Saudade
Acredito que felizes sĂŁo todos os que tĂŞm saudades, os que tĂŞm boas memĂłrias de momentos especiais com alguĂŠm que em algum dia fez parte da sua vida. Acredito que quem se lembra do melhor, mesmo sĂł, ĂŠ feliz... Foi feliz. Foi feliz a dois, partilhou a felicidade e viu-a crescer. Teve algo bom, que permanece intacto no tempo, nem que seja pela memĂłria. Acredito que essas pessoas que foram felizes e tĂŞm saudades tĂŞm algo que as sustenta durante o tempo que passa, algo que as une para sempre por mais distintos que sejam os caminhos a percorrer. Acredito que por mais que a memĂłria desvaneça essas pessoas serĂŁo sempre felizes em relação ao que passaram, em relação a todos os momentos que partilharam, em relação a todos os sorrisos e sonhos conjuntos, a todas as brincadeiras, a todas as conversas profundas e atĂŠ a todas as conversas banais. Acredito que todas as pessoas que guardam boas memĂłrias de alguĂŠm consigam ser felizes no seu silĂŞncio, atĂŠ com as lembranças mais barulhentas, mais agitadas, mais vivas. Acredito profundamente que quem deixa boas memĂłrias na nossa vida, nunca morre, estĂĄ condenado a ser parte de nĂłs para sempre, a ser eterno. Acredito que sĂŁo apenas essas pessoas, aquelas que contribuem de alguma forma para a nossa felicidade, as Ăşnicas que devemos manter por perto... Nem que seja, apenas, em pensamento. Nem que seja, apenas, pelo conforto das memĂłrias. Nem que seja, apenas, pela saudade... Acredito que todas as pessoas que fizeram parte da na nossa vida e nĂŁo nos fazem sentir saudades, nĂŁo nos fazem olhar para trĂĄs e ter boas recordaçþes, nĂŁo nos fazem olhar para trĂĄs e ter sequer um pouco de curiosidade ou interesse sobre elas, foram apenas vultos que passaram para nos fazer entender que sĂł quem nos faz feliz ĂŠ quem nos merece, sĂł quem nos faz feliz permanece. Por mais que a saudade de bons momentos nos torture... Pior do que isso ĂŠ nĂŁo ter saudades, nem boas memĂłrias, nem nada que nos demonstre que em algum momento aquele tempo foi vivido e partilhado ao mĂĄximo ou foi, no mĂnimo, verdadeiro. Pior do que ter alguĂŠm que nos marca ou deixa memĂłrias com as quais temos de saber lidar ĂŠ ter alguĂŠm que nĂŁo deixa coisa alguma... Nem sequer saudades.


















