olivertt:
Um toque de surpresa foi acrescentado à expressão de alívio dele quando os olhos repousaram em Estrella, nela se aproximando tão rapidamente, baixando a plaquinha com seu nome ao mesmo tempo em que guardava os fones dentro da blusa. Ela não havia mudado nadinha, só estava com os traços mais marcados de quando a conheceu na infância, há uns bons anos atrás. “É, me mandam, eu venho,” murmurou com algum humor solitário, na sua cabeça a garota não lembrava dele. Talvez nem por falta de esforço, o mundo do qual ela fazia parte já tinha pessoas demais, muito mais importantes que um simples amigo de infância, filho de uma funcionária. Os neurônios deram três voltas de confusão quando ela disse que estava feliz por vê-lo, e Oliver só sabia ficar paralisado, sem tempo de processar o próprio espanto direito porque uma onda de malas era jogada contra si. “Que tanto de mala é essa? Acha que tá indo pra onde?” Questionou, irritado com a pose de diva da garota, irritação essa que só tomou maior proporção com a sua próxima fala. “Não sou o motorista, madame. Nem tem carro nenhum, a gente vai pegar um metrô pra chegar no campus porque é mais barato e rápido que um Uber. Então, se puder segurar suas malas de mão, agradeço.”
Estrella deu um passo para trás, a boca levemente aberta e as sobrancelhas arqueadas, espantada com a audácia de seu suposto motorista. Fez uma nota mental de conversar com o pai sobre isso depois, mas, ao ouvir as próximas palavras do rapaz, a anotação automaticamente desfez e a loira teve outro choque de realidade em um intervalo de tempo curto demais. Tinha a impressão de que eles passariam a ser cada vez mais frequentes e não gostava nadinha disso. Porém, o choque só durou alguns segundos, logo a Solano tentou voltar com a pose de sempre, mesmo que sentisse os olhos levemente marejados por conta da grosseria do outro. Abaixou-se, pegou três das malas à sua frente — as menores e mais leves, é claro — e correu o olhar pelo ambiente, procurando a saída para o temido metrô. “Bom, primeiramente e infelizmente, eu estou de mudança, é normal ter muitas malas. Inclusive, eu duvido que eles vão deixar a gente entrar nesse metrô com tudo isso, mas já que você insiste...” Localizou a saída, pegou mais uma mala, essa de arrastar, e começou a andar. “E eu trouxe só o necessário, vou ter até que repetir alguns looks...” Suspirou, balançando a cabeça negativamente. “Ah, e pra você saber, hã...” Parou por alguns segundos, tentando achar o nome dele em pensamentos, mas obviamente não conseguiu e conseguiu. Afinal, ele nem tinha se apresentado! “Pra você ficar ciente, eu não ando com dinheiro, só com o meu cartão de débito.” E então percebeu seu erro. Não tinha mais seu cartão de débito. Ou qualquer cartão, na verdade. Sorriu, percebendo que já estavam no guichê de passagens. “Que eu acabei de lembrar que coloquei no resto das minhas bagagens, que só vão chegar semana que vem. De qualquer forma, eu até tenho dinheiro, mas são só duas notas de cem dólares. Eles trocam esse tipo de dinheiro por aqui?”








