Sucumbimos aos Prazeres da Carne.
Foi ali, numa encruzilhada consumida pelo breu da noite onde apenas os lampejos das estrelas adentravam o nefasto cΓ©u do local, onde sequer os mais sujos frequentavam e onde os imorais procuravam por volΓΊpia e indecoro, que seus destinos se cruzaram. Os olhares se encontraram de relance, admiraram-se pela beleza e formosura um do outro. O fitar durou incessantes trΓͺs segundos. Algo neles fervia em suas veias e pulsava em seus membros, a luxΓΊria tomou conta de seus corpos e no mais sΓΊbito ato movido a lascΓvia, dirigiram-se para a carruagem pertencente a um deles com gozo em suas feiΓ§Γ΅es. O mais velho, em um estado de frenesi, propeliu o mais novo, fazendo-o ceder sobre o banco estofado de veludo e por alguns instantes, apreciou a pele negra e esbelta do jovem que estava imΓ³vel abaixo de si. O Preto o puxou e selou o acordo, presente nas entrelinhas, atravΓ©s de um beijo, como sΓmbolo de permissΓ£o para o que quer que estivesse prestes a acontecer entre os dois rapazes. Banhado por dΓ‘lias brancas, desnudou a si mesmo e tambΓ©m ao homem que, em algum momento, iria penetrar. JΓ‘ despidos, seus mastros latejavam de libido β a ameaΓ§a de serem pegos no ato, de estarem fazendo algo proibido, os deixava ainda mais abrasados β e suas peles degustavam o calor uma da outra. O maior, de olhos monΓ³lidos misteriosos, exalava uma fragrΓ’ncia inebriante, era como um vinho antigo da mais pura safra que guardava o melhor da vida, indubitavelmente viciante como o Γ³pio. JΓ‘ o menor, de lΓ‘bios carnudos cobiΓ§ados, emitia o mais doce aroma paradisΓaco de um campo florido junto ao odor picante da pimenta. FeromΓ΄nios carregados de sabor e cheiro. Os lΓ‘bios dos amantes vΓ£o novamente de encontro e suas lΓnguas se entrelaΓ§am, trocando o doce mel presente em suas bocas. O mais velho, proveniente do leste-asiΓ‘tico onde uma intimidade assim era sinΓ΄nimo de junΓ§Γ£o, se pΓ΄s a sentar enquanto o mais novo abria seus pΓͺssegos para entΓ£o receber o almejado fruto proibido β o qual Eva ousou provar e foi punida por isso. βAaaah!β disse o mais novo, ao sentir a magnitude do tΓ£o esperado amor, foi entΓ£o que ele comeΓ§ou a galopear enquanto suspirava abafado no ouvido do macho que o desbravava. O mais claro inclinava-se para frente e para trΓ‘s ao mesmo passo que tateava com suas Γ‘speras e grandes mΓ£os todas as macias pΓ©talas que formavam o corpo de seu amor. Ele passou pelo agridoce da intimidade do homem a quem penetrava e o ajudou a liberar o pΓ³len que clamava por sair. Aceso como o diabo, ordenou que o outro ficasse de quatro, lanΓ§ou sua causa demonΓaca sobre o pescoΓ§o do mais jovem e, em seguida, com seu tridente, amaciou ainda mais os pΓͺssegos que estavam quase se tornando ameixas. O passivo, submisso aos prazeres carnais, cedeu de bom agrado e ainda suplicou por mais. O amarelo, no Γͺxtase de sua forma, em um falho esforΓ§o tentou impedir o esguicho, mas jΓ‘ era tarde, nΓ£o havia mais vΓ©spera, tudo aconteceu ali, entretanto, nΓ£o se engane, o morro nΓ£o cedeu, o vigor persistiu e ele continuou a inocular o lΓquido, atΓ© que entΓ£o, o outro o interrompeu abruptamente. O escuro encarou sem vergonha alguma seu concubino, bufando pelas narinas e gotejando pelos lΓ‘bios, figurava a euforia e a sede pelo deleite, o suprassumo do cio ao qual se encontrava o impedia de qualquer cordialidade e no mais grosso ato, colocou o tronco em seus prΓ³prios lΓ‘bios e sugou o tΓ£o sonhado nΓ©ctar de sabor bestial: abacaxi. Naquela noite, eles experimentaram o quartzo rosado, o doce opala leitoso e o ardente vermelho escarlate. Um deles foi deixado ali e o outro seguiu caminho, um deles pertencia a corte real e o outro era um mero plebeu. Suas identidades ficam em anonimato e suas prΓ‘ticas de intimidade em segredo como ΓΊnica testemunha a memΓ³ria de suas psiques. HΓ‘ quem diga que um tinha olhos de safira e o outro de esmeraldas.























