessoal de vocĂȘs?
MĂĄrcio: Acho que Ă© bastante autobiogrĂĄfico isso, de certa forma. A gente começou a desenvolver o roteiro do filme, a gente se tocou de que dos nossos dez amigos mais prĂłximos, seis ou sete deles nĂŁo moravam mais em Porto Alegre. EntĂŁo nĂłs tĂnhamos muito esse sentimento de acompanhar as pessoas que a gente gosta indo embora e a gente permanecendo na cidade, entĂŁo isso Ă© muito direto.
Jå a vontade de ir embora, jå não sei se corresponde tanto com a gente. Até então a gente sempre ficou né.
Filipe: Acho que isso Ă© muito resultado da cidade de Porto Alegre ter se tornado uma cidade mais fria, mais hostil e violenta. A cidade se torna quase um porto fantasma assim. E isso foi uma escolha pĂșblica das Ășltimas gestĂ”es que foram ignorando o espaço pĂșblico e de convĂvio social, fazendo com que as pessoas ficassem mais e mais isoladas dentro de casa, fazendo com que a cidade se torne menos humana.
A gente sente que a cidade se tornou menos atrativa, especialmente para a juventude. EntĂŁo querĂamos muito retratar essa Porto Alegre, que se tornou quase que antagonista a prĂłpria juventude dela.
Como vocĂȘs se conheceram?
Filipe: Nós dois nascemos, crescemos e moramos em Porto Alegre. Também cursamos Cinema na PUC e nos conhecemos durante a faculdade. O Mårcio era meu veterano.
O medo de estar sozinho Ă© um sentimento que permeia o filme inteiro. Contem um pouco como foi o desenvolvimento do roteiro e quais foram os recursos para os diĂĄlogos ficarem mais fluĂdos e naturais?
MĂĄrcio: O roteiro a gente escreve de uma maneira bastante colaborativa. Eu e o Felipe realmente sentamos juntos na frente do computador e vamos escrevendo.
Foi um processo bem longo de escrita, foram cerca de 2 anos. Eu acho que a gente canalizou ali muitos sentimentos bastante pessoais.
Durante o processo de escrita o paĂs sofreu um golpe, em 2016, e eu acho que isso provocou na gente um sentimento de raiva que nĂłs canalizamos bastante ali dentro da histĂłria e colocou no personagem do Pedro. Eu acho que muito do que ele sente e passa ali Ă© um reflexo direto de nĂłs, Â hĂĄ uma conexĂŁo quase que umbilical nossa com aquele personagem. Por mais que nĂŁo seja literalmente autobiogrĂĄfica, Ă© uma histĂłria muito pessoal nesse sentido.
Filipe: Falando sobre o processo de roteiro, no que diz respeito aos diĂĄlogos, eu e o MĂĄrcio temos um histĂłrico como atores, inclusive o MĂĄrcio segue atuando, fazendo atĂ© uma ponta no filme. EntĂŁo eu acho que isso Ă© uma preocupação nossa, a gente atĂ© faz um exercĂcio quando escrevemos os diĂĄlogos, pensando se aquilo vai soar bem saindo da boca de uma pessoa, de fato. Damos muita atenção para isso.
A gente trabalha muito com isso durante o processo todo dos ensaios, tambĂ©m, nessa segunda etapa. EntĂŁo se a gente sente que alguma coisa nĂŁo estĂĄ dando certo, nĂŁo estĂĄ ficando orgĂąnico, a gente estĂĄ sempre aberto a modificar. Nossas falas nĂŁo foram falas rĂgidas e fechadas.
Como foi a escolha dos atores que interpretaram os personagens? Â Â Â
MĂĄrcio: O LĂ©o e o Pedro Ă© atĂ© interessante, o Bruno que Ă© quem faz o LĂ©o ele Ă© ator de teatro, ele nunca tinha feito cinema, mas ele Ă© de um companhia de teatro lĂĄ de Porto Alegre. Um dia nĂłs vimos uma peça em que ele participava e a gente ficou super tocado pela performance dele, a gente sabia que um dia querĂamos trabalhar com ele. AĂ quando a gente estava escrevendo o roteiro do filme, surgiu o papel do LĂ©o e nĂłs pensamos imediatamente no Bruno, ele foi nossa primeira e Ășnica opção.
NĂłs achĂĄvamos que ele tinha essa energia de alguĂ©m que quando chega em um ambiente, toma conta dele, uma pessoa com uma energia muito positiva. E era assim que a gente imaginava o personagem.  Â
Para o Pedro foi um pouco mais difĂcil. A gente procurou por um tempo um ator de Porto Alegre, porque era importante para gente que fosse de lĂĄ. Nesse tempo procuramos algum ator que tivesse alguma caracterĂsticas especĂficas, a gente queria alguĂ©m que tivesse uma aparĂȘncia frĂĄgil, mas que a gente sentisse uma intensidade e uma potencial agressividade, no olhar.
Um dia nĂłs estĂĄvamos numa festa e vimos o Shico discotecando. E ele fechava muito com o que a gente imaginava, ele Ă© super magro, tatuado, com o cabelo preto comprido, sentimos uma pulsĂŁo muito forte.
Filipe: Mesmo sendo uma figura que quase flerta com uma androginia.
Mårcio: Sim! O que pra gente era muito importante, era quase que um contraste ali, muito legal. Aà fomos conversar com ele, tomar um café, enviamos o roteiro e ele ficou super empolgado em fazer o filme! Ele jå conhecia nosso trabalho através do Beira-Mar, nosso primeiro longa.
SĂł que aĂ ele contou que sĂł tinha um problema, que ele nunca tinha atuado antes. EntĂŁo combinamos com ele e com o Bruno, de fazer um processo de ensaios de sete meses, em que fomos de pouco a pouco ensaiando e construindo esses personagens e encontrando a linguagem de atuação do filme tambĂ©m. Â
A gente começou primeiro quase que com encontros semanais, duas vezes por semana, que era quase uma terapia em grupo em que compartilhĂĄvamos coisas muito Ăntimas, mas que de alguma forma se relacionavam com os personagens ou com temas que a histĂłria abordava. Depois disso passamos para os primeiros exercĂcios de interpretação e noção de cĂąmera e depois entrando nos personagens e nos textos e ai sim começar a agregar os outros atores, uma vez que eles jĂĄ estavam confortĂĄveis entre eles. Â
Acredito que foi um processo muito rico, como nossa base original é no teatro, a gente sempre busca aproximar os processos do cinema dos processos do teatro. No cinema as vezes pela falta de tempo e por ser um processo mais caro, acaba sendo um pouco engessado, uma coisa muito pré-pronta, com ensaios muito råpidos.
Sempre que a gente precisa investir em alguma coisa, a gente investe em tempo. Ăs vezes ter um processo mais longo e com isso ir desenvolvendo as coisas em conjunto.
EntĂŁo no processo de prĂ©-produção e produção vocĂȘs dividem literalmente as funçÔes ou alguĂ©m acaba ficando mais responsĂĄvel por alguma parte especĂfica?
Mårcio: Nós fazemos absolutamente tudo juntos. Desde a escrita do roteiro e direção de atores até a decupagem, conversa com equipe e conceitos estéticos. Tudo, tudo, a gente faz juntos.
Filipe: O que acontece é que como a gente investe nessa pré-produção bem longa, com o elenco, o resto da equipe e entre a gente, faz com que toda a equipe tenha o mesmo filme na cabeça, o que facilita!
Mesmo nos momentos de improviso, eles vĂȘm jĂĄ dentro do universo do filme, que Ă© uma coisa essencial. Claro, Ă s vezes no set, tem alguns momentos de correria em que temos que nos dividir, mas no geral nĂŁo existe uma divisĂŁo. E eu acho que isso tudo faz com que nossos sets sejam mais silenciosos e com o seu tempo prĂłprio. VĂĄrias pessoas que trabalham com a gente falam sobre isso, que os nossos sets sĂŁo os mais silenciosos que eles jĂĄ trabalharam. Â
Como foi a escolha da equipe? VocĂȘs costumam trabalhar com os mesmos profissionais ou costumam rotacionar?
MĂĄrcio: Alguns a gente trabalha jĂĄ a bastante tempo. A nossa diretora de arte Ă© quem nĂłs trabalhamos desde o nosso primeiro curta da faculdade do Filipe, desde o primeiro semestre e todos os nossos filmes atĂ© hoje, jĂĄ sĂŁo dez anos trabalhando juntos. Â
Algumas outras pessoas nĂŁo, elas entraram nesse projeto, mas a gente jĂĄ queria trabalhar com elas a algum tempo.
Filipe: O Glauco, por exemplo, que Ă© o nosso fotĂłgrafo. Mas o Germano, por exemplo, que Ă© o montador, ele Ă© o nosso sĂłcio e nĂłs jĂĄ trabalhamos juntos a algum tempo. Acredito que Ă© a mesma dinĂąmica, entĂŁo as pessoas meio que jĂĄ entendem. Â
Acho legal isso de ter a sua turma assim, sabe?  Porque aà às vezes com o olhar as pessoas jå entendem. A comunicação acontece de uma maneira muito mais råpida.
Como foi a escolha da estética do filme e da direção de arte, que são elementos marcantes em todo o longa, inclusive com o próprio neon?
Filipe: Â Isso foi um trabalho muito legal do Glauco, o fotĂłgrafo, e da Manu, que Ă© a nossa diretora de arte. A gente falava sempre que Porto Alegre era uma personagem do filme, sempre discutĂamos como materializar essa cidade, quase como uma antagonista ao Pedro.
Quando a gente encontrou aquela casa, que eu acho que Ă© um elemento bem importante, ela era perfeita em dimensĂ”es mas ela tinha sido recĂ©m-reformada, com a parede branquinha e tudo muito novinho. A gente olhou e pensou que terĂamos que destruir essa casa, para ter essa caso do Pedro que Ă© uma casa de anos, uma casa com histĂłria. O que a Manu fez foi muito legal. Ela olhou pela janela, olhou para a cidade e ficou captando as cores que tinha ao redor e trazendo para dentro da casa. Ela captou as cores mais presentes e começou a pintar a casa e ela foi envelhecendo a casa.
Foi um processo muito legal, de pensar a humanidade dos espaços, pensar até em detalhes, como talvez criar uma camada de gordura na porta, por exemplo, de tanto todo mundo passar a mão.
Em paralelo, a gente tinha esse personagem que trabalha com a ideia da tinta. E o Glauco trouxe um conceito muito legal, que foi de falar âPuts, eu sempre piro sobre a lava quando eu penso na tintaâ, a gente parou para pensar que faz sentido e lembramos atĂ© do documentĂĄrio do Herzog sobre vulcĂ”es, e no set de filmagem tinham vĂĄrias fotos de vulcĂ”es coladas na parede.
Então, foi uma coisa que foi pra relembrar, na verdade, como o Pedro é esse personagem vulcùnico, nessa cidade super cinza e ocre, meio sem vida. E aà do nada chegam aquelas cores, aquela saturação extrema, no meio de tudo isso.
A tinta foi uma coisa que surgiu no roteiro, teve um processo muito legal nos ensaios tambĂ©m, com os meninos e as performances. DaĂ teve o trabalho da Manu junto com a maquiadora tambĂ©m, de criar vĂĄrias texturas diferentes, tinham sempre uns catorze potinhos de tinta, de vĂĄrias cores e texturas diferentes. Umas eram sempre mais grossas e outras eram bem mais lĂquidas. Â
Antes do âTinta Brutaâ vocĂȘs produziram o longa âBeira-Marâ que tambĂ©m era protagonizado por um casal LGBT. Qual vocĂȘs acreditam que seja a importĂąncia de trazer esses temas e de trazer casais nĂŁo heteronormativos?
Filipe: Eu acho que o nosso passado e a nossa história se materializam quando as narrativas são contadas quando a gente propÔe olhares sobre pontos de vista distintos. O cinema nacional só tende a melhorar, crescer e ter realmente um debate mais sadio sobre a sociedade brasileira com essa diversidade.
A gente sempre pensa muito em questĂ”es de gĂȘnero, de seuxalidade e tambĂ©m em questĂ”es sociais e polĂticas nos nossos filmes, o que para gente Ă© muito interessante de trabalhar.
Por exemplo no âBeira-Marâ que era uma questĂŁo muito relacionada ao desejo e ao mesmo tempo a maturação, em relação ao se tornar adulto. JĂĄ no âTinta Brutaâ sĂŁo abordadas diversas questĂ”es, atĂ© ter um casal LGBT naquele ambiente super hostil, como eles se comportam, como eles se sentem em relação Ă quela cidade. Â
Acho que as histĂłrias acabam pedindo certos personagens ou nĂŁo. Mas eu sempre questiono âEssa representação Ă© algo que tem sido visada, repetitiva? O que ela agrega, acrescenta?â.
Como foi o processo para tirar esses projetos do papel e realmente filmar? E como foi a questão da distribuição?
MĂĄrcio: No caso do âBeira-Marâ a gente foi bastante independente, filmamos ele com R$ 7 mil. Depois, claro, vimos um edital para finalização. Ele surgiu mais de uma vontade nossa de fazer um filme sobre juventude e adolescĂȘncia, enquanto a gente ainda estava bem prĂłximo dessa idade, entĂŁo querĂamos falar muito atravĂ©s da nossa visĂŁo, quase como uma perspectiva interna, evitando uma visĂŁo mais idealizada ou nostĂĄlgica da adolescĂȘncia.
TambĂ©m era um filme bem mais experimental, quase que um exercĂcio com atores, a gente nĂŁo tĂnhamos um roteiro, fomos improvisando Ă medida que Ăamos filmando.
Para o âTinta Brutaâ que jĂĄ era um projeto com uma outra proporção, um projeto muito mais roteirizado e ambicioso, mesmo em termos de estrutura. EntĂŁo para viabilizar ele a gente teve dois recursos: a gente ganhou um edital para desenvolvimento de roteiro, do Festival de RoterdĂŁ e depois nĂłs ganhamos um edital nacional para a produção do MINC em parceria com o FSA, para filmes de baixo orçamento.
AtravĂ©s desses dois editais a gente conseguiu viabilizar o filme. Â
Quanto a distribuição, em ambos os filmes quem estĂĄ realizando essa parte Ă© a Vitrine Filmes, eles trabalharam com a gente no âBeira-Marâ e agora estamos trabalhando com eles novamente no âTinta Brutaâ. Agora o filme tambĂ©m estĂĄ participando da SessĂŁo Vitrine Petrobras o que Ă© bem interessante, porque os filmes passam em cinemas a preço popular, o que aumenta o acesso, democratiza.
Filipe: Eu acho muito legal porque a Vitrine esteve com a gente desde o inĂcio do projeto. A gente mandou sĂł o projeto para eles, nĂŁo tinha nem roteiro, e jĂĄ tivemos um feedback. Foi Ăłtimo contar com a parceria desde o inĂcio.
NĂłs tambĂ©m temos uma distribuidora internacional que vem ajudando em outros paĂses e territĂłrios, alguns festivais fora do paĂs. Â
VocĂȘs esperavam que o âTinta Brutaâ tomasse toda essa proporção?
Filipe: Acredito que a gente nĂŁo espera, tentamos sempre fazer o filme mais honesto e nos dedicamos muito para o filme. Uma frase que falamos bastante durante o set Ă© âToda dedicação que a gente colocar no filme, vai estar impressa aliâ, ou seja, mesmo que certas escolhas tenham sido acertadas ou nĂŁo, toda a dedicação que a gente puser ali, vai estar impressa no filme.
MĂĄrcio: Sempre dedicamos muitas horas para o filme, sempre trabalhamos muito. EntĂŁo Ă© muito massa quando rola esse tipo de retorno, seja de festivais, premiaçÔes, pĂșblico, crĂtica, ou o que for. Porque assim acho que começa a fazer sentido esse diĂĄlogo que a gente costuma criar com os filmes.
Filipe: E Ă© muito bonito ter esse retorno de diferentes platĂ©ias, com pontos de vista diferentes, pessoas muito distintas. O que a gente sempre fala Ă© que tem que se dedicar muito para o filme, aĂ a partir dali o filme nĂŁo Ă© mais nosso, sĂŁo das pessoas. Â
Contem um pouquinho da trajetĂłria de vocĂȘs no cinema, apesar delas se complementarem bastante, como surgiu o interesse de vocĂȘs por cultura e arte. Â
MĂĄrcio: Eu tenho insĂŽnia desde os 5 anos, que Ă© uma coisa crĂŽnica, de famĂlia, meu pai tem, minha avĂł tinha. EntĂŁo acho que desde essa idade eu nĂŁo conseguia dormir a noite e isso fazia com que eu me sentisse muito sozinho. AĂ eu ia para a sala, e meu pai estava acordado tambĂ©m, geralmente vendo filmes. EntĂŁo eu sentava com ele no sofĂĄ e fica assistindo junto com ele e aquilo era quase que uma vĂĄlvula de escape para aquela solidĂŁo que eu sentia, naquele momento. Eu me projetava vivendo aquelas histĂłrias, aqueles outros mundos. Â
Isso fez com que eu, mesmo com pouca idade, conseguisse avançar bastante em uma cinefilia, foi uma coisa que foi sempre muito importante para mim. Logo na adolescĂȘncia eu jĂĄ comecei a atuar e trabalhar como ator. Logo depois fui trabalhar em uma videolocadora, atĂ© o momento que eu decidi que eu iria estudar Cinema.
AĂ eu acabei conhecendo o Filipe e nĂłs abrimos uma produtora. Â
Filipe: Eu jĂĄ nĂŁo venho de uma famĂlia tĂŁo cinĂ©fila e tĂŁo insone como a do MĂĄrcio, mas eu sempre me interessei muito sobre contar histĂłrias, sobre cinema, teatro. EntĂŁo conforme foi passando minha adolescĂȘncia eu decidi fazer cinema.
Eu tive sorte porque tive uma bolsa oferecida pelo PROUNI, em Porto Alegre nĂŁo existem faculdades de cinema pĂșblicas, sĂł particulares.
Qual dica vocĂȘs dariam para quem estĂĄ começando no Cinema?
Filipe: Trabalhar com arte no Brasil Ă© muito difĂcil. NĂŁo temos os recursos que precisamos para realizar, sofremos uma perseguição midiĂĄtica e de parte da população que Ă© absurda. EntĂŁo, eu diria para vocĂȘs fazerem os filmes que vocĂȘs realmente sentem necessidade, sintam que vocĂȘs precisem contar essa histĂłria. Acho que vocĂȘs realmente tiveram essa vontade, essa necessidade e se dedicarem de fato, sempre vai ser algo de interessante dali.
Mårcio: Eu acho que pensando por um outro lado, complementando o pensamento do Filipe, acho que é essencial valorizar muito a importùncia do curta-metragem, como um espaço de experimento. Tem algumas pessoas que fazem um ou dois curta-metragens e jå querem fazer um longa råpido, o que eventualmente pode até dar certo mas, pelo menos para nós, o curta foi um espaço de experimentação muito grande, trabalhamos por muitos anos fazendo isso, até fazer um primeiro longa.
Eu vejo isso hoje, olhando em retrospecto, o quanto isso foi importante, poder experimentar e poder se encontrar. Claro que estamos sempre nos encontrando, espero nunca ter um ponto final mas, para começar a se entender pelo menos, enquanto cineasta, enquanto contador de histórias, o que interessa e o que não interessa.
Filipe: Acho que isso dos interesses que a gente tem, eles se reafirmam ou se modificam muito no processo cinematogrĂĄfico. EntĂŁo depois de vocĂȘ fazer um filme vocĂȘ para pra pensar o que foi legal e o que nĂŁo foi, se no prĂłximo filme vocĂȘ vai querer trabalhar dessa maneira ou de outra.
EntĂŁo eu realmente acho que o fazer Ă© um processo que nĂŁo tem fim, ele Ă© contĂnuo.
EstĂĄvamos comentando ontem, como entender as obras de cineastas ou de pessoas que trabalham com cinema Ă© quase como quando vocĂȘ vai lidar com a obra de um pintor, vocĂȘ entende a construção e a passagem da obra de um para o outro.
Como vocĂȘs tĂȘm sentido que estĂĄ o mercado audiovisual brasileiro?
Mårcio: O mercado brasileiro, em termos de produção e até de alcance, principalmente internacional, tem estado em um crescimento muito grande jå a alguns anos. Acho que ele vive um dos melhores momentos da sua história e a gente espera que isso continue!
Filipe: Acho que a gente estĂĄ em um indĂșstria agora que tem muito a crescer e que tambĂ©m Ă© uma indĂșstria muito plural, muito diversa e que economicamente dĂĄ muito retorno, porque ela Ă© auto sustentĂĄvel. Ă um exemplo de sucesso para vĂĄrios outros paĂses. EntĂŁo esperamos que as prĂłximas pessoas que administrarem a cultura nacional pensem nisso, pensem de uma maneira patriota mesmo, ou seja, valorizem aquilo que Ă© brasileiro e eu acredito que a arte brasileira Ă© uma das melhores formas de afirmar a sua brasilidade. Â
Entrevista com o diretor e o protagonista de âCoração de Cowboyâ, Gui Pereira e Gabriel Sater, para o Instituto de Cinema.
Entrevista com Diego Freitas, o diretor do longa âO Segredo de Daviâ, para o Instituto de Cinema.

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Blog - Instituto de Cinema- Palestras gratuitas de Luiz Bolognesi, Paulo Morelli, LaĂs Bodanzky e Debora Ivanov serĂŁo ministradas no Instituto de Cinema em 2019. Inscreva-se!
Matéria Completa
trajetĂłria no audiovisual Ă© quase sempre um caminho incerto, na maioria das vezes Ă© difĂcil saber por onde começar. Nesse sentido, nada melhor do que conversar com quem jĂĄ tem experiĂȘncia na ĂĄrea e descobrir como eles chegaram atĂ© onde chegaram, nĂŁo Ă©? Pensando nisso, o Instituto de Cinema propĂ”e quatro palestras para começar 2019 com o pĂ© direito!
Debora Ivanov, LaĂs Bodanzky, Paulo Morelli e Luiz Bolognesi sĂŁo nomes que representam muitas das produçÔes bem-sucedidas brasileiras, que ganharam alcance internacional, e vĂŁo palestrar no InC nos dias, , 25/01, 29/01, 15/02 e 22/02, respectivamente, todas as 18 horas, com exceção de LaĂs Bodanzky, que serĂĄ Ă s 19h.  AlĂ©m de dicas que valem ouro para quem se interesse por cinema e audiovisual no geral, os cineastas contarĂŁo detalhes da sua trajetĂłria pessoal e de suas produçÔes, propondo um bate-papo com o pĂșblico!
Pensando na democratização do aprendizado no audiovisual e cinema, prezada pelo InC, a entrada para todas as palestras Ă© 100% gratuita e aberta ao pĂșblico, acontecendo no prĂłprio Instituto de Cinema, localizado na Rua Teodoro Sampaio, 1121, no bairro de Pinheiros, na cidade de SĂŁo Paulo.
Confira mais informaçÔes sobre cada um desses cineastas e também o link para inscrição em cada uma dessas palestras!
Luiz Bolognesi
Diretor e roteirista, Bolognesi tem seu nome estampado em obras de renome do cinema tanto no circuito nacional, quanto no internacional, como âAs Melhores Coisas do Mundoâ (2010), âBicho de Sete Cabeçasâ (2001), âTerra Vermelhaâ (2008), âElisâ (2015), âComo Nossos Paisâ (2015) e âBingo - O Rei das ManhĂŁsâ (2015). Essas produçÔes renderam a ele reconhecimento internacional em festivais de Veneza, Roma, Toronto, Locarno, Los Angeles, Miami, Havana, entre outros, alĂ©m de ter alguns de seus filmes exibidos em cinco continentes e veiculados em televisĂŁo como a Rede Globo e a HBO AmĂ©rica Latina.
Com a produção da animação âUma HistĂłria de Amor e FĂșriaâ (2013), o diretor foi vencedor do prĂȘmio Cristal de Melhor Longa Metragem em Annecy, alĂ©m de outros festivais em paĂses como TĂłquio, Shanghai, Atenas, Bordeaux, Buenos Aires e ser premiado tambĂ©m pela Academia Brasileira de Cinema. O filme ainda foi exibido em seis continentes diferentes!
Esse ano, seu documentĂĄrio âEx-PajĂ©â, foi lançado e recebeu menção honrosa como melhor documentĂĄrio no Festival de Berlim/Panorama 2018 e foi premiado como melhor documentĂĄrio no festival Ă Tudo Verdade 2018, que Ă© dedicado especialmente a esse gĂȘnero.
Palestra dia 22/02
HorĂĄrio: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, SĂŁo Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/wfZtSPRAUELzrBY83
Paulo Morelli
Formado em Arquitetura pela FAU (USP), Morelli se viu interessado por cinema experimental jĂĄ na Ă©poca. O interesse acabou se tornando sua carreira que contribuiu, e muito, para o audiovisual nacional, jĂĄ que nos anos 80, ao lado de Fernando Meirelles, Marcelo Machado e Beto Salatini, fundou a Olhar EletrĂŽnico, produtora paulista de vĂdeos publicitĂĄrios e programas para a televisĂŁo, incluindo a sĂ©rie televisiva âRĂĄ-Tim-Bumâ.
Sua primeira produção cinematogrĂĄfica foi o curta-metragem âSoloâ, em 1976, fazendo algumas experimentaçÔes importantes depois como âĂpoca da IgnorĂąnciaâ (1985) e âDo Outro Lado da Sua Casaâ (1990).
Em 1991, novamente ao lado de Meirelles, o diretor e roteirista fundou a O2 Filmes, famosa atualmente por produçÔes de filmes extremamente relevantes para o cinema brasileiro, como o longa âCidade dos Homensâ (2007), dirigido e roteirizado por Morelli, fechando a sĂ©rie televisiva de mesmo nome.
O cineasta dirigiu outros longas como âO Preço da Pazâ (2003), que ganhou como melhor filme em Gramado e Tiradentes, âViva Vozâ (2003), premiado como melhor filme internacional do New York Independent Film Festival e âEntre NĂłsâ (2014), produzido em parceria com seu filho, Pedro Morelli, alĂ©m do curta âLĂĄpidesâ, que recebeu outros quatro prĂȘmios. Â
Atualmente, Morelli lançou um software especial para roteiristas chamado âStory Touchâ.
Palestra dia 15/02
HorĂĄrio: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, SĂŁo Paulo
Entrada Gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/ssiYDDH2sKCHOKIc2
LaĂs Bodanzky
A diretora tem uma longa lista de filmes bem sucedidos e reconhecidos internacionalmente, muitos dirigidos em parceria com seu sócio na criação da produtora Buriti Filmes, Luiz Bolognesi.
Bodanzky estreou no cinema com o curta-metragem âCartĂŁo Vermelhoâ (1995), selecionado para o New York Independent Film Festival. O longa âBicho de Sete Cabeçasâ (2001), co-produção Brasil e ItĂĄlia, que conquistou diversos prĂȘmios. Entre seus longas estĂŁo: âComo Nossos Paisâ (2017), que teve sua premiere no 67Âș Festival de Berlim no mesmo ano de lançamento, âChega de Saudadeâ (2007), com coprodução francesa e âAs Melhores Coisas do Mundoâ (2010),  alĂ©m de documentĂĄrios para cinema e televisĂŁo como âCine Mambembe, o cinema descobre o Brasilâ (1999), e âMulheres OlĂmpicasâ, para o canal ESPN.
Filha do cineasta Jorge Bodanzky, que realizou produçÔes como âIracema - Uma Transa AmazĂŽnicaâ (1981) e âOs Muckerâ (1979), LaĂs cresceu em estĂșdios e sets de gravação, se formando em Cinema pela FAAP.
A diretora mantĂ©m um projeto social, chamado âTela Brasilâ, que fomenta o cinema em regiĂ”es perifĂ©ricas de todo o Brasil, exibindo filmes e levando a população para salas de cinema.
Palestra dia 29/01
HorĂĄrio: 19h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, SĂŁo Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/RCRQbjwqV4FINt7i1
Debora Ivanov
Primeira mulher a presidir a Ancine (AgĂȘncia Nacional de Cinema), Ivanov tem como uma das suas principais pautas em frente de trabalhos, a atuação das mulheres no audiovisual brasileiro, determinando o aumento dessa atuação como uma das principais metas do seu trabalho. Â
Mas nĂŁo para por aĂ! Ivanov jĂĄ atuou do outro lado tambĂ©m. A produtora tem uma lista de mais de 60 produçÔes cinematogrĂĄficas, incluindo curtas, longas, telefilmes e sĂ©ries para televisĂŁo que renderam para a cineasta mais de 200 prĂȘmios em festivais nacionais e internacionais importantes da indĂșstria e conquistando as maiores bilheterias do cinema brasileiro, entre 2012 e 2014.
Sua filmografia inclui os longas: âQue Horas Ela Volta?â (2015), âAtĂ© Que a Sorte Nos Separeâ (2012), âAtĂ© Que a Sorte Nos Separe 2â (2013), âUma HistĂłria de Amor e FĂșriaâ (2012), âAmazĂŽniaâ (2013), âTerra Vermelhaâ (2008) e âO Lobo AtrĂĄs da Portaâ (2013).
Nos anos 2000, Ivanov se filiou a Gullane Entretenimento, produtora responsĂĄvel por diversos tĂtulos do cinema brasileiro, alĂ©m de ser membro do Conselho Consultivo da SPCine, empresa pĂșblica de cinema e tambĂ©m foi indicada como titular ao Conselho Superior do Cinema, atuando no ComitĂȘ Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual.
Palestra dia 25/01
HorĂĄrio: 18h
Local: Rua Teodoro Sampaio, 1121 - Pinheiros, SĂŁo Paulo
Entrada gratuita
Link para inscrição: https://goo.gl/forms/cPBjdVYKUf3RQepq2
Blog - Instituto de Cinema - Saiba mais sobre o processo criativo do terror psicolĂłgico "O Segredo de Davi"
Matéria Completa
O longa âO Segredo de Daviâ, que estreou no mĂȘs passado em todo o paĂs, conta a histĂłria de um estudante de cinema, chamado Davi, interpretado por Nicolas Prattes, que tem problemas de sociabilidade e Ă© muito tĂmido. Com um passado sombrio, o protagonista esconde um segredo ainda mais sombrio: voyeur e psicopata, o garoto filma enquanto assassina vĂtimas, escolhidas a dedo e relacionadas ao seu passado, ficando famoso na Internet por isso.
Entenda mais sobre o processo de criação, inspiração e execução do longa em entrevista com o diretor Diego Freitas:
Conte um pouco sobre o filme
O âSegredo de Daviâ Ă© sobre um menino que se descobre serial killer quando ele estĂĄ prestes a fazer 21 anos. Ele estuda Cinema, e aĂ ele acaba gravando as vĂtimas e fica famoso com isso. O filme guarda muitas surpresas, mas Ă© um suspense psicolĂłgico, com toques de terror, drama, Ă© um filme muito focado no protagonista e como sua mente vai se deteriorando aos poucos. A gente vĂȘ o que ele vĂȘ.
Fonte de inspiração
Minha principal fonte de inspiração na verdade sou eu mesmo. Porque o filme tem muito da minha histĂłria de vida, apesar de, claro, eu nĂŁo ter matado ninguĂ©m. Eu acho que o seu primeiro filme tem sempre muito do que vocĂȘ quer dizer pras pessoas, entĂŁo eu parti das coisas que eu vivi para fazer um longa de fantasia. Eu trago muito pras pessoas esse realismo fantĂĄstico, entĂŁo ele brinca muito com metĂĄforas, e eu deixo com que o pĂșblico conclua sobre o tema e as mensagens que a gente quer passar.
EntĂŁo sobre influĂȘncias externas, eu tenho muito dos diretores que fizeram parte da minha formação, eu assistia esses diretores quando eu tinha lĂĄ para os meus 13 ou 14 anos de idade. Dentre eles o Darren Aronofsky que fez um filme da Ă©poca chamado Pi e Um RĂ©quiem para um Sonho e depois fez Cisne Negro, que sĂŁo filmes que eu adoro, foram muito importantes em termos de referĂȘncia.
TambĂ©m tem um pouco do Guillermo Del Toro, na questĂŁo de fazer alguma coisa de fantasia, de fazer uma luz que nĂŁo Ă© 100% realista mas que Ă© muito bonita, uma luz muito estĂ©tica. Uma direção de arte tambĂ©m um pouco mais agressiva e nĂŁo tĂŁo realista. Mas tambĂ©m tive inspiraçÔes em filmes como âIt Followsâ, em portuguĂȘs âCorrente do Malâ, que Ă© mais recente,  teve tambĂ©m o âBabadookâ, que tambĂ©m Ă© um pouco mais recente, teve tambĂ©m o âO Sexto Sentidoâ e os filmes do Night Shyamalan no geral. âClube da lutaâ tambĂ©m lembro que nos inspiramos bastante.
Obviamente que sempre vai ter o Hitchcock, com âPsicoseâ, porque nĂŁo tem como falar de um menino psicĂłtico sem se voltar para os clĂĄssicos, tambĂ©m âO Iluminadoâ do Kubrick, quando vocĂȘ fala sobre um cara perturbado e que vĂȘ coisas. NĂŁo tem como, eles sĂŁo as nossas bases.
Mas nĂŁo necessariamente sĂŁo inspiraçÔes de filmes norte-americanos, temos tambĂ©m o âGoodnight Mommyâ, em portuguĂȘs âBoa Noite, MamĂŁeâ, que inspirou bastante a gente e que Ă© um filme austrĂaco.
Processo de pré-produção, produção e pós-produção
Eu tinha essa ideia de âO Segredo de Daviâ desde que eu tinha 18 anos de idade. Eu nĂŁo sabia ainda que seria cineasta, na verdade eu queria ser desde os 13 anos, mas eu fazia todo tipo de vĂdeo e eu mesmo editava minhas produçÔes. Os anos foram passando, eu fui pegando experiĂȘncia, comecei a fazer produçÔes um pouco maiores e eu nunca tinha tirado da minha cabeça que esse seria meu primeiro filme.
Ai em 2013, eu ganhei uma viagem para Los Angeles para fazer um Workshop com o Sebrae, visitando vĂĄrias produtoras. E lĂĄ eu estava em um grupo de um galera que trabalhava mesmo com cinema, distribuidores, produtores etc e ali eu pensei âBom, Ă© agora que eu tenho que falar sobre fazer um filme, porque se eu nĂŁo falar agora, nĂŁo vou falar nunca maisâ. E aĂ eu fiz um pitching para a galera e um produtor se interessou e disse para eu voltar, escrever o roteiro, que tentarĂamos tirar do papel.
E aĂ escrevi tudo as pressas e eu nunca tinha feito um roteiro antes na minha vida porque eu sempre tinha trabalhado com set de filmagem e pĂłs-produção. O pessoal da produtora gostou e passou para uma distribuidora que tambĂ©m gostou e esse primeiro roteiro nĂłs inscrevemos no fundo setorial e ganhamos, foi tudo muito rĂĄpido. Esse primeiro tratamento foi atĂ© um pouco antes das filmagens, sĂł fizemos outros um pouquinho antes do inĂcio das gravaçÔes que ai que vocĂȘ senta e vĂȘ o quanto vocĂȘ tem de dinheiro e o quanto que realmente dĂĄ para fazer. Nesse momento Ă© o que vocĂȘ corta fora 20 pĂĄginas do roteiro, porque nĂŁo tem como fazer tudo.
Obviamente que, quando entram tambĂ©m outras pessoas no projeto: o fotĂłgrafo, diretor de arte etc, as pessoas vĂȘm com suas prĂłprias visĂ”es e questionamentos sobre o que estĂĄ sendo feito ali. EntĂŁo vocĂȘ fica muito mais chato em todas as suas decisĂ”es, muita coisa foi alterada por influĂȘncia da minha equipe, o que Ă© muito bom! As pessoas se apropriam do projeto muito mais, e ai o filme vira o sonho de todo mundo, nĂŁo sĂł meu.
Mas no meio desse caminho todo, quando conseguimos metade do orçamento, eu ainda rodei um teaser do filme. Peguei todo o dinheiro que eu tinha, uns R$ 15.000,00, e a gente bancou, eu e meu sĂłcio, de fazer trĂȘs minutos de filme, pra eu poder mostrar pra distribuidora que eu tinha condiçÔes de fazer o filme inteiro, artisticamente falando, como diretor. Isso foi um exercĂcio para mim e por causa desse teaser que conseguimos financiar o resto do filme tambĂ©m, ganhamos mais um edital.
Mas é um trabalho duro, que durou mais ou menos 5 anos até ele estar completamente pronto, foram mais ou menos 2 anos até fazer o teaser e depois disso rodamos o terceiro ano e um ano para finalizar e um ano para lançar.
Sua trajetĂłria no cinema
O cinema no Brasil ele era feito, em sua grande maioria, por pessoas que nasceram ricas, falando bem a real. Ou vocĂȘ se formava na FAAP, que Ă© um curso que poucos tĂȘm condição, ou vocĂȘ se formava na USP e para vocĂȘ passar na USP vocĂȘ precisava ser rico tambĂ©m, vocĂȘ precisava ter estudado em escola particular. O que nĂŁo era meu caso, porque vim de uma famĂlia pobre e estudei em escola pĂșblica minha vida inteira. Eu nem prestei USP porque eu acreditava que eu nĂŁo teria capacidade para passar.
EntĂŁo fazer um longa-metragem sempre foi uma coisa muito distante pra mim, muito difĂcil de acontecer. AtĂ© que quando eu fiz 18 anos, eu saĂ de MairiporĂŁ e vim para a cidade grande, SĂŁo Paulo e aĂ eu mergulhei completamente na ĂĄrea. Sempre fui fazendo uma coisa aqui e ali no audiovisual. Aos poucos eu pensei que o Ășnico jeito de eu me tornar diretor, era eu fazer meus prĂłprios curtas, do jeito que eu conseguisse fazer. Pegava cĂąmera emprestada de amigo, eu tinha um computadorzinho que eu editava meus prĂłprios curtas e fui exercitando.
Comecei a tentar participar de concursos. Eu lembro que quando eu tinha 17 anos, eu participei de um do site Omelete, que a proposta era âSe a Petrobras fosse um filme, como seria o trailer?â e quem ganhasse, ganharia uma cĂąmera full hd, entĂŁo o Brasil inteiro participando, e eu acabei ganhando esse concurso e a cĂąmera e foi ela que utilizei para os curtas depois. EntĂŁo foi muito step by step sabe? Sem conhecer ninguĂ©m, completamente outsider assim.
Consegui uma bolsa de estudos na faculdade e fui cursar RĂĄdio e TV. Foi bem passo Ă passo, fui conhecendo pessoas ĂĄrea e fui fazendo vĂĄrios freelas, trabalhando de dia, estudando a noite e editando de madrugada e ai um amigo meu que trabalhava na ĂĄrea financeira de um banco, me perguntou se eu nĂŁo gostaria de um sĂłcio e assim abrimos nossa prĂłpria produtora para fazer alguns vĂdeos. E ai surgi com a ideia de fazer um longa e ele topou e assim eu consegui essa viagem para Los Angeles e esse meu sĂłcio que bancou minha passagem. A partir daĂ tudo foi se desenrolando.
Nesse meio tempo eu fiz um curta, chamado âSalâ, que foi muito premiado e rodou muito por aĂ. Foi uma produção completamente independente e custou apenas R$ 2.000,00, feito por mim e por alguns amigos.
Hoje em dia nĂłs temos uma vantagem porque temos acesso a equipamentos tĂ©cnicos por um preço muito mais em conta. Antigamente nĂŁo conseguiamos fazer filme igual fazemos hoje. Atualmente vocĂȘ pode pegar seu celular e gravar um curta incrĂvel e concorrer ao Festival de Cannes sabe, nada te impede mais.
Se eu pudesse deixar alguma dica seria isso. Façam seus próprios filmes, minha história foi essa, eu fui fazendo meus filmes até que alguém parou e olhou algum deles e acreditou em mim.
Qual vocĂȘ acha que tem sido a recepção de produçÔes do gĂȘnero terror/suspense pelas produtoras brasileiras?
Acho que atualmente estamos em um dos melhores momentos para esse gĂȘnero. Se vocĂȘ parar para ver, sĂł esse ano, jĂĄ foram lançados cerca de oito longas de suspense/terror nos cinemas, como lançamento comercial, o que Ă© inĂ©dito.
âO Segredo de Daviâ, por exemplo, foi lançado em cerca de 80 salas, que jĂĄ Ă© considerado um lançamento mĂ©dio, nĂŁo Ă© pequeno, entĂŁo as pessoas acreditarem nisso, as produtoras acreditarem nisso, isso evidencia uma demando do pĂșblico, porque o pĂșblico quer mais opçÔes.
Hoje vocĂȘ chega na sua e tem um Netflix, por exemplo, com filmes do mundo inteiro, incrĂveis e vĂĄrias opçÔes, entĂŁo todo mundo tem acesso a tudo. Se o prĂłprio mercado nĂŁo se mexer e entregar mais opçÔes para as pessoas, a gente vai entrar numa crise total.
Acho que  o cinema que se fazia no paĂs antes, na minha cabeça, se dividia em duas coisas: a primeira Ă© um cinema completamente comercial, e as comĂ©dias sĂŁo o maior expoente disso, que Ă© feito para divertir, entreter as massas, tem uma linguagem mais simples e que tem conflitos mais simples tambĂ©m, lembrando que tudo bem eles existirem, mas entĂŁo vocĂȘ ia para o extremo oposto, para um cinema completamente intelectual, hermĂ©tico, de realizadores, sempre com uma proposta social ou de experimentação, que tambĂ©m Ă© Ăłtimo e tem que existir.
Mas vocĂȘs concordam que tem um limbo aqui no meio? Enorme e que nĂŁo era preenchido? CadĂȘ o filme que pode ser mais comercial, que pode atingir as pessoas, mas que tambĂ©m tem profundidade, tambĂ©m tem camadas, tambĂ©m tenha crĂtica social. Um meio termo.
EntĂŁo a gente começou a olhar para esse meio termo nos Ășltimos anos. VĂĄrios filmes que foram lançados, miraram nisso. O Ășltimo filme de sucesso que foi lançado, acho que foi o Bingo, de Daniel Rezende, que na minha opiniĂŁo Ă© um filme super divertido e interessante, mas que ao mesmo tempo tem um material artĂstico muito mais rico que a grande maioria.
Acho que Ă© realmente uma necessidade de mercado mesmo e fazer filmes de gĂȘneros diferentes tem a ver com esse limbo. âO Segredo de Daviâ, por exemplo, nĂŁo Ă© um filme fĂĄcil, mas nĂŁo Ă© tambĂ©m um filme difĂcil demais. Ă sĂł vocĂȘ prestar atenção que ele te responde tudo que vocĂȘ quer ouvir! Acho que tem a ver com essa galera que tambĂ©m assiste muita sĂ©rie, hoje em dia. Esse tipo de filme vai ser cada vez mais produzido no Brasil, e eu fico muito feliz de fazer parte dessa nova turma que estĂĄ fazendo filme e que estĂĄ pensando diferente.
Esse foi um gĂȘnero que sempre te atraiu?
Sim, sempre gostei de gĂȘneros fantĂĄsticos, mas eu sempre gostei um pouco de tudo. âO Segredo de Daviâ, por exemplo, nĂŁo tem um gĂȘnero sĂł. Ele tem essa capa de suspense, mas vocĂȘ tem momentos dramĂĄticos muito fortes, um pouquinho de romance, vocĂȘ tem o terror, um gore, tem um monte de coisa dentro do filme.
Eu gosto de cinema, na verdade. EntĂŁo eu tenho vontade de explorar outros gĂȘneros, tenho muita vontade de fazer filmes de ação, por exemplo. Com muita perseguição.
E antigamente era muito difĂcil vocĂȘ sonhar com isso no Brasil, porque nĂŁo tinha espaço, e eu acredito que hoje tem espaço sim! Eu consegui fazer um filme de suspense, maluquĂssimo e que tem vĂĄrias ideias fora da caixinha.
O que foi muito legal Ă© que âO Segredo de Daviâ foi comprado pela TV aberta e a TV fechada, entĂŁo vai ser interessante as pessoas terem uma experiĂȘncia atravĂ©s de outras janelas. AlĂ©m disso, a experiĂȘncia com o cinema ser relativamente cara, jĂĄ que vocĂȘ tem o transporte atĂ© o lugar, o prĂłprio ingresso que hoje em dia fica em torno de R$ 35,00.
Apesar disso, eu acredito que ir ao cinema Ă© um ritual que temos que manter, porque, por exemplo, modĂ©stia a parte, o âSegredo de Daviâ Ă© um filme que tem uma estĂ©tica muito bem feita, tem um trabalho de cor, colorização, que demorou 3 meses para ser feito, o que Ă© uma coisa rarĂssima aqui no Brasil. EntĂŁo tudo foi feito com muito cuidado e muito afeto, justamente para ver numa tela grande, porque se vocĂȘ ver isso no seu monitor, vocĂȘ nĂŁo consegue ver todos esses detalhes. Â
AlĂ©m disso, acredito que a experiĂȘncia coletiva de estar vendo tudo ali no cinema Ă© muito importante.
Dica para quem estå começando agora no audiovisual
Eu tenho 28 anos de idade e tenho uma histĂłria de cerca de 15 anos no audiovisual, e eu estou conseguindo fazer meu primeiro longa depois de praticamente 10 anos de carreira. EntĂŁo meu conselho Ă© ter muita paciĂȘncia e persistĂȘncia. Se vocĂȘ continuar dando murro na ponta de faca, uma hora vai dar certo! Sou muito confiante nisso, no trabalho ĂĄrduo.
TambĂ©m acho que fazer portfĂłlio Ă© essencial, vocĂȘ sĂł consegue mostrar seu valor para alguĂ©m quando vocĂȘ mostra o que vocĂȘ fez, sabe? Ă muito mais do que sĂł papo. Acho que a galera fica muito mais no mundo da imaginação e da teoria e nĂŁo senta a bunda, pega um iPhone e faz um filme. Edita e pĂ”e nos festivais para ver o que acontece.
Quando vocĂȘ estĂĄ mostrando alguma coisa, vocĂȘ estĂĄ mostrando um pouquinho de vocĂȘ tambĂ©m, de tudo que vocĂȘ jĂĄ estudou, de tudo que vocĂȘ Ă©, e alguĂ©m pode se identificar com aquilo.
Porque o cinema Ă© uma obra coletiva, vocĂȘ nĂŁo vai fazer nada sozinho, entĂŁo eu acho que talvez o maior trabalho do cinema seja vocĂȘ conseguir convencer as pessoas. Tive que convencer tantas pessoas para fazer âO Segredo de Daviâ que vocĂȘ nĂŁo imaginaria, desde o cara da produtora, o cara da distribuidora, o cara da Ancine, o cara do edital, os atores. AĂ depois que vocĂȘ faz o filme inteiro, vocĂȘ tem que convencer o exibidor a exibir seu filme. Ă um processo de convencimento e vocĂȘ sĂł consegue ter sucesso quando vocĂȘ tem material e completa certeza do que vocĂȘ estĂĄ fazendo e do que vocĂȘ estĂĄ falando.
EntĂŁo âO Segredo de Daviâ Ă© um filme que estudei muito para fazer, o roteiro foi muito bem pensado, durante anos. Qualquer vĂrgula daquele roteiro, eu sabia responder. Eu tentei tirar o mĂĄximo que eu pude, tentei passar segurança para as pessoas, e segurança de como eu ia realizar tambĂ©m, eu tinha um plano muito material e realista. EntĂŁo eu falava âVai ser feito dessa forma, vai precisar dessa grana e o dinheiro vai vir desse lugarâ. Ă isso que as pessoas querem ouvir, na verdade.
Como e onde foram feitas as gravaçÔes?
Todas as gravaçÔes foram feitas aqui no Brasil. Metade delas forma em estĂșdio, o que foi uma audĂĄcia, porque a gente nĂŁo tinha dinheiro para fazer cenĂĄrio, mas a gente pensou que era necessĂĄrio, porque se nĂŁo, nĂŁo seria possĂvel trazer a estĂ©tica que a gente queria. Porque as locaçÔes nĂŁo existiam, entĂŁo tivemos que construir mesmo os apartamentos do filme. TambĂ©m conseguimos apoio da Universidade Anhembi Morumbi, que emprestou o estĂșdio para a produção durante um mĂȘs. Com isso, conseguimos pegar um real dali, outro de outro lugar, conseguir apoio de outras empresas e fizemos o cenĂĄrio.
Foi uma luta tambĂ©m! O filme custou 1 milhĂŁo e 600 mil reais, o que, no momento, Ă© o maior dinheiro que jĂĄ tive para fazer qualquer coisa na minha vida, mas ai quando vocĂȘ vai fazer o filme, vocĂȘ vĂȘ que nĂŁo dĂĄ. Ă muito maluco isso. Mas se formos analisar, um filme como o âBoas Maneirasâ custou muito mais do que isso. EntĂŁo a gente entrega uma qualidade muito alta, porque a gente fez questĂŁo de cada centavo estar na tela, nĂŁo estar em coisas que nĂŁo reflitam no filme.
Muitas coisa foram feitas de forma artesanal tambĂ©m. Produzimos muitos efeitos especiais, que sĂŁo efeitos difĂceis, temos por exemplo um personagem inteiro feito em animação grĂĄfica. AĂ eu descobri um menino no YouTube, que morava no interior de SĂŁo Paulo e trabalhava numa fĂĄbrica de pijamas e nas horas vagas ele fazia efeitos visuais. A gente se conheceu quando eu tinha 17 anos de idade, eu fazia meus vĂdeos e ele os dele na fĂĄbrica de pijamas. Ele pegou a famĂlia e a mala, se mudou para SĂŁo Paulo, para fazermos âO Segredo de Daviâ juntos. Ficamos 2 anos sentados em casa, fazendo os efeitos especiais do longa.
EntĂŁo temos que descobrir os talentos, descobrir as pessoas, porque como eu falei, Ă© uma obra coletiva, entĂŁo todo mundo ali era importante. Era o primeiro filme de um monte de gente da equipe. Â
Comente um pouco sobre a escolha de atores
O mais difĂcil foi achar o Davi, que estĂĄ literalmente no filme inteiro, vocĂȘ pode perceber que ele estĂĄ em quase todas as cenas e nĂŁo tem outro ponto de vista sem ser o dele. O filme iria desmoronar se eu achasse um ator ruim. Fizemos milhĂ”es de testes, testamos centenas de atores, todos parecidos com o escolhido, Nicolas Prattes, mas eu nĂŁo achava o ator.
Eu comparo muito com âCisne Negroâ, vocĂȘs jĂĄ assistiram? Porque no filme, a atriz precisava ser a cisne negro e a cisne branca, ela precisava ter o lado da inocĂȘncia e o lado maldoso, e o Davi precisava ser exatamente a mesma coisa. Ele Ă© um psicopata mas ele Ă© um garoto bonzinho que vocĂȘ tem empatia por ele. EntĂŁo como achar essa pessoa?
Faltavam trĂȘs meses para as gravaçÔes e eu ainda nĂŁo tinha o Davi. Foi desesperador. E aĂ eu liguei a televisĂŁo e vi uma novela que esse menino estava fazendo, e eu nunca tinha visto ele antes na minha vida e fiquei completamente enlouquecido por ele. Eu consegui falar com a famĂlia dele, pulei o empresĂĄrio, pulei tudo, porque eu nĂŁo podia perder ele.
Antes de mais nada eu queria que ele lesse o meu roteiro e assistisse o teaser, e ele viu e gostou. Depois disso marcamos um almoço no Rio de Janeiro e eu disse que ele estava contratado e acabou. NĂŁo fiz teste de nada. Cheguei em SĂŁo Paulo, chamei os produtores e falei âSeguinte, achei o Davi e vai ser esse meninoâ. AĂ eles me perguntaram se eu tinha feito teste ou alguma coisa e eu disse que nĂŁo fiz nada mas que eu sentia que era ele e que se eles tinham confiado em mim atĂ© agora, tinham que confiar atĂ© o final.
Foi assim que aconteceu e foi a melhor escolha que eu poderia ter feito. Ele tem uma atuação no filme arrebatadora, na minha opiniĂŁo. O Davi Ă© um papel muito difĂcil, acho que depois que ele fez isso, ele faz qualquer coisa. Â
Como foi o processo de ensaios e de direção de atores?
Foi um trabalho de ensaio gigantesco. FicĂĄvamos oito horas por dia, todos os dias, exaustivamente. E o ator confiou completamente em mim, no que eu iria fazer, foi meio âO que vocĂȘ falar, eu vou fazerâ e pronto. Uma relação muito simbiĂłtica, de eu me misturar com ele e fazermos uma coisa sĂł. Â
O que chegou primeiro na minha vida foi a pĂłs-produção, comecei com a montagem, depois fui para filmar, fui conhecer equipamentos, fazer fotografia e depois disso comecei a trabalhar com pessoas, trabalhar com atores, que Ă© muito diferente. Com um fotĂłgrafo, vocĂȘ fala termos tĂ©cnicos, Ă© uma direção objetiva, jĂĄ com os atores nĂŁo, eu nĂŁo posso falar assim. EntĂŁo eu tive que voltar para a minha humanidade, para minha coisa menos tĂ©cnica.
O curta âSalâ, que foi um filme bem menos pretensioso que âO Segredo de Daviâ.  foi muito importante para isso. Se trata de, basicamente, dois atores em uma sala, conversando, e Ă© sĂł isso. No curta, eu tive que encontrar maneiras de fazer esses atores, atuarem muito bem, porque sĂł tinham eles, nĂŁo tinha mais nada, nĂŁo tinha subterfĂșgio. A primeira coisa que eu aprendi Ă© que vocĂȘ precisa de bons atores, porque, no final das contas, vocĂȘ nĂŁo ensina ninguĂ©m a atuar, isso Ă© uma lenda. Assim como vocĂȘ nĂŁo pode contratar um diretor de fotografia e ensinar ele a filmar. Ele tem que ser melhor que vocĂȘ nisso.
Na verdade, o trabalho de diretor Ă© um trabalho de feedback, indicando o melhor caminho para uma produção. VocĂȘ indica para os atores algumas direçÔes mas o talento e o brilho sĂŁo deles e sempre foram, no âSalâ eu descobri isso e fiquei muito mais tranquilo. Quando vocĂȘ tem noção do que vocĂȘ estĂĄ fazendo, vocĂȘ sabe o subtexto da sua cena, quando vocĂȘ sabe exatamente o que vocĂȘ quer, se o ator for bom, ele vai chegar ao que vocĂȘ quer. Seu trabalho se torna basicamente nĂŁo estragar o que o ator estĂĄ fazendo.
Eu descobri um mĂ©todo nos ensaios, que eu usei em âO Segredo de Daviâ, que fez muita diferença e Ă© o jeito que eu gosto de trabalhar, que Ă© filmar os ensaios. Tudo Ă© filmado. Eu filmava quarenta vezes e depois assistia e ajustava milimetricamente cada sobrancelha que ele levantava ou uma entonação que eu nĂŁo gostava.
Chegou no final, a gente jå tinha filmado tudo milhÔes de vezes com o Nicolas e ele jå sabia tudo, ele jå tinha chegado no que eu queria. Então quando chegou na hora da filmagem mesmo, a gente só repetia.
Claro que nĂŁo sĂŁo todos os atores que trabalham dessa forma, porque tem alguns diretores que nĂŁo acreditam em ensaios. Eles dizem que tem uma magia que vem na hora do set e que vocĂȘ nĂŁo emula antes, mas eu nĂŁo concordo, porque isso nunca aconteceu comigo. Toda vez que eu estava preparado e jĂĄ tinha feito aquilo antes, na hora ficava melhor ainda, a magia vinha e vinha com toda uma segurança de que Ă©ramos capazes de fazer aquilo.     Â
NĂŁo era uma surpresa, atĂ© porque o ator tem que repetir. Se o cara estĂĄ aqui, lindo e maravilhoso, chorando, gĂȘnio, eu vou fazer mais cinco planos. EntĂŁo vocĂȘ precisa estar lindo e maravilhoso chorando, cinco vezes iguais. Essa coisa de estar na hora e brilhar, eu acho uma baboseira. AtĂ© porque o ator tem que ter tĂ©cnica, como o fotĂłgrafo tambĂ©m tem que ter tĂ©cnica. Â
Obviamente que esse Ă© meu ponto de vista, pela minha experiĂȘncia. Eu sei que quando vocĂȘ trabalha com nĂŁo atores, como eu jĂĄ trabalhei algumas vezes, Ă© diferente. VocĂȘ vai trazer muito mais para o fĂsico e o emocional, entĂŁo vocĂȘ vai fazer o cara ficar com raiva de verdade, tudo Ă© muito de verdade. Ă uma proposta, Ă© um tipo de cinema. O meu tipo de cinema Ă© muito mais linear, nada Ă© feito Ă toa, a movimentação do personagem Ă© completamente ensaiada. Foi tudo muito bem pensado.
EntĂŁo se vocĂȘ odiar o filme, vocĂȘ vai me odiar mesmo, porque tudo aquilo ali foi pensado, foi planejado e se vocĂȘ odiou, Ă© porque vocĂȘ odeia meu cinema. JĂĄ que Ă© a para fazer o primeiro, faça do jeito que vocĂȘ acredita, nĂŁo Ă©?  Â
Joguinho
Filme favorito? Matrix
Filme brasileiro favorito? Cidade de Deus
Trilogia imperdĂvel? Matrix
DocumentĂĄrio fundamental? Cabra Marcado para Morrer
Filme que vocĂȘ mais assistiu? Matrix e Titanic
Filme subestimado? Cloud Atlas, em portuguĂȘs âA Viagemâ
Filme que te deixa triste? Eu, Daniel Blake
Musical favorito? Dançando na Chuva
Diretor ou diretora favorito? Lana Wachowski
Atriz favorita? Fernanda Montenegro
Ator favorito? Wagner Moura