As pedradas contra o metal acabaram por acordar a indiana, que permaneceu imĂłvel. Estava de costas, e o barulho calmo de um pequeno riacho fez com que franzisse o cenho. Foram alguns segundos atĂ© perceber que do quadril para baixo, estava dentro do riacho, totalmente molhada. Limitou-se a mover pouco a cabeça, parando ao sentir uma dor que lhe deixara tonta. Fechou os olhos novamente, juntando os pedaços da memĂłria do acidente na noite passada, que ainda eram apenas borrĂ”es em sua mente, afinal, no momento da queda, estava dormindo tranquilamente ao lado de Victoria. â Victoria! â Ignorando toda a dor que sentia na cabeça e nas costelas, forçou-se a levantar, tendo cuidado ao pisar nas pedras cobertas de musgo do riacho. Precisava achar a morena, e o fato de que ela pudesse estar machucada seriamente doĂa muito mais que os atuais machucados em seu corpo. Atravessou a ĂĄgua calmamente, a mĂŁo esquerda apoiada sobre as costelas direitas, as quais sabia que no mĂnimo trĂȘs estavam quebradas. Pouco apĂłs atravessar o riacho, deparou-se com a origem das pedradas que lhe trouxeram a consciĂȘncia de volta. Apressou o passo para perto da mulher, abaixando-se ao seu lado. â Oh god, that looks bad⊠â Observou a porta do aviĂŁo sobre a perna alheia, coçando a nuca. â Vou ser sincera com vocĂȘ, no meu atual estado, vai ser impossĂvel que eu levante isso sozinha. Preciso achar ajuda. Iâll be back.  â Tentou dar um sorriso para confortar a morena, levantando-se. Rapidamente deu as costas, apressando o passo para procurar os demais passageiros.Â
O corpo nĂŁo respondia e mesmo de olhos fechados, Arizona jĂĄ sentia o pĂąnico tomar conta de si. Sentia dores por todos os lugares, porĂ©m a perna se fazia pior que todo o resto, tinha medo de abrir os olhos e ver algo que a pudesse fazer gritar. Levou as mĂŁos atĂ© sua cabeça, tentando tatear para ver se achava alguma lesĂŁo, porĂ©m nada achou alĂ©m de alguns pequenos ferimentos que provavelmente cicatrizariam por conta prĂłpria. Finalmente, os olhos se abriram lentamente encarando as arvores a sua frente, em meio as mesmas, Robbins conseguia ver partes do aviĂŁo e algumas pessoas que haviam voado com ela, porĂ©m, pelo trauma que havia sofrido, nĂŁo lembrava o nome de ninguĂ©m, por mais que reconhecesse os rostos. Olhou para o lado, suspirando profundamente antes de checar a perna, passando a mĂŁo pela mesma, constatando por fim o osso exposto. Os olhos azuis, marejados naquele ponto, desceram o olhar em direção a perna e entĂŁo, Arizona subiu o tecido de sua saia rosa, tendo uma melhor visualização do ferimento exposto. Sua tendĂȘncia era gritar, gritar o mais alto que podia, pois a dor era insuportĂĄvel, porĂ©m, a mesma apenas engoliu seu grito e começou a chorar de forma silenciosa.Â
O corpo finamente despertara, a dor se fizera tĂŁo imensa que os olhos foram compelidos a se abrirem, procurando por ajuda. Mas antes de qualquer pensamento, as mĂŁos tatearam o chĂŁo coberto por folhas, tentando se locomover mesmo que fosse para se arrastar ali. âNat... Natasha, Natasha... â Ela balbuciava quase sem voz alguma, ignorando o grande pedaço de aço cilĂndrico que estava alojado em seu peito naquele momento. Havia sangue em seus lĂĄbios, porĂ©m, nem mesmo por um instante, ela parou para pensar o porque de aquilo estar acontecendo, afinal, nĂŁo era para estar machucada, pelo menos em tese. Como jĂĄ era de se esperar, Emanuelle nĂŁo conseguira se mover muito, trazendo para a superfĂcie de seu ser o sentimento de fracasso, ao passo que ela bateu suas mĂŁos contra o chĂŁo, praguejando a si mesma. âNatasha... â Por fim, a mesma se deitou de barriga para cima, sucumbindo a dor intensa que sentia. Os olhos castanhos fitaram o cĂ©u acima de si e ela entĂŁo levantou seu braço com dificuldade, atĂ© que sua mĂŁo tampasse seu rosto. Movimentou os dedos com dificuldade, atĂ© que seu dedo mĂ©dio fosse o Ășnico a ser mostrado e ela entĂŁo sorriu. âFuck you, you shitty god!Â