“E nem você.” Riu nervoso referindo-se ao fato de que estava desesperado por um rosto amigo por toda aquela noite, completamente azarado em tudo o que tentava fazer ou conversar. Ninguém parecia tão interessado nos assuntos de antes e as conversas sobre fulano e ciclano que pareciam depreciar a festa o rondavam e pressionavam como se ele quisesse mesmo ser esmagado por ideologias. Olhou para as próprias roupas uma vez, mas não retrucou com o elogio, ainda mais sob o encanto natural da amiga. Estava mesmo bem vestido e falhar em como se apresentava era irrecusável. “Demorou apenas uma prova para ficar bom. Aposto que foi o mesmo com o seu vestido. No dia em que Fleur Delacour aparecer mal arrumada estou perdido.” Brincou, andando ao lado dela e assentindo algumas vezes. “É exatamente disso que preciso. Aliás, acho que sua companhia vai me ajudar muito a conseguir uns bons olheiros para os próximos jogos. Veelas conseguem muito o que querem, certo?” Disse baixinho para não divulgar muito o que não era tão segredo assim da parte de Fleur, e que tinha efeito até mesmo sobre ele que não se lembrava de ter dito ‘não’ uma vez sequer para a loira. “A decoração, os lustres… Parece tudo muito bem pensado.” Pararam de frente para uma estátua e Viktor a encarou desconfiado, sem saber se os rumores falavam a verdade sobre. “Ouvi dizer que elas têm todas passagens secretas. Quer escrever uma novidade para a matéria? Aposto que muita gente vai querer saber os segredos do Ministério.” Abaixou a cabeça lateralmente para estudar melhor o gesso de enfeite, sem saber que escultura era aquela exatamente. “Mas precisa cantar e eu não canto.” Quase a desafiava ali, ficando um pouco mais animado com a ideia de fugir para outro lugar.
Viktor tinha alguns pontos importantes e similares com Fleur - eles dois, assim como Harry Potter, haviam vivido mais situações traumatizantes do que a maioria das pessoas. E isso definitivamente não tinha nada de bom. Esconder aquilo era difícil, mas ambos ainda mantinham os sorrisos educados em público - ainda que os break downs acontecessem em crises intensas longe das câmeras e dos olhares curiosos. “Eu já te disse, mon amour, você deverrria modelarrrr, as roupas ficam ótimas em você” ela ajeitou o paletó dele antes de voltar a acompanha-lo. Deu um riso acerca de seu próprio vestido e assentiu - sua avó nunca permitiu que ela andasse mal vestida, nem mesmo para ir fazer compras em uma boulangerie, quem dirá em um evento como aquele. “Ahhhhh, então esse é o motivo de gostarrr da minha companhia, Viktorr? Porque eu sempre consigo o que eu quero?” Ela arqueou as sobrancelhas em uma provocação na direção dele e logo deu uma risada divertida, segurando no braço do amigo enquanto andavam. Aproximou um pouco o rosto de seu ouvido “Mas você tem rrrazão, é um bom motivo. Vamos converrrsar com uns olheiros. E com umas damas, sim? Você está precisando de uma namorrrada” Fleur provocou com uma risadinha e logo voltou a se afastar, e balançou a cabeça “Você pega uma champanhe prrra mim, porr favorrr?” Pediu, sabendo que ele provavelmente não lhe negaria. Acompanhou o olhar e o interesse pela decoração, curiosa com o que ele queria dizer acerca daquilo. Os olhos brilharam quando Viktor falou que deveriam cantar para revelar alguma coisa - apesar de ter tido de amadurecer muito cedo, mas algumas coisas muito simples ainda faziam seus olhos brilharem e o coração palpitar. Ela sorriu para a escultura diante deles e passou a cantarolar uma música que vinha escutando diariamente, como um mantra. “Non, rien de rien. Non, je ne regrette rien. Ni le bien qu'on m'a fait. Ni le mal, tout ça m'est bien égal!”estava prestes a continuar quando a decoração começou a se mexer e uma passagem se revelou, fazendo o sorriso aumentar ainda mais, assim como o olhar arregalado que alternava entre a passagem e Viktor Krum.