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tylerzabini:
A garrafa long neck permanecia quase intocada na mão direita, garantindo a sobriedade forçada dele. Ao seu lado, uma garota loira e com um decote que num primeiro instante havia prendido sua atenção, dissertava sobre o uso de elfos domésticos - ele era contra, ela a favor -, volta e meia deixando transparecer seu interesse quando tocava o bíceps forte e ria de algo que, para ser sincero, não tinha graça. Tyler, por sua vez, parecia completamente alheio ao que acontecia ao seu redor, porque o foco dos olhos escuros eram os cabelos castanhos e o sorriso que ele conhecia bem. Do canto do pub, observava a cena durante o que, na opinião dele, era tempo demais. Assim como achava que aquele cara estava perto demais, e como achava que Esther ria demais. Sabia que, tecnicamente, nada daquilo era da conta dele, porque tinha decidido que as coisas entre eles seriam assim: nada estranhas, mesmo que após aquela fatídica noite tivesse sentido algo completamente contraditório a tudo o que ele fazia questão de afirmar. Seu término com Esther havia sido doloroso, era um fato. Tudo aconteceu muito rápido e sem um porquê, e ainda que agora soubesse os motivos que a tinham levado a tomar aquela decisão, Tyler insistia em afirmar que tudo o que sentia por ela era relacionado a amizade. E tesão, claro, tesão sem dúvida alguma. Contudo, se Esther era apenas uma amiga, o que diabos era aquela sensação ruim? Aquele frio desagradável no estômago e o gosto amargo na boca toda vez que a companhia dela ousava tocá-la? Recusava-se a admitir que era ciúmes porque isso faria dele um hipócrita, e Tyler não queria ser um. Mas era. Era porque o que ela fazia era basicamente algo rotineiro para ele desde que haviam terminado, e ele sabia o quão machista e estúpido era pensar que ela não podia fazer o mesmo. Porém, não era machismo e tampouco posse o que o levava a sentir-se daquele. E ele sabia disso. Sabia, mas negava com todas as suas forças porque isso significaria admitir que vinha vivendo uma mentira durante aquele tempo. Que as garotas que tinha levado para a cama eram uma distração e que, na verdade, ele não era tão corajoso como afirmava ser, porque estava fugindo dos próprios sentimentos. E Tyler era um grifano; como poderia um grifano ser covarde?
Prometeu a si mesmo que não faria nada, que se contentaria a observar de longe, mas o modo que o outro tocou as coxas dela, as coxas que, não muitos dias antes, estiveram em volta de sua cintura, fez com que ele perdesse completamente a noção, por isso, lá estava ele, caminhando até o “casal” e tomando a garota, a sua garota, pelo pulso após um “Com licença” nada educado, o olhar lançado ao homem com quem ela conversava deixando claro que ele não aceitava argumentos quando a afastou de seu interlocutor anterior. Para constar, o soco dela não havia feito nem cócegas. “O que eu ‘tô fazendo? ‘Tô te impedindo de fazer uma merda, porque você ‘tá bêbada, eu sei que você vai se arrepender amanhã. That’s what i’m fucking doing.”
“Hey, mate” A voz masculina o fez olhar para trás, a sobrancelha grossa se arqueando ao dar de cara com quem quer que fosse que Esther conversava. Virou-se de frente para ele, o corpo maior propositalmente escondendo o dela atrás de si numa pose protetora. She’s off limits, asshole. “Eu e ela estávamos conversando, se você não percebeu. E ela não parece muito a fim de ir contigo.”
“Não estão mais.“ Foi a resposta de Tyler, que cruzou os braços contra o peitoral largo. Era um cara muito tranquilo, mas não precisava muito para tirá-lo do claro, e aquele cara já tinha meio caminho andado apenas pela cena que ele havia presenciado anteriormente.
“E quem é você pra determinar isso? O namorado dela por acaso?”
Pronto. O “É” que saiu da boca do Zabini foi dito tão impulsivamente que ele só seu deu conta do que havia dito quando deixava o pub, trazendo Esther consigo. Sua mão repousava nas costas dela num toque protetor, e a expressão pensativa que ostentava no rosto quando parou para colocar a jaqueta sobre os ombros dela denunciava o quanto ele se sentia contrariado, confuso e, consequentemente, irritado. Geralmente os papéis estavam invertidos e agora ele sabia bem como a bruxa se sentia toda vez que o via com alguma garota. Definitivamente não gostou da sensação.
Era incrível como ele tinha aquela capacidade específica de roubar seu ar em poucos instantes. Desde muito antes, desde que ele não era nada mais que o amigo de Maize com quem ela ocasionalmente conversava, ele já era capaz de arrancar um pouco de seu fôlego com aquele sorriso muito bonito. Damn, ele era muito bonito. Seu sorriso, seus lábios, e mesmo seus bonitos olhos castanhos serviam como um atrativo. Ela raramente via-se capaz de desviar os olhos, mesmo em situações distintas e esquisitas onde ele acordava com reclamações porque ela tinha outra vez ficado ali por um tempo, apenas o observando dormir. Tinham cultivado aquilo por um longo ano, e ela tinha aprendido a confiar tanto nele que via dificuldade em simplesmente abandonar tudo. Era plenamente consciente de que fora aquela que pusera um fim no relacionamento, que dissera que não queria mais continuar com as coisas, e sabia também que fizera aquilo por medo de que ele o fizesse antes. Enchia-se de insanas paranoias ao ponto de deixar o homem que amava, o homem que ama, ir embora. E agora engolia seu orgulho, deixava-se matar o sentimento e permitir que ele estivesse ali, flertando com outras garotas. Permitia que ele estivesse encarando o acentuado decote na bruxa de cabelos loiros, e que por vezes trocasse amassos com garotas no fundo do bar. Ela aguentava até saber com quem ele acabara relacionando-se por conta das conversas que o rapaz tinha com Maize, e engolia aquilo tudo porque simplesmente tinha sido a culpada de qualquer coisa acabar. Sequer entendia a confusão que era sua cabeça, e não sabia se estava mais machucada por tê-lo ao seu lado se privá-lo de tantas coisas ou se machucava-se mais por tê-lo ali e saber que já não era seu. E parecia doer um pouco mais saber que mesmo depois dela ter se entregado a ele, em momentos passados, ele seguia envolvendo-se com garotas. Aquilo a cortava em pedacinhos como nada mais fazia. Era grande parte do motivo de estar com aquele rapaz, naquele instante.
Brandon, o bruxo com quem conversava, era estranhamente parecido com o rapaz. Embora o tom de sua pele fosse mais claro, tinha os mesmos penetrantes olhos castanhos, as sobrancelhas e os lábios. O sorriso era diferente, e o nariz dele poderia ser mais arrebitado, e embora ela se apoiasse naquilo para dizer que não estava mais uma vez alimentando sua obsessão pelo namorado, sabia que era uma mentira. Ugh, e ela estava bêbada demais para lidar com Tyler naquele instante. Pensou até em abrir a boca para retrucar tudo que ele falava, ficar brava e responder que não era uma besteira só porque não era ele. Mas não conseguia, porque parecia que os rapazes não estavam lhe dando muita brecha. Acabou foi com as costas do Zabini em sua cara, e o cenho muito franzido. “Tyler!” gritou, em protesto, mas não sabia ao certo se estava sendo ouvida, dado o barulho do bar.
Ela apenas ouvia partes da discussão, e continuava marcando as unhas no braço do ex-namorado, puxando-o, na esperança de que ele fosse abrir caminho para que ela conseguisse intervir tudo aquilo, uma vez que o aglomerado de pessoas em sua volta não permitia que simplesmente desse a volta. Mas por mais afetada que sua audição estivesse, por mais confuso que tudo parecesse, e que ela pudesse jurar que Tyler brilhava (isso já era um efeito da bebida), ela conseguiu ouvir o sonoro “é” que respondeu a pergunta feita por Brandon. Foi aí que qualquer sinal de protesto despareceu de seu corpo.
Ficava se amaldiçoando, odiando-se por ser tão entregue a ele ao ponto de deixar que ele se meter em sua vida, ser um perfeito hipócrita, simplesmente porque o ouvira confirmar algo que seu eu bêbado deu mais importância do que deveria. Ele falou que é meu namorado. Outra vez. E por isso ela mordia o lábio inferior, e seguia por trôpegos passos até fora do bar.
Nevava. Ela adorava aqueles floquinhos de neve, desde que era pequena, e como Lorelai Gilmore, gostava de dizer que aquela estação era mágica. Adorava o inverno. Virou-se no instante em que os dedos dele procuraram seus ombros para vestir a jaqueta de couro, já que ela não usava muito mais que sua saia e a blusa que combinara com ela; tinha esquecido seu próprio casaco na faculdade, de onde viera. Por fim, os olhos verdes pausaram-se nos dele, e encontraram aquela perfeita mistura de um Zabini consternado: o maxilar cerrado, os olhos focados em tudo que não envolvesse a encarar. E, claro, ela não pode evitar dar uma risada.
“Boyfriend, uh?” perguntou, muito bêbada para dar relevância aos seus pensamentos irritados e reflexões. Não, ela só deixava os dedos encontrarem lugar no rosto dele, encontrando plena liberdade para fazer isso. E ainda aflorava aquele perfeito sorriso maroto, que ele bem poderia reconhecer. Era difícil que ficasse séria quando bêbada.
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Ali, perto dela daquele jeito, Tyler não sabia dizer com certeza o que é que havia chamado sua atenção primeiro; seriam os olhos verdes esmeralda ou a boca rosada, cujo formato o lembrava um coração? O foco de seu olhar alternava entre os dois, mas quando finalmente escolheu um para se firmar, a voz quebrada de Esther interrompeu a linha de raciocínio que ele acabara de criar sobre como o beijo dela era gostoso e, sobretudo, como ele queria um agora. Mas então veio o balde de água fria. E então, a confusão. Foi assim que Tyler se sentiu quando, ao encarar os olhos verdes, identificou mágoa, e não indiferença ou irritação, como ele esperava. Seus sentidos ainda afetados pelo álcool não permitiram que ele tivesse uma reação imediata, pelo menos não uma além de juntar as sobrancelhas, formando um vinco entre elas. Ele simplesmente não entendia mais o que estava acontecendo ali. Não entendia o porquê dela olhá-lo daquele jeito, como se ele quem tivesse partido seu coração, quando havia acontecido exatamente o contrário, afinal, não fora ele a por o fim no relacionamento. Não era ele quem havia feito falsas acusações só para ter um motivo para terminar. E aquilo tinha doído pra caralho. Claro que quem convivia o Zabini nunca perceberia o quão quebrado ele ficou pós término, mas quem o conhecia sabia bem que Tyler tinha a péssima mania de reprimir sentimentos, seja lá quais fossem. Por isso quando encontrou com Esther numa festa e a garota agiu naturalmente, como se nada tivesse acontecido, ele apenas seguiu. Mas agora lá estava ela, o fazendo sentir-se culpado por algo que não era exatamente culpa dele, e a frustração que Tyler sentiu ao constatar isso foi o que o levou a, disfarçadamente, puxar abaixo a camisa que Esther usava até que esta cobrisse sua calcinha novamente, repentinamente arrependido de provocá-la daquele jeito por ter soado como se tivesse a intenção de brincar com seus sentimentos, até que levasse a mão destra até o rosto; o dedo indicador coçando um dos olhos conforme ele falava, pela primeira vez desde que tinham terminado, sobre aquele assunto. “You are the one who dumped me, Esther, so I’m really not following.” Explicitou o óbvio, querendo se defender, mesmo que o aperto que ele sentia dentro do peito insistisse em lembrar que ele talvez estivesse sendo um babaca aquele tempo todo.
Ela conseguia ver os olhos compenetrados dele, e saber, naqueles milissegundos, o que passava em sua cabeça. Retesava pensamentos sobre aulas mais cedo que falavam da conexão entre pessoas, e teve vontade de sorrir, embora tristemente, por perceber: ainda era muito nítido em seu ser todo o ele. Todo Tyler. Estava gravado em sua cabeça de uma forma que ela não precisava de muito para fazer interpretações. Aprendera isso com os meses, com as horas à finco de conversa, e os olhinhos de gato espiando sempre a expressão. Mais que gravar dados de sua compleição, de conhecer com perfeição cada pedacinho de sua pele, ela tinha aquela capacidade incrível de saber o que passava em sua cabeça. Achava isso imensamente incrível, e, talvez, tanto o quanto achava triste. Ainda era extremamente conectada a ele. Sentiu seus dedos deslizarem o tecido de algodão para baixo, provavelmente a cobrindo, e suspirou fundo. Ficou ali, por longos segundos depois de sua frase, os olhos fechados porque sabia que a ardência significava que marejavam. E se marejavam, iria chorar. Particularmente, odiava sua incapacidade de guardar sentimentos para si. Era fácil em consultas, quando estava realmente prontificada para aquilo, mas tudo se modificava quando partia para o real. Talvez esperassem menos transparência para uma psicóloga, mas seus grandes olhos verdes falavam antes de si. “Desculpe.” ela pediu, baixinho, e não sabia ao certo o motivo de se desculpar. Os seus dedos finos foram ao canto dos olhos, capturando resquícios de lágrimas que começavam a escorrer, tão logo sendo incapazes de secar a região. “It’s really not that simple.” começou, e respirou fundo. Ficava sempre repetindo aquilo, e só então parou para pensar no quão injusto era. O quão injusto era jamais explicar as razões por detrás do término, e por sempre o culpar quando jamais tinha sido sua culpa. Honestamente? Ele havia sido a melhor pessoa a entrar em sua vida, e ela quem estragara tudo. “Eu faço isso. Eu não gosto de falar sobre isso porque não quero desencadear sentimentos de pena, mas eu perdi meus pais, Tyler. Duas vezes. E eu toda minha vida fui o tipo de pessoa que confiava excessivamente para acabar machucada. Estou cansada de pessoas caminhando para longe de mim. É por isso que todo esse tempo têm sido eu e a Mai. E, bem, você. But it’s not that simple. Eu não entendo. Não entendo como você tem ficado comigo todo esse tempo. Mesmo eu mostrando que ainda tenho muitas inseguranças, muitos medos, e que imponho barreiras que mesmo que eu me esforce para quebrar, pareçam excessivamente sólidas. Não parece lógico. E eu sei que não parecer lógico não significa que não é verdade, mas nunca foi assim em minha cabeça. E para mim? Sempre me pareceu que hora ou outra você me abandonaria porque eu não conseguia dar aquela cota de confiança necessária. Relacionamentos são sobre confiança, não são?” deu uma risada, naquele instante, embora não tivesse um pingo de humor em seu tom. Pelo contrário, foi aí que as lágrimas acumulada no canto de seus olhos escorreram pela bochecha, molhando suas maçãs do rosto. “Eu sou estúpida. E-eu… E-eu te abandonei antes que você me abandonasse. Porque eu sou confusa, complicada, bagunçada. Porque eu sou um fucking labirinto, que viu alguma lógica em preferir mandar você ir embora a te perder. Isso faz algum sentido? Ter tanto medo de perder alguém que você simplesmente acaba com tudo?” parecia uma perfeita entropia, em sua cabeça. Uma tendência natural ao caos, uma destruição que recorrentemente ela fazia com sua vida perfeitamente organizada. Respirou fundo, mais uma vez, e acabou olhando nos envolventes olhos castanhos de seu namorado. Ex-namorado. Um arfar baixinho escapou, e seu rosto inclinou-se para frente. Sua testa acabou lentamente recostando-se na dele, e ela pode sentir seu perfume invadir um pouco mais de seus pulmões. Embriagava-lhe pensar que estavam mais uma vez juntos em seu apartamento. Que seus lábios passeavam perto dos dele, e que conseguia sentir as mãos do rapaz em seu corpo. Como tinha acabado assim? "I miss you."
"nobody but you, body but me, body but us, bodies together." ❖ tyler&esther
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“E o que o senhor quer dizer com isso?” ela sorriu, não se incomodando nem um pouco quando o conhecido deixou as mãos espalmarem-se em suas coxas grossas. E embora seu julgamento estivesse afetado pela considerável quantidade de whikey de duende que bebera naquela noite, o garoto era ainda muito bonito. Flertavam já fazia algum tempo, principalmente pela sua notória presença nas aulas de ética, e tinha que admitir que ele era carismático. Ainda que não fosse exatamente o tipo de rapaz que buscava (ou melhor, ainda que não fosse exatamente Tyler), parecia estar permitindo-se soltar um pouco. Era até mais fácil, agora que a virgindade já não era mais uma pedra em seu caminho. Poderia ter sua diversão sem que aquilo significasse muito, sim? Nem pensava muito; achava que se continuasse por longos minutos debatendo sobre o que fazer, acabaria se segurando. E não queria aquilo. Pelo menos uma vez em anos. “Bem, se você concordar, pode me pagar um drinque.”
Ia provavelmente continuar com aquela conversa loteada de risadas e frases com duplo sentido se não fosse pelas mãos que tomaram seu pulso, rapidamente. Puxando-a para longe do rapaz com quem conversava, ela franziu o cenho de imediato ao não propriamente ver, mas sentir quem a puxava. Sabia que era Tyler. Ergueu o olhar com os lábios entreabertos e prontos para começarem a reclamar, mas lá ia ele, arrancando sua fala tão facilmente quanto quem toma doce de criança. E por isso, acabou só dando um soquinho no peito dele. “O que está fazendo?”
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A penumbra na qual a sala estava envolvida não o impedia de enxergá-la bem ali, há apenas alguns passos de si mesmo. O certo a fazer seria deixá-la em paz e voltar a dormir, Tyler sabia, mas os resquícios de bebida que ainda circulavam por seu corpo o deixavam desinibido demais, e talvez, um pouco sem noção. Conscientemente, ele sabia que não devia mexer com ela ou provocá-la, mas como poderia fazer isso quando ela estava ali, usando uma de suas camisas? Talvez tenha sido algo que passou completamente despercebido para Esther, mas o Zabini conhecia suas roupas, e saber que ela ainda as tinha trouxe sim a ele certa satisfação. Terminaria por ali. Viraria para o lado, fecharia os olhos e voltaria a dormir se Esther não tivesse se inclinado daquele jeito. Puta que pariu. A camisa, mais curta nela do que deveria, subiu um pouco ao passo que ela esticava o corpo, e Tyler não fez questão alguma de desviar os olhos das coxas expostas. Ele, contudo, não a tocaria. Pelo menos não ali, não de uma forma invasiva que pudesse parecer desrespeitosa, afinal, bebida não era desculpa para ser um babaca. Ainda assim, não hesitou quando a alcançou com o braço, consequentemente fazendo com que Esther perdesse o equilíbrio e caísse em cima dele. “Ops.” Disse baixo, um sorriso travesso aparecendo nos lábios cheios e recém úmidos da própria língua. “Parece que você é desastrada demais, ainda bem que eu estava aqui para evitar que caísse, afinal, ficar em cima de mim é mais confortável que cair de cara no chão. Não concorda?”
Sutilmente, ambas as mãos grandes haviam escorregado pelas costas estreitas e agora repousavam juntas na cintura dela. Ele, porém, não a segurava com força, deixando claro que nada ali deveria ser forçado. Esther era livre para sair quando quisesse.
Ela estava quase alcançando o seu cobertor felpudo -- que nessa altura provavelmente estaria mais que coberto de poeira -- quando ele praticamente a puxou, fazendo com que caísse sobre seu corpo. Logo que conseguiu afastar os inúmeros fios de cabelo que cobriam sua visão, poucos segundos depois de ter caído, prendeu a respiração. E isso tudo porque seus lábios estavam distanciados dos dele por milímetros, e ela tinha medo que caso sentisse seu cheiro outra vez, cederia ao impulso de beijá-lo. Ficou apenas ali, embasbacada e com uma expressão facial que transparecia aquilo, enquanto os olhos prendiam-se os dele. Os belíssimos olhos castanhos de seu namorado. Ex. Ex-namorado. “Isso não é justo.” murmurou, mais séria do que deveria para alguém acordado às seis da manhã. Os dedos dele tocavam as costas dela, agora expostas por conta da blusa, que subira com a queda. Ela não conseguia constranger-se com a semi-nudez, especialmente quando o toque dele era tão familiar, e como ele fazia tudo aquilo parecer tão natural. “Não é justo que você esteja bêbado, em meu sofá, e que seu cheiro esteja intoxicando minha casa. Não é justo que você me deixe aqui com vontade de te beijar, e lembrando de seu toque por toda a semana. Não quando você vai sair daqui, vai se embebedar outra vez e vai beijar outra garota. Enquanto eu estou aqui, e não beijo ninguém porque sinto sua falta. Não é justo comigo, Tyler. E eu não vou aguentar se você continuar fazendo isso comigo.”
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Com mais sede do que esperava, serviu-se de mais água ao terminar o primeiro copo, não antes de procurar dentro do refrigerador alguma bebida que pudesse servir de acompanhamento com os hambúrgueres e as fritas que havia levado. Tyler particularmente adorava a culinária bruxa, mas assim como Esther e Maize, havia crescido tendo grande contato com o mundo trouxa, logo, não resistia ao velho conjunto hambúrguer + refrigerante + batata frita. Mantendo a porta da geladeira aberta com o braço esquerdo após ter separado as três latas de Coca Cola - uma para ele, uma para Esther e uma para Maize -, Zabini segurava o copo com a mão destra, virando o líquido de uma só vez.
Ouvia Esther de longe mas ainda não tinha a visto, tanto por seus olhos estarem fechados quanto porque ela estava na sala e ele na cozinha, mas abriram-se quando escutou a voz feminina mais perto. E foi aí que ele literalmente engasgou. Devido ao susto, acabou virando o restante que havia sobrado no copo em cima de si, molhando o casaco de moletom que usava, e ele tossiu, colocando o copo sobre a bancada e com a mão no peito, os olhos lacrimejando quando Tyler finalmente conseguiu parar e olhou para ela. — Não, não hoje, mas esse é um ótimo jeito de dizer. — Seu casaco estava molhado, ele estava arrepiado devido ao contato da água gelada na pele, mas seus olhos percorreram-na de cima a baixo como se não existisse nada além dela no mundo. Ela e aquela puta lingerie sexy que o faziam ter pensamentos sujos enquanto ela o oferecia aquele sorriso doce. Era demais para a sanidade dele.
Colocando as mãos nos bolsos, Tyler levantou uma sobrancelha e sorriu quando seus olhos estavam mais uma vez no rosto dela, demonstrando sem vergonha alguma o quanto o agradava vê-la daquele jeito. Bastou um passo inteiro para que estivessem próximos, as mãos dele envolvendo a cintura fina, sentindo no tato a renda delicada do espartilho que abraçava as curvas dela de forma tão perfeita, evidenciando os seios bonitos. — Eu fiz alguma coisa pra merecer ser recepcionado assim e não me lembro? Porque se fiz, me conta o que é que eu vou fazer mais vezes. Porra, Esther…
E adivinhe quem era muito fã de batatas-fritas? Por mais que fast-food não fizesse seu estilo, a palavra batata-frita tinha um significado extraordinário para a morena.Nem que fossem as frias e esquecidas, ela sempre achava que combinavam com tudo, mesmo com seu famigerado café matinal. A saúde nunca tinha concordado muito bem com isso, mas graças ao treino de quadribol, o hábito e ela tinham andado de mãos dadas. Ia colocando uma a uma na boca, até estar com ela muito cheia, o que provavelmente não seria muito sexy, não se importando do namorado a ver daquele jeito. Ela era realmente uma princesinha da Disney quando comia. A Fiona, no caso.
Mas pareceu-lhe que mesmo com a boca cheia, a visão dela na roupa que acabou lembrando que tinha colocado deixou-o pasmo. Claro que ela estava muito mais preocupada com seu chão de madeira com uma poça de água. “Tyler! Você está todo molhado! E molhou meu chão!” e por mais que ela tivesse exclamado aquilo, com o cenho franzido e uma expressão insatisfeita, ele continuou mais focado nela. E, claro, ela não conseguia ficar irritada quando ele dava aquele sorriso. Acabou rindo, baixinho, sentindo o toque da mão gelada em seu corpo através do tecido delicado. Ela largou o saco na bancada ao lado, e lambeu os dedos para tirar os resquícios de sal provindos da batata em sua pele. Logo que o fez, passou os braços em volta do pescoço dele, sorrindo. “Eu fui, basicamente, extorquida por uma senhorinha de uns sessenta anos. Ela me fez comprar não uma, não duas, porém, três lingeries. Você me ouviu? Três!” sentia-se ficar mais e mais arrepiada ali, estabelecendo contato visual e com tamanha proximidade.
“Ty…” chamou, com a voz baixinha e morosa que trazia aquele mesmo significado de sempre. Ela apostava que ele saberia instantaneamente do que se tratava agora que o chamara assim baixinho, com os grandes olhos verdes imersos num tom que trazia uma linha tênue de separação entre a inocência e a malícia. Retomou do mesmo silêncio de alguns segundos que tinha permeado os segundos antes de chamá-lo. “Eu achei que você iria gostar de tirá-la.”

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casinha da esther e da @amaizeme.
i8: quartinho da mai.
i9: quartinho da esther.
credit.
instagram update.
i1: esperando meu convite para trabalhar no circo de soleil
i2: vida de cheerleader popularzinha & barbiezinha com @clxirsauz
i3: insira aquela trilha sonora toda indie
i4: quando você ganha uma roupa nova dazamiga @victoriousvictorie
i5: amiga aqui emocionada porque dei o melhor presente da vida dela, né @amaizeme?
i6: quando meu cabelo reflete minha situação amorosa
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Hogsmead, começo de 2024.
Tudo o que puder dar errado, vai dar errado. Não se lembrava bem onde é que tinha ouvido isso, mas era a prova viva de que aquelas palavras diziam a mais pura verdade. Quando se tem 17 anos, é difícil acreditar que o mundo lá fora é mais extenso do que a imagem idealizada que se tem na cabeça. A grande maioria dos jovens se imagina bem sucedido, independente financeiramente e, de preferência, com uma vida amorosa resolvida aos 18, como se completar a tão almejada e superestimada idade nos desse algum tipo de super poder desconhecido por aqueles que ainda tinham 17. Bullshit. A única coisa que realmente mudava era o fato do mundo parecer criar uma infinita vontade de te foder de todas as maneiras possíveis, e isso era um fato mais que consumado na vida do Zabini.
Formando-se com honras em Hogwarts, Tyler pensava que aquela altura da sua vida já estaria no seu segundo ano de Medibruxaria, talvez com um apartamento e um bom emprego, mas não; todos os seus planos haviam ido por água abaixo no instante em que, pela segunda vez em sua vida, recebeu uma notícia que tiraria o chão debaixo dos seus pés: seus avós, pais de Annelise, tinham falecido. Como consequência, Tyler não hesitou em largar para trás tudo o que tinha construído na Inglaterra para voltar para a França, para cuidar de coisas como velório, inventário, e venda da casa. Acontece que essa pequena pausa acabou durando quase um ano inteiro e, bem… Teria durado se não tivesse recebido a notícia de que Esther passava por uma situação muito semelhante. Não foi surpresa alguma quando, após aproximar-se uma vez mais para apoiá-la, a faísca que existia entre os dois se tornasse uma chama, que se tornava labareda toda vez que se tocavam. Obviamente, não era uma reclamação.
Irritado, buscava no bolso dos jeans as chaves do apartamento que sua namorada e melhor amiga dividiam – o que era muito conveniente para ele –, resmungando baixinho o quão desnecessário era ter que ficar em filas quando eles eram bruxos; qual é! Era uma completa perda de tempo quando se tinham varinhas ao alcance das mãos. Trancando a porta atrás de si, Tyler acendeu a luz da sala, o saco de papel na sua mão esquerda (abastecido com comida) sendo deixado na mesinha ao lado da porta, juntamente com a chave. “Honey, I’m home” Brincou, enquanto ia até a cozinha para pegar um copo d'água. Meia hora antes, havia recebido uma mensagem de Esther pedindo para que ele fosse até ali, então resolveu levar alguma coisa para jantarem. Não tinha a mínima ideia sobre os planos da morena serem completamente diferentes, e infinitamente mais interessantes que os seus.
Parecia são. Ela lera que era são. Pendurar um retrato daqueles que amava poderia ser uma tarefa fácil, e mesmo com todos os artigos dizendo que aquilo seria saudável para lidar com o luto, só faia com que seu estômago revirasse toda vez que enxergava a foto em cima de sua cômoda. Era a primeira foto bruxa que tinham tirado, e seus pais pareciam tão animados quanto ela. Olhar uma época onde estavam juntos nunca fazia com que se sentisse saudável. Fazia com que a cicatriz em seu supercílio doesse, como se fosse uma espécie doente de um Harry Potter. Mas ela deixava a pintura ali. E deixava tantas mais preenchendo sua parede, como as com Maize e as com Tyler. Era olhar para aquelas pinturas que fazia com que cada dia ela se levantasse para enfrentar as suas primeiras aulas de psicologia e de história da magia, que por mais que amasse incondicionalmente, tinham virado o ponto baixo de seu dia.
Ela estava em mais um de seus trajetos, caminhando pela passagem que ligava o D.I. à Hogsmeade, para por fim chegar em sua casa, simplesmente porque sentia-se enjoada toda vez que aparatava. A neve cobria um pouco do chão, nada mais que um palmo, mas também não era como se fosse um grande estorvo. Passava por aquela lojinha cor-de-rosa que tinha aberto de frente para o Madam Puddifoot's, e interessou-se por um dos suéteres brancos expostos em sua vitrine. Estava quase passando reto quando cedeu ao impulso de entrar. Conversou com a simpática senhora, e acabou pegando duas peças para provar. Estava até animada para aquilo quando passou de lado de uma série de lingeries, mais para o fundo do estabelecimento. Brancas, pretas, vermelhas. Sentiu-se corada só de olhar, mas lá estava a simpática senhorinha perguntando se não queria provar também, e lhe entregando pares delas para provar.
Foi assim que chegou em casa com sacolas que continham não só um suéter, mas também três conjuntinhos de lingerie de cores variadas. Não conseguia acreditar no carisma da mulher. Tinha quase certeza de que ela tinha colocado algum entorpecente no ar, afinal, nunca fora exatamente uma pessoa consumista. E tinha comprado três coisas que não precisava. Mas... Que poderiam ser úteis, não é? Passou pela sua cabeça uma ideia, e lá estava ela, de frente para o espelho, vestindo o exemplar de lingerie branca que comprara. Estava bonita. Right? Precisava de uma segunda opinião. Jogou-se na cama para pegar o celular, e dava pequenas risadinhas com a ideia. Ela realmente acabou enviando uma mensagem para o namorado, cheia de exclamações e flores, basicamente ordenando que ele fosse ali naquele exato instante. E ele demorou meia hora! Que absurdo. Ouviu sua voz, e saiu com os braços cruzados do quarto, já tendo se perdido em meio séries em todo aquele tempo que ele passara para chegar. Tinha até se esquecido do que usava. “Meia-hora depois! Você é bruxo ou uma lhama? Não me diga que ficou preso no t-... Comida!” e passou rapidamente para a mesinha, onde estava o pequeno saco de papel. Ali estava seu lado consumista, enchendo-se de batatinhas-fritas. “Eu já disse que te amo?” a pergunta veio enquanto ela caminhava, com o saco de papel na mão (claro), o encontrando na cozinha.
tylerzabini:
“Eu aposto o que você quiser que você não achou tão ruim assim ficar abraçada comigo. E se é um agradecimento que você quer: Obrigado por me buscar ontem, Esther. E por me ceder seu sofá. E seu travesseiro, porque eu sei que esse não é da Maize; tem seu cheiro.” Esticando os braços acima da cabeça, Tyler espreguiçou-se na intenção de esticar os músculos. O sofá era pequeno demais para o seu corpo, o que dava a ele a certeza de que quando acordasse estaria com uma bela de uma dor nas costas. Suspirando, cruzou um dos braços atrás da cabeça, enquanto passava a outra mão no rosto, até encará-la novamente. A verdade era que ele odiava aquele clima entre os dois, mas era inevitável revidar quando Esther agia daquele jeito. “Não precisa se estressar. Merlin, são 4 horas da manhã, you need to chill a little. Se você quiser pode deitar aqui comigo, sabe? Eu não me importaria. ‘Tá frio e vocês nem me deram um cobertor.”
“Tão ruim? Eu achei péssimo.” murmurou, e saiu tão baixinho porque Esther, apesar de anos de tentativas, ainda achava difícil de mentir em qualquer situação para ele. Mesmo depois de terem terminado e basicamente ter de se forçar a mentir com expressões neutras sempre que o via sair com outra garota, ela não era perita nisso. Principalmente com sono, às quatro da manhã. Ela ajeitou as barras da camisola, e voltou a cruzar os braços. Teve de desviar o olhar conforme ele se espreguiçava. Nada sobre aquela situação ajudava seu ser. Ele sem camisa se espreguiçando em seu sofazinho? O cheiro dele espalhado pela sua casa? Ela detestava tudo aquilo por destruir o impecável auto-controle que tinha demorado muito para construir. “Não estou estressada. E-e eu não vou deitar com você. Até porque eu te dei sim um cobertor. Você só o derrubou atrás do sofá, aposto.” logo que falou, inclinou-se para espiar atrás do sofá, logo enxergando o amontoado de tecido felpudo que era o cobertor. “Não acredito que eu te dou meu cobertor e você ainda joga para o outro lado.”
tylerzabini:
“Eu posso aceitar isso e meu coração continua aberto.” A frase foi acompanhada de um sorriso e de uma piscada com o olho direito, apenas pelo puro prazer de provocá-la. Contudo, o cenário pareceu bem menos engraçado a medida que a garota descrevia os acontecimentos da noite anterior com riqueza de detalhes. Okay, a raiva dela era compreensível? Sim; ele admitiria isso em voz alta? Não. “Foi mal, eu costumo ir parar nas camas das garotas só quando eu sou convidado. E ainda bem que foi um quase, né não? Se tivesse vomitado acho que estaria sendo expulso agora. Anyway, o que tá fazendo aqui às… 4 da manhã? Queria ter certeza que a primeira coisa que eu visse ao acordar fosse your pretty face?
“Na verdade, não. Eu queria pegar minha jaqueta, que eu esqueci aqui quando eu tive que aparatar com você duas da manhã porque você tinha que vir para casa. Devo lembrar que você me segurou por um tempo substancial de seu lado porque não queria dormir sozinho? Eu estou morrendo de sono, e não acredito que passei por essa merda toda para alguém que não está nem dizendo obrigada.” respondeu, mais grossa do que normalmente seria simplesmente pelas horas de sono que tinha perdido no processo. E mais, pelo simples fato dele achar dele ter o direito de fazer aquilo com ela depois de terem terminado. Era patético.

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tylerzabini:
“A última coisa que me lembro sobre ontem a noite? Hm… Eu ‘tava numa festa e sugeriram shots de firewhisky. Não me olha com essa cara! Na hora pareceu uma boa ideia. Mas e você? O que tá fazendo aqui a essa hora?”
“Eu estou te olhando com essa cara porque eu que tive que impedir que você vomitasse no tapete, e porque você quase não me deixou dormir na minha cama. Sabia que você é pesado? Tive que pedir ajuda da Mai para te levar para o sofá, e só depois de feitiços nós conseguimos. E friendly reminder: eu não gosto de você!”
Danielle Campbell in Venice, CA (March 17,2016)