A primeira coisa que pensou ao obter tal reação de Fred foi: Uh Oh. É, bem, talvez, apenas talvez, ela não deveria ter sido tão…. radical? Não ao ponto de estragar o bolo que ele dizia ser sua propriedade. É, você sabe, não se mexe na comida de Fred Weasley. Pensou em dar alguns passos para trás numa tentativa de se proteger, mas o primo foi mais rápido, e Rose soltou um gritinho baixo ao sentir as mãos dele, sujas, em seu rosto. Agora além de estar com o cabelo cheio de farinha, sua face estava coberta de glacê. Queria dar uma bronca nele, mas estava rindo demais para pensar em falar sério. Sabia que não adiantaria, afinal, ela mesma tinha culpa no cartório. Se não tivesse o sujado com o precioso bolo, estaria - quase - que segura naquele instante. Mas não; fora teimosa, e agora pagava o preço. Tentou afastá-lo, ainda dando risadas, porém se distraiu com as mãos dele em seu rosto. Em um piscar de olhos, pensamentos e memórias escondidos por meses pela Weasley surgiram em sua mente, e ela afrouxou. Nem rindo estava mais; sua face tomara uma expressão pacífica, escondendo por trás da mesma o pavor que sentia ao tê-lo tão perto. Por que não podiam voltar ao momento normal e divertido que estavam tendo, se comportando como os primos que eram? Aquilo era injusto. Aquela estranheza era injusta. Algo que Rose tinha lutado tanto para perder, mas agora…. todos os seus esforços estavam indo por água abaixo. “ —– Fred, é melhor….” era melhor que eles se afastassem, era isso que a ruiva tinha a dizer. O que precisava dizer, mas nada além de silencio se instalou no local. Queria sair dali, mas seus pés não se moviam. Droga. Outra vez, não.
Enquanto mantinha suas mãos no rosto da ruiva ele nem puto estava mais pelo bolo que havia perdido, o que ele queria mesmo era vingar o seu rosto sujo e, em meio as gargalhadas ele realmente estava se divertindo. Estava. Quando as risadas de Rose foram sendo substituídas por uma expressão que beirava a lividez, a risada rouca do moreno também ia se apagando, como se ele estivesse lendo a mente dela naquele exato momento e pudesse saber o que ela estava pensando. Ou melhor, no que: Em dos grandes erros que Fred havia cometido antes de ir para o Brasil foi com Rose, e mal houve tempo dos dois conversarem sobre o assunto porque em menos de um dia ele já tinha se mandando para a América Latina, onde passou oito maravilhosos meses - mas voltou porque seu coração estava onde estava a sua família, e mesmo que tivesse toda aquela pose “foda-se”, Fred dava muito valor para àqueles que amava. Consequentemente ao voltar ele topou com Rose por diversas vezes, mas os dois nunca pararam de fato para conversar, para por os pingos nos is. E talvez a falta dessa conversa que fazia o clima ficar estranho entre eles, simplesmente fechar. Veja bem: Rose era prima de Fred. Rose ainda é prima de Fred. A oito meses atrás Fred estava na merda; brigado com o pai; sendo ‘julgado’ por supostamente ter empurrado uma garota do seu dormitório, e essa garota era só a que ele estava amando - da maneira que ele podia. A oito meses atrás Rose foi uma das únicas pessoas que parou do seu lado e o ouviu, entendeu e o apoiou. Mas Rose também o beijou. Na verdade, foi o contrário: ele a beijou. É claro que ele se arrependia de tê-lo feito e se pudesse voltar atrás não o faria, mas uma das coisas que mais batucou na cabeça do moreno foi que, de uma forma ou de outra, antes de se darem por si, o beijo foi correspondido. Fred pegou-se pensando nisso naquele exato momento, quando a frase da prima se perdeu no silêncio e as mãos do moreno ainda seguravam levemente as bochechas alheia. Outrora a desculpa que se dera para esquecer e aceitar o maldito erro foi que estava vulneral, que a ruiva por estar ao seu lado deu a ele certo conforto e logo veio a vontade de beija-la, mas naquele momento estava bem. Muito bem, por sinal. Seus olhos encaravam as orbes claras da Weasley e assim como ela não era capaz de se mover, ele também simplesmente não conseguia. Não por estar forçando algo ou com o real intuito de iniciar um beijo, mas porque flashbaks não paravam de invadir sua mente e uma sensação ruim tomava conta de si, junto com o quase desespero de querer se explicar sobre o ato passado mas simplesmente não conseguir falar. Droga. Mil vezes droga. Achou que depois de tanto tempo passado tudo estava bem. Que eles esqueceriam e que, embora o clima estranho se fizesse presente algumas vezes, as coisas não viriam a ficar tão tensas. Tão intensas. E de repente a tensão se instalou totalmente no cômodo, os pensamentos de Fred que antes pareciam gritar já nem se quer estavam presentes, o seu maxilar travou deixando o osso evidente, engoliu em seco e então quase involuntariamente o seu rosto parecia estar cada vez mais próximo do de Rose, e consequentemente os lábios quase se tocando mais uma vez. Fred queria a todo custo recuar, mas naquele exato momento ele não pensava em recuar, o que era algo totalmente sem nexo e contraditório. Por um lado ele queria sair dali e se desculpar ou fingir que nada havia acontecido, por outro ele simplesmente queria deixar levar, e é por isso que um terceiro lado torcia a todo custo para a ruiva se afastar, porque naquela altura era evidente que ele não se afastaria.