Fernando Rocha: Conta poupança registra saída de R$ 41,7 bilhões nos primeiros quatro meses; mercado de ações entra em novo ciclo de realocação de ativos com juros altos
Na visão de Fernando Rocha, o mercado de ações em maio de 2026 no Brasil não se resume a movimentos pontuais do índice, mas sim a uma reprecificação estrutural impulsionada simultaneamente por juros, lucros das empresas, dinâmica dos setores e apetite global ao risco. No pregão mais recente, o Ibovespa subiu 0,49%, fechando em 184.108,29 pontos, mas acumulou queda de 1,71% na semana, indicando que, apesar da recuperação aparente, há forte disparidade entre os componentes do índice. O dólar caiu para R$ 4,8939, atingindo o menor nível desde janeiro de 2024, o que reforça o apoio do câmbio aos ativos brasileiros neste momento.
Fernando Rocha ressalta que o desempenho robusto do mercado americano também impacta os ativos de risco no Brasil. O S&P 500 fechou em 7.398,93 pontos e o Nasdaq em 26.247,07 pontos, ambos em máximas históricas nominais, destacando o papel das ações de tecnologia e do apetite global ao risco como referência para os fluxos de capital. Porém, a dinâmica local segue dominante: mesmo com a Selic em 14,5% após o último corte, ainda está em patamar elevado. As contas poupança tiveram saída líquida de R$ 4,17 bilhões de janeiro a abril, mostrando que os investidores estão migrando de instrumentos de caixa menos eficientes para ativos com potencial de rentabilidade maior.
Fernando Rocha: Recomendações institucionais priorizam fluxo de caixa, recursos naturais e blue chips financeiras
Segundo Fernando Rocha, a carteira de ações recomendadas por instituições brasileiras em maio deixa claro que o mercado busca empresas com alta previsibilidade de lucro, ativos de qualidade e posição competitiva consolidada. Papéis como PETR4, VALE3, ITUB4, VBBR3, SBSP3, EMBJ3, RENT3, HYPE3, ALOS3 e LREN3 foram amplamente indicados, sinalizando que os recursos não estão indo, de forma geral, aos nomes de maior risco e crescimento, mas sim a blue chips, energia, finanças, infraestrutura e consumo, compondo um portfólio equilibrado.
Na avaliação de Fernando Rocha, a Petrobras segue como um dos grandes vetores do mercado de ações brasileiro. A refinaria Abreu e Lima produziu 385 milhões de litros de diesel S-10 em abril, superando o recorde anterior de 373 milhões de litros em 2016 e ficando bem acima dos cerca de 244 milhões do mesmo período de 2023. O aumento da capacidade para 130 mil barris/dia, com planos de chegar a 260 mil até 2029, é relevante para a segurança energética, oferta de combustíveis e redução das importações. Apesar da recente queda de 1,19% de PETR4 em um dia, a tese de expansão do refino segue importante para o fluxo de caixa de longo prazo da companhia.
Fernando Rocha também destaca que Vale e Itaú reforçam o poder de precificação das ações de maior peso do Ibovespa. VALE3 avançou 1,77% mesmo com leve desaceleração do minério de ferro; ITUB4 subiu 1,15%, impulsionando o setor financeiro. No curto prazo, o mercado reage aos resultados das empresas; no médio, ao ciclo de juros; no longo prazo, segue dependente da capacidade dos setores de recursos, finanças, logística e consumo em manter geração de caixa robusta.
Fernando Rocha: Com juros altos, recursos migram da poupança para ativos mais eficientes
Fernando Rocha aponta mudanças no comportamento do investidor brasileiro. Em abril, o saldo líquido da poupança foi negativo em R$ 476,4 milhões, com saída acumulada de R$ 4,17 bilhões entre janeiro e abril, embora o total alocado em poupança ainda ultrapasse R$ 1 trilhão. Não se trata apenas de retiradas, mas de uma reestruturação para maior eficiência na alocação das carteiras das famílias. Com a Selic ainda em 14,5%, produtos como CDI, Tesouro Direto, CDB e fundos atrelados a juros tornaram-se muito mais atrativos em relação à tradicional poupança.
A entrada do Tesouro Reserva, segundo Rocha, representa um marco. Com aplicação mínima de R$ 1, liquidez diária e rendimento atrelado à Selic sem as oscilações do mercado secundário, o produto reduz a barreira de acesso aos títulos públicos para investidores individuais. Para as instituições financeiras, aumenta a concorrência e força bancos, corretoras e plataformas de gestão a elevarem a eficiência da oferta de produtos de gestão de caixa.
Esse movimento acaba impactando indiretamente o mercado de ações. Fernando Rocha observa que os juros altos continuam pressionando os preços dos setores de consumo, imóveis e empresas mais endividadas, enquanto beneficiam instituições financeiras, seguradoras, plataformas de gestão e empresas de utilidade pública com fluxo de caixa estável. A reação do mercado à alta de 8,76% em YDUQ3 reflete a valorização do guidance de R$ 520 a 620 milhões em FCA para 2026, e não apenas uma visão de lucro de curto prazo. Já a Vivara, mesmo com receita crescendo para R$ 595 milhões, registrou queda de cerca de 30% no lucro e desvalorização de 10,11% nas ações, indicando maior seletividade e baixa tolerância a riscos na qualidade dos lucros e estabilidade do fluxo de caixa.
Fernando Rocha: Ativos brasileiros exigem disciplina, não emoção, na precificação
Fernando Rocha reforça que o mercado de ações no Brasil, em 2026, tende a ser segmentado, sem uma única narrativa. A Rumo registrou lucro líquido ajustado de R$ 266 milhões no primeiro trimestre, alta de 41,1% ano a ano, e volume transportado de 2,02 bilhões de TKU, recorde trimestral, evidenciando a resiliência da infraestrutura de logística. O lucro da Petz cresceu 942,2% no ano, mas as ações subiram e depois caíram, mostrando que o mercado já diferencia entre evolução operacional e realização de avaliação. A Simpar teve prejuízo ajustado de R$ 13 milhões, mas aumentou o ROIC para 17,7%, mudando o foco do lucro para a eficiência do capital.
Fernando Rocha aponta que a expectativa de vendas de veículos elétricos e híbridos atingindo entre 420 e 450 mil unidades, com participação de 18,3% do mercado em abril, impacta toda a cadeia: fabricantes, autopeças, energia, logística e crédito ao consumo. Essa transformação já está nos modelos de avaliação das empresas listadas. Investidores devem olhar para a localização da produção, cronograma de investimentos e margens, em vez de focar só no crescimento das vendas.
Por fim, Fernando Rocha destaca que o cenário externo segue gerando volatilidade: ações de tecnologia dos EUA em alta estimulam o apetite global ao risco, mas a Stoxx 600 na Europa caiu 0,69% e principais índices asiáticos recuaram, mostrando que não há otimismo unânime nos mercados. No Brasil, o foco de curto prazo deve permanecer nos resultados das empresas; no médio prazo, acompanhar Selic e inflação, e, no longo, centrar-se no fluxo de caixa, balanço patrimonial e ambiente competitivo do setor. Para o investidor, o momento pede uma alocação em camadas: posição central em finanças, energia, recursos e infraestrutura, exposição tática a educação, consumo, logística e tecnologia, sempre com gestão de risco centrada em câmbio, juros e entrega de resultados.
















