❛ —— ꜰʟᴀꜱʜʙᴀᴄᴋ
democratacristao:
A declaração de Felicia fez um sorriso de canto brotar nos lábios de Ishmael, e o afago das mãos delicadas trouxeram a sensação de conforto ao ex pirata. Nos últimos dias, sentira que a ficha começara a cair genuinamente. Eles não viveriam numa casa de praia, em verão eterno e com a sensação das águas frias do Pacífico nos pés todas as manhãs; não. Acordariam todos os dias num enorme palácio. Teriam empregados ao seu encalço vinte e quatro horas por dias, haveriam de posar para fotos e comparecer a eventos exatamente como aquele constantemente, e sinceramente, aquilo deixava Ishmael incomodado de certa forma. Era simples por natureza, e se Briana estava certa, sinceridade e simplicidade não eram lá muito bem vindas para a nobreza que os cercava. “ — E o que você acha da não tão princesa e do pirata bárbaro irem procurar um local mais reservado para passar esse final de festa?” Indagou, levantando-se para segurar a destra da noiva, o sorriso presente nos lábios ao fazê-lo, e iniciaram uma caminhada que, para Ishmael, era sem um rumo específico. “ — Ursula já encontrou algumas denominações para mim. A maioria delas não devem ser em um idioma que eu conheça. Não entendo metade das coisas que ela fala.” Disse simplesmente, com um leve dar de ombros. Os olhos azuis, então, repousaram-se em Felicia, e foi inevitável para o ex pirata conter o sorriso. A iluminação fraca do ambiente, agora vazio, fazia a silhueta do rosto da polonesa contrastar-se harmonicamente com o loiro iluminado dos cabelos, sendo uma imagem digna de uma pintura que outrora vira em livros. As mãos bronzeadas subiram cuidadosamente pelo pescoço da noiva, e pararam nos fios claros, enroscando-se ali enquanto permitia aproximar o rosto do dela, deixando os lábios próximos, e as respirações mornas misturando-se. A outra mão foi às costas da polonesa, os nós dos dedos acariciando a coluna, e o tronco aproximou-se ao dela antes de Vlahakis sussurrar entre seus lábios. “ — Não tenho nada a perguntar para ela.” E finalmente, deixou que seus lábios selassem-se aos dela.
⊰ — ❊ "Você não deveria segui-lo tão facilmente, você quem será a rainha." Foi o que Felícia ouviu no momento em que se levantou para acompanhar o ex pirata, a indignação de Gabriel sendo aparente na voz do daemon em seus pensamentos. Como sempre o fazia, contudo, quando sua contraparte demonstrava tamanho ciúmes, ela simplesmente o ignorou ao seguir o noivo para onde quer que a levasse. Aquela, aliás, parecia ter se tornado uma constante em sua vida, ainda que o pégaso houvesse razão. Não era novidade que ela seguiria o ex pirata para onde quer que fosse, e a tentativa de fuga deles havia deixado esse fato ainda mais claro para ela. Mas não era como se sentisse que possuía outra opção, bem da verdade ela sentia-se bem em fazê-lo tanto quanto o fazia sem ao menos perceber. Já em um canto mais reservado, a loira permitiu um meio sorriso escapar ao se lembrar das palavras do noivo há pouco. ❛ Eu acho que a não tão princesa gostaria de sequestrar o pirata bárbaro. ❜ Soltou o ar pelas narinas, a voz rouca ao pé do ouvido do americano a medida em que mordia o lábio inferior, já se afastando levemente. O comentário sobre a Dashkov a fez soltar um leve riso conforme meneava levemente a cabeça para os lados. ❛ Não deve considerar os apelidos que Ursula aplica, ou ficará louco, ela pode ser criativa. ❜ Brincou, recordando-se de algumas denominações que a duquesa usara em sua frete, sendo repreendida ainda que Felícia fosse incapaz de ficar brava com ela e sempre acabasse esboçando um sorriso. O olhar do noivo não passou despercebido, tal como o sorriso que se moldou nos lábios alheios, e ainda que não fosse de seu feitio, as bochechas da polonesa adquiriram certo rubor. ❛ O que foi? Tem algo de errado com meu cabelo? ❜ Questionou em um quase sussurro, se permitindo fechar os olhos até ser puxada para mais perto de Ishmael. As mãos uniram-se à nuca do americano, a respiração pesada ante a precipitação tornando-se calma no instante em que os lábios foram tomados por ele, e ela não apresentou resistência alguma ao beijo. Ele era sua certeza, e se o Vlahakis não tinha nada à perguntar a pitonisa, ela também não tinha.














