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@flintwaillie

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Visitar o hospital tornou-se uma rotina para Ailish agora que Louis estava ali internado. Desde que conseguiu entrar no quarto do mais novo, não perdia um dia de visita. Bem, exceto quando adoeceu. Foram quatro dias perdidos por causa do resfriado que o impedia de sair da cama. Ao melhor, voltar ali foi a primeira coisa que fez. Estava há poucos minutos sentado na beirada da cama do jogador com a mão mexendo distraído na do mais novo, Louis tinha acordado e falado um pouco mas já estava dormindo de novo. A cabeça abaixou-se para descansar a testa contra o colchão enquanto ainda segurava firme a mão do Weasley, era estranho não o ter prendendo de volta seus dígitos. Para seu espanto, a porta abriu-se, naquele horário raramente encontrava alguém diferente de Lucy, mas dessa vez não era a garota. Os passos eram diferentes. O moreno ergueu a cabeça ajeitando os óculos escuros no rosto. ' —— Uh, ola?'
Agindo como uma criança? A frase só o fez aprofundar mais ainda a expressão emburrada. Não deixou o biquinho de lado pois não estava agindo feito uma criança! Só não gostava de poções, o corpo precisava de seu tempo para curar e deveria ser respeitado. Ou pelo menos era a desculpa que dava já que além de odiar o gosto, também odiava como tudo parecia bagunçar seu emocional depois disso. Não deveria misturar poções e sua prioridade, principalmente no momento, era a poção para a ansiedade. Aillie esperou Ryan se aproximar, sim, mas não esperou o beijo. Foi pego de surpresa e soltou um barulho satisfeito ao sentir a boca dele contra a sua, sem contar com o corpo do mesmo subindo em si. As mãos rapidamente pousaram no quadril dele, puxando-o para mais perto, apertando-o, matando um pouco da saudade. Não conseguia sentir o gosto característico que vinha com o beijo de Ryan e essa era definitivamente uma desvantagem; contudo, não podia negar que estava adorando ter a boca invadida por aquela língua. Para seu desalento, foi breve o contato. Tão rápido quanto se aproximou, Ryan se afastou. Aillie ficou ali deitado, os olhos fechados, lábios agora certamente inchados e vermelhos combinando com a respiração ofegante. Porra. Quando ouviu o barulhinho de algo sendo aberto, não poupou um riso. ' —— Espero que isso seja lubrificante.' brincou, ainda que já tivesse a certeza de que era a maldita poção. Mas não ia tomar, não mesmo. O cenho foi então franzido ao ouvi-lo. Como alguém esquecia o próprio aniversário? ' —— Você esqueceu? Como assim? Onde diabos você estava?' assim que soltou a pergunta, arrependeu-se um pouquinho. Queria mesmo saber? Mordeu a língua ao sentir o carinho em sua face, relaxando sob o toque da mão mais fria contra sua face quente da febre. ' —— Desculpe, aliás. Eu passei o dia inteiro dormindo e o dia depois do também. E então ninguém me deixou sair daqui mais.'
Com o acidente, com Nina voltando a falar, Pietra arrumando confusão todos os dias pois a criança simplesmente não queria estar perto dela, Louis no hospital... Ailish simplesmente perdeu a noção dos dias. Estava irritado, frustrado e, para melhorar, acabou adoecendo. A ansiedade não ajudava em nada, estava uma pilha de nervos e com qualquer cutucada, ou explodia ou tinha uma crise de pânico. Não estava bom. Fazia algum tempo que Ailish não ficava resfriado. Muito tempo. E havia um problema: quando adoecia, não gostava de tomar poção para melhorar pois elas bagunçam a da ansiedade e, para si, essa era bem mais importante. Só que Nina não podia entrar no seu quarto para não acabar doente também, seus pais estavam irritados porque a febre não baixava, a tosse não cessava... e o bruxo ficava manhoso e emburrado. Para completar, o aniversário de Ryan tinha passado e ele nem foi autorizado a sair da cama para ir atrás do amigo. Estava deitado ainda quando a porta abriu-se, conhecia aqueles passos então fez um biquinho. ' —— Isso é golpe baixo, eles te mandaram pra me enfiar poção?' Perguntou com a voz rouca ao virar a face na direção do amigo. O cabelo bagunçado, a face corada da febre, Ailish mal parecia ele mesmo, assemelhava-se mais ao seu eu adolescente teimoso. ' —— Você nem veio aqui antes.' resmungou, franzindo o cenho. Referia-se ao dia do aniversário dele. Aillie nunca perdia a data, então presumia que se tivesse perdido agora, o amigo iria perceber que havia algo de errado; aparentemente estava errado e isso era apenas mais um motivo para sustentar o bico.
Existia um problema, suas memórias ainda pareciam bagunçadas na sua mente e ainda tinham peças no imenso quebra-cabeças que estavam em branco, com todas as visitas que teve, olhares aliviados, sorrisos sinceros, ainda lhe faltou uma parte. Não ouviu aquela vozinha aguda que pedia para que pudesse cantar a mesma música todas as noites em que tinha pesadelos, as mãozinhas delicadas que tocavam o seu rosto e a risada baixa, cansada, que sempre acontecia antes de dormir. Estava preso a esse sonho, só podia ser um sonho, não conseguia pensar em que poderia ser e em como seria se a encontrasse de novo, o lance é que tinha alguém que nunca lhe mostrava o rosto, saberia reconhecer pelo cheiro, a pele macia na região do ombro, onde roçava levemente o nariz antes de se levantar e a voz, com certeza reconheceria a voz, quando ele reclamava que estava cedo. Louis sentia falta desses pedaços, do sonho, da falta de um nome e de um rosto, queria estar bem logo pra entender o que acontecia, mas sabia que estava cedo demais. Se fosse dizer metaforicamente, Louis havia renascido ontem, era pouco tempo para todas as visitas e que sua memória estivesse cem por cento recuperada, precisaria de paciência. Porém, estava quase adormecendo quando ouviu a voz, meiga, baixa, de quem estava com medo de acorda-lo. ‘Louis!’ E então o toque no seu rosto, fazendo o garoto desviar o olhar para o par de olhos claros na sua direção, grandes e brilhantes. “Bonsoir ma petite princesse!”
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Quando Lucy finalmente fez com que Ailish pudesse entrar no quarto do Weasley, o bruxo não arredou o pé do lado da cama deste outro até a noite. Tinha que ir para casa, afinal, a pequena Nina dependia de si. Prometeu tanto a si mesmo quanto a um Louis desacordado que iria voltar no dia seguinte, e o foi que o fez. Dessa vez com Nina. As visitas eram mais rápidas já que tinha a criança, não que ela ficasse contente com isso, muito pelo contrário, ficava irritada quando precisavam ir e Aillie ria de quando chegavam em casa e seus pais comentavam que o cabelo da criança estava vermelho. Até os pais foram visitar o mais novo, para a surpresa do moreno. Agora, fazia parte da rotina ir até o hospital. Estava exausto, não dormia direito pois não sabia quando o bruxo já acordar, isso lhe preocupava dia e noite. Mais um dia de visita e Nina estava animada para tagarelar sobre um desenho que estava fazendo, agora que ela falava, era adorável ouvi-la balbuciando sobre tudo. A voz ainda saía baixinha demais, mas era adorável. Ao entrarem no quarto, ouviu a criança chamar o nome do outro e rapidamente ela soltou sua mão. Ailish suspirou. ' —— Nina, não é...-' estava prestes a repreender a filha quando a voz de Louis soou. Um suspiro surpreso lhe escapou e até ele apressou o passo até perto da cama. ' —— Minha nossa, você acordou? Como está?' disparou, sentando-se na beirada da cama, puxando a filha para o colo. A mão esgueirou para procurar a do jogador, tomando cuidado para não machucá-lo.

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Pela voz da garota, as coisas não pareciam bem. Ailish engoliu em seco somente por causa do tom que Lucy usava, tão baixo e carregado de dor, de tristeza. Precisava urgentemente entrar naquela sala de Louis. ' —— Apenas parentes.' confirmou a suspeita alheia, assentindo fracamente. Todas as mentiras que havia pensado para contar caíam por terra por não saber se isso poderia ou não ir contra a vontade de Louis. Após o Valentine's Day, não haviam falado tanto e, para piorar, o Weasley sumiu na manhã em que dormiu em sua casa. Isso era incomum e deixou Ailish preocupado. Afinal, não devolveu as palavras que o mais novo disse para si, não da forma exata que ele fez; sentia-se culpado, com receio de que aquele sumiço do mais novo significasse que ele deveria ficar longe. E agora com ele machucado? Não tinha como saber a verdade. Estava nervoso. Mexia com a barrinha da manga do casaco e respirava um tantinho mais acelerado que o normal, já que o coração batia tão depressa. Com a menção da garota lhe ajudar a entrar, Aillie soltou um suspiro de alívio, subindo uma das mãos para o peito. ' —— Você... você acha que vão deixar? Eu estou bem. Eu só preciso saber como ele está, não me disseram nada.'
' —— Foi uma frase infeliz.' resmungou envergonhado. ' —— Mas eu realmente queria testar aquele balcão.' Ailish bufou um riso antes de balançar a cabeça, se Louis dissesse algo assim para seus pais, provavelmente receberia uma resposta a altura. ' —— Olha, nunca fale isso. Eu não quero descobrir que eles já testaram meu balcão ou sabe-se lá qual móvel aqui em casa.' fez uma careta de nojo, não era algo que queria saber dos pais; mesmo que eles sempre lhe provocassem sobre sua vida sexual, Ailish definitivamente não queria saber da deles. ' —— Ele não deveria esconder, mas ele também não deveria me provocar. Os dois! Eles aparecem falando coisas em francês do nada, e eu posso não entender, mas o tom que usam é totalmente pra provocar.' resmungou, seus braços rodeando a cintura mais fina de Louis assim que ele sentou-se em seu colo. O peso do rapaz agora já era algo familiar para si. Aillie sorriu ao abraçá-lo e grudar o rosto no pescoço dele. Gostava do perfume alheio, já lhe era tão conhecido que sabia que estava na lista dos cheiros que, não importava onde sentisse, reconheceria. O nariz grudado ali na pele morna também servia para esconder o rubor na face e a insegurança repentina. ' —— Quando você está acostumado a fugir de sentimentos mais profundos, essas coisas não são óbvias, Lou. E-eu... passei anos evitando me aproximar de pessoas e... não deixando-as se aproximar de mim por medo disso.' contou, sentindo os olhos arderem um pouco. Estava cansado, a confirmação dele servia para trazer a tona sentimentos que o bruxo não conseguia distinguir ou reconhecer; sentimentos que passou anos lutando para não ter por alguém e que ainda tentava enterrar por reflexo. E Ailish não sabia como agir diante disso. Apertou mais aquele abraço como se precisasse disso para poder respirar, como se o corpo do mais novo contra o seu servisse como estímulo para continuar sobrevivendo. ' —— E-eu, eu não tenho histórico bom com... com o amor, Lou. E eu... eu sei que você é diferente dela mas...' a voz não saiu, o bruxo fungou ao apertar os olhos para conter as lágrimas. O Weasley em nada se parecia com Pietra, sua parte racional sabia que ele não mentiria para si ou lhe machucaria, contudo, era automático ter receio de entregar-se assim para alguém após tanto tempo. Afastando o rosto, descansou a testa contra a dele pois tomar alguma distância agora lhe era inadimissível. ' —— Mas... também dizer que eu não sinto algo por você seria uma mentira. Você se tornou uma parte importante demais pra mim.' só não conseguia colocar um nome naquilo e torcia para Louis não odiá-lo por isso. Passara tantos anos se privando de experimentar tais sentimentos com as pessoas, que simplesmente não reconhecia mais tão facilmente aquele tipo de amor.
Nina tinha sido levada por Oliver e Marcus para checar se a menininha estava mesmo bem, deixando para tras Ailish que não tinha forças nas pernas para se levantar. Não conseguira arrancar dos medi-bruxos, dos atendentes, alguma notícia sobre o Weasley. Estava ali sentado há um pouco mais de meia hora, já havia tentado pedir mais informações três vezes a bruxa do balcão... Mas nada arrancava. Só que o estado do mais novo era grave. Como ele tinha se machucado ou quais as chances de melhoras, inferno, nem mesmo o que havia de fato acontecido, Ailish sabia. Cogitou mentir, dizer que era namorado do mais novo para tentar descobrir alguma coisinha, mas se essa história vazasse? Se caísse nas mãos de um jornalista? Poderia prejudicar não só Louis, mas a ele também. As mãos cobriam seu rosto, passavam pelos cabelos pela milésima vez, abafavam suspiros... não escondiam seu nervosismo. O moreno via-se em tempo de ter uma nova crise de ansiedade quando um perfume familiar adentrou em suas narinas. Passos e perfumes, dois pontos importantes que Ailish dava muita importância nos dias atuais. ' —— Lucy?' chamou um pouco alto pois se a garota estivesse longe, talvez conseguisse ouvi-lo. E caramba, torcianpara não ter se enganado ali no meio de seu desespero por notícias.
ʟᴇғᴛ ᴡɪᴛʜᴏᴜᴛ ɢʀᴏᴜɴᴅ I #03
O barulho de primeira bomba o pegou desprevenido. Sua única tranquilidade foi que no momento seguinte, a mente forneceu que Marcus tinha levado Nina para ver os golfinhos em uma ilha, além de usar esse tempo para tentar fazer a criança se soltar mais. Nos últimos dias, Oliver e Marcus se dividiam na missão de fazer Nina conhecer os pedacinhos intactos do mundo; as partes seguras sob os domínios da comunidade bruxa. A criança não conhecia muita coisa, essa então tinha sido a forma que os adultos encontraram de dar a neta a chance de vivenciar experiências novas. Naquele momento, isso foi bom. Significava que a filha estava segura fora de Montrose. Dentro de casa só havia ele, lendo um livro na poltrona, e Oliver, que cochilava no sofá. Foi um impacto grande demais, o barulho, o cheiro de poeira e fogo, tudo isso subiu de uma vez. A quentura aumentou radicalmente e Ailish sentiu-se travar. Para sua sorte, Oliver acordou no susto, mudou-se para seu lado e o puxou para fora da sala, para o quarto de Nina, o ambiente mais protegido da casa.
#2018 mood

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Ailish empurrou o ombro dele de maneira leve. Estava sem os óculos escuros e só notou isso quando subiu a mão para ajeitar as madeixas escuras; o cabelo bagunçado em nada combinava com a roupa social, o cansaço em sua expressão também não deveria ser ocultada, já que não tinha os óculos para se esconder. Não que se importasse, Louis já o tinha visto sem aqueles óculos e o bruxo sentia-se confortável o suficiente com ele para não querer ir buscar. ' —— Idiota. Papai não me dá uma folga, Weasley!' fingia uma reclamação, a diversão em sua voz e em sua face era impossível de negar ou de passar despercebido. Podia estar com o rosto quente, provavelmente ruborizando, mas sorria. ' —— Bem, sim! Claro que ele sabe. Ou bem, eles. Já quem disse que Marcus Flint-Wood mantém a boca quieta? Eu não sei francês, ele sabia e sabe braille.' encolheu os ombros ao explicar. A mão em sua face então o pegou desprevenido. Geralmente era Ailish que lia as pessoas assim para ter uma imagem em sua mente. Fechou os olhos para desfrutar. Quando o bruxo fazia nos outros, sentia que era algo íntimo. Cada deslizar dos dígitos na pele da pessoa era um traço em sua mente. Com Louis estava sendo assim também? Ele estava mapeando seu rosto com as falanges distais? Estar do outro lado da situação recebendo o pincelar dos dígitos parecia ser quase tão íntimo quanto fazer aquilo. Aillie lambeu os lábios, a pontinha da língua esbarrando sem querer no dedo do mais novo. ' —— Você quis dizer aquilo, então? Você quer dizer agora?' perguntou de forma hesitante. ' —— Eu... eu fiquei um pouco confuso.' sussurrou. ' —— É... como amigo? Como... algo mais?' conforme perguntava, o rosto esquentava mais. Não escondeu a face, porém, só apertou o abraço que ainda mantinha firme. Queria se mover para sentar no colo do mais novo, mas suas pernas eram longas demais para a posição ficar confortável. Aillie puxou-o então em sua direção. ' —— Vem aqui.' ele pediu, usando a canhota para indicar as próprias coxas.
O silêncio de Ryan não parecia ruim. Ailish conseguia ler o melhor amigo de maneira genuína, sabia quando ele estava desconfortável e não era o caso agora. Foi por isso que não o interrompeu, que ficou quieto exibindo o sorriso confortável até que o nome do poema viesse. Não lhe parecia um bom nome, mas também não criticou, não entendia nada do assunto. Poesia e poemas eram um território inexplorado e que Ailish preferia assim até, não era um tipo de leitura que apreciava. Na voz de Ryan? Isso foi diferente. Gostou bastante e não se importaria de ler novamente, se encontrasse em braille. ' —— É um nome bem ruim.' acabou soltando de todo jeito. Acabou entrelaçando os dígitos nos do bruxo ao notar que este não se afastou. A segurança da mesa proporcionava uma espécie de proteção e Ailish estava contente com isso. Precisava de proximidade com Ryan para poder relaxar também, ficou feliz de poder aproveitar pelo menos aquele pontinho de contato. ' —— Claro, melãozinho, claro que não está nervoso.' acompanhou a risada alheia, porém, diferentemente dele, a de Aillie vinha carregada de diversão. ' —— Segundo seu pai, é você.' retrucou, o sorriso travesso brincando em seus lábios. A menção da torta e da atendente fez Aillie acalmar a postura provocativa e apenas agradecer à mulher antes de respirar fundo, o cheirinho do chocolate realmente parecia ativo, o que denunciava que deveria estar uma delícia. ' —— Cheira muito bem, deve estar boa.' elogiou com um suspiro baixinho, não tinha ouvido os talheres então não fazia ideia de onde o talher estava, o que lhe forçava a ficar quieto. ' —— Como que descobriu esse lugar?'
A insinuação de Ryan o fez lamber os lábios. Ailish não pode deixar de sorrir maliciosamente pois aquelas palavras só poderiam ser rebatidas de uma forma: ' —— Você sabe muito bem que eu não me importo em engolir.' se estivesse sem os óculos, os seus olhos iriam transbordar a malícia para acompanhar a voz e o sorriso que oferecia ao amigo. A pontinha da língua saiu para lamber o cantinho do lábio inferior, capturando-o com os dentes em seguida. Iria prestar atenção no tal poema então guardou as brincadeiras para que pudesse soltar depois. Ou pelo menos tinha essa intenção, mas não contava era que assim que o bruxo começasse a falar, sua atenção focasse apenas na forma como a voz de Ryan saía. Era profunda, suave e firme. Tudo ao mesmo tempo. Ailish fechou os olhos para aproveitar esse momento, deixando as palavras mergulharem em seu interior, permitindo que a voz de Ryan arrancasse de si aquela insegurança, aquele medo de perdê-lo. O maior desejo ali era se inclinar e beijá-lo, mas o mais próximo disso que podia fazer era se inclinar e pousar a mão na coxa dele por sob a mesa, apertando-o mais do que talvez devesse. Um suspiro baixo e um sorriso carinhoso nos lábios. Ryan mais uma vez conseguirá lhe surpreender, varrer de sua mente as preocupações e lhe deixar aquecido por dentro. ' —— Você não tem noção do quanto eu adorei, é lindo.' murmurou, lambendo os lábios. ' —— Qual o nome desse?' queria saber para procurar depois e ler mais vezes. Não gosto de poemas, mas aquele era diferente. ' —— Nós vamos dividir a torta, já esqueceu? E eu estou bem, não estou com frio. Você está nervoso.' soltou uma risada pois era óbvio com a mudança na voz dele e a falha tentativa de trocar o assunto. ' —— Por que diabos está nervoso, melãozinho?' o apelido solto foi uma tentativa de fazê-lo relaxar, não queria parar para pensar sobre o que significava o fato dele ter pensado em si ao ler aquele poema em específico para não acabar imaginando coisas que não existiam; mas havia adorado, isso que importava.
O bruxo se deixou ser guiado, levado para um local mais propício para a entrevista. Embora não gostasse de usar as pessoas assim, não se importava de o fazer quando estava dm um ambiente desconhecido como aquele. Era mais rápido, mais fácil. Ailish sentou-se então, desabotoando o paletó e encolhendo a varinha que usava como bengala, deixando-a na mesa. Tinha o hábito nervoso de mexer com a varinha quando se agitava com algo então provavelmente não soltaria a madeira. Concordou com a cabeça para o que Lucy dizia, suas experiências ruins com o nervosismo se assemelhavam mesmo àquela dita pela ruiva e não gostava nem de pensar que isso poderia acontecer em uma entrevista ao vivo. Mas acabou mesmo foi fazendo uma careta para a brincadeira, soltando uma risada baixa e um leve agradecimento. Preferia que os que lessem a entrevista não viessem a descobrir tais detalhes. ' —— Vocês dois são um pesadelo.' resmungou com um ar risonho, ainda deveria ter algum pouco indício do rubor nas bochechas, mas era mínimo. Bastou então que ouvisse o barulhinho do gravador para Ailish deixar de lado as brincadeiras e focar na pergunta que seria feita. A primeira foi fácil até demais, respondeu sem precisar pensar sobre isso: ' —— Eu estava sentindo falta do Quadribol de uma maneira que não imaginava até que o capitão do Montrose Academy me fez perceber o tamanho do vazio que o esporte tinha deixado. Depois do acidente eu passei a achar que esse caminho não servia mais para mim, como poderia jogar ou me envolver com qualquer coisa relacionado a isso se a visão é essencial?' um pequeno sorriso melancólico apareceu nos lábios de Ailish, o peso de todos os anos afastado do Quadribol era perceptíveis na voz. O bruxo então suspirou, encolhendo um pouco os ombros. ' —— Mas o Weasley me fez pisar num campo após sete anos e meio. Me fez voar... literalmente.' soltou um riso mais calmo, menos pesado que antes. ' —— E eu percebi o mal que a ausência do Quadribol me fazia. A partir dali eu passei a entrar em contato com meu antigo time, o Puddlemere, e o diretor depois de me dar uma bela de uma merecida bronca, me sugeriu essa ideia de comentar e representar o Puddlemere nas entrevistas.'
Estava de folga dos jogos, seus colegas costumavam ir para bares e curtir o que o treinador não deixava curtir antes de um jogo ou quando estavam na concentração, porém, Louis escolheu gastar o seu tempo com o homem mais velho. Sabia em qual horário ele não iria trabalhar e decidiu ir até a sua casa, tendo muita sorte de ouvir dos seus pais que ele estava em casa e que iria até o quarto dele. “Eu sempre esqueço que posso aparatar pro seu quarto, mas sei lá, gosto que seus pais me vejam aqui.” Riu, se sentando na cama. “Vai ser uma visita rápida, eu só precisava saber se gostou do presente que eu te dei.”
O barulho da porta sendo aberta deixou Ailish alarmado, mas ele relaxou rapidamente ao notar o ritmo dos passos. Louis. Como Nina teve uma péssima noite cheia de pesadelos e febre, o moreno havia acabado de enviar uma coruja com um pedido de cancelar a entrevista que tinha para aquele dia; estava exausto e preocupado ainda com a criança que só havia dormido quando o sol apareceu. Nem teve coragem de tirar o terno, só tinha caído na cama para tentar relaxar um pouco. E não conseguiu. Estava agitado demais para isso. A presença de Louis, porém, era reconfortante; e Ailish se mexeu na cama para sentar-se. O bruxo esticou a mão e alcançou a camisa dele, puxando-o mais para perto de si. ' —— Você gosta de dar material para eles me perturbarem, é isso?' perguntou com um sorriso. Tendo em mente a distância em que o mais novo estava, se arrastou para mais perto um pouquinho para levar o rosto ao pescoço dele. ' —— Eu adorei, estava uma delícia e a poção... papai tinha levado Nina por causa do meu trabalho e eu não a via há dois dias. Assim que abri o frasquinho... era o cheirinho dela. Eu adorei, muito obrigado.' murmurou abafado contra o pescoço do bruxo, seus braços lhe rodeando para abraçá-lo. Mas a lembrança do cartão o fez afastar o rosto para beijar o mais novo, um singelo selinho que realmente conseguiu acertar os lábios do menor. ' —— E eu não sei francês, Weasley, papai leu seu cartão.' resmungou com as bochechas ganhando um tom rosado.

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ANA DE ARMAS in promotional photos for No Time To Die (2020)
Meet me in the hallway. — w. aillish
Podia não ser estupidez, mas lhe atrapalhou durante anos. Ailish perdeu sete anos e meio de sua vida e agora precisava recuperar, ou bem, compensar o tempo perdido. Graças à Louis, tinha achado um caminho, uma luz. O bruxo mais jovem podia não saber a importância do tão simples ato, como tinha chamado, mas Ailish sabia. E prezava por isso. Não tinha hesitado em contar sobre o ocorrido quando perguntaram na primeira entrevista o que o levou a voltar para o Quadribol e não se improtaria com as consequências de suas palavras ou em como seria interpretado. O beijo prosseguia de maneira a o deixar preso no contato, deliciando-se com cada pincelar da língua dele contra a sua; sem contar com o calor do corpo do mesmo. Mas ao senti-lo partir o beijo e tomar uma distância, Ailish soltou um suspiro pesado. Não tinha respondido aindasobre a pergunta alheia mas o rosto esquentando e o sorriso largo, lhe entregava. ' —— Definitivamente isso.' finalmente verbalizou, mordendo o canto do lábio. Seu corpo aquecia tanto quanto a face e Ailish, droga, não saberia se concentrar no jogo agora que o bruxo tinha tocado no assunto. Quando sugeriu a primeira vez, Louis não insistiu ou comentou sobre isso; chegou a pensar até que ele não teria lhe ouvido ou descartado a ideia, mas agora? A prova de que tinha entendido errado, vinha.
E o mais velho realmente desejava compartilhar isso com o mais novo; seria interessante ter alguém fora Ryan a lhe tocar daquela forma. Aillie não fazia ideia de quando cedeu tal situação para outra pessoa, por isso as palavras alheias lhe deixaram agitado, almejando que o dia logo se passasse. ' —— Na verdade, nem precisa ganhar o campeonato pra isso.' acrescentou tardiamente quando percebeu que talvez aquela proposta soasse como recompensa, e pela sua agitação interna, claramente não ia aguentar esperar tanto. Ailish o alcançou de novo com a destra, puxando-o para perto novamente e dessa vez o beijo deixado foi na bochecha. ' —— Okay, certo. Você tem que ir. Boa sorte, faça muitos pontos porque eu já poderia listar uns cem lugares pra te beijar, então me obrigue a ser criativo com mais.' brincou, soltando o jogador somente depois de lhe dar um selinho. Era difícil estar próximo assim ao Weasley e simplesmente resistir ao impulso de beijá-lo, ainda mais sabendo que a reação alheia não seria de lhe afastar por seguir esses desejos. Só que não podia atrasá-lo, o treinador do time provavelmente arrancaria a cabeça do Flint-Wood se isso acontecesse.