A menina da mala voltou
O dia amanheceu nublado no horizonte, o café quase frio na caneca era bebericado enquanto relembrava um passado não tão distante, e fui atravessada por uma neblina de lembranças. Estas que marcaram meu caminho e me lembraram que a vida de fato não tem cheiro de bala de maçã. O encontro estava marcado, já havia data e hora e eu não fui avisada, apenas convocada. Pega de supetão como diria minha mãe, meus olhos enxergaram de água e ali, naquele instante, eu reencontrei a menina da mala. Não ouve convite formal nem uma mensagem para confirmar.
Ao longo da última semana me vi inquieta, coisa de quem tem sonho para ser sonhado sabe? Aquele sentimento de quem quer dar significado pra vida? Que a alma fala e a gente chamada de intuição, presságio, revelação ou até livramento. E cá para nós era real porque eu estava disposta a acreditar, e isso bastava. Sente, puxe um banco, vou me delongar, depois não avise que meu texto ficou maior que o último reels visto no insta. Assumo a ausência versada por aqui. Afinal, quanto tempo não lhe convido a escrita para as andanças do meu ser, quanto tempo não verso as palavras que perambulam na minha cabeça e que enterraram a menina da mala. Ela que era esquecida, sonhadora e adormecida. A falta de presença gera ausência que reflete em um frágil e gentil esquecimento. Não consigo ser a pessoa mais presente, nem aqui nem lá. Mas tudo que sinto parece saber letrar, pois só se organizam assim, espalhados em parágrafos. E dessa maneira o encontro se deu.
Não com o futuro, mas para o passado, para sua menina esquecida. Dizem que os trinta anos é a idade do sucesso, e me parece uma maneira bem promissora e reconfortante acreditar. Tem cheiro de infância com maturidade, mistura sentimento com lembrança que amolece o espírito. Que reencontro bom, lembrar que aos onze fui, aos vinte e um descobrir e aos trinta e um relembrei , e que com essa lembrança escreveremos novos capítulos. Juntas, todas as eus que ainda acreditam em seus sonhos, no que fomos, somos e ainda podemos ser sem deixar de pertencer. E ao futuro solar reencontrando um passado chuvoso, eu desejo um presente com pôr do sol de outono.
-Moniquele da Hora
















