O costume de uma vida sem tantas regalias ainda era algo extremamente novo para a jovem, mesmo que sua renda mensal não fosse ruim. A realidade era que quase todo seu dinheiro era investido no seu filho, e só fazia três meses que ela realmente tinha começado a aprender sobre isso. Ele sempre vinha em primeiro lugar, sempre. Apesar da falta dos luxos que tinha em um passado próximo, Ahri tinha a sorte de nunca ter realmente ligado tanto pra tudo aquilo e mais importante, estava feliz com quem ela mais amava naquele mundo. Conversava com o filho enquanto voltavam de seu treino de taekwondo, prestando atenção em cada detalhe e cada situação inusitada que o jovem tinha passado daquela vez. Junhee era engraçado, e um tagarela quando queria.
Saber do seu menino que o próprio treinador havia sido derrotado por um dos alunos por algo tão idiota quanto uma mensagem de celular foi o bastante para que arrancasse mais um dos risos frouxos da italiana. Ela aproveitava daquele momento, naquela nova vida, com um relacionamento ainda mais próximo do filho. O problema foi o que veio depois. De longe a última coisa que esperava encontrar em seu novo lar era um dos fantasmas de seu passado, e o seu medo estava escrito no rosto quando ouviu seu nome - e pior ainda quando viu de quem se tratava.
Daekwon nunca foi muito próximo dela, nem mesmo seu irmão, mas as diversas topadas no mundo da elegância e do dinheiro era o bastante para lhe fazer reconhece-lo. Sem jeito e com os olhos arregalados, teve a reação imediata de puxar o filho para as suas costas, recebendo como resposta uma reclamação do mesmo. O sorriso nervoso se fez presente, tal como a voz tremida. “D-Daekwon? Kim Daekwon? O que faz aqui? Veio visitar um amigo?”
“Sim, eu mesmo! Posso mostrar um documento pra provar, se quiser.” Riu-se baixo, acreditando que a reação exagerada de Ahri fosse por conta da maneira repentina que aparecera ali. Não eram amigos, mas a presença da garota nos eventos sociais incrivelmente chatos que a família em que eram obrigados a ir. Tinham conversado pouquíssimas vezes ao longo da vida, mas Daekwon se lembrava de seu rosto. “Não, eu moro aqui agora. Quer dizer, já tem um tempo. Longa história, basta dizer que o Daekyung fez merda, eu fiz merda logo em seguida, fomos expulsos”. O Kim deu de ombros, sorrindo com a própria desgraça logo em seguida. Estranho, inclusive, a garota já não saber daquilo, já que a mídia fez questão de expor o caso na época, ao menos, quanto a expulsão de Daekyung.
A reclamação infantil chamou sua atenção e Daekwon esticou o pescoço até que encarasse o pequeno garoto, muito parecido com Ahri, que parecia reclamar da mudança súbita de posição. Um sorriso preencheu o rosto do Kim e ele acenou para a criança, voltando-se para Ahri com uma sobrancelha arqueada. Pigarreou. “Mas e você, o que faz por aqui?” Não precisou de muito para ligar os pontos, sabia de algo envolvendo a garota, há alguns anos, já que cochichos por parte de sua mãe eram comuns quando Ahri aparecia ao lado da família nos vários eventos que iam. Decidiu, porém, não tocar no assunto. Não num primeiro momento.