hoje é quinta de junho feriado de corpus christ e chove o que me lembra que dia 18 eu preciso entregar o relatório pra professora fernanda e meus dedos tremem imaginando quão chato e cansativo e exaustivo é tentar. só tentar. tenho tido dias terríveis e a sorte decidiu que não tá afim de me ver esse mês e eu penso ok tudo bem nada bom dura pra sempre mas a decepção existe e porra ainda é dia 4
faço 21 esse mês e chorei no trabalho ontem. pintei o cabelo e agora uso protetor solar - que acabou ontem, aliás - continuo tendo pavor de pensar no futuro e isso não me deixa dormir a noite e agora tenho olheiras roxas que constrastam com o escuro do meu cabelo e me deixa doente. nunca me imaginei com 21. não sei o que fazer da minha vida. queria que tivesse um manual bem detalhado sobre como-ser-um-adulto-saudável-e-funcional-atualizado2026. quando saio do trampo eu olho pras pessoas do 523 ou 507 ou 504 ou 875 e fico imaginando como elas são, quais sonhos tem. será que elas também tem medo? o que você faz? o que você é? o que te fez se tornar isso? o futuro te apavora também? voce treme em pensar no nosso mundo? você também tenta? você pensa em desistir também?
tenho escutado músicas deprimentes e luiz lins obrigada por ter escrito eu to bem e comecei a assistir a gente tenta - que me surpreendeu, na verdade, tem diálogos fodas e uma estética que me dá raiva de tão legal - tenho saudade da elisa e helena, espero que ela sinta o meu amor e carinho mesmo de longe. não tenho conversando muito com lara e luiz. na verdade não tenho conversado muito com ninguém. eu sinto falta de quando todo mundo se reunia e fazíamos uma resenha lá na casa do marcelinho. sinto saudade de tudo. crescer pode ser deprimente. apesar disso eu tenho amado. e eu amo muito. a gente precisa de um pouco de esperança quando nasce brasileiro. e eu tenho.
pouca, mas tenho
e eu tenho tentado
juro to tentando
preciso lembrar que vou fazer só 21. vou sobreviver. eu ainda tenho todo o tempo do mundo. queria entender porque sou tão compreensiva com os outros mas tão perversa comigo. tão dura. tão ruim. é que apesar de acordar às cinco e chegar às 07:40 no trampo dar boa tarde pro motor ir pra faculdade às 18:47 chegar umas 22:25 em casa eu ainda não sou normal. não dá pra fingir que sou o tempo todo. eu ainda tenho um cérebro autodestrutivo. o parasita ainda tá aqui. sempre vai tá. a doença não vai embora nunca. nunca.
a gente só pode tentar















