Don't fuck with us
With: @eas-eros @eas-mxxster @eas-shizu @eas-day @eas-leia @eas-sarah @eas-zach @eas-kyungil
When: 08 de Maio, 23h.
Where: Portões de entrada do complexo Elegans
Sunghoon muitas vezes era o cara que não ligava para os pensamentos e as necessidades alheias, mas assim que soube o motivo de ter ficado preso naquele maldito acampamento por duas semanas, toda a ira que estava guardada dentro do rapper resurgiu. Ele tinha sido feito de otário assim como a maioria dos estudantes que tinham ido àquela viagem e os que estavam do lado de fora e foram chutados. Estava à ponto de explodir e ser preso, talvez.
O rapper se encontrava na linha de frente com os alunos mais corajosos, tinha passado praticamente o dia inteiro ali, dando algumas pausas apenas para visitar uns amigos rapidinho e comer. Razor era membro assíduo de manifestações, sejam essas pacíficas ou não, então tinha um bom conhecimento do que acontecia e do que poderia acontecer. Usava um conjunto totalmente negro e composto por tecidos grossos, assim como o blusão com um capuz enorme e os coturnos militares nos pés, fora uma máscara de gás semifacial, que agora cobria o seu rosto e claro, luvas.
Era óbvio o quanto o rapaz estava visado pelos policiais ali na linha de frente, mas Razor fazia o bom moço, gritando tudo o que a multidão falava e até mesmo balançava uma mísera bandeirinha, reivindicando seus direitos e demonstrando o quanto queria que a tal diretora pagasse por todo aquele circo. As coisas iam muito bem até uma das manifestantes, sem querer, avançar contra os policiais; um deles ao achar o ato abusivo, não mediu esforços ao desferir um soco na garota, fazendo-a recuar um tanto desnorteada e provocar a ira do rapper e demais manifestantes que viram aquilo. ー Porra, cuidado com a mina! O que ela fez pra você?! Ela nem avançou, caralho! ー Os mais próximos ajudaram a tirar a moça que tinha o nariz provavelmente quebrado dali e Razor com mais alguns caras avançaram para cima dos policiais com dezenas de palavras cheias de revolta. ー Você não pode fazer isso, é abuso de autoridade, eu vou te denunciar! Filma a cara desse arrombado aqui!
“Volte para o seu lugar ou você vai preso por desacato!” O policial teve a audácia de dizer, mas o rapper mascarado se negou a fazê-lo e apontou o indicador para o militar, gritando ainda mais o quanto repudiava aquele gesto anterior; até poderia ser preso por desacato, mas primeiramente falaria umas poucas e boas para o fardado. ー Vai me prender?! Me prende aqui seu porco facista do caralho, marionete imunda do sistema. ーFoi com um sorriso no rosto que Razor viu a raiva tomar conta do policial, ele até avançou para prendê-lo, mas graças à movimentação horrorosa que toda manifestação daquele nível tinha, foi empurrado por algumas pessoas e aproveitou a brecha para fugir e sumir no meio da multidão. Foi por pouco. Passou então a caminhar na direção contrária dos manifestantes, avistando Yoobin não muito distante e logo tratou de se aproximar dele.
Ah, o complexo… Quanta merda Yoobin já tinha dito a respeito da instituição, muitas vezes tendo grande parte dos argumentos alimentados pela raiva que sentia do local devido ao motivo de estar ali. Mas não era por questões particulares que o jovem tinha acordado relativamente cedo e se descolado até o local onde as manifestações aconteciam. Sendo um estudante de direito ele deveria participar ativamente — e pacificamente — de cada ato que reivindicasse por direito de uma classe da qual pertencia, correto? Não. Não para Yoobin que sempre julgou o estabelecimento como podre, sabendo que mais cedo ou mais tarde alguma merda iria vir a público. O que ele não esperava era ser tratado como um porco que vivia em um chiqueiro, assim como todos os alunos que foram expulsos de seus dormitórios. Eram mais que animais; toda a mentira começou com um acampamento idiota, ou até mesmo antes disso, fazendo vários estudantes perderem sua moradia e serem obrigados a procurar por um teto com amigos e familiares.
Uma total falta de respeito para uma instituição de ensino, uma desordem imensurável. A última parte realmente o deixava puto. Toda a gritaria e repressão parecia estar beirando o descontrole, e era por isso que Yoobin estava ali. Se iria clamar por seus direitos, porque não da melhor maneira, com uma boa dose de violência na cara dos policiais filhos da puta que feriam os mais desamparados daquela situação? Ele tinha passado não só a manhã como a tarde inteira apenas observando e estudando o local. Se iria fazer qualquer ato de rebeldia, o estudante de direito não poderia apenas se entregar a raiva. Cada passo tinha que ser extremamente calculado. E pensando nisso ele já estava vestido para a guerra. Com vestes completamente pretas, coturnos, uma máscara que o protegeria do gás por debaixo de uma máscara cirúrgica de mesma cor, touca e luvas negras como a noite. Yoobin estava invisível diante da multidão que assumia uma postura cada vez mais revoltada diante das represálias que recebiam.
No meio da confusão que se formava na linha de frente ele pode ter certeza de que avistou um dos amigos, Sunghoon. Observava alguns poucos conhecidos desde sempre, mas como o bom calculista que era, Yoobin estava agindo sozinho. Mas na movimentação inquieta do colega ele soube que algo não estava certo — ainda que toda a situação ali fosse completamente caótica, não tardando a se aproximar de Razor, que também vinha em sua direção. — E aí, que porra que tá acontecendo na linha de frente? Eu já vi um aluno ser preso e uma garota desmaiar, e olha… Eu ‘tô com uma puta vontade de colocar ordem nesses burguesinhos filhos da puta, começando por esses arrombados desses policiais. Vamos procurar o resto do pessoal.
Não, Shiori não se importava nem um pouco com o que acontecia com o complexo. Se a diretora estava sendo acusada, se estavam investigando as transações feitas pela mesma e nem mesmo a situação dos demais alunos sem moradia incomodava o japonês, ele abriu as portas de sua casa somente à algumas pessoas e porquê gostava muito delas. Mas não era um problema que lhe afetava diretamente, afinal, o acampamento não havia sido de todo ruim para o garoto e ele não era o aluno número um da classe, com aquela cede de estudar. Podia passar os dias em casa sem nenhum problema enquanto esperava tudo aquilo acabar.
Mas naquele dia Shiori se misturou a multidão pelo simples fato de gostar de uma baderna, nada mais. Não estava lutando por nada e nem apoiando causa alguma. Ele só queria ver a confusão e piorar um pouco mais a mesma, adorava a adrenalina que corria seu corpo e era figurinha repetida em eventos problemáticos. A mochila que carregava nas costas tinha o que era preciso para montar alguns coktails molotov, coisa que o garoto conhecia intimamente e pretendia usar em algum momento, só procurava o certo.
Havia se perdido do grupo de amigos, mas ficar sozinho não intimidava o japonês que, por ser pequeno, conseguia desviar de algumas situações e fugir quando as coisas esquentavam demais e o jovem não daria conta. Foi em um daqueles momentos que naturalmente o garoto foi expelido da confusão quando uma menina acabou apanhando. Shiori se recompôs rápido, puxando mais o capuz que vestia para ir à outra ponta com a intenção de jogar as pequenas bombas de um ponto cego, quando ouviu a voz de Razor gritando com os policiais. Mais uma confusão e nem o garoto sabia como havia se afastado, achando Yoobin com o rapper por um acaso naquela multidão.
- O que aconteceu ali na frente?!
A raiva da garota era visível de longe - no jeito que andava, pulava ou gritava no meio da multidão. Tinha levado todos aqueles acontecimentos para o lado pessoal, afinal, todo o progresso que ela fizera indo morar ali fora por água abaixo, e agora estava sendo privada de suas preciosas aulas, além de forçada a voltar para o lar abusivo de onde saíra - era isso ou ficar na rua. A indignação tomava conta do corpo pequeno, que devido a falta de prudência, batia de frente com qualquer um que ousasse tentar fazê-la mudar de ideia. Choi Jiwon era uma louca, uma louca que estava acabando com a sua vida, e ela não ficaria parada até essa mulher estar acabada.
Estava devidamente coberta e protegida - nunca tinha participado de um evento daqueles, mas sabia muito bem o que fazer -, a máscara em seu rosto deixando tudo que ela gritava, fosse em coreano ou em sua língua materna, abafado. A garganta já começava a falhar, mas ela não planejava parar agora - estava ali desde cedo, e se não tinha parado nem para comer, não seria por aquele motivo que ela pararia. Seguia na linha de frente, sendo incetivada pelos outros, tão indignados quanto ela - e foi nesse momento que as coisas começaram a dar errado. A menina ao seu lado tinha sido golpeada sem dó por um dos políciais, assustando os próximos, os gritos indignados se intensificando em consequência. Heedae, em um ato completamente automático, avançou alguns passos para ver se a garota estava bem, sendo imediatamente empurrada com força para trás por um dos outros militares, coisa que fez com que a australiana fechasse as mãoes em punhos, se controlando para não falar o que não devia, voltando a se aproximar da garota e arrastando-a para longe dali com a ajuda de alguns outros manifestantes.
Depois de levar a desconhecida para um local menos movimentado, checando se estava bem e pedindo auxílio médico, Day passou a andar até onde estava anteriormente, mudando de rumo ao notar que muitos tinham corrido dali. Estava perdida no meio daquela quantidade de pessoas, sentindo-se até meio claustrofóbica, quando avistou de longe seu amigo japonês, não demorando para correr até ele, livrando-se da máscara no caminho, para ser reconhecida com mais facilidade. — Shizu? — pulou nas costas do centímetro mais baixo ao alcançá-lo, só então notando a presença dos dois mais altos. — Hey, bela merda, huh? — a australiana falou, desgostosa com toda aquela situação.
Normalmente, não era o tipo que se metia em brigas, a menos se por um motivo fodidamente bom. E, bem, toda aquela situação pandemônica era mais do que um bom motivo para que Joohyun se metesse no meio da manifestação. Duas semanas infernais no meio do mato e, quando retornou, descobriu que todo o complexo estava trancado e que os alunos que não foram ao acampamento haviam sido expulsos. Aquilo ia muito além do desrespeito e violação de direitos, porque poderia ter sido ele a ser expulso, a não ter onde ficar como a maioria. E tal situação não podia ficar como estava, Choi Jiwon tinha que pagar por cada ato criminoso sim, mas não significava que iria ficar de braços cruzados diante do fervor. No meio da confusão, se perder dos dois amigos e colegas de banda foi tarefa fácil. Ficou para trás pensando num meio de burlar aquele cerco policial e tentar entrar no complexo, mas a tarefa se mostrou muito mais complicada do que o guitarrista imaginou.
Pois bem, ao menos ele estava bem armado e, junto com outro grupo igualmente armado, Joohyun incitou aquela chuva de balões que tinha os mais variados conteúdos. Foi com prazer que viu um com tinta preta acertar os policiais, e mais tantos outros que acertaram os repórteres. Ao menos, até a chuva ser descoberta e ele precisar se enfiar no meio da multidão para não ser pego. O cabelo estava bem preso num coque samurai e, sobre este, o boné preto assim como o resto das roupas e a máscara que cobria metade do rosto. Se embrenhar naquela multidão era uma tarefa homérica, mas tanta adrenalina só impulsionava o rapper à frente, ainda que vez ou outra olhasse para trás somente para se certificar de que não era seguido. Seja por policiais ou outros manifestantes.
As mãos abriam passagem naquele mar de gente, e foi então que avistou Yoobin a frente. Tão mascarado quanto a si próprio, mas não conseguia confundir aquela expressão de ódio. E foi em efeito dominó que viu todos os outros ali, chegando a soltar um suspiro de alívio ao constatar que não haviam feridos, ao menos fisicamente. Segurou u braço do tatuado, puxando a máscara para baixo por um breve momento para que o mais velho o reconhecesse. — Não dá pra entrar. — Foi o que praticamente gritou ao tatuado, já que inicialmente aquele era o plano do trio, que logo virou squad, e logo Joohyun passou para o fim da fila a fim de fechar o cerco ao redor dos dois menores do grupo. — Cadê o resto do pessoal? Espero que não estejam lá na frente… Eu joguei umas bombas de tinta e acho que esses arrombados estão meio putos agora. — Apesar das palavras, haviam um tom de divertimento em sua voz, já que aquela era uma bagunça perfeitamente necessária para a situação que viviam no momento.
ー A galera tava meio pacífica lá na linha de frente, o pessoal de trás empurrou geral e fizeram uma menina avançar sem querer, ai um dos policiais acertou um soco nela… A gente se revoltou e eu quase fui preso por discutir com um deles.ー Resolveu explicar aos demais, olhando para a zona um pouco distante do pequeno grupo e abaixou a máscara, permanecendo com o capuz antes de jogar a bandeirinha que balançava em algum canto. ー Não tem condição mesmo de furar essa porra de bloqueio, sem falar que deve ter uma porrada deles dentro do complexo…
Razor estava mais que frustrado por não conseguir fazer o que pensou desde o exato momento em que botou os seus pés ali, mas ele não sairia dali sem botar pelo menos um terço do que planejou em prática, não mesmo. O rapper resolveu percorrer o olhar para cada um daquele pequeno grupo, provavelmente eles topariam fazer parte do plano; olhou então a mochila do menor ali e franziu o cenho, a curiosidade fazendo com que se aproximasse do mesmo para saber do conteúdo.
ー O que tem ai dentro? ー Estava de mãos vazias no momento, o máximo que levara consigo fora um óculos de proteção caso as bombas de gás lacrimogênio fossem jogadas outra vez, uma corrente de um metro e meio, um soco inglês e seu zippo. Mas aquilo era o de menos, já que seu carro estava há umas três ruas dali, trancado e com tudo o que precisava. ー A gente precisa inventar um jeito de passar, o que é pra fazer lá no complexo tá bem aqui na minha cabeça… Alguém tem uma idéia ai?













