Fiz do meu silêncio um escudo para o outro, mas ele tornou-se a minha prisão. Anulei as minhas vontades, engoli as palavras que queimavam na garganta e moldei-me até perder o contorno, tudo para que o peso do mundo não recaísse sobre quem eu desejava proteger.
E, no fim dessa estrada de renúncias, o veredito é uma bofetada: sou eu o problema. Sou eu o erro, apenas por não conseguir mais sustentar o peso de uma máscara que nunca foi minha. É a ingratidão de quem se acostumou com o meu sacrifício e agora estranha o meu cansaço. Sou o réu condenado pelo crime de ter dado tudo, até não restar nada.
- Desistir parece uma opção


















