No medo de perde, já perdi. Porque a dúvida mata a certeza e a dúvida é imediatismo.
Arde em mim chama que corta o futuro, despretensiosa, desapegada, incerta e inesperada. Como o fogo que destrói os campos, nas minas a fome, a inalterada transição da vida.
O que foi ou o que virá, nada jamais pertenceu a mim, nem o outro, nem os votos, sonhos ou vinhos. O futuro a Deus pertence, o passado resguardado com o Diabo, e o presente, dado a mim pelas mãos mais suaves que a história da vida já viu.
Do outro lado, as personas, as figuras, os figurantes e a sua cultura. E no meu centro nada se forma, nada se figura, nada se deixa construir senão máscaras que externas a mim, invadem meu corpo e se transformam nas minhas posturas e atitudes.
De onde posso ver a liberdade que tanto grita? Que tanto queima? Quando há de findar as estruturas, quando há de se estabelecer o caos? Quando hei de conhecer o que em mim habita, o que em mim grita?
A forma do homem até então construída apodrece a cada dia, pois a alma é a única coisa que você é através do tempo, no dia seguinte tudo há de ser esquecido, corpo, personalidade, manias e costumes.
Somos fontes de criação infinita, sombras de uma luz que ascende a cada geração, mais sábios e mais profundos. Mas sem coragem de olharmos para nós mesmos e reconhecer quem somos.
És completo, estrela e escuridão. Fonte do divino saber, da divina ação. Instrumento do sagrado campo que envolve a tudo e corrói as mentiras. Ferramenta da providencia generosa do grande criador. E não há prazer maior em ser aquele que no fundo habita cada um de nós?
Quem é você? Quem é aquele que se vê no espelho? Quem é o personagem que assumiu?
A liberdade está lá fora, queimando os olhos daqueles que se negam a ver. Abraçai o calor das forças que transmutam as percepções e serás tudo que sempre foi.